segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (7)

A base real dos sindicatos é muito menor do que apregoa ou se acredita. 
O líder sindical não representa os trabalhadores em geral, mas apenas uma categoria, muitas vezes limitada à uma região, e com carteira assinada. Um contingente que tende a ser cada vez menor. Mesmo com a retomada da economia.

As lideranças sindicais foram formadas e treinadas para a "luta de classes", para se opor ao capitalismo, principalmente contra o capitalismo selvagem e predador.

Mas não foram preparados para enfrentar ou se defrontar com um capitalismo industrial decadente. 

O capitalismo vem mudando e o capitalismo produtivo e empregador vem sendo substituido pelo capitalismo financeiro, pouco empregador. 
O patrão real não é mais aquele que emprega ou desemprega, mas um gestor financeiro que nem aparece. 

Antes o trabalhador, através das suas lideranças sindicais negociava diretamente com o patrão, ou seus prepostos imediatos. Agora negocia com os representantes dos dirigentes da empresa. Que são "empregados" do capitalista financeiro. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Bases desaliadas

Não existe uma base aliada, mas diversas bases desalinhadas.
Há a base do Presidente Temer que foi formada para defendê-lo contra as investigações das denúncias. É uma composição conjuntural. É pessoal.
Uma segunda base, que pode ser desdobrada seria de apoio ao Governo. Uma primeira seria em relação às medidas econômicas e outra, em relação às demais medidas.

A lista das Medidas Provisórias encaminhadas ao Legislativo - excluidas as de política econômica - atendem a interesses de setores econômicos, como os de petróleo & gás, mineração, agronegócio, ou atividades privadas em educação e saúde.


A formação de uma base aliada para a aprovação dessas MPs depende mais do lobby das empresas ou de suas associações do que de articulação política do Governo. 

Já a pauta econômica que é gerada pelo Ministério da Fazenda e entorno, seria de uma política de governo, mas não é.
Temer encampou a pauta de Meirelles a partir da visão do "mercado" de que as reformas econômicas - principalmente a previdenciária - seriam essenciais para promover a retomada do crescimento econômico.
E Temer, com baixa popularidade, assumiu que a condução da retomada da economia, seria uma forma - talvez a única - para melhorar os índices de popularidade e melhorar a governabilidade.
Mas a economia voltou a crescer, mesmo sem a aprovação das reformas, exceto a do Teto.
Escapando do objetivo principal, de natureza política e pessoal, a pauta econômica deixa de ter prioridade para o Presidente, passando a ser uma pauta Meirelles e não mais Temer/Meirelles. 
Essa pauta passará a ser negociada diretamente entre Meirelles e Rodrigo Maia, cabendo a ele articular o apoio às medidas aprováveis. 

Ao lado das medidas de iniciativa do Executivo, o Legislativo terá uma pauta anti-Judiciário e anti-Ministério Público, envolvendo - principalmente - abusos de autoridades. 


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A agenda parlamentar

A agenda parlamentar será inteiramente comandada pelo próprio Congresso, com perda de iniciativa e protagonismo do Poder Executivo. 
Neste restante de ano, a pauta será tomada pela discussão do orçamento de 2018, com uma forte disputa por verbas, que terão impacto sobre o eleitorado de cada parlamentar. 
Nem o Governo terá poderes para defender o suposto interesse nacional. Cada qual tem a sua versão sobre o que seja esse interesse. Não terá nem mesmo condições de impedir ou coordenar a ação de lobby dos Ministérios junto aos parlamentares para melhorarem as suas verbas específicas. 
O orçamento de 2018 tomará todo o espaço da agenda econômica e da agenda legislativa em geral. Irão escapar algumas medidas pontuais, entre as quais algumas relevantes, pouco percebidas. Caberá ao Executivo, o controle, por eventuais vetos.
O Executivo perderá o poder da iniciativa, mas poderá manter ainda uma fatia do poder real e protagonismo, pelos vetos.


Será um exercício melancólico da Presidencia, como foram o quinto ano de Sarney ou o último ano de Cardoso. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (6)

A mistificação da produtividade da mão-de-obra

A análise econômica difundida pela mídia, dominada pela visão capitalista chamada de liberal ou néo-liberal (por razões teóricas) tem como foco a produtividade, que é a relação entre o uso de fatores (trabalho, equipamentos, terra e outros) e a produção obtida.

Defendem e difundem, com base nas teorias capitalistas que aprenderam no exterior, que o Brasil só se desenvolverá com o aumento da produtividade. E que para isso é preciso investir em inovação.

Mas o que eles escondem ou nem percebem é que atrás do conceito e índices de produtividade, está a redução do trabalho.

Partem do preconceito de que o trabalhador brasileiro é improdutivo e que com a redução dos contingentes de trabalhadores se obtém maior produtividade. 

O pressuposto é que com os ganhos de produtividade, através da redução do uso do trabalho e dos demais fatores, a produção brasileira se torna mais competitiva e poderia vender mais. O que é uma mistificação.

A produtividade e consequente competitividade não depende apenas do fator trabalho. É uma conjugação de fatores e cada qual não pode ser avaliado isoladamente.

Faltam no Congresso, lideranças sindicais para desmentir a mistificação do pensamento econômico predominante. Sem oposição torna-se hegemônico.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um novo ciclo de investimentos

Com a crise econômica geral e a fiscal em particular, houve uma redução generalizada dos investimentos, afetando mais profundamente os de infraestrutura, a cargo do Estado.
Está havendo uma retomada lenta da economia, porém os investimentos ainda demorarão. Há muita capacidade ociosa.

Com a absoluta escassez de recursos para investimentos públicos os novos empreendimentos em infraestrutura dependerão de aportes de recursos do setor privado.

 A alternativa que resta é das concessões comuns (ou plenas), com o investimento totalmente realizado pelo setor público e remuneração pela cobrança de tarifas dos usuários. Sem qualquer subsídio, essas tendem a ser elevadas, podendo reprimir a demanda.

O investimento público é movido pela existência de uma insuficiência de atendimento, também caracterizada como déficit. 

Para o investidor privado, déficit não é sinônimo de demanda. As pessoas querem uma eventual duplicação da rodovia, mas não estão dispostas a pagar o valor do pedágio. 



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O lado A do futuro do Brasil


O lado A do futuro do Brasil é radioso, apesar de sujeito a chuvas e trovoadas. Ao contrário do tenebroso lado B. Esse lado Brasília nos deixa enojados e com vontade de abandonar o país. Já o lado A  do  Agronegócio nos indica um desafio promissor, mantendo-nos num esforço, numa luta por um Brasil melhor.
Uma visão conservadora dominada pela economia industrial obscurece a perspectiva do protagonismo mundial no Brasil, seja no futuro imediato, como a longo prazo. 
A evolução do agronegócio vem rompendo as barreiras e irá se impor como o principal motor do desenvolvimento futuro do Brasil. 
Mas não conseguiu ainda superar, nem mesmo equacionar o seu maior obstáculo: a insuficiência logística para o escoamento das safras - cada vez maiores - seja para os portos de exportação, como para o consumo interno dos alimentos.
O Instituto de Engenharia, em São Paulo, vem desenvolvendo um trabalho caracterizado como "Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia, associada ao Agronegócio" cuja proposta principal é a implantação e operação de uma malha ferroviária integrada, de caráter privada, voltada ao agronegócio.  
Essa implantação deverá estar voltada para o escoamento das safras produzidas acima do paralelo 16 para os portos do norte, associada à ocupação sustentável do território, tanto agrícola, como industrial e urbana
Deverá ser dada prioridade ao sistema estruturado pela ferrovia Norte-Sul, completando a implantação do trecho entre Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP), a operação plena entre Açailândia e Estrela D'Oeste, dando aos usuários a alternativa de escoamento tanto pelo porto de Itaqui no Maranhão, como de Santos em São Paulo, pelas conexões com outras ferrovias.
Deverá ainda ser promovida a implantação - a curto prazo - das ligações transversais entre os polos de produção e a Ferrovia Norte-Sul.  

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas

As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades econômicas montam demostrações quantitativas para indicar possível efeitos sobre o PIB e influenciar a decisão dos congressistas.
E a moda mais recente, que não pegou inteiramente, é a influência sobre a confiança dos agentes econômicos, principalmente dos investidores.

Mesmo sem as reformas, os investidores estrangeiros estão investindo no Brasil. 

Para a discussão das políticas econômicas as lideranças sindicais devem assumir como parâmetro primeiro a geração de empregos e, subsequentemente, a qualidade desses empregos, ou ocupação.

Qualquer proposta deve ser avaliada segundo um medidor de geração e sustentação de empregos. Para isso é preciso criar um modelo de avaliação, mais ampla do que é usualmente utilizado. Esse foi desenvolvido dentro do BNDES, pela economista Sheila Najberg, com participação de Marcelo Ikeda, no final do século passado e não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Tem um bom conceito, mas é incompleto. E não contempla a distinção entre o emprego formal e informal. 

Não existe política de emprego, distinto da política econômica e da política de investimentos. 

A partir desse modelo as lideranças sindicais poderão modernizar o seu discurso seja junto às bases, como ao Governo e à sociedade em geral. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (4)

Na economia moderna e atual o principal inimigo do trabalhador não é o "patrão" que o contrata, paga mal, assim como o demite.
Os dois fazem parte indissolúvel de um processo produtivo, de uma cadeia produtiva, que tem dois grande "inimigos" que sugam grande parte da renda, deixando pouco para os dois. Esses brigam entre si, pela parte que sobrou da renda com a venda do que foi produzido. A "parte do leão" ficou com o Governo e/ou com os bancos. 

Os movimentos de rua, baseadas nos discursos de sempre, amplificadas por megafones, são barulhentos mas reverberam cada vez menos. Os que se sentem incomodados são cada vez maiores. Os que aderem e vão às manifestações são cada vez menores. 

Os mentores acham que é falta de consciência do povo. Mas precisam refletir se essa falta não é deles, que não percebem que os discursos de sempre não tem mais repercussão.

As novas estratégias deverão usar as mesmas "armas" da dita direita, ou dos neoliberais. A principal seria a "desconstrução" das suas teorias baseada em dados manipulados.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A falsa renovação no Congresso

Em todas as eleições para o Congresso Nacional há uma mudança na composição dos deputados federais, acima de 50% o que caracterizaria uma permanente renovação. O que é falso: induzido por números globais, sem análise mais detalhada ou qualitativa. Os novos não são tão novos.
Entre os novos que foram eleitos em 2014, ocupando o lugar dos não reeleitos, podem ser caracterizados como:

  • suplentes promovidos;
  • políticos promovidos;
  • retornantes;
  • substitutos;
  • familiares;
  • novatos de fato
Suplentes promovidos são os que ficaram na suplência em 2010 e conseguiram se eleger como titulares em 2014. 
Políticos promovidos são ex-prefeitos ou ex-deputados estaduais que buscam um patamar superior, não tentado anteriormente.
Retornantes são os que em 2010 não se candidataram por estar em outros cargos, como de Prefeito Municipal, Governador ou fizeram parte de chapa derrotada para as funções executivas e retornaram em 2014. 
Substitutos são os que emergem como candidatos no lugar de seu pai, avó ou lider politico de prestígio, por estarem impedidos pela "ficha limpa", outras restrições, ou por se candidatarem a outros cargos. 
Familiares podem ser substitutos ou não. 
Finalmente os novatos de fato são os que não tem antecedentes político-eleitorais, caracterizando uma efetiva renovação. 
Tomando o exemplo do Espirito Santo os reeleitos em 2014 representariam 40%, 50% seriam uma falsa renovação. A renovação efetiva foi de apenas 10%

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os eleitores em 2018

Em outubro de 2018, quando ocorrerão as eleições gerais, os eleitores brasileiros estarão com as seguintes visões principais: evolução, ruptura e descrença. 

Os evolutivos ainda acreditam que os políticos podem trazer uma melhoria na sua vida e votarão na esperança. 


De uma parte estão os mais pobres que acreditam que um político pode ajudá-los a ter mais fácil acesso aos serviços públicos, como a melhoria e ampliação desses mesmos serviços, gerar empregos, controlar a carestia, assim como proporcionar benefícios diretos. 
De outra, segmentos da classe média, preocupados com a violência, confiam que um candidato forte, com apoio militar a combateria, assim como  acabaria com a corrupção. Alguns ainda acreditam que há políticos não corruptos que mereceriam o seu voto.
E as classes mais ricas, tem a esperança de um crescimento econômico, baseado na disciplina fiscal. 

Os adeptos da ruptura, estão indignados com os políticos e acreditam na possibilidade de um ampla renovação do Congresso Nacional, além de eleger um Presidente renovador. Os defensores mais radicais da intervenção militar, acham necessário o "golpe".

Os descrentes ou desesperançados não acreditam nem na evolução, como na possibilidade de renovação ampla e preferem adotar uma posição negativista ou de protesto. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (3)

Mudanças no Marco Regulatório das Relações Trabalhistas

Através das leis do trabalho, consolidadas pela CLT e alterações posteriores e também inseridas na Constituição Federal, as relações de trabalho dependiam das leis. Novas leis ou alterações das existentes dependem do Congresso Nacional.

Uma bancada sindical ou, de forma mais ampla, uma bancada de trabalhadores, ou ainda uma bancada trabalhista, seriam importantes para assegurar aos trabalhadores condições mais favoráveis. Ou evitar a redução das conquistas anteriores.

Sem uma bancada trabalhista para barrar a reforma trabalhista, o Congresso aprovou a prevalência do acordado sobre o negociado.

Em razão disso as lideranças sindicais terão que se dedicar mais intensamente nas negociações com os empregadores.

A função legislativa perdeu algum espaço nas questões trabalhistas. Durante algum tempo as questões legais serão definidas pela Justiça, seja a do Trabalho, como do Supremo Tribunal Federal.

Dentro dessas circunstâncias, seria ainda importante ter uma bancada sindical? Para propor o que? Para defender o que?


O principal, do ponto de vista da atuação legislativa, estaria na contraposição ou discussão das medidas legais que incentivam a inovação, a produtividade, sem a contrapartida de sustentação dos empregos ou trabalho.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (2)

Reversão

Será possível uma reversão do quadro atual, em 2018, com a  eventual eleição de uma expressiva bancada sindical na Câmara dos Deputados? Se isso ocorrer, qual será o impacto político dessa nova participação sindical? 

A questão preliminar é se líderes sindicais conseguirão ser eleitos deputados federais, em 2018, tendo os trabalhadores da sua categoria, como principal base eleitoral?

Os sindicatos, para atrair associados, concentraram se na oferta de serviços assistenciais, recreativos e outros, despriorizando a luta política.

Essa luta política sempre envolveu conquistas de benefícios ou condições de trabalho, mediante leis e regulamentos públicos, principalmente de natureza federal. 

A conquista do poder pelo PT e Lula na Presidência, na prática, acabou promovendo a desarticulação política das lideranças sindicais que acabaram se acomodando e desmobilizando a sua luta política.

O que os líderes sindicais, candidatos a deputados federais vão ou podem oferecer (ou prometer) aos eleitores, como atuação como deputados federais?

Por que os trabalhadores da categoria votariam no seu líder sindical e não em outros, que lhe apresentam outras propostas? Que lhes parecem melhores.

Por que outros eleitores, fora da categoria do candidato votariam nele?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso?

Entre os candidatos corporativos, seria natural - como ocorre em grande parte dos países industrializados - uma grande presença de sindicalistas no Congresso Nacional, eleitos pelos trabalhadores. Entre os 513 deputados federais, apenas 3 teriam sido eleitos, em 2014, com os votos dos trabalhadores da sua categoria. Há mais, mas  não seriam "sindicalistas puros". Receberam votos de outros eleitores, não sindicalizados. Ou foram eleitos, com base em milionárias campanhas, financiadas pelos "patrões".
Mesmo dentro do Partido dos Trabalhadores, que tem a segunda maior bancada dentro da Câmara, atualmente com 57 deputados federais, poucos são líderes sindicais. Alguns chegaram, como tal, mas foram abandonando ou foram abandonando pelas suas bases. Carlos Zarattini, líder da bancada e um dos mais atuantes, embora não seja o preferido da midia, na juventude foi operário gráfico, mas não tem base eleitoral nos gráficos, tampouco desponta como líder trabalhista.
Segundo o blog Congresso em Foco a bancada sindical teria 43 deputados, muito menos que a bancada empresarial que teria 208. E perderia de longe da bancada ruralista.

Do PDT, tradicional partido trabalhista, entre os seus 18 componentes, nenhum foi classificado como integrante da bancada sindical. Tampouco há qualquer deputado do PTB na bancada sindical. São partidos que mantém o trabalhista apenas na sua denominação. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

E agora?

Após uma grande barafunda com os limites de auto-doações (existe isso?) para as campanhas eleitorais, com alteração da lei anterior, sua revogação, veto à revogação, parece que ficou tudo como d'antes.
As doações só podem ser de pessoas físicas, com o limite de 10% do rendimento do ano anterior. O que, supostamente, favorecerá os candidatos mais ricos que poderão autofinanciar a sua campanha. No caso de deputados federais até o limite de R$ 2,5 milhões.

Dispondo desses recursos, a questão passa a ser: onde e como gastar esses recursos para que retornem em forma de votos?

Os novatos ricos estão imbuídos da visão de que tudo se resume às "redes sociais". Essas terão importância nas eleições, mas poderão não ser suficientes para garantir uma eleição, nem mesmo de deputado federal, com cerca de 50 mil votos. Dependendo do Estado.

Pesquisas recentes mostram que ainda estamos muito longe da universalização da internet, muito menos da banda larga e menos ainda da banda larga móvel. 

Embalados pelo sucesso momentâneo de João Dória Jr, eleito Prefeito de São Paulo, em primeiro turno, surpreendendo os analógicos, os digitais já acham que são a quase totalidade da população. Não são. 
E as mensagens políticas não deverão chegar nem à metade dos eleitores. Os analógicos continuarão apostando nos meios tradicionais, principalmente o radinho de pilha. Ainda não aposentado. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A pergunta errada

O sempre brilhante jornalista Fernando Gabeira, faz a pergunta errada: "Quanto tempo os políticos brasileiros vão levar para entender que o jogo acabou?"
Enquanto estiverem jogando o mesmo jogo, com o apoio da torcida que os reelege sucessivamente ou elege os seus sucessores, da mesma laia, o jogo não terminará. Ou como dizia o lendário Vicente Mateus, "o jogo só termina quando acaba".

Quem pode mudar o jogo não são os políticos, mas os eleitores, que podem tirá-los do campo. Que podem não escalá-los para o jogo em Brasília.

A pergunta correta é "quanto tempo os eleitores brasileiros vão levar para entender que não devem eleger os mesmos políticos brasileiros?".

E a pergunta complementar: o que e como fazer para que os eleitores entendam? 
O alvo das mudanças não são os políticos, mas os eleitores. E não vão ser os políticos que vão mudar as cabeças e corações dos eleitores.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que propor para as prioridades da população?

Saúde é de longe a maior preocupação da população em todos as pesquisas sobre os seus maiores problemas.  

Renova, propõe como compromisso dos novatos renovadores "políticas sociais que eliminem a desigualdade de acesso à educação, saúde e segurança de qualidade".

Será suficiente para ganhar corações e mentes dos eleitores e, consequentemente, o seu voto? 

A resposta inicial é não. O que o eleitor pobre quer não é a eliminação da desigualdade de acesso: ele quer mesmo é o atendimento. Ele quer o acesso. A sua preocupação maior não é com os outros, se estão sendo melhor ou pior atendidos. A sua preocupação maior é com ele mesmo. Com o seu atendimento. 
Significa poder buscar a assistência de um médico ou profissional de saúde, numa unidade pública e encontrá-lo no seu posto e ser prontamente atendido ou em curto prazo. 
Os eleitores de renda baixa que dependem inteiramente da saúde pública querem ser atendidos. Seja em situações de emergência, como de serviços agendados. 

Uma vez recebido, a condição que o paciente quer é cordialidade, humanidade. Atendido ele quer resolutividade, isso é a cura para o seu mal. 

São condições fundamentais que, uma vez atendidas, cativam o paciente, deixando-o "eternamente grato", ao médico.
Esse é um ponto de partida para os médicos da rede pública que atendem bem os seus pacientes, iniciar uma carreira política. E os novatos terão que enfrentá-los.

O discurso saúde de qualidade, assim como educação de qualidade é necessário, mas insuficiente para a conquista do voto.

E sem voto, o novato não chegará a Brasília, para poder colocar em prática as suas ideias e propostas, por melhores, mais brilhantes e inovadoras que sejam. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Honestidade x combate à corrupção


Honestidade deverá ser um dos principais itens da agenda eleitoral de 2018, tanto para o cargos executivos como legislativos.

Será a mesma coisa de "combate irrestrito à corrupção"?

Honestidade é uma condição pessoal do candidato, que será apresentado, mas terá que ser percebido e aceito pelo eleitor.

Combate à corrupção é uma proposição que poderá ou não ser adotada pelo candidato. E ser real ou falsa.


Honestidade é uma condição passada e presente. Combate à corrupção é discurso para o futuro.

Os veteranos tem um passado público conhecido. Os novatos não tem, a menos de algum registro em ficha criminal.

Todos os candidatos se apresentarão como honestos e a favor do combate à corrupção. 

Apenas com o discurso de "combate irrestrito da corrupção" poderá ser insuficiente para ganhar "corações e mentes" dos eleitores e, consequentemente, o seu voto.

Combate à corrupção é e será muito importante nas eleições de 2018, mas não será um diferencial importante para os novatos derrotarem os veteranos. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A concorrência junto aos eleitores

Assumindo que os três pilares básicos da agenda de 2018 sejam esperança, honestidade e não desperdício (austeridade), tanto os veteranos como os novatos se apresentarão perante os eleitores com mensagens sobre os mesmos tentando sensibilizar os seus corações, mentes e, com isso, obter o seu voto.

Os veteranos se apresentarão com os seus feitos anteriores a favor da melhoria de vida dos seus eleitores e prometendo ampliar a sua atuação a favor deles. A esperança está em pequenos atendimentos locais, seja o atendimento mais rápido dos postos de saúde, a obtenção de vagas em creche, matrícula em escola pública, ou a promessa de novos investimentos em unidades escolares, de saúde ou de segurança pública. 

As mensagens de austeridade vão no mesmo sentido de combater o desperdício e desvio de recursos públicos e garantir que esses cheguem ao cidadão na forma de maiores e melhores serviços públicos. 

A reação inconsciente do eleitor, principalmente o de menor renda e escolaridade, não é ao caráter ético da "roubalheira", mas o sentimento de que é ele que está sendo roubado. 
Por que a polícia não chega? A polícia alega que cortaram as verbas e eles estão sem dinheiro para consertar as viaturas. O cidadão pode interpretar que alguém ficou com o dinheiro destinado aos consertos. 

As mensagens dos veteranos será o mais tradicional mantra de "mais recursos públicos". Mais dinheiro público para educação. Mais dinheiro para saúde pública e assim por diante.

As mensagens dos novatos - como já foi adotado, com sucesso, por João Dória - poderá ser gestão. Ou a alternativa da mensagem "mais com menos". Serão promessa de melhor uso dos recursos públicos para ampliar e qualificar os serviços públicos em benefício dos cidadãos, dos eleitores. 

A proposta é de gestão, mas até que ponto a mensagem terá credibilidade para o eleitor se sensibilizar e votar no candidato novato? A mensagem pelo veterano só terá credibilidade se ele tiver comprovação de resultados.

Esse fator irá favorecer Prefeitos Municipais com gestão bem sucedida e reconhecida pelos seus eleitores. 

Trabalhador não está votando em trabalhador

A partir da constatação numérica de queda da bancada sindical no Congresso Nacional, o que resultou na derrota da visão dos trabalhadores na...