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Cenarios competados três meses (4)

Jair Bolsonaro, nestes três primeiros meses, demostrou claramente inapetência para a atividade de governar. Governa por obrigação e por pressão. 
A pressão é dos grupos ou pessoas que contribuiram decisivamente para a sua eleição e se consideram partícipes da eleição. 
Paulo Guedes se comporta como se ele fosse o eleito. Sérgio Moro também, mas de forma mais discreta. Olavo de Carvalho acha que sem a doutrinação dele aos Bolsonaros, Jair não seria eleito. Considera-se credor de Jair. Silas Malafaia, liderando os evangélicos entendem que foram decisivos para a eleição de Bolsonaro e cobram dele os compromissos assumidos com os evangélicos. O grupo militar não se considera eleito com Bolsonaro mas o que deu sustentação à sua eleição e agora é fiador do seu governo. 
Percebida a inapetência de Jair Bolsonaro, para governar cada um deles quer governar, dentro da sua área, mas em alguns casos, em com conflito por espaços.
O principal conflito ocorre com a atuação e pretensões de Olavo de Carvalho, que se considera mentor dos Bolsonaros, tendo influência efetiva sobre Eduardo Bolsonaro. Através dele "emplacou" dois Ministros, seus discipulos: Ricardo Velez na Educação e Ernesto Araujo nas Relações Exteriores.
O primeiro para eliminar o "progressismo" em todos os níveis da educação. O segundo para implantar a "doutrina Trump" no Brasil, efetivando a intensa admiração de Bolsonaro e seu filhos pela vida americana e, em particular a visão nacionalista de Trump em relação ao seu. 
Em ambos os casos, a principal disputa foi com o grupo militar. Em relação ao primeiro esse tem idéias modernizantes sobre a educação e, embora também seja contra a ideologização promovida pela esquerda dentro das escolas, não aceita a ideologização oposta. 
Não permitiu que Olavo de Carvalho assumisse o Ministério da Educação, "porteira fechada", aparelhando-o inteiramente com "olavistas". Nos cargos ou funções de direção foram retirados quase todos os ligados aos governos anteriores e substituidos, parte por indicados pelos militares e outra pelos olavistas. 
As facções entraram em choque, com sucessivas demissões, mas a ala militar prevaleceu, isolando o Ministro que resistiu apoiado por Olavo de Carvalho, através das ações dos filhos de Bolsonaro. Ao perceber a derrota, Olavo de Carvalho se retirou da disputa, acusando Ricardo Velez de traiçoeiro.
Jair Bolsonaro não interferiu. Deixou que as partes se degladiassem, para apoiar o lado vencedor. 
Ele não vai mediar os conflitos, para evitá-los. Ao contrários. Irá estimular e ficará com o lado vencedor. É o seu estilo de goveno ou de não governo. 
Os cenários futuros tem que levar em conta essa realidade de não governo de Jair Bolsonaro.

(cont)



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