Um país como Estado fraco (4)

Com o desvendamento do esquema de captura e conluio dos empreiteiros com a cúpula politica, iniciou-se um processo de confronto entre poderes, com o Ministério Público e o Poder Judiciário numa batalha para acabar com a corrupção pública e afastar do Poder Executivo e Legislativo os políticos envolvidos no esquema. E esses se defendendo para se manterem no poder. Para eles a perda de poder não significa apenas uma perda política. É uma passagem imediata (ou não tão imediata) do poder para a cadeia.

Esse confronto no seio do Estado, entre os seus poderes o paralisou e o enfraqueceu.

A fase inicial do confronto, com a Operação Lava-Jato alcançou fatos passados, mas levou ao afastamento da Presidente Dilma Rousseff, dando margem à ascensão da outra banda do mesmo esquema.

Essa prosseguiu com as mesmas atividades, com outros grupos empresariais, até que por uma falha, o processo veio à tona, envolvendo diretamente o Presidente da República. 

Agravou-se o confronto entre os poderes pela fixação do Procurador Geral da República em derrubar um Presidente em exercício. Esse, porém, contando com o apoio de parte do Congresso, faz de tudo para que a Câmara dos Deputados o ajude a sobreviver no cargo.

Dentro desse quadro de confronto interno entre poderes, o Estado Brasileiro está fraco, com um Executivo sem poder efetivo e sem recursos orçamentários. Um legislativo também sob ameaça dos demais poderes e seus membros já mais interessados em se reeleger em 2018. Como condição essencial para manter o foro privilegiado e evitar o risco de condenações na Justiça de Primeira Instância.

Não é apenas o Executivo que está fraco. E o Estado Brasileiro, como um todo, que está fraco. O único setor que procura-se mostrar forte é o das autoridades econômicas, com o apoio do chamado "mercado", isto é, com o conjunto dos agentes econômicos privados. 

Um Estado fraco pode ser a oportunidade para a sociedade assumir o seu protagonismo e se desenvolver independentemente do Estado.

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