sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

1/3 pra cá, 2/3 pra lá


Com as novas regras do conteúdo local, o resultado provável é que nos principais equipamentos a serem adquiridos pelas petroleiras, a indústria brasileira terá participação ínfima ou nula. 

A ideia ou objetivo de criar ou fortalecer uma indústria nacional dentro da cadeia produtiva de petróleo & gás fracassou, por erros estratégicos e distorções.  O erro estratégico foi de orientar essa indústria apenas para o suprimento nacional e não o de desenvolver uma indústria internacionalmente competitiva. Para isso precisaria se preparar para fornecer para todo o mundo, concorrendo com todo o mundo e não apenas para o país, com proteção governamental. As condições fundamentais para a competitividade são a escala e a continuidade de produção. Estão interligados, pois sem uma grande escala e diversidade de clientes não se consegue manter uma carteira com produção contínua.
A grande distorção foi usar a política de conteúdo nacional para o desenvolvimento de empresas dispostas a contribuir com propinas para as campanhas eleitorais. Do que algumas pessoas se aproveitaram para enriquecimento próprio.


A redução dos índices de conteúdo nacional e a adoção de índices globais por grande segmentos, vai levar à marginalização da participação industrial nos principais fornecimentos. A quota local vai ser preenchido predominantemente por serviços. 

É uma oportunidade para o Brasil desenvolver o setor de serviços, principalmente em áreas de alta tecnologia e inovação. É uma grande oportunidade para a engenharia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A anistia do descumprimento de contratos

A "batalha" pelo conteúdo local foi deflagrada pela arrogância da Petrobras, que - como já ocorreu anteriormente - se considera acima da lei. Ela assume que "o que é bom para a Petrobras é bom para o Brasil". 

Com a obrigação de investir no afretamento/aquisição de novas plataformas para cumprir as obrigações assumidas no contrato de exploração/produção de Libra,  em nome da eficiência privada, colocou na praça um edital para compra dessas plataformas, inteiramente produzidas no exterior, sem atendimento aos índices de conteúdo local. E pediu à ANP o perdão (waiver) pelo não cumprimento - previsto em contrato - alegando que a indústria nacional não tem condições de fornecer a preços competitivos e nos prazos necessários.

Na prática, as contestações judiciais levam o campo de batalha para a ANP. É a ANP quem tem o poder de decidir sobre a concessão ou não do perdão.

Embora prevista a possibilidade em contrato, precisa ser ampla e fundamentalmente justificada. Sem isso, o perdão pode ser considerado uma liberalidade por parte a Agência e os seus dirigentes e funcionários, participantes do processo, sujeitos à denúncias de improbidade administrativa. 

A decisão não será mais expedita, como desejaria a Petrobras. Colocará a culpa na burocracia, alegando que essa "atrasa o Brasil". 

Mas o que está em jogo é a "segurança jurídica". 

A Petrobras se coloca na posição de vítima do grande esquema de corrupção, que - efetivamente - a delapidou. Por isso pede anistia, supostamente com o apoio da opinião publicada. Em nome do "interesse nacional". 







quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Conteúdo local industrial ou global?


Estabelecida em 1999 a política de conteúdo local, as exigências foram ampliadas e acabaram sendo distorcidas por ações corruptivas. Foi estimulada a criação ou desenvolvimento de empresas de capital nacional, sendo que as principais estão - atualmente - inabilitadas implicadas nas apurações ou condenações da Operação Lava-Jato.

Por outro lado, a Petrobras e as demais petroleiras vem pressionando o Governo para eliminar as exigências de conteúdo nacional, alegando que as aquisições nacionais, com os índices de conteúdo nacional, são superiores ao da aquisição dos mesmo equipamento no exterior.

A indústria brasileira tem reagido reivindicando a manutenção integral da política de conteúdo nacional.


O Governo está dividido e, mais uma vez, adiou a decisão.

Há um certo consenso de redução do nível de exigências de conteudo local. O que está pendente é a sua aplicação. Uma posição é de definir um índice global, o que é contestado pela indústria que defende a manutenção de índices específicos como estabelecido atualmente. Uma posição intermediária, ora em estudo, é uma divisão do CL em macro-segmentos.

Com a manutenção das exigências de conteúdo local, qualquer que seja o critério, os grandes equipamentos  terão que ser terminadas em território brasileiro.

Nos próximos anos, em função da continuidade dos programas de produção na Bacia de Santos, tanto a Petrobras como as demais petroleiras deverão seguir o modelo de contratação de afretadoras internacionais que farão encomendas aos estaleiros instalados no Brasil, para a produção de partes e integração final dos equipamentos, para atendimento das exigências de conteúdo local.

Esse modelo transfere o foco de fortalecimento da indústria, dentro da cadeia produtiva, para passar a enfatizar os serviços, onde estão os maiores valores agregados e o uso mais intenso de tecnologia e inovação. 

Porém são os segmentos onde a engenharia brasileira seria mais fraca. Principalmente no segmento de projetos básicos (feed - front end engineering design). 

Mantida a política de conteúdo local, e livre essa de distorções corruptivas, como promover a capacitação brasileira em engenharia? 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O problema CEDAE

A violenta reação à aprovação da privatização da CEDAE, tem uma razão básica. Não é ideológica, mas "fisiológica". Os empregados da CEDAE tem remuneração muito acima do mercado e como estatal contam com condições formais ou políticas para se manter na empresa. 
Com a privatização os seus empregos com "supersalários" estão em risco. Dai a reação à privatização.

Mesmo aprovada pela ALERJ a privatização da CEDAE não vai ocorrer rapidamente, havendo mesmo o risco de não se efetivar.

As concessões dos serviços de água e esgotos são municipais. Mas as principais empresas concessionárias são companhias estaduais, instituídas por patrocínio do Governo Federal, gerando grandes distorções.

A CEDAE privatizada não terá a garantia de continuidade das concessões nos 63 Municípios do Rio de Janeiro, uma vez que grande parte delas foi concedida sem licitação. 

Alguns Municípios, começando pelo mais importante, a capital do Estado, estão ameaçando não manter a concessão da CEDAE. 

Os Estados deixarão de ter Companhias que assumem os serviços municipais por imposição política, mesmo não tendo rentabilidade. Sem essa imposição os Municípios brasileiros passarão a ter quatro opções básicas:

  1. criar uma empresa ou autarquia municipal para a gestão dos serviços, sem necessidade de licitação;
  2. consorciar-se com Municípios vizinhos para a prestação conjunta dos serviços;
  3. conceder os serviços, mediante licitação, a uma concessionária privada;
  4. conceder os serviços a uma empresa mista, sob controle de Governo Estadual, distinta do Estado em que está inserido o Município.
Será dentro desse quadro que deverá ocorrer a privatização da CEDAE. Para o investidor privado não interessará uma empresa apenas estadual, inclusive assumindo serviços deficitários, com subsídios cruzados. Ele terá duas opções básicas:
  1. limitar-se aos serviços da capital, ou quando muito da Região Metropolitana, dependendo do arranjo institucional, deixando os Municípios deficitários;
  2. tornar-se uma empresa nacional, assumindo serviços em Municípios de outros Estados. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A incompreendida estratégia Temer

Michel Temer, ao contrário do que parece segue uma visão estratégica de Governo. Seus opositores não. 
Temer percebe que só tem condições de se manter no Governo, com poderes, se a economia reanimar.
A visão dele é de que Dilma não estava conseguindo conter a trajetória descendente da economia, fundamento estrutural do afastamento dela. E que, se ele não conseguir reverter a tendência, também não conseguiria completar o mandato.

A visão não é original. Era a de Lula, para manter Dilma e o PT no poder. Ter Meirelles no comando da política econômica e Temer na articulação no Congresso. Mas Dilma não aceitou essa proposta e acabou sendo afastada.

Temer chamou Meirelles para a Fazenda e assumiu - ele mesmo - a articulação política, com auxílio dos seus contumazes auxiliares.

Atende ao mercado e seus analistas, mas com ressalvas porque obtém as aprovações dentro da mais tradicional "velha política". 

Sem as práticas da "velha política" o Governo não conseguiria aprovar no Congresso as reformas, como demonstram os fracassos de Governos anteriores.

As reformas pretendidas são impopulares e jamais terão o apoio popular. Só de uma parte da elite, a minoria silenciosa. A aprovação das reformas piora a popularidade.

O custo da viabilização de uma política econômica de revitalização da economia é o uso intenso da "velha política". Mesmo com essa não será fácil aprovar algumas medidas. 


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Moradia é central

A partir da metade dos anos 50, com o surto de desenvolvimento e modernização, promovido pelo Governo Kubitsheck, os centros históricos das grandes cidades começaram a decair, com a criação de novos polos de negócios e também com a transferência das "repartições públicas" para novos Centros Administrativos.
Moradores, escritórios, comércios, serviços profissionais de maior renda, foram saindo dos seus imóveis e se transferindo para outros em novas áreas. E os imóveis desocupados, nem sempre eram reocupados gerando um grande volume de imoveis residenciais e não residenciais vagos.

Esse quadro gerou uma contradição: enquanto aumentava o déficit habitacional com a carência de habitações adequadas, havia um enorme conjunto de imóveis, em área bem servida de infraestrutura e serviços públicos, desocupados.

Ao longo de muitos anos organizações não governamentais e urbanistas a essas ligados, batalharam para levar os programas de habitação social para o centro tradicional.  De um lado, enfrentaram sérias resistências dos setores conservadores e, de outro, os movimentos sociais se anteciparam promovendo invasões de imóveis vazios, pelos sem teto. Diante das invasões, os proprietários reagim pedindo na Justiça a reintegração de pesse, o que conseguiam. Muitas vezes com o uso da força policial e comoção social. Mas desocupado dos invasores, permaneciam desocupados, esperando por uma desapropriação pela Prefeitura a valores - supostamente - de mercado.

Em São Paulo, o ex-Prefeito, filiado ao PT e coerente com os objetivos da justiça social e do direito de todos à cidade, tentou implantar o programa Moradia é Central, com a desapropriação, reforma e revenda de imóveis vagos à população de baixa renda, na área central da cidade.

O programa vê uma realidade parcial, verdadeira, mas não considera devidamente o contexto, ou como preferem os urbanistas o habitat.

A ocupação de um imóvel desocupado, pelos moradores de baixa renda, pode permanecer como uma "ilha" diferenciada do contexto, ou promover uma transformação do habitat.

No primeiro caso, a ilha poderá passar quase desapercebida e os moradores só terão o local  como moradia, se locomovendo para os locais onde possam obter alguma renda, se alimentar e até atender a algum vício. Alguns dos moradores não conseguirão o mínimo para o pagamento das prestações, voltando para a rua ou para as favelas. Não afetarão significativamente o patamar dos valores imobiliários, permanecendo em função dos subsídios.

No segundo caso, eles promoverão o desenvolvimento das facilidades privadas compatíveis com a sua capacidade de consumo. Promoverão o desenvolvimento de um comércio popular e influenciarão o patamar dos valores imobiliários. A redução dos valores irá promover, num primeiro momento, uma nova onda de ocupações legais. A manutenção dos imóveis e do habitat dependerá da atuação do Poder Público. O resultado será a formação de um bairro popular, bem servido. 

Dai, além da persistência do padrão de ocupação, podem ocorrer duas transformações. Uma a elevação do padrão, com o interesse de moradores com uma renda um pouco melhor pelos imóveis, elevando os preços e promovendo a "expulsão" dos primeiros moradores. Embora isso não seja permitido legalmente, proliferam no sistema os chamados contratos de gaveta.

A outra é a transformação em "gueto da pobreza", tendendo a uma situação de "cracolândia". Indesejável, mas provável.

Uma das razões da persistência da desocupação é a inexistência de garagens. Por outro lado a quase totalidade dos novos moradores não terão o seu carro, não tendo necessidade de vagas para estacionamento. As exceções serão daqueles que precisam de um veículo para exercer as suas atividades econômicas, incluindo os coletores de resíduos sólidos.

O principal impacto do programa Moradia é Central seria sobre os terrenos vagos, na área central e centro expandido, com a imposição da construção em função do uso social da propriedade urbana. A perspectiva do proprietário é a sua utilização para a construção de médio e alto padrão, como ocorreu e vem ainda ocorrendo com o lançamento de edifícios altos, com estúdios e apartamentos de um dormitório, com poucas vagas, voltados para moradores sozinhos de alta renda. O valor de venda seria relativamente elevado e os eventuais rendimentos do ativo, superiores ao obtido com o uso de estacionamento.

Se, no entanto, for envolvido por um gueto da pobreza, o valor imobiliário irá cair, mesmo que venha a ser ocupado com uma nova construção para moradia social. Para o proprietário do terreno, será prejuízo em qualquer das hipóteses: deixar desocupado ou construir para habitação social.

Esses guetos terão o suporte institucional de uma ZEIS, mas nem todas as ZEIS irão se transformar em guetos.

A resposta inicial do mercado, conforme mostra pequena reportagem publicada no Estado de São Paulo  ("Miniterreno vira prédio com novo Plano Diretor", Metropole A 23) não foi a desejada pela Prefeitura. Os prédios lançados, com grande altura, muito acima do padrão do entorno, para aproveitar todo o potencial construtivo, com centenas de microapartamentos tiveram preço elevado: o m2 não saindo menos que R$ 9.000,00 e vagas apenas para metade dos apartamentos.





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Perda do "foro privilegiado"

Embora a decisão do Ministro Celso de Melo tenha sido apenas de negar as liminares das Instâncias Inferiores, impedindo a posse do Ministro Moreira Franco,  ele já apresentou didaticamente os seus argumentos.
Como Mestre para orientar os Juízes das Instâncias Inferiores. E também a opinião publicada, afoita em julgar e condenar sem os devidos fundamentos jurídicos. 
De uma parte, a decisão final, no plenário do STF, em relação à constitucionalidade da designação de Moreira Franco como Ministro deverá ser favorável ao Governo. 
De outra, haverá pressão para que o STF aceite a interpretação de que réu em processo em andamento no STF não possa ocupar cargos ministeriais, isto é, os que teriam "foro privilegiado". Outra pressão será para a redução ou até extinção da aplicação desse recurso. 

A definição do Presidente Temer sobre o tratamento dos Ministros que venham a ser envolvidos nas delações da Operação Lava Jato, tem o objetivo de mitigar as críticas e pressões.

A simples indicação de atuais Ministros em delação, não terá efeito administrativo. 



Apenas formalizada a denúncia, pelo critério de Temer, o Ministro denunciado deverá ser afastado temporariamente. O que significa que deixará o cargo, mas manterá o "foro privilegiado", isto é o seu processo continuará no STF. 

A este caberá a continuidade ou não do processo, o que torna o denunciado, réu. 

Se a decisão for pelo arquivamento do processo, por não estar devidamente instruído, o Ministro denunciado retorna ao cargo. 

Caso a decisão seja pela continuidade, portanto, ser levado a julgamento, o Ministro, transformado em réu no processo, será afastado definitivamente.

Com isso, o denunciado perderá o "foro privilegiado" e o seu processo será encaminhado a Curitiba, para as decisões do Juiz Sérgio Moro.

Nas "delações premiadas" toda a cúpula do Governo, incluindo o Presidente estão citados. Para que a mera citação não seja transformado em fato jurídico, o Presidente definiu o critério de permanência ou afastamento de Ministros, o que - na prática - significa um prolongamento de sobrevida daqueles. Todos tem um prazo de validade que é dezembro de 2018. O que Temer busca é cumprir todo esse prazo, evitando antecipação. 

O mais provável é que Temer chegue ao fim do seu Governo, mas sozinho, com todos os seus amigos mais próximos, fora do Governo. Em função das regras por ele mesmo definidas. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Duas crises distintas

Podem parecer semelhantes, mas são muito distintas. O movimento da Polícia Militar do Espirito Santo é para obter melhorias salariais que o Govno não está disposto a conceder para manter a sanidade das suas contas. 

Foi um motim para se contrapor ao endurecimento do Governador Paulo Hartung. Um dos poucos Governadores que consegue manter as contas públicas em ordem. Ele não teve receio de enfrentar um motim agora, uma crise de violência, para evitar a situação que chegou o Rio de Janeiro.
O motim do Rio de Janeiro, pode ser mais justo, mas insoluvel. Não é por endurecimento de posições do Governador Pezão que - ao contrário de Hartung - fez ainda mais concessões aos servidores públicos. O Rio de Janeiro não tem como pagar todos os seus servidores. 

Uma crise é do pré. A outra é do pós.  Ambas referidas ao "Teto dos Gastos Públicos".

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Desjudicialização

A Operação Lava-Jato trouxe um protagonismo ao Judiciário de 1ª Instância e ao MPF pelo apoio da sociedade organizada às suas ações e decisões. Tem resultado numa excessiva judicialização, com juízes de 1ª Instância extrapolando a sua competência, estimulados por partidos políticos inconformados com derrotas nos seus foros próprios e por pessoas e entidades bem intencionadas mas mal informadas. 

O risco é que esse ataque desenfreado destrua o sistema institucional de separação e independência dos poderes. 

Rigorosamente não caberia a juizes de 1ª Instância interferir em decisões administrativas e discricionárias do Presidente da República, tampouco subir a sua revisão direta ao Supremo Tribunal Federal. 

O decano do Supremo Tribunal Federal, Ministro Celso de Melo, aplicou um freio numa questão sensível à opinião publicada, mas mal utilizada.

Os opositores do Governo tem as suas razões éticas, mas não jurídicas e estão tentando atingir o Governo por caminhos tortuosos e errados. Buscam juizes de 1ª instância que tem agido como cidadãos revoltados, indignados, como muitos outros e não como magistrados. 

O objetivo não tem sido de alcançar os benefícios requeridos, mas de obter repercussão pública.

Sem ainda o julgamento de mérito, o que caberá ao Plenário do STF o Ministro Celso de Melo, anulou as decisões de 1ª Instância, deixando o Executivo desimpedido de nomear Moreira Franco, como Ministro. 

Mas ele já antecipou o seu voto. Limitado aos autos. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Queda dos irresponsáveis e corruptos

Vários Prefeitos e seus respectivos vices ainda conseguiram se eleger ou reeleger, pelo voto popular, apesar de suspeitas de irregularidades.
Sentiram-se livres por terem sido absolvidos pela manifestação dos eleitores. Não foi o que entendeu a Justiça Eleitoral e muitos tiveram a eleição anulada, resultando na cassação seja da posse ou já do mandato. 

Dai resulta o fato de que muitas Prefeituras estão sob comando de vereadores, com a inabilitação do Prefeito e do Vice, eleitos
Os novos Prefeitos estão numa situação difícil. Assumiram com o "caixa vazio". Não podem contar com o auxílio federal, tampouco o estadual. Não podem gastar. E sem gastar não podem se apropriar de participações. Para melhorar as finanças tem que taxar mais a população local, os seus eleitores. No mínimo serão caracterizados como "traidores". 

Será que esse novo quadro irá desestimular aqueles que só querem se eleger para "se dar bem"? 

Dentro do conceito de custo-benefício, que imperou na política brasileira, valerá gastar o seu patrimônio para se eleger? A vaidade valerá tanto? Conseguirá obter apoios  financeiros de terceiros, se não tem como dar contrapartida? Quem irá investir?

Poderão sobrar apenas aqueles que querem fazer política, se elegerem, para efetivamente atender às necessidades e reclamos da população local por serviços públicos adequados. E teriam apoio financeiro e eleitoral dos que apoiam o seu projeto político. E não um projeto de poder.

Será esse o futuro? 2018 e 2020 irão responder. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Futuro do Brasil sob Temer

Temer é um político que tem condições de estabelecer parcerias com o Congresso para o estabelecimento das reformas estruturais, ainda que as possíveis.

Com essas medidas a economia brasileira voltará a crescer, ainda que lentamente e poderá ser o suficiente para sustentar a permanência de Temer na Presidência até o final de 2018.

E quais são as perspectivas do Brasil, sob Temer, até esse final de 2018?

A economia brasileira tem um grande potencial de desenvolvimento mas que poderá ser inibido ou distorcido pelas intervenções governamentais.

O crescimento econômico recente ocorreu com a exacerbação da "economia do compadrio", em que empresários buscaram nas relações com o Estado, as vantagens para o seu sucesso.  

Obter um benefício fiscal, um financiamento a juros menores, uma licença especial, ou um contrato público super valorizado era mais importante, para garantir lucros e expansão, do que medidas internas para melhorar a produtividade e competitividade.

Esse modelo, estruturado - ao longo de muitos anos - foi fortemente abalado pela Operação Lava-Jato, mas ainda não inteiramente destruído e tenta renascer.

Quando o Estado intervém na economia, grupos empresariais aproveitam para "capturá-lo", levando-o a lhes favorecer. Ao longo dos governos petistas, por um amplo fluxo de "propinas", que ampliou e estruturou sistemas criados anteriormente. 

O abalo desse modelo, pelos ataques da Operação Lava-Jato abalou toda economia.

Com alguns indícios de melhoria da economia, que - pelo menos - teria estancada a trajetória descendente, o Governo se anima a governar, o que significa voltar a intervir na economia. Sob a alegação de estimular a retomada do crescimento, tende a aceitar as reivindicações ou pressões empresariais. 

Os Poderes Executivo e Legislativo só refluirão das suas intenções intervencionistas se estiverem pressionados pela Operação-Lava Jato e pelas crises nos serviços públicos decorrentes das contenções obrigatórias dos gastos públicos. 

Michel Temer tem se mostrado um grande articulador, mas nunca foi um governante. Como executivo tende a ser um grande desastre.

Deixá-lo "amarrado" com as mini-crises políticas e as nos serviços públicos, pode ser a melhor solução para a economia brasileira. 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Imobilidade Urbana e Logística das pessoas

Intermodalidade urbana ou Logistica urbana de pessoas

A mobilidade urbana tem se concentrado no confronto entre transporte individual x coletivo, deixando de considerar que as pessoas se movimentam dentro da cidade com multiplicidade de modos, não por um único modo. A exceção é a movimentação exclusivamente a pé, para deslocamentos de origem-destino próximos. Mesmo para distâncias um pouco maiores a pessoa pode se utilizar da bicicleta, mas terá que ir a pé até onde está sua bicicleta e depois deixá-la num bicicletário ou algum local para estacioná-la e seguir a pé.

Há sempre um trecho a ser feito a pé, que é um modo de transporte, fazendo com que o deslocamento seja intermodal. Essa percepção tem feito destacar a importância das calçadas, como uma infraestrutura essencial da mobilidade urbana.

Mesmo quando a pessoa está utilizando o carro, tem que fazer o percurso até onde está o carro e ao chegar próximo ao seu destino, precisa deixar o carro num estacionamento e completar o trajeto a pé. O estacionamento é um nó de conexão entre o a pé- carro - a pé.

A conexão entre o modo a pé até o modo metro-ferroviário ou ônibus requer uma estação ou o ponto. Essa é a conexão a pé - transporte coletivo. As estações metroviárias são projetadas e construidas como nós de conexão de qualidade.

Os terminais dos ônibus não tem a mesma qualidade. Os pontos de parada dos ônibus, em calçadas, são precários. Alguns tem abrigos "bonitinhos" como se a estética fosse a principal necessidade dos usuários. Faltam comodidade e segurança.

Os terminais de ônibus de integração com o metrô, ressaltam as diferenças de qualidade. As conexões intermodais são precárias.

Uma das conexões mais importantes é entre o carro e uma estação metroferroviária ou entre o carro e um terminal de ônibus. Há ainda a conexão entre o carro e um ponto de ônibus.

Essa conexão não faz parte da política municipal de mobilidade urbana de São Paulo, embora prevista - de forma genérica - na politica nacional.

Para a redução do modo individual e a ampliação do uso coletivo, as medidas principais não deveriam estar nas restrições ao tráfego do carro, mas a melhoria da solução intermodal, fazendo com que o usuário do carro o deixe próximo a uma estação metroferroviária e utilize mais o metrô ou o trem metropolitano, reduzindo a demanda nos eixos atendidos pelas linhas metroferroviárias. É nos corredores estruturais onde se concentram os congestionamentos.

Essa visão da mobilidade intermodal ou mais adequadamente a da logística urbana de pessoas, requer mudanças de paradigmas e de ações em relação aos sistemas de transporte.














sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os efeitos "para trás" da extração de petróleo

A cadeia produtiva do petróleo, a partir da sua extração, se estende para frente e para trás. Na extensão traseira estão os setores fornecedores da atividade. 
É também o centro da discussão sobre conteúdo local.
Do total de R$ 217 bilhões de produção na atividade de extração de petróleo, R$ 87 bilhões foram utilizados pelo consumo intermediário, resultado num valor adicionado de R$ 130 bilhões e emprego de 72.548 empregos.
Os insumos dentro da própria cadeia do petróleo chegam a R$ 31 bilhões. O setor se autoalimenta.
Embora seja um setor intensivo em capital a participação direta das máquinas e equipamentos é reduzida. A Petrobras não compra as plataformas. As aluga no exterior, mesmo quando fabricada no Brasil, inclusive de subsidiária, instalada na Holanda.  Corresponderam a R$ 15 bilhões, em 2014.
Os serviços jurídicos e consultorias consumiram R$ 7,4 bilhões de um total de R$ 10,5 bilhões dos serviços profissionais especializados.
A maior participação dos serviços é da logística, compreendendo um consumo total de R$ 17,3 bilhões, com destaque para o transporte aquaviário, com R$ 7,3 bilhões.

Essa conformação dos fornecimentos para a atividade de extração de petróleo, faz com que a indústria de máquinas e equipamentos defendam o conteúdo local segmentado. 

Se o índice for geral, poderá ser inteiramente atendido pelos serviços, com participação mínima ou zero da indústria instalada no Brasil. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O setor de refino de petróleo é ainda menos relevante como empregador

As etapas iniciais da cadeia produtiva do petróleo são essenciais para a economia brasileira, além de serem estratégicas do ponto de vista geopolitico, mas são pouco empregadoras. Não se justificam os imensos investimentos em nome da geração de empregos. Há outros investimentos muito mais produtivos nessa  dimensão. 

A extração de petróleo, em 2014, empregava 75.548 pessoas, para uma produção de R$ 217 bilhões. Relativamente muito pouco.

Mas se alega que as fases subsequentes da cadeia produtiva emprega mais. O Brasil deveria refinar o petróleo bruto, agregar mais valor e gerar mais empregos.

Pois em 2014, segundo as contas nacionais o setor de refino de petróleo apresentou um valor adicionado negativo, da ordem de R$ 17 bilhões e empregava 25.674 pessoas: um terço dos empregos no setor de extração de petróleo. 

O setor contribuiu negativamente para a formação do PIB e gerou pouco emprego. 

As alegações da Petrobras para eliminar as exigências de conteúdo nacional, em função da geração de empregos não se sustentam pelos números oficiais. 

Nem sempre o que é bom para a Petrobras é bom para o Brasil. E vice-versa. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Produção de petróleo & gás gera pouco emprego

O setor de petróleo e gás, sem dúvida, é importante para a economia brasileira e para o mercado de trabalho, mas essa importância tem sido superavaliada e distorcida para justificar políticas equivocadas. 

As atividades de produção de petróleo geraram um valor  (a preços correntes de 2014) de produção - o equivalente ao faturamento - de R$ 216,7 bilhões. 
Para efeito de avaliação da importância relativa ao PIB, que seria a soma de "todas as riquezas produzidas pelo país no ano" não é esse o indicador, pois soma a riqueza produzida pelos setores fornecedores dessas atividades, o que é considerada - nas contas nacionais - como "consumo intermediário".
Deduzida essas, identificadas como R$ 87,1 bilhões, a riqueza líquida produzida pelas atividades de produção primária de petróleo e gás, ou seja, retiradas da natureza, incluindo as atividades de apoio, teria sido de R$ 129,6 bilhões.
Esse é o valor real de contribuição específica do setor para a formação do PIB brasileiro, que nesse ano de 2014, somou a quantia de quase cinco trilhão de reais, mais especificamente R$ 4.972,7 bilhões. 
Ou seja, em que pese a sua importância específica, o setor de produção de petróleo e gás, contribuiu com apenas 2,61 % do PIB.

A sua importância relativa no mercado de trabalho é ainda menor. Contemplava em 2014, 72.548 trabalhadores, diretamente nas suas atividades, o que representava 0,07% do total da força de trabalho ocupada no ano, calculada em 105.471.678 trabalhadores.

Do valor adicionado, isto é, do PIB do setor, apenas 17,71% foram destinadas ao trabalho, englobando salários e encargos. A média global do valor adicionado brasileiro é de 50,58%.

Ou seja, o setor de produção de petróleo&gás tem baixa intensidade de trabalho e alta intensidade de capital. 

Justificar prioridade de investimentos no setor em nome da geração de empregos é inadequada, para não dizer uma "piada". É um dos setores que menos gera empregos por R$ investido ou faturado.

A sua importância econômica e política está em outras dimensões, não no emprego.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A desglobalização norte-americana x globalização chinesa

Ao contrario do que diz Trump e acredita uma boa parte dos norte-americanos, a globalização não foi uma conspiração do mundo para sugar emprego e renda dos americanos. Foi uma estratégia praticada pelas multinacionais cumprindo uma estratégia militar formulada pelo governo norte-americano, no pós II Guerra Mundial.

Foi a dimensão econômica da guerra fria, pouco percebida até a queda do muro de Berlim quando, livre da dimensão politico militar, se desenvolveu amplamente,  propiciando grandes lucros para as multinacionais norte-americanas.

O que emergiu com a queda de um grande e simbólico muro, Trump quer acabar com um novo muro. O que irá enfraquecer e desenriquecer as multinacionais norte-americanas.

Com a retração dos EUA, a China, através do seu líder Xi Jinping passou a defender a globalização. 

Com a posição de Trump contra a globalização e exigindo que as multinacionais norte-americanas e as que vendem no mercado norte-americano invistam na produção em território norte-americano, essas multinacionais poderão vender suas operações fora dos EUA. E os mais prováveis compradores serão as empresas chinesas. 

O espaço que for aberto pelas empresas norte-americanas em todo o mundo será ocupado, preferencialmente, pelas empresas chinesas. Essas empresas dariam sequência à globalização das cadeias produtivas, que foram iniciadas e desenvolvidas pelas multinacionais norte-americanas, estimuladas pelo seu governo.

Para o objetivo de gerar emprego não basta exigir que as empresas norte-americanas invistam em instalações em território norte-americano. É preciso que toda a cadeia produtiva se instale em território norte-americano. 

Com o objetivo de tornar a economia norte-americana autossuficiente, com o mínimo de dependência de importação de terceiros, o Governo norte-americano terá de estabelecer mecanismos protecionistas. 

As multinacionais norte-americanas, restritas ao seu mercado interno não terão a valorização de seu ativo, assim como os níveis de lucro que tem obtido com a globalização. 


Não se pode ter dúvidas quando as tentativas de Trump em efetivar as suas promessas de campanha. A dúvida é se as multinacionais norte-americanas, percebendo que as políticas irão reduzir o seu valor e seus lucros, irão aceitar, em nome de uma  "América First". 



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O que vai acontecer com o índice de inflação no final de 2017? E com a economia?

O Banco Central já definiu a sua estratégia de gestão dos juros até o final do ano. Irá reduzir a taxa a cada reunião do COPOM a um ritmo de 0,75 ptos. A menos que fatos inusitados, não previstos nos modelos macro econométricos ocorram.
Projetando essa política, em novembro a taxa SELIC seria fixada em 9,25 %, abaixo da desejada ou esperada taxa menor que dois dígitos. E 2018 iniciaria com uma taxa de 8,50%.

Com essa redução da taxa de juros, a expectativa é que a inflação continue refluindo até chegar ao centro da meta de 4,5% até o final do ano.  

Diante do reaquecimento os agentes econômicos serão tentados ou levados a promover a reposição das perdas ou a recomposição das margens, elevando os preços, no mercado de consumo. Com isso gerando inflação.

As principais remarcações poderão ocorrer no comércio e nos serviços.

Aparentemente, as variações da taxa de juros tem pouca influência sobre o comportamentos dos agentes econômicos. 

O que mais influi no comportamento dos consumidores e dos supridores de bens e serviços a esses não é a taxa de juros, mas os índices de inflação. 


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