quinta-feira, 30 de maio de 2019

Um pacto que não vai acontecer

É difícil prever o futuro politico do Brasil com um Presidente que tem uma visão estreita, de curto prazo e cultura de almanaque.
O que significa para ele um pacto? 
Fora os naturais trocadilhos como "pagar o pato", a ideia original é o "pacto de não agressão".
Belmnonte

Diante do clima de beligerância, no seio do próprio Governo Bolsonaro, entre as suas diversas facções e entre o Executivo e o Legislativo, Dias Toffoli, o mais alto dignatário do Poder Judiciário, tentou intervir como "pacificador" propondo um pacto de não agressão. 
Alvo das acusações dos bolsonaristas, em função de  tentativas de censura e de defesa de envolvidos em corrupção, contrapondo-se aos justiciamentos públicos, por evidencias e indícios, perdeu a condição de exercer o papel moderador. É visto como uma das partes do eventual pacto de não agressão, no que não tem a unanimidade dos seus pares e do corpo jurídico do país.


Depois de incentivar as manifestações, recolher o apoio, difundir as manifestações e comemorar sem ressalvas aos ataques ao Legislativo e ao Judiciário, ficando à beira de uma declaração de guerra, diante do risco de retaliação, promoveu um encontro para propor um pacto de não agressão. 
Conseguiu o que o Governo - não necessariamente ele - queria: a reforma administrativa com a aprovação da MP 870, que estava sob risco de caducar. Evitou a retaliação que poderia ser feito, simplesmente, pelo retardamento da aprovação pelo Senado, sem alterações do aprovado pela Câmara. Foi obrigado a uma concessão do exigido pelos seus seguidores: aceitar a retirada do COAF de Sérgio Moro, para a economia. 
Vencida essa etapa, a ideia do pacto será mantida até a aprovação da Reforma da Previdência. Essa será aprovada, mas com maior probabilidade na versão desidratada do que a original. 
Depois tudo voltará à trajetória anterior, dentro dos cenários já desenhados: Bolsonaro - presidente efetivo, Rainha da Inglaterra e Jânio ou Dilma?

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Um acordo pouco sustentável

Não se propõe acordo quando se está ou se sente fraco. Em que pese a superestimação do apoio popular, esse foi expressivo e Jair Bolsonaro tomou a iniciativa de propor um acordo com as chefias dos demais poderes.
Ele terá dificuldade em cumprir, seja por características pessoais, como pela eventual perda de apoio popular, ou melhor, das suas bases.

Essas foram às ruas para a sua defesa no confronto com o Centrão e o seu suposto líder Rodrigo Maia e contra o Presidente do STF, Dias Toffoli, nominalmente citados e acusados pela turba. 
Fazer acordo com eles, pode ser visto como traição para as suas bases. Sairam às avenidas para torcer pelo seu lutador preferido, no confronto com os adversários. Não para um acordo. Foram incentivados à beligerância e agora o seu apoiador não quer continuar a briga: "frouxo", "covarde", "maricas". Cadê o cabo e o soldado para fechar o STF? Para o Congresso precisa de um sargento? Tem agora vários lá dentro. 
Jair Bolsonaro tem apoio popular na briga, no confronto. Não na paz. Nesta emergem mais as suas demonstrações de inapetência em governar.
O pacto está sendo costurado para a aprovação da Reforma da Previdência, que excluindo os radicais de esquerda, todos estão a favor. Mas de qual delas? Cada um interpreta como quiser. 
Um texto básico, saindo da relatoria da Comissão Especial, será aprovado pela Câmara. O problema estará nos detalhes, ou melhor nos destaques.
Detalhes que significarão billhões a mais ou menos em dez anos. 
Aprovada uma Reforma da Previdência, qualquer que seja, a trégua será rompida e "seja o que Deus quiser": acima de tudo e de todos. 
Quem sucumbirá? quem sobreviverá?

(cont)

terça-feira, 28 de maio de 2019

Um jogo perigoso

O Major Olimpio, junto com outros radicais bolsonaristas está blefando e seguindo um jogo perigoso.
Sabe que o Senado, com anuência do Governo, tem os votos mais que suficientes para aprovar a MP 870 da Reforma Administrativa, como foi aprovada pela Câmara dos Deputados, isto é com o COAF no Ministério da Economia e não com Sérgio Moro. Mas insiste em promover a reversão, para marcar posição. 
A oposição bolsonarista pode "pagar para ver". Aprova a alteração, mas não devolve de imediato à Câmara dos Deputados, deixando a apenas com a sexta-feira e o fim de semana para aprovar. 
Rodrigo Maia, para não ser acusado mais uma vez de trabalhar contra o Governo, convoca reuniões extraordinárias, sabendo que não haverá na Câmara, votos suficientes para uma nova votação, deixando a MP caducar. Automaticamente o COAF volta ao Ministério da Economia. 
Se isso ocorrer, como fica o blefe do Major Olímpio? Será ele responsabilizado pela não aprovação da MP 870? Até que ponto ele manterá o blefe? 
Publico excepcionalmente, para registrar o blefe.

Falta o pacificador

Ontem ao concluir as avaliações sobre os impactos futuros das manifestações de domingo, dia 26, apontei dois cenários radicais: a batalha final de uma guerra indesejável, mas em andamento.
No processo político há sempre soluções intermediárias, mais desejáveis, mas menos prováveis.
A mais desejável é o fim da "guerra", com o restabelecimento da paz. 
Ou melhor, que nem comece a guerra. Mas as manifestações públicas de domingo e os pronunciamentos do Presidente da República, podem ser caracterizadas como uma declaração de guerra dele, como líder da seita ou de relevante segmento da sociedade, contra os políticos, encarnados na figura de Rodrigo Maia (o "inimigo" nº 1) e seu suposto aliado Dias Toffoli, representando a "máfia da lagosta" do STF. 
Para que não se chegue à batalha decisiva, com a total rendição de uma das partes, haverá a necessidade da ação dos pacificadores. 
Qual será o apoio popular dos pacificadores, onde há um acirramento de posições em confronto? E quem são os líderes nacionais, com alguma credibilidade para assumir tal papel? 

Há algum político, neutro e sem qualquer "rabo preso", para ser aceito nesse papel?
Ou seriam os militares? Nesse caso, com que liderança? 

Os pacifistas não podem ficar esperando ou torcendo para que a guerra não caminhe para a batalha final, com a rendição incondicional ou extermínio de um dos contendores.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A seita saiu às avenidas

A seita bolsonarista, mobilizada pela rede social, saiu às avenidas das principais cidades brasileiras e mostrou volume e coesão. Mas sem o apoio dos demais segmentos da sociedade, reticente com o radicalismo da seita.
Tem o controle da bancada do PFL e demais adeptos, pressionados pelos celulares, não permitindo que façam concessões ou acordos. 
A consequência será uma marginalização da base aliada e do próprio Governo, dentro do Congresso. 
Haverá uma radicalização do Presidencialismo de Confronto, com o Executivo encaminhando as suas propostas e, eventualmente, vetando as alterações feitas pelo Congresso. 
De outro lado, o Congresso aprovando as suas propostas, pelas maiorias necessárias e derrubando os vetos, assim como decretos do Executivo. Esse não executa o que for aprovado pelo Congresso, mas que não corresponda aos desejos da sua seita.
Cada qual, democraticamente eleitos, em oposição ao outro poder. Com o agravamento sucessivo do conflito.
O impasse só será resolvido pelo fechamento do Congresso ou pelo impeachment do Presidente. 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Cenáros Bolsonaro 2019

Bolsonaro termina o seu mandato? Como estará Jair Bolsonaro no final do ano?

Um primeiro cenário, "Bolsonaro, Presidente efetivo", na narrativa bolsonarista não há qualquer dúvida. Bolsonaro estará firme e forte na Presidência, no final do ano. 
O Governo teria começado titubeante, mas agora Jair Bolsonaro assumiu plenamente a Presidência, impõe a sua pauta e pensamento e o Governo segue agora disciplinadamente as diretrizes definidas pelo Presidente. 
Mantém o apoio popular, com viés de alta e a economia irá voltar a crescer com a reforma da previdência. 
O segundo cenário seria "Rainha da Inglaterra". A ala militar preocupada com a perda gradativa da popularidade e aprovação, resolve tutelar mais intensamente o Presidente, cerceando as suas manifestações intempestivas e exigindo que ele controle os filhos. A ala militar assume plenamente a coordenação das atividades governamentais, mitigando o caráter ideológico de muitas áreas. 
Jair Bolsonaro segue como presidente, mas tutelado, sem poder efetivo de governo.

O terceiro cenário se baseia na percepção pela ala militar de que Jair Bolsonaro é intutelável, incontrolável e indisciplinado, como sempre foi. Também não consegue controlar os filhos e os usa como seu porta-voz pessoal. 
Diante da piora na situação econômica, colocando em risco o sucesso do governo e aumentando a perspectiva de volta do PT,
nas próximas eleições, a ala militar pressiona para que ele renuncie: "pede para sair". Se resistir, deixará ao Congresso a função de retirá-lo, sem defendê-lo. Por similitude é o cenário "Jânio ou Dilma?"

Quem vai mandar no Estado Brasileiro?

Os favoráveis ao decreto que flexibilizou o porte e posse de armas, o defendem em função do seu conteúdo, prometido ao longo da campanha ...