sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Economia criativa: grandes esperanças e ilusões

Economia criativa vem sendo incensada como uma das grandes esperanças para a revitalização da economia brasileira.

Envolve um elemento de grande atração que é a criatividade. Mas do ponto de vista macroeconômico é uma atividade relativamente pequena, apesar de dados inflados sobre o setor, e fortemente dependente das demais atividades.
A principal empresa geradora ou promotora da economia criativa é a Rede Globo que dá formato final aos produtos de maior venda pública ou consumo pelo mercado. E quem financia são as grandes empresas sob forma de publicidade.
Esse modelo de negócio da economia criativa é contestada pelos produtores de vanguarda ou  contestadores do sistema capitalista e do consumismo desenfreado.
Tem o seu público, mas pouca representatividade macroeconômica.
.O grande volume econômico do segmento é dos desenvolvedores de softwares corporativos. Ainda dominados pelas grandes multinacionais.

A economia criativa tem um grande potencial e deve ser estimulada e promovida. Mas não pode ficar nos nichos das tribos.

Para ganhar efetiva importância econômica se inserir na economia capitalista. Ou desenvolver megaestratégias de captação de recursos dessa economia, para renová-la mediante a destruição criativa.  

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Diálogo com as multinacionais

O Presidente Temer chamou os principais executivos de multinacionais que operam no Brasil para conversar. É uma atitude inusual.

Isso gera reações favoráveis e desfavoráveis. Gera perdas e pode gerar ganhos. De imediato ocorrem perdas: força o movimento "ForaTemer", e dentro das ações da esquerda pode juntar o "vendido".

Do outro lado, com o colapso do mercado interno, sem possibilidade de recuperação por força própria, o Brasil depende de um substancial aumento das exportações de industrializados para superar a crise.

Na conformação atual do comércio internacional a maior parte do movimento é da operações intra-firmas, ou seja da movimentação feita pelas multinacionais entre as suas diversas unidades espalhadas pelo mundo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ilusões sobre a reforma política

A opinião publicada do sudeste/sul defende uma reforma política baseada em ideais, em defesa do interesse nacional. O que não corresponde aos objetivos e interesses da opinião não publicada e dos seus representantes no Congresso. Como esse são maioria, aquela reforma politica idealizada pela elite paulista e seus seguidores jamais se efetivará como ela deseja.

Deverão ocorrer avanços, com a aprovação de alguns projetos que estão no Congresso. Particularmente um no Senado Federal, criando cláusulas de barreiras aos partidos menores e proibindo as coligações nas eleições proporcionais. Isso porque os partidos maiores perderam espaço, conquistados pelos partidos menores e esses ganharam independência em relação àqueles. Unidos constituem a maior bancada na Câmara dos Deputados. É o tal "centrão", que sempre pode rachar. Não é uma base confiável para o Executivo.

Mantidas as regras atuais, os partidos menores, somando os ideológicos e os fisiológicos, irão ganhando cada vez mais espaço em detrimento dos partidos maiores. Para barrar esse avanço, os partidos maiores, com apoio dos médios, deverão aprovar as restrições aos nanicos. Mesmo com a oposição dos estridentes nanicos ideológicos, que já tiveram tempo para demonstrar a sua representatividade. E não tem conseguido.

Já a restrição às doações empresarial das campanhas eleitorais poderá cair, porque o interesse majoritário do Congresso é pelo seu restabelecimento. Só será barrado se houver forte reação popular. Que poderá ocorrer pelas redes sociais.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Falta projeto de nação? - uma narrativa

Acadêmicos que só conhecem o Brasil pelas narrativas dos livros reclamam da falta de projetos nacionais ao longo da história do Brasil.

O fato de não haver nenhum documento formalizado com a denominação de projeto nacional, não significa que o país, pelos seus agentes econômicos e sociais não tenham se pautados por um projeto.

O viés decorre de uma confusão de conceitos: é ver projeto nacional como projeto de Estado. Isto é, comandado pelo Estado, mediante planejamento, condução e implantação estatal.

Neste sentido, não se aceita um projeto nacional liberal. Seria uma contradição intrínseca.

Mesmo nessa visão podemos identificar na história brasileira recente, 4 "projetos" que foram implantados, desenvolvidos e consolidados ao longo de muitos anos. Ainda que alguns tenham já alcançada a fase de esgotamento e decadência.

Getúlio Vargas estabeleceu o projeto de industrialização fordista/taylorista com a defesa das condições do trabalho e dos trabalhadores.  O modelo de industrialização inteiramente voltada para o mercado interno está em decadência, mas o sistema de "direitos trabalhistas" cresceu e resiste bravamente. Os principais agentes seriam e foram as estatais.

Juscelino reforçou a industrialização voltada para dentro, mas fez abertura para o capital privado, inclusive nacional, mas incentivado e protegido pelo Estado. Mas lançou as bases para a ocupação do vasto território nacional acima do paralelo 16, ainda vazio.

Geisel  creditou à indústria voltada para dentro a condição de transformação do Brasil em potência econômica, sustentada pela completa autossuficiência energética. Nessa incluída os combustíveis.

Os projetos tiveram custo financeiro muito alto, gerando endividamento e inflação. E governos subsequentes tiveram que adotar medidas circunstanciais para "arrumar a casa" e deixar o desenvolvimento a cargo do mercado.

Até mesmo FHC, de formação cepalina e estruturalista, acabou cedendo à concepção do projeto liberal, com a redução do papel do Estado.  Na visão brasileira, sem projeto do Estado não existe projeto de Nação.

O PT, com Lula e Dilma, lançaram e implantaram um projeto mais diversificado, com o objetivo de promover um Brasil mais justo, voltando a reforçar a intervenção estatal. De uma parte implantaram e consolidaram os programas sociais, iniciados nos governos anteriores em atendimento ao projeto nacional inserido na Constituição de 88.

De outra deram sobrevida à industrialização voltada para o mercado interno, mediante estímulos - alguns artificiais, ao desenvolvimento do mercado interno de consumo e investimentos - e de benefícios diretos às empresas aderentes ao projeto petista. Que se mostrou ser um projeto de poder e não um projeto de nação.

Mais uma vez a tentativa de implantar um  projeto nacional estatizante resultou em desequilíbrio das contas públicas,  elevação do endividamento e recrudescimento da inflação. O que tornou inviável a sua continuidade.

A industrialização voltada para o mercado interno, sob intensa proteção estatal, promovida por Vargas e que foi também o suporte dos projetos posteriores está em colapso e é a origem da crise supostamente circunstancial: é estrutural.

A crise é de um projeto nacional baseado numa industrialização que ficou defasada em função das mudanças mundiais e com pequena possibilidade de recuperação.

O Brasil precisa buscar novos caminhos, 60 anos depois. Depois de um projeto que deu certo, mas não se sustentou.



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Investimentos da Petrobras

Os números apresentados pelo novo Plano de Investimentos da Petrobras, agora sob nova direção, indicam uma profunda inflexão nas estratégias até então escolhidas pelos governos petistas.
O objetivo principal é o restabelecimento da saúde econômico financeira da empresa, reduzindo o seu endividamento e excessiva alavancagem.
Para isso a principal proposição é a contenção dos investimentos, mantendo-os suficientes para evitar a queda da produção. Não mais a pretensão de transformar o Brasil numa potência petrolífera.

É um nível de produção que fica na "margem de erro" da autossuficiência estatística.

Por outro lado, a profunda contenção nos investimentos na área de refino, indica também o abandono do objetivo de processar todo o petróleo nacional, independendo da importação de derivados.

O déficit da conta petróleo deverá continuar e será crescente com a retomada da economia.

O terceiro ponto fundamental da estratégia é a concentração no seu "core business", a produção de petróleo, reduzindo ou abandonado atividades complementares. Está reduzindo a sua participação no transporte de produtos, principalmente nos gasodutos e se retirando da produção de biodiesel.

Ainda não é uma nova Petrobras, mas o Plano de Negócio para o período 2017-2021 indica um novo caminho.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Investimentos estatais em 2017

A realização de investimentos é a maior esperança do Governo e do mercado, para a reanimação da economia.

Mas a sua efetivação envolve ainda muitas restrições.
O investimento privado está em "looping". Sem perspectiva de demanda futura adicional o empreendedor privado contém os seus investimentos. A demanda futura depende da reanimação da economia

Já o investimento público opera, em geral, em setores com demanda reprimida. Pode até mesmo incentivar o aumento da demanda. A sua restrição atual está na carência de recursos.
A arrecadação tributária é inteiramente consumida com os gastos correntes, com uma enorme carga de juros da dívida pública. Há um déficit fiscal e pouco sobra para investimentos.

A proposta orçamentária da União para 2017, prevê apenas R$ 39 bilhões para investimentos. Além desse há cerca de R$ 90 bilhões no orçamento de investimentos das estatais, a maior parte da Petrobras.

A última programação da Petrobras, dentro do seu Plano de Negócios e Gestão, para o período 2015-2019, não atualizada para o período 2016-2020, previa investimentos de US$ 98,4 bilhões.

O novo plano, agora para 2017-2021, já aprovado pelo seu Conselho Deliberativo, mas que só será anunciado hoje, às 12:30 hs terá um volume menor de investimentos (capex) em função das restrições de financiamento.

Aguardemos pelo anúncio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mais ilusões no programa de privatização

A inclusão de empresas estaduais de saneamento tem mais efeito midiático do que prático. Funciona apenas como sinalização de que o Governo Federal está francamente disposto a privatizar todas (ou o máximo) de empresas estatais e que está superando as resistências dos Governos Estaduais.

Mas isso não é suficiente para efetivar a transferência dos serviços para o setor privado. É preciso que elas sejam economicamente viáveis.
E nesse ponto que entra a confusão, transformada em ilusão entre déficit e demanda.´
Há identificado um certo volume de domicílios brasileiros que não está ligada à rede de abastecimento de água e um grande volume sem ligação com a rede de coleta de esgotos.
Isso é déficit. Não se transforma automaticamente em demanda se forem expandidas as redes de água e esgotos. Uma parte preferirá soluções naturais, individuais ou condominiais, não buscando os serviços públicos. No caso da água, em função dos custos e dos esgotos, além da questão das tarifas, a menor importância dada ao saneamento.

Para transformar o déficit em demanda o Poder Público, pressionado pelos interesses setoriais, estabeleceu um modelo de negócios para o setor que jamais alcançará a meta de universalização de atendimento por redes.
A mudança necessária não é a privatização das empresas estaduais. Em alguns casos deve ser a sua extinção.



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Uma narrativa de ficção, baseada em fatos e personagens reais

Lula conhece bem o povo e por isso o seu grande medo era que viesse a colar nele a pecha de ladrão. Não importa se de bilhões ou de galinha. O seu povo não sabe o que são bilhões. Apenas que são grande números. Nunca tiveram, nem mesmo viram. Mas sabe bem o que é roubo de galinha (cada vez mais rara) nas cidades. Sabe bem o que é "ladrão pé de chinelo" que rouba os pobres.

E sua defesa sempre foi a mesma: não há provas.

Não havendo é tudo perseguição das elites e ele consegue mobilizar a sua tropa, a sua militância, o seu povo em sua defesa.

Mas ele bem sabe que o seu povo não vai sair em defesa de um "ladrão". Só se tiver muita pena. Se ele roubou para garantir "o leite das crianças". Mesmo assim não adianta. Ele não vai ter amplo apoio popular se colar nele a pecha de ladrão.

O que ele não contava, com toda habilidade e experiência, que um bando de "moleques", usando os modernos meios de comunicação, conseguisse grudar nele a indesejada imagem. Bastou um ppt que viralizou.

E isso neutralizou a reação popular.

Para ele, Lula, que sempre contou com a sorte. Uma grande tragédia popular abafou a sua reação. O povo, o seu povo, que não acompanha a política, mas acompanha as novelas, foi fortemente impactado por uma tragédia em que a vida imitou a arte. O ator Domingos Montagner, que na ficção sobreviveu a todos os percalços, voltando aos braços da amada, morreu tragado pelo Velho Chico: uma enorme comoção nacional. Um trauma que perpassa pelo meio de comunicação mais acompanhado pelo povo. O de maior audiência nacional: a novela das 9.

Para o povo o dia não foi de Lula. Foi de Domingos Montagner. Todas as devidas homenagens a esse homem do povo, pouco conhecido pela elite, mas admirado pelo povo.

A vida tornou realidade a ficção e provocou um trauma nacional, superando as ficções criadas anteontem e ontem, tanto pelo MPF como por Lula.






quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O motor do crescimento

Numa economia voltada para dentro, como a brasileira, o motor do processo econômico está no consumo das famílias, isto é, nas compras no varejo pelas pessoas.

Estão retraídos, mas não é por falta absoluta de renda, em função do desemprego. Se 12 milhões estão desempregados, 88 milhões continuam empregados, recebendo o seu salário. Mas estão contendo as compras, evitando se endividar com receio do futuro.

O problema maior está na visão pessimista sobre o futuro.
A sociedade brasileira, culturalmente é fortemente dependendo das sinalizações do Governo. Entende que ao Governo cabe conduzir a economia.

Não há saída, através do Governo. Não há intervenção estatal na economia que não seja artificial e insustentável ao longo do tempo.
A única coisa fundamental que o Governo precisa fazer é cuidar das suas contas. O chamado "ajuste fiscal".

Os empresários reclamam do excesso de intervenção governamental do governo Dilma, contido na nova matriz econômica. Mas com a queda dela, estão "aos magotes" em Brasília fazendo lobby cada qual defendendo uma nova política que atenda às suas visões ou aos seus interesses.

O Governo precisa dar uma mensagem clara de que os problemas da economia decorreram do excesso de intervenção governamental e que ele está se retirando. Não se trata de mudar os rumos da política econômica, mas ter menos política econômica.

Deixar que os agentes econômicos privados desistam de ficar esperando por sinalizações estatais e passem a trabalhar. Libertem-se do Governo. Tirem os olhos de Brasília e voltem-se para o seu mercado, para os seus compradores, para a sua clientela.

A economia voltará a crescer apesar do Governo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Um pacote reembrulhado de concessões

O pacote de concessões lançado ontem pelo Governo, tem pequenas novidades, sendo mais um reembrulho de peças antigas, com algumas novas. Mantendo os mesmos vícios básicos dos fracassados pacotes anteriores dos períodos Dilma 1.0 e Dilma 2.0.

O principal vício é que o pacote é "oportunista", com o objetivo primordial de angariar recursos para cobrir o rombo do Tesouro Nacional. Com a venda de ativos a "preço de banana".

O segundo vício é a visão também financista de que os fracassos anteriores resultaram de um equacionamento financeiro inadequado. A racionalização do modelo de financiamento tornam ainda mais importante a viabilidade econômica, que tem como pilar principal a existência de demanda para os serviços.

O problema não é a disponibilidade de dinheiro no mundo. Isso é fato, mas o capitalista, seja privado ou estatal, não está disposto a "jogar fora" porque tem demais. Ele quer saber qual é o retorno. E o retorno depende da existência de demanda.

Ai emerge o vício da ilusão. Com a confusão entre projeções realistas e meros desejos. Superestima-se a demanda não levando em conta a concorrência. Como ocorre com a visão da Fiol, introduzida na última hora, por conta do interesse chinês em estudar o empreendimento. Quando o fizer não vai efetivar, porque o projeto - economicamente - não fica em pé.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Exportar para empregar (13) - Plataforma de exportação

A indústria automobilística no Brasil, depois de dois anos de crise, 200 mil empregados a menos, parece ter acordado e está propondo uma pauta nova. Para viabilizar o seu novo modelo de negócio.

O novo modelo de negócio da indústria automobilística no Brasil deverá ter como pilar principal, a sua conversão em "plataforma de exportação" voltada, principalmente para o mercado latino-americano.

O tema agora está em pauta, porém enviesada, por contaminação com os paradigmas do modelo atual que precisam ser superados.

A principal alegação da indústria é que a economia brasileira é ainda muito fechada. Não é mais tanto, quando consideradas  as tarifas alfandegárias. O problema está na burocracia, essa sim, tomada pela visão "nacionalista" de equivocada defesa da indústria nacional. Supostamente em defesa do emprego nacional, criando embaraços às importações.

E ainda resiste a concepção do "conteúdo nacional", sob diversas formas. Mas todas requerendo complexos controles burocráticos.

Embora não seja a tônica do setor é ainda o da mídia que dá maior destaque a esse tema do que o da "plataforma de exportação". Esta característica é ainda rejeitada pela mídia.

(veja o artigo completo na coluna artigos)

domingo, 11 de setembro de 2016

Uber e a lei de Gerson

A famosa e execrada publicamente, mas continuada na prática, chamada "Lei de Gerson" voltou amplamente. Repaginada, agora respondendo pelo nome de Uber e disfarçada de modernidade.

A grande diferença do Uber não é a tecnologia do aplicativo. Essa é usada por diversos outros. O grande diferencial do Uber é a sua maciça ação de marketing para obter clientes, fixar sua marca e emergir como o grande símbolo da modernidade.
 
O problema atual da sua estratégia está na precificação dos serviços, com a prática de dumping, que tem plena aceitação pelos usuários, porque - de momento - estão pagando menos pela corrida. Estão aproveitando a "guerra de preços" para levar vantagem. Afinal, ser esperto, não é levar vantagem em tudo?
 
Esse dumping está sendo praticado pela exploração dos seus associados.
 
Quem está arcando com os custos mais altos do que a remuneração, sem a clara noção dessa condição é o motorista urberista. Ele está consumindo o seu carro e a sua saúde. O carro porque a sua remuneração líquida não vai cobrir o custo da depreciação do seu carro quando quiser trocar. Fora o custo da manutenção. E a sua saúde, pelo tempo de trabalho para obter a remuneração e pela sua ansiedade, na disputa por clientes.

Na crise atual, com dificuldade de conseguir emprego ou mesmo outros "bicos", ser motorista do Uber é uma alternativa de renda, mesmo que seja uma alienação homeopática do patrimônio.
 
Dentro das circunstâncias atuais, quem ainda tem renda, mas quer economizar, gastando menos, acha que está levando vantagem usando o Uber. E, de momento, está. Não está preocupado com o futuro dos serviços, que - inevitavelmente - se degradarão. Os preços praticados são irreais. Baseados em "pedaladas". Uma hora serão percebidas pela sociedade.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Temer completará o mandato?

O Governo Temer é legal, mas não é legítimo. Temer não foi eleito diretamente pelo povo, embora tenha recebido os mesmos 54 milhões de votos de Dilma.

Essa condição leva milhares de pessoas, a maioria de boa fé, a acreditar que para se ter um governo legítimo é preciso realizar - de imediato - uma nova eleição para Presidente. São pessoas desinformadas, ingênuas ou iludidas, o que não impede que saiam às ruas para engrossar o movimento "Fora Temer". Capitaneadas por sectários que acreditam plenamente na força das ruas e na viabilidade jurídica dessas novas eleições, antes de 2018.

Politicamente não há condições de dar legalidade a essas eleições. Depende do Congresso atual e esse não irá adotar as medidas necessárias. Mesmo com grande pressão popular. A única alternativa, fora essa é de um golpe militar. Para destituir o governo ilegítimo e marcar novas eleições gerais. Mas o que a história mostra que nem sempre acontece. Uma vez assumido o poder demoram demais para devolver o direito de eleição direta. No Brasil foram mais de 20 anos.


A menos de uma decisão, ainda este ano do TSE cancelando o registro da chapa vencedora em 2014 ou da renúncia de Temer, também ainda em 2016, eleições diretas para Presidente, só ocorrerão em 2018.
E Temer chegará até o final do seu mandato. Com um ambiente mais tranquilo ou menos. Dependerá da economia.
O mais provável é que seja fortemente turbulento em 2016, podendo arrefecer nos dois últimos anos.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mudar o modelo de negócios do Brasil

Promover os ajustes fiscais e algumas reformas estruturais são essenciais para a travessia da crise atual, mas também é preciso apresentar e discutir o futuro, os caminhos do outro lado que queremos alcançar e seguir. Não basta sobreviver.

Comparado o Brasil como uma empresa - o que muitos contestarão com razão, mas serve como base para reflexão - ele está em crise. Às vésperas de ter que pedir recuperação judicial. A menos de enérgicas providências corretivas, começando com a substituição do CEO e de seus dirigentes principais.

Isso acabou de ser feito com o afastamento definitivo da Presidente Rousseff, e providências de ajuste estão sendo propostas, discutidas e terão que ser inevitavelmente adotadas.

Mas para voltar a crescer precisa mudar radicalmente o seu "modelo de negócio".

Quatro devem ser os pontos principais do novo modelo: a) menor intervenção do Estado na economia; b) mudar o foco do mercado, buscando maior destinação ao mercado externo; c) mudar a "locomotiva" substituindo a indústria voltada para mercado interno pelo agronegócio (considerando toda cadeia produtiva); d) mudar o território do novo desenvolvimento, passando-o do sudeste-sul para acima do paralelo 16.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Como os eleitores vão votar em outubro de 2016?

O quadro nas principais capitais indica - neste momento, um mês antes das eleições -  uma reversão ao domínio da política tradicional, com  a predominância da eleição de políticos experientes, já testado em outras eleições.

Nas duas eleições municipais houve uma renovação com eleição de Prefeitos com perfil mais de gestores, alguns sem antecedentes eleitorais. Esses não foram mal, mas não souberam fazer política e com isso correm o risco de não serem reeleitos ou eleger o seu sucessor.
Uma boa administração para a opinião publicada não é suficiente para a manutenção no poder.

Em eleições anteriores com abundância de recursos financeiros, e maior tempo para a campanha pelo rádio e televisão os "postes" e "apadrinhados políticos" saíram de baixa preferência junto ao eleitorado para grandes saltos, acabando por vencer as eleições.  Isto é, o marketing político, sustentado com grandes volumes de recursos financeiros promoveu uma renovação de quadros.

Agora, sem esses recursos, a perspectiva é de que os novatos não decolem. Eles não dispõe de tempo suficiente para rodar toda a cidade, buscando o contacto direto com os eleitores.

Isso beneficia os políticos mais antigos, com maior relacionamento com os eleitores.

Essa análise, sobre os impactos da proibição do financiamento empresarial, associada à redução do tempo da propaganda obrigatória na televisão e rádio, indica as seguintes conclusões preliminares:

  1. os novatos, mesmo com fortes padrinhos políticos, não conseguirão se eleger, por não terem suficiente visibilidade para a conquista dos votos da opinião não publicada. Conseguirão disputar os votos da opinião publicada, mas esses não serão suficientes sem alcançar parte ponderável dos votos da opinião não publicada.
  2. com a menor eficácia dos segundos de televisão, o valor desses fica desvalorizado, não compensando aos partidos maiores pagarem muito por esses segundos. Como as coalizões vinham sendo feitos para agrega-los deixam de ter maior interesse.
  3. Como o tempo de TV e rádio era um dos principais ativos ganhos com a obtenção  do registro partidário, cairá o interesse na manutenção ou formação de partidos de aluguel. Além de tempo menor, o valor também será menor. Sem essa fonte de renda, e havendo ainda restrições de acesso ao Fundo Partidário, nem será necessário estabelecer cláusulas de barreira. Os nanicos existentes vão morrer por inanição. Os nanicos que irão sobreviver serão aqueles com propostas ideológicas e um mínimo de partidários, para assegurar a sua sobrevivência econômica. Como resultado final, haverá uma redução do número de partidos  políticos no Brasil.
  4. Os eleitores vão votar nos candidatos que ele conhece ou conheceu. A renovação vai ser menor e a predominância dos eleitos em 2016 será dos "velhos políticos".

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O contragolpe na calada da noite

Renan Calheiros promoveu com maestria um contragolpe, com objetivos reais submersos, mas bem argumentado acima da superfície, conseguindo executá-lo valendo-se do efeito surpresa.

No campo político o fatiamento foi o argumento decisivo para os votos dos indecisos. Aceitaram votar pela cassação, mas contra a perda de direitos políticos. A promessa foi de que isso abriria um precedentes para o julgamento deles mesmos em processos vindouros.

O golpe foi tramado por Renan com Jorge Viana, representando o PT. E a quatro mãos reescrito o roteiro da peça. Para dar tempo a votação final foi adiada da noite do dia 30 para a manhã do dia 31. Para dar tempo para o ensaio final.


Era preciso convencer o Presidente da sessão, o presidente do STF Enrique Ricardo Levandowski de aceitar o fatiamento. A ação de Renan foi em dois sentidos: demonstrar a viabilidade do fatiamento com base no Regimento Interno, juntamente com uma interpretação enviesada do artigo constitucional e a contrapartida da aprovação do aumento do Judiciário antes do dia 12 de setembro, quando se encarra o mandato de Enrique.

E Enrique topou o novo roteiro, racionalizando que no Senado estava como Presidente "ad-hoc" da instituição e regida pelo seu Regimento Interno. O que não comprometeria a sua posição como Ministro do STF nessa casa. Ou seja, poderia até votar em sentido contrário.

E a pobre da Dilma, que nem merendeira de escola pública poderia ser, foi envolvida na manobra, usada como isca para abrir a porteira por onde poderão passar todos os corruptos, sem perda dos direitos políticos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Comprar ou locar? (2)

A emergência de uma tribo de jovens millienials (ou da geração y, ou da geração internet) sem carro pode evoluir para um mercado de locação imobiliária, ou ser apenas um nicho.

O que estaria faltando é a evolução ou revolução da oferta. Algumas incorporadoras vem lançando novos produtos, mas testando o mercado. A evolução tem sido no sentido da minimização dos espaços, com soluções inteligentes para sua melhor ocupação. Mas não é uma revolução. Não é uma inovação de ruptura.

A alternativa evolutiva é a repaginação do modelo do flat. A alternativa de ruptura, será inusitada, ainda que aproveitando elementos anteriores. Como inusitada e de ruptura não é previsível, a partir desses elementos.

Em função da vivência pessoal, coloco uma hipótese: serviços de moradia "para a vida toda", mas não no mesmo imóvel.

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades ...