quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas

As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades econômicas montam demostrações quantitativas para indicar possível efeitos sobre o PIB e influenciar a decisão dos congressistas.
E a moda mais recente, que não pegou inteiramente, é a influência sobre a confiança dos agentes econômicos, principalmente dos investidores.

Mesmo sem as reformas, os investidores estrangeiros estão investindo no Brasil. 

Para a discussão das políticas econômicas as lideranças sindicais devem assumir como parâmetro primeiro a geração de empregos e, subsequentemente, a qualidade desses empregos, ou ocupação.

Qualquer proposta deve ser avaliada segundo um medidor de geração e sustentação de empregos. Para isso é preciso criar um modelo de avaliação, mais ampla do que é usualmente utilizado. Esse foi desenvolvido dentro do BNDES, pela economista Sheila Najberg, com participação de Marcelo Ikeda, no final do século passado e não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Tem um bom conceito, mas é incompleto. E não contempla a distinção entre o emprego formal e informal. 

Não existe política de emprego, distinto da política econômica e da política de investimentos. 

A partir desse modelo as lideranças sindicais poderão modernizar o seu discurso seja junto às bases, como ao Governo e à sociedade em geral. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (4)

Na economia moderna e atual o principal inimigo do trabalhador não é o "patrão" que o contrata, paga mal, assim como o demite.
Os dois fazem parte indissolúvel de um processo produtivo, de uma cadeia produtiva, que tem dois grande "inimigos" que sugam grande parte da renda, deixando pouco para os dois. Esses brigam entre si, pela parte que sobrou da renda com a venda do que foi produzido. A "parte do leão" ficou com o Governo e/ou com os bancos. 

Os movimentos de rua, baseadas nos discursos de sempre, amplificadas por megafones, são barulhentos mas reverberam cada vez menos. Os que se sentem incomodados são cada vez maiores. Os que aderem e vão às manifestações são cada vez menores. 

Os mentores acham que é falta de consciência do povo. Mas precisam refletir se essa falta não é deles, que não percebem que os discursos de sempre não tem mais repercussão.

As novas estratégias deverão usar as mesmas "armas" da dita direita, ou dos neoliberais. A principal seria a "desconstrução" das suas teorias baseada em dados manipulados.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A falsa renovação no Congresso

Em todas as eleições para o Congresso Nacional há uma mudança na composição dos deputados federais, acima de 50% o que caracterizaria uma permanente renovação. O que é falso: induzido por números globais, sem análise mais detalhada ou qualitativa. Os novos não são tão novos.
Entre os novos que foram eleitos em 2014, ocupando o lugar dos não reeleitos, podem ser caracterizados como:

  • suplentes promovidos;
  • políticos promovidos;
  • retornantes;
  • substitutos;
  • familiares;
  • novatos de fato
Suplentes promovidos são os que ficaram na suplência em 2010 e conseguiram se eleger como titulares em 2014. 
Políticos promovidos são ex-prefeitos ou ex-deputados estaduais que buscam um patamar superior, não tentado anteriormente.
Retornantes são os que em 2010 não se candidataram por estar em outros cargos, como de Prefeito Municipal, Governador ou fizeram parte de chapa derrotada para as funções executivas e retornaram em 2014. 
Substitutos são os que emergem como candidatos no lugar de seu pai, avó ou lider politico de prestígio, por estarem impedidos pela "ficha limpa", outras restrições, ou por se candidatarem a outros cargos. 
Familiares podem ser substitutos ou não. 
Finalmente os novatos de fato são os que não tem antecedentes político-eleitorais, caracterizando uma efetiva renovação. 
Tomando o exemplo do Espirito Santo os reeleitos em 2014 representariam 40%, 50% seriam uma falsa renovação. A renovação efetiva foi de apenas 10%

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os eleitores em 2018

Em outubro de 2018, quando ocorrerão as eleições gerais, os eleitores brasileiros estarão com as seguintes visões principais: evolução, ruptura e descrença. 

Os evolutivos ainda acreditam que os políticos podem trazer uma melhoria na sua vida e votarão na esperança. 


De uma parte estão os mais pobres que acreditam que um político pode ajudá-los a ter mais fácil acesso aos serviços públicos, como a melhoria e ampliação desses mesmos serviços, gerar empregos, controlar a carestia, assim como proporcionar benefícios diretos. 
De outra, segmentos da classe média, preocupados com a violência, confiam que um candidato forte, com apoio militar a combateria, assim como  acabaria com a corrupção. Alguns ainda acreditam que há políticos não corruptos que mereceriam o seu voto.
E as classes mais ricas, tem a esperança de um crescimento econômico, baseado na disciplina fiscal. 

Os adeptos da ruptura, estão indignados com os políticos e acreditam na possibilidade de um ampla renovação do Congresso Nacional, além de eleger um Presidente renovador. Os defensores mais radicais da intervenção militar, acham necessário o "golpe".

Os descrentes ou desesperançados não acreditam nem na evolução, como na possibilidade de renovação ampla e preferem adotar uma posição negativista ou de protesto. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (3)

Mudanças no Marco Regulatório das Relações Trabalhistas

Através das leis do trabalho, consolidadas pela CLT e alterações posteriores e também inseridas na Constituição Federal, as relações de trabalho dependiam das leis. Novas leis ou alterações das existentes dependem do Congresso Nacional.

Uma bancada sindical ou, de forma mais ampla, uma bancada de trabalhadores, ou ainda uma bancada trabalhista, seriam importantes para assegurar aos trabalhadores condições mais favoráveis. Ou evitar a redução das conquistas anteriores.

Sem uma bancada trabalhista para barrar a reforma trabalhista, o Congresso aprovou a prevalência do acordado sobre o negociado.

Em razão disso as lideranças sindicais terão que se dedicar mais intensamente nas negociações com os empregadores.

A função legislativa perdeu algum espaço nas questões trabalhistas. Durante algum tempo as questões legais serão definidas pela Justiça, seja a do Trabalho, como do Supremo Tribunal Federal.

Dentro dessas circunstâncias, seria ainda importante ter uma bancada sindical? Para propor o que? Para defender o que?


O principal, do ponto de vista da atuação legislativa, estaria na contraposição ou discussão das medidas legais que incentivam a inovação, a produtividade, sem a contrapartida de sustentação dos empregos ou trabalho.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (2)

Reversão

Será possível uma reversão do quadro atual, em 2018, com a  eventual eleição de uma expressiva bancada sindical na Câmara dos Deputados? Se isso ocorrer, qual será o impacto político dessa nova participação sindical? 

A questão preliminar é se líderes sindicais conseguirão ser eleitos deputados federais, em 2018, tendo os trabalhadores da sua categoria, como principal base eleitoral?

Os sindicatos, para atrair associados, concentraram se na oferta de serviços assistenciais, recreativos e outros, despriorizando a luta política.

Essa luta política sempre envolveu conquistas de benefícios ou condições de trabalho, mediante leis e regulamentos públicos, principalmente de natureza federal. 

A conquista do poder pelo PT e Lula na Presidência, na prática, acabou promovendo a desarticulação política das lideranças sindicais que acabaram se acomodando e desmobilizando a sua luta política.

O que os líderes sindicais, candidatos a deputados federais vão ou podem oferecer (ou prometer) aos eleitores, como atuação como deputados federais?

Por que os trabalhadores da categoria votariam no seu líder sindical e não em outros, que lhe apresentam outras propostas? Que lhes parecem melhores.

Por que outros eleitores, fora da categoria do candidato votariam nele?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso?

Entre os candidatos corporativos, seria natural - como ocorre em grande parte dos países industrializados - uma grande presença de sindicalistas no Congresso Nacional, eleitos pelos trabalhadores. Entre os 513 deputados federais, apenas 3 teriam sido eleitos, em 2014, com os votos dos trabalhadores da sua categoria. Há mais, mas  não seriam "sindicalistas puros". Receberam votos de outros eleitores, não sindicalizados. Ou foram eleitos, com base em milionárias campanhas, financiadas pelos "patrões".
Mesmo dentro do Partido dos Trabalhadores, que tem a segunda maior bancada dentro da Câmara, atualmente com 57 deputados federais, poucos são líderes sindicais. Alguns chegaram, como tal, mas foram abandonando ou foram abandonando pelas suas bases. Carlos Zarattini, líder da bancada e um dos mais atuantes, embora não seja o preferido da midia, na juventude foi operário gráfico, mas não tem base eleitoral nos gráficos, tampouco desponta como líder trabalhista.
Segundo o blog Congresso em Foco a bancada sindical teria 43 deputados, muito menos que a bancada empresarial que teria 208. E perderia de longe da bancada ruralista.

Do PDT, tradicional partido trabalhista, entre os seus 18 componentes, nenhum foi classificado como integrante da bancada sindical. Tampouco há qualquer deputado do PTB na bancada sindical. São partidos que mantém o trabalhista apenas na sua denominação. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

E agora?

Após uma grande barafunda com os limites de auto-doações (existe isso?) para as campanhas eleitorais, com alteração da lei anterior, sua revogação, veto à revogação, parece que ficou tudo como d'antes.
As doações só podem ser de pessoas físicas, com o limite de 10% do rendimento do ano anterior. O que, supostamente, favorecerá os candidatos mais ricos que poderão autofinanciar a sua campanha. No caso de deputados federais até o limite de R$ 2,5 milhões.

Dispondo desses recursos, a questão passa a ser: onde e como gastar esses recursos para que retornem em forma de votos?

Os novatos ricos estão imbuídos da visão de que tudo se resume às "redes sociais". Essas terão importância nas eleições, mas poderão não ser suficientes para garantir uma eleição, nem mesmo de deputado federal, com cerca de 50 mil votos. Dependendo do Estado.

Pesquisas recentes mostram que ainda estamos muito longe da universalização da internet, muito menos da banda larga e menos ainda da banda larga móvel. 

Embalados pelo sucesso momentâneo de João Dória Jr, eleito Prefeito de São Paulo, em primeiro turno, surpreendendo os analógicos, os digitais já acham que são a quase totalidade da população. Não são. 
E as mensagens políticas não deverão chegar nem à metade dos eleitores. Os analógicos continuarão apostando nos meios tradicionais, principalmente o radinho de pilha. Ainda não aposentado. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A pergunta errada

O sempre brilhante jornalista Fernando Gabeira, faz a pergunta errada: "Quanto tempo os políticos brasileiros vão levar para entender que o jogo acabou?"
Enquanto estiverem jogando o mesmo jogo, com o apoio da torcida que os reelege sucessivamente ou elege os seus sucessores, da mesma laia, o jogo não terminará. Ou como dizia o lendário Vicente Mateus, "o jogo só termina quando acaba".

Quem pode mudar o jogo não são os políticos, mas os eleitores, que podem tirá-los do campo. Que podem não escalá-los para o jogo em Brasília.

A pergunta correta é "quanto tempo os eleitores brasileiros vão levar para entender que não devem eleger os mesmos políticos brasileiros?".

E a pergunta complementar: o que e como fazer para que os eleitores entendam? 
O alvo das mudanças não são os políticos, mas os eleitores. E não vão ser os políticos que vão mudar as cabeças e corações dos eleitores.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que propor para as prioridades da população?

Saúde é de longe a maior preocupação da população em todos as pesquisas sobre os seus maiores problemas.  

Renova, propõe como compromisso dos novatos renovadores "políticas sociais que eliminem a desigualdade de acesso à educação, saúde e segurança de qualidade".

Será suficiente para ganhar corações e mentes dos eleitores e, consequentemente, o seu voto? 

A resposta inicial é não. O que o eleitor pobre quer não é a eliminação da desigualdade de acesso: ele quer mesmo é o atendimento. Ele quer o acesso. A sua preocupação maior não é com os outros, se estão sendo melhor ou pior atendidos. A sua preocupação maior é com ele mesmo. Com o seu atendimento. 
Significa poder buscar a assistência de um médico ou profissional de saúde, numa unidade pública e encontrá-lo no seu posto e ser prontamente atendido ou em curto prazo. 
Os eleitores de renda baixa que dependem inteiramente da saúde pública querem ser atendidos. Seja em situações de emergência, como de serviços agendados. 

Uma vez recebido, a condição que o paciente quer é cordialidade, humanidade. Atendido ele quer resolutividade, isso é a cura para o seu mal. 

São condições fundamentais que, uma vez atendidas, cativam o paciente, deixando-o "eternamente grato", ao médico.
Esse é um ponto de partida para os médicos da rede pública que atendem bem os seus pacientes, iniciar uma carreira política. E os novatos terão que enfrentá-los.

O discurso saúde de qualidade, assim como educação de qualidade é necessário, mas insuficiente para a conquista do voto.

E sem voto, o novato não chegará a Brasília, para poder colocar em prática as suas ideias e propostas, por melhores, mais brilhantes e inovadoras que sejam. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Honestidade x combate à corrupção


Honestidade deverá ser um dos principais itens da agenda eleitoral de 2018, tanto para o cargos executivos como legislativos.

Será a mesma coisa de "combate irrestrito à corrupção"?

Honestidade é uma condição pessoal do candidato, que será apresentado, mas terá que ser percebido e aceito pelo eleitor.

Combate à corrupção é uma proposição que poderá ou não ser adotada pelo candidato. E ser real ou falsa.


Honestidade é uma condição passada e presente. Combate à corrupção é discurso para o futuro.

Os veteranos tem um passado público conhecido. Os novatos não tem, a menos de algum registro em ficha criminal.

Todos os candidatos se apresentarão como honestos e a favor do combate à corrupção. 

Apenas com o discurso de "combate irrestrito da corrupção" poderá ser insuficiente para ganhar "corações e mentes" dos eleitores e, consequentemente, o seu voto.

Combate à corrupção é e será muito importante nas eleições de 2018, mas não será um diferencial importante para os novatos derrotarem os veteranos. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A concorrência junto aos eleitores

Assumindo que os três pilares básicos da agenda de 2018 sejam esperança, honestidade e não desperdício (austeridade), tanto os veteranos como os novatos se apresentarão perante os eleitores com mensagens sobre os mesmos tentando sensibilizar os seus corações, mentes e, com isso, obter o seu voto.

Os veteranos se apresentarão com os seus feitos anteriores a favor da melhoria de vida dos seus eleitores e prometendo ampliar a sua atuação a favor deles. A esperança está em pequenos atendimentos locais, seja o atendimento mais rápido dos postos de saúde, a obtenção de vagas em creche, matrícula em escola pública, ou a promessa de novos investimentos em unidades escolares, de saúde ou de segurança pública. 

As mensagens de austeridade vão no mesmo sentido de combater o desperdício e desvio de recursos públicos e garantir que esses cheguem ao cidadão na forma de maiores e melhores serviços públicos. 

A reação inconsciente do eleitor, principalmente o de menor renda e escolaridade, não é ao caráter ético da "roubalheira", mas o sentimento de que é ele que está sendo roubado. 
Por que a polícia não chega? A polícia alega que cortaram as verbas e eles estão sem dinheiro para consertar as viaturas. O cidadão pode interpretar que alguém ficou com o dinheiro destinado aos consertos. 

As mensagens dos veteranos será o mais tradicional mantra de "mais recursos públicos". Mais dinheiro público para educação. Mais dinheiro para saúde pública e assim por diante.

As mensagens dos novatos - como já foi adotado, com sucesso, por João Dória - poderá ser gestão. Ou a alternativa da mensagem "mais com menos". Serão promessa de melhor uso dos recursos públicos para ampliar e qualificar os serviços públicos em benefício dos cidadãos, dos eleitores. 

A proposta é de gestão, mas até que ponto a mensagem terá credibilidade para o eleitor se sensibilizar e votar no candidato novato? A mensagem pelo veterano só terá credibilidade se ele tiver comprovação de resultados.

Esse fator irá favorecer Prefeitos Municipais com gestão bem sucedida e reconhecida pelos seus eleitores. 

sábado, 30 de setembro de 2017

Esperança, honestidade e desperdício*

Esperança, honestidade e "austeridade" serão os pilares da agenda eleitoral de 2018. 
A agenda é do eleitor, antes de ser do candidato ou partido. Estes serão bem sucedidos (ou não) nas suas campanhas se souberem captar os anseios do eleitor e lhe levar a mensagem sensível em relação a esses pontos.

Na agenda do eleitor "esperança é a perspectiva de uma vida melhor". Não é chegar ao topo, mas uma melhoria em relação à sua vida atual.
Honestidade é o que ele espera do candidato. Que não tenha pecha de ladrão, que não mostre indícios de que vá roubar no exercício do cargo.
Austeridade é o bom uso dos recursos públicos, para que esses possam chegar de forma mais abundante ao cidadão. Talvez possa ser caracterizado como "não desperdício de recursos públicos", simplesmente não desperdício, mas para efeito da agenda, desperdício.
 *republicado

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Uma conjugação difícil de se repetir

Em meio ao recrudescimento da crise política, o sucesso da licitação da concessão de 4 usinas prontas da CEMIG mostrou uma conjugação especial de ações governamentais.

De um lado, as "autoridades econômicas" comandadas por Henrique Meirelles, buscando colocar as contas públicas em ordem, mesmo repetindo erros anteriores. Usar receita de capital para cobrir despesas de custeio é um enorme erro, que vai se refletir mais adiante. 
O Governo atual está pagando por erro semelhante, feito  desde o Governo Fernando Henrique.

O principal fato político é que a bancada estadual de Minas Gerais na Câmara, a segunda maior em número de deputados - perdendo apenas para São Paulo - tentou até o último momento evitar o leilão e pelo menos manter uma das usinas com a CEMIG. 

Essa bancada tem dois cargos cruciais para o Governo Temer: a Vice-Presidência da Câmara dos Deputados e a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça, onde ocorre a primeira avaliação da denúncia contra o Presidente junto ao STF.

Supostamente, Temer precisa do apoio desses dois deputados mineiros e dos votos da bancada mineira para barrar o andamento da denúncia. Pois, apesar de toda "chiadeira", pressões e outras ações o Presidente manteve o apoio às autoridades econômicas e o néo peemedebista, Fernando Coelho Filho. Apostou no sucesso do leilão de todas as usinas e ganhou. Além do esperado. Mas pode perder os votos da bancada mineira além de eventual escolha de relator do processo da denúncia, favorável à aceitação, como ocorreu com a primeira. 

Deve ter feito as contas e achou que poderia correr o risco. Talvez não contasse com o revés de Aécio, no STF, que mexe mais uma vez com a bancada mineira, embora agora como repercussão maior, envolvendo todo o Senado Federal.

Qualquer que seja o desfecho, é importante perceber que a dita agenda econômica, com diversas medidas já aprovadas e ainda com a reforma da previdência pendente, não segue o seu curso pelas suas virtudes intrinsecas ou pelo apoio do mercado.

Cada medida é negociada e "comprada" de forma hábil, da qual Michel Temer é o mais preparado e experiente e sem escrúpulos.

Meirelles sabe muito bem que não conseguiria dar curso às reformas, sem Temer ou mesmo Lula, para fazer a parte suja. Não aceitou e não aceitaria ser Ministro de Dilma, dada a incompetência e inapetência pela articulação política com terceiros, da ex-Presidenta. Joaquim Levy aceitou e se deu mal. 

Sem fazer os acordos com um Congresso, profundamente anti-ético, nenhuma autoridade econômica conseguirá fazer as reformas. 

Não existe uma agenda Meirelles (o lado bom e bonito) diverso da agenda Temer (o lado feio). Não existe uma eventual candidatura Meirelles, descolada do Governo Temer. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os impactos da supersafra no PIB

O Brasil, neste ano de 2017, produziu uma supersafra agrícola, mas os seus efeitos sobre o PIB tem sido minimizados ou menosprezados pela maioria dos analistas econômicos. 

O efeito inicial foi na produção, com aumento no primeiro trimestre de 2017, cerca de 15% sobre o trimestre anterior, mas com efeito diluido sobre o PIB, em função da sua baixa participação relativa. Mesmo assim contribuiu para uma evolução positiva do PIB, ainda que ínfima, mas quebrando a sequência negativa desde o segundo trimestre de 2014. 
O principal efeito da supersafra no segundo semestre foi o impacto sobre a inflação, com a desinflação nos preços dos alimentos. 
O seu principal efeito na cadeia produtiva foi na maior movimentação do transporte, que se refletiu na conta dos serviços. 
Ainda no segundo trimestre, mas principalmente no terceiro, chegou o efeito derivado do crescimento da massa salarial do agronegócio.  Os gastos dos trabalhadores no comércio se transformariam no principal fator de quebra da inércia negativa para reverter em positiva. Isto estaria ocorrendo no centro-oeste e em outros grandes polos de produção agrícola, com o aumento de empregos, principalmente no comércio. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Exportar para empregar (19) - Toyota na América Latina

Como já escrevemos anteriormente, o principal avanço da exportação de produtos manufaturados brasileiros, que aparece nas contas globais do comércio exterior, é decorrente das mudanças estratégicas e organização das multinacionais automobilísticas, instaladas no país.

As declarações do Presidente da Toyota para a América Latina, Steve St Angelo, no lançamento do novo carro da Toyota,  são de ampliar as exportações do Corolla brasileiro, no mercado latino-americano, tomando o lugar do Corolla norte-americano. É uma competição dentro do mesmo grupo empresarial. E expandir para todo o mercado latino-americano e do Caribe.


Segundo St Angelo "A crise, de certa forma, foi boa para nós, porque nos forçou a olhar para o que podiamos fazer para sobreviver." E complementa, "Não estou feliz ainda. Só ficarei satisfeito quando conseguir exportar para os 40 paises da região. Até  mesmo para aqueles onde os carros tem direção do lado direito" 

A produção do Yaris, que chega ao Brasil, atrasado, não será destinado apenas ao mercado nacional. Será um carro global, concorrendo com o modelo de carro médio da Toyota já produzido na China, em Taiwan, na Tailândia e na França.

Segundo Steve, como é conhecido na companhia, disse saber que não será fácil disputar o mercado externo com outras fábricas da montadora, principalmente a da Tailândia, que é bastante competitiva. (Valor, 26/09/2017, pg B3) 

No lançamento do Yaris os dirigentes da Toyota reiteraram que não fizeram qualquer demissão em massa, durante o período de recessão, não obstante terem feito um amplo programa de redução de custos. Também não adotou o mecanismo de "lay off" ou seja, o afastamento temporário. Teriam hoje, um quadro de 5,8 mil trabalhadores.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Esquerda, centro ou direita (3)

A adesão do eleitorado às teses defensivas da esquerda

O Governo Temer - por estratégia ou por falta de opção - resolveu promover uma reforma trabalhista, que vai além da lei aprovada.
Envolve também a EC do teto de gastos, a lei da terceirização e ainda os processos de privatização.

São processos que reduzem a importância e protagonismo dos sindicatos de trabalhadores.

Como citado anteriormente os sindicatos se aferraram na defesa dos trabalhadores estatais, sejam funcionários públicos estatutários, como os assalariados das empresas estatais.

Tradicionalmente, os trabalhadores das estatais conseguem condições melhores que das empresas privadas. Tem maiores obstáculos de ingresso - principalmente a dependência de concurso - mas uma vez dentro, tem maior estabilidade e condições remuneratórias melhores. Tais condições foram ampliadas ao longo dos governos petistas, promovendo o "inchaço" das estruturas estatais assim como seus custos globais. 

Os sindicatos e os partidos de esquerda se posicionaram contra as reformas e se posicionam contra as privatizações. Com o apoio dos trabalhadores estatais que vêm em risco as suas conquistas anteriores. O que para a "direita" é vista como privilégios.

E como o eleitorado, em geral, vai se posicionar em relação a tais posições dos partidos de esquerda, e dos sindicatos? 

Haverá uma grande adesão ou ficará limitado aos interessados e seu entorno?

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Esquerda, centro e direita (2)

No campo político, os partidos "trabalhistas" foram capturados por lideranças sindicais cooptadas pelos Governos ou empresários, os chamados pelegos ou por líderes populistas, o que os enfraqueceu. 

O PT, sob a liderança de Lula, emergiu como um partido de assalariados industriais, que se assumiu como representante de todos os trabalhadores, embora nunca o tenham sido. Sempre foi o PTA, isto é, o partido dos trabalhadores assalariados, ou PAT, partido de alguns dos trabalhadores. Como tal não conseguiu chegar ao poder. Só o conseguiu quando ampliou o leque das suas bandeiras. 

O sindicalismo tradicional não tem mais lideranças políticas próprias. Excluindo a figura de Lula, que de hà muito deixou de ser um líder sindical, não há qualquer outro nome de liderança trabalhista, com reconhecimento nacional. Paulinho da Força e o Senador gaucho Paulo Paim são ainda os mais evidentes, mas de conhecimento público restrito. 

Talvez Lula ocupe um espaço, ora indevido, e não deixe margem para a emergência de novas lideranças trabalhistas. 

O perfil do mundo do trabalho mudou substancialmente. O volume de assalariados privados representa menos de 40% do total de trabalhadores ocupados. Há um volume identificado de trabalhadores na categoria de servidores públicos, com regime diferenciado, mas não há uma identificação clara dos empregados estatais. 

O sindicalismo estatal é ainda um importante reduto do trabalhismo tradicional, dentro da visão de que os assalariados estatais conquistaram melhores condições de trabalho que perderiam com a privatização das atividades.

O Governo Temer vem dando sequência à uma série de medidas que irão reduzir substancialmente o contingente de assalariados estatais, assim como reduzir a garantia de recursos financeiros dos Sindicatos.

Isso vem colocando o movimento sindical na defensiva e tentativa de manter ou restabelecer as condições atuais, deixando-o com pouco ou nenhum espaço de atuação proativa.

Essa condição coloca a esquerda igualmente na posição defensiva. O que poderá ter grande influências nas eleições de 2018.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Esquerda, centro ou direita? (1)

A tradicional análise política divide os partidos políticos em esquerda e direita. E parte dos políticos assume um lado. Quando não assumidos ou qualificados viram centro. 

É uma classificação antiquada e superada pelas mudanças econômicas, sociais e culturais, mas que persiste a partir da produção acadêmica e influenciam a classe política. Mas não mais a maioria dos eleitores. Essa não faz a distinção, tampouco entende o que é ser de esquerda ou de direita.

A divisão nasce a partir da 1ª Revolução Industrial, 

Essa organização da produção formal foi ampliada e alcançou o auge com a 2ª Revolução Industrial, mas já não se sustenta na fase atual do mundo produtivo, caracterizado como a 3ª Revolução Industrial. E já estamos ingressando na 4ª.

No Brasil, os sindicatos dos trabalhadores são os últimos bastiões da esquerda tradicional, mas sem a mesma força política anterior e capacidade de mobilização social. Embora, em função, de apropriação de recursos de origem pública, consigam manter a imagem de grande protagonismo.

Os sindicatos são apenas dos assalariados, que vem perdendo sucessivamente participação no mercado de trabalho. Ao ficarem apenas na defesa dos assalariados perdem representatividade e associados. E força política.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O perfil dos novatos (3)

Além dos posicionamentos pessoais a respeito da ética no exercício da função política, os novatos deverão se posicionar em relação aos temas sobre os quais deverá discutir e deliberar.

Um posicionamento preliminar é se cuidará ou não das questões locais (paroquiais ou distritais) ou não se envolverá com essas. Entendendo que não é atribuição de um deputado federal. 

O novato que defender essas posições de retorno do deputado federal às suas funções nacionais e não distritais, corre o risco de não ser eleito. 

Os membros do Congresso passam a ser conhecidos nacionalmente pela sua atuação em Brasília, com a cobertura da mídia.

Mal comparando, são como peixes dentro de um aquário, com a percepção de como nadam, como se comportam. Mas quem os colocou lá?

Há toda uma preocupação com o que os novatos podem fazer na Câmara dos Deputados, a partir de 2019. Mas antes é preciso avaliar como eles poderão chegar lá. Com que discurso vão conseguir os votos necessários dos eleitores, para chegar lá?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O perfil dos novatos (2)

Os novatos estão fascinados com o suposto poder da rede social e se concentrarão no meio virtual. 
Poucos se dedicarão aos tradicionais métodos presenciais. Como visitar pessoalmente os seus potenciais eleitores, tomar um cafezinho excessivamente doce, com eles, comer pastel, ouvir as reivindicações, beijar as criancinhas, etc. 

Mas os veteranos conquistam votos de eleitores, com essas práticas. E como os novatos vão fazer com que esses deixem de votar nos veteranos presenciais para votar neles, que só existem virtualmente para os eleitores?

Um dado preocupante do amplo uso da rede social nas campanhas políticas está nas notícias falsas, nos "fakes" e nas pós verdades.

Os novatos e os renovadores estão contando muito em usar o poder das redes sociais, mas podem ser vítimas de poderosos contra-ataques, experimentando o próprio veneno. A partir de centros instalados no exterior. 

A reportagem publicada no Estadão de domingo, sob o título "Na web, 12 milhões difundem fake news políticas", (17/09/2017, pg A 12) é extremamente preocupante.

(cont)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O perfil dos novatos

Para efeito de renovação do Congresso não basta que os eleitores não renovem o seu voto a favor dos veteranos, mas que votem em novatos.

Que novatos se disporão a se candidatar? Com que perfil, em que partido e com quais propostas ou discursos? Ou ainda, com que promessas?

Dentro das circunstâncias atuais e que deverão prevalecer ou até se ampliar no segundo semestre de 2018 um discurso comum será contra a corrupção. 

Os candidatos novatos à Câmara Federal apresentar-se-ão ainda como trabalhadores, prometendo abrir mão das verbas adicionais a que teriam direito, caso eleitos, assim como trabalhar com uma assessoria enxuta, reduzindo ao minimo a sua estrutura de gabinete.

Comprometer-se-ão, ainda na fase da campanha à total transparência no financiamento da campanha, rigorosamente dentro da lei. E sem qualquer apelo ao "caixa dois".

domingo, 17 de setembro de 2017

A importância relativa da rede social nas eleições de 2018

A opinião publicada tradicional embala grande esperança na influência da rede social, através da internet, nas eleições de 2018, acreditando que a mesma contribuirá decisivamente para a renovação do Congresso e para a eleição presidencial.

Os números são promissores. O número de eleitores aptos a votar em 2018 deverá estar por volta de 150 milhões. Excluidas as abstenções, cerca de 130 milhões deverão ir às urnas. Os votos válidos deverão ser da ordem de 115 milhões. O número de aparelhos celulares no Brasil já é da ordem de 230 milhões, praticamente um aparelho por habitante. A quase totalidade dos eleitores terá um aparelho celular.

É um dado altamente significante, mas apenas necessário. Não suficiente. 

A condição fundamental é o eleitor se interessar em se informar ou se orientar pela rede. 

Tendo interesse ele terá acesso a um banco de dados, dentro do qual ele irá buscar a informação desejada. As plataformas atuais tem informações demais para cada eleitor.

Não basta que ele tenha um aparelho celular, ou mesmo os aplicativos. É preciso que a mensagem chegue a ele e tenha o poder de afetar a sua decisão. 

As mensagens nunca serão isentas. Elas sempre carregarão um proposito, a favor ou contra. E haverá  muita mensagem falsa.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Manutenção x renovação

Qualquer movimentação pela renovação do Congresso não pode ficar limitado à apresentação de novatos, para uma suposta ocupação de espaço vazio. O espaço está parcialmente tomado e é preciso retirar, afastar os veteranos, alguns instalados hà muitos anos, com sucessivas reeleições para a Câmara dos Deputados. 

Aqueles que tem alta concentração de votos no seu "distrito" os tem, pela defesa dos interesses locais e, complementarmente, os estaduais. Isso porque seria a visão predominante do eleitor. Ele não teria a visão de que o deputado federal, tem como atribuição principal a discussão, a legislação sobre questões nacionais e não locais.

Em que medida novatos que se disponham a concorrer à deputação federal, com posicionamentos nacionais terão condições de concorrer com os candidatos com promessas de atendimentos específicos do eleitorado local?

O melhor atendimento pelos serviços de saúde é uma reivindicação generalizada e prioritária da população, isto é, do eleitorado. O que pesará mais para o eleitor: promessa de instalação de um novo posto de saúde, ou mudanças e aperfeiçoamentos na regulação do SUS, em âmbito nacional?

As propostas de reformas estruturais, ainda que parciais, levaram o Congresso a ter que se definir em relação à reforma fiscal (EC do teto de gastos), reforma trabalhista, incluindo a terceirização, reforma previdenciária, etc.  

Até que ponto, as posições dos deputados federais atuais afetarão a decisão dos seus eleitores? E quais serão as posições e propostas dos novatos?

Quais serão os pontos principais da agenda dos novatos, para sensibilizar os eleitores?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Gestor público x privado

Com oito meses de gestão, o competente gestor privado foi submetido a provas como gestor público, na direção da Prefeitura Municipal de São Paulo  e foi reprovado. Está em recuperação, tentando o que não conseguiu efetivar em 250 dias. 
E como sempre busca os culpados. Ainda pode responsabilizar a gestão passada, mas já teve tempo suficiente para fazer as coisas direito. Não o fez por inexperiência e falta de competência na gestão pública.
O problema mais visível está na terceirização pública, na contratação de serviços municipais de empresas privadas para a sua  execução, como manutenção de semáforos, jardinagem e outros já apontados pela mídia, como paralizados.

O processo de compras públicas  é naturalmente lento, mas fica mais ainda pelas exigências burocráticas e pelo jogo de interesses.

Esse é o problema maior que o gestor privado inexperiente enfrenta nas compras públicas de médio porte.

Os novos gestores, imbuidos dos critérios de eficiência, tendem a inaceitar essas condições e a brigar com a burocracia. Sem a devida compreensão do processo. Não percebem que atrás de qualquer exigência estão interesses. E na "briga contra a burocracia", no mais das vezes, perdem.

É o que está ocorrendo com o Prefeito de São Paulo, o está desgastando. E enquanto isso a população paulistana paga pela sua incompetência, ou inexperiência.

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades ...