segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representando outros 25%, dos quais 5% são insumos. O processamento industrial não passaria de 20% do PIB do agronegócio. A metade é representada pelos serviços. Ou seja, agronegócio é agro-serviço. Onde a logística e a comercialização representariam a maior parte.

O que o consumidor de alimentos no Brasil, como no mundo, paga é pelo custo do alimento chegar até o varejo. Ou até ao seu prato, ao consumí-lo num restaurante.

Para ser reconhecido socialmente o agronegócio precisa substituir a visão "Brasil celeiro do mundo" por "Brasil, alimentando o mundo" ou similar. Precisa substituir a idéia de produtor e exportador de matérias primas, para ser um supridor mundial de alimentos. E ainda de energéticos e de produtos de madeira.

O grande desafio do agronegócio é agregar valor às suas matérias primas agro-pastoril pelos serviços. Muito mais que pela industrialização.

O agronegócio para ter o reconhecimento social precisa mostrar que é muito mais que produção agrícola e pastoril. 

O lema da campanha da Rede Globo tem esse sentido, mas o conteúdo continua sendo dominado pelo Globo Rural.

domingo, 10 de dezembro de 2017

A estrutura do agronegócio

O agronegócio vai muito além da produção no campo. 
Para efeito de análise podemos desdobrar em três:

  • agro-rural (com perdão pelo pleonasmo);
  • agroindústria;
  • agro-serviço.

O agro-rural, por sua vez, pode ser dividido em lavoura, pecuária e florestal. 
A agroindustria se caracteriza pelo uso que dará às matérias-primas, podendo ser destinadas a alimentação, energia ou a bens derivados da madeira. 
Pode ainda ser desdobrada em processamento primário ou manufatura. No primeiro caso irá gerar ainda commodities, insumos de processamentos mais desenvolvidos. Envolvem, por exemplo, o açúcar e o etanol, com o processamento da cana, as carnes "in natura", a celulose e outras. 
A agroindústria envolve ainda um terceiro segmento que é o de suprimento de insumos, máquinas e equipamentos para a produção rural, assim como para as demais fase do agronegócio. 
Os insumos para a produção rural envolvem os elementos químicos como fertilizantes, defensivos e outros, de produção industrial. Também se incluem nesse segmento as as máquinas agrícolas, cada vez mais sofisticadas. Atualmente há um grande avanço no suprimento de tecnologias, o que estaria no campo do agro-serviço. Não mais na agroindústria.
Máquinas e equipamentos para a produção alimentar, energética ou madeireira, com o uso dos insumos do agro-rural são parte importante da agroindústria.

O agro-serviço compreende uma gama imensa de subsetores, correspondendo - do ponto de vista dos valores adicionados - metade do pib do agronegócio.
Os principais segmentos são a comercialização dos produtos oriundos do agro-rural e a logística. Mas dois outros segmentos tem ganho importância econômica: marca e tecnologia.

O principal valor agregado pago pelo consumidor final é dos serviços. A logística fica com uma boa parte, mas a principal é a comercialização. Que aumenta ainda mais quando o produto, mesmo com processamento primário, ganha marca. 

Ou seja, o principal valor adicionado à matéria prima rural não está na industrialização, mas na comercialização, com marca. E essa pode decorrer da qualidade da matéria-prima. É o que vem ocorrendo com o café de qualidade. 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Projeto Nacional: por que ninguém propõe?

Ao participar de mais um evento público ouço reclamações ou lamentações de que falta ao Brasil um projeto nacional, um projeto de Nação, ou projeto Brasil.
Se "todo mundo" concorda que faz falta, porque ninguém propõe um projeto?
Uma das razões é porque as pessoas estão por demais envolvidos em soluções para a crise fiscal, para as questões monetárias, tem propostas, mas percebem que essa não significam um projeto nacional. Se assim o fosse, as recentes propostas do Banco Mundial seria uma proposta de projeto nacional, baseado nos gastos públicos: "O Brasil gasta muito e mal".

Temos aqui feito uma proposta que ousamos dizer que é uma proposta de Projeto Nacional. 

O Brasil irá se desenvolver nos próximos anos, sustentado por dois grandes pilares: petróleo e grãos.  Ou energia e alimento.

Territorialmente o primeiro irá reforçar o desenvolvimento do sudeste. O segundo irá gerar novos polos de desenvolvimento, dentro do cerrado brasileiro, com dois subpolos: centro-oeste e nordeste. 

A esta altura da história não se trata mais de uma opção do país. Este está condenado a ser um grande produtor de petróleo e grãos. Se quiser evitar esse destino histórico terá que fazer um grande esforço, para que os produtores rurais deixem de plantar ou que as petroleiras abandonem os poços de petróleo do pré-sal. Ou rezar para que as adversidades climáticas arrazem a produção agrícola. 

No caso dos grãos, o mundo está precisando desses e espera que o Brasil seja um grande produtor e supridor. E dará condições econômicas para a continuidade. Já em relação ao petróleo, o mundo tem excesso de oferta, poderá reduzir os preços, de tal forma que somente os mais eficientes seguirão produzindo. Nesse caso, o Brasil poderia se livrar da "maldição" de ser um grande produtor.  Mas as petroleiras teriam condições e buscariam eficiência e redução de custos para manter a produção brasileira entre os sobreviventes.

Se o Brasil está condenado a ser um grande produtor mundial de grãos e de petróleo, por que lutar conta essa tendência e não aproveitar a oportunidade para fazer delas as grandes alavancas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país?

A proposta de Projeto Nacional que temos defendido se baseia nessa segunda opção. Aproveitar a oportunidade da demanda mundial por alimentos e a ampla disponibilidade de petróleo do pré-sal para recolocar o Brasil entre as cinco maiores economias mundiais, juntamente com maior equidade social. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Plano B, N (2)

Se para a Presidência a estratégia do PT e de Lula é caracterizar uma eleição fraudulenta, quais serão as estratégias para as eleições de Governador e para o Congresso Nacional?

Irá o PT abandonar um importante palanque, que é o Congresso Nacional,  para combater a suposta ilegitimidade do Governo, em nome de uma coerência ideológica? Ou adotará uma postura pragmática de buscar manter ou ampliar uma bancada para ter uma arena para suas manifestações. 

Terá que ser de ferrenha oposição, sem fazer as alianças espúrias que fez para eleger Lula em 2002, e se manter no poder. Terá que voltar ao seu jogo original, de minoria, mas de repaginação para voltar a ser um partido verdadeiro. 

Para renascer como força política que já não tem, mascarada pela relevância ainda da figura de Lula, terá que focar as eleições legislativas.

A alternativa é de se opor às reformas, principalmente a previdenciária e ao suposto desmonte dos programas sociais. 

Do ponto de vista eleitoral, a estratégia deve ser o de eleger as suas principais "estrelas" com penetração popular para a Câmara dos Deputados: Dilma no Rio Grande do Sul, Jaques Wagner na Bahia, Gleisi Hoffmann no Paraná, Fernando Haddad em São Paulo, entre os mais conhecidos, para puxar a formação de uma forte base parlamentar.

Seria a estratégia mais perigosa para os seus adversários. Mas esses contam que  o PT não seguirá esse caminho. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O plano B, N

A alternativa da esquerda à inviabilização judicial da candidatura Lula não é nenhum outro candidato do PT ou de algum partido aliado. 
O plano alternativo pode ser chamado de BN, ou brancos e nulos.
O objetivo é que o volume de brancos e nulos, ainda no primeiro turno seja maior do que os dois principais candidatos que poderiam disputar o segundo turno. 
A mensagem, que já está nas ruas, é que "eleição sem Lula é golpe" ou "eleição sem Lula é fraude". 
Para o PT e partidos aliados o objetivo é manter a denúncia de "golpe". E se fortalecer como oposição. Buscando a reconquista do poder nas próximas eleições. 
Quem quer que vença as eleições de 2018 será considerado ilegítimo, porque eleito num pleito fraudado.
Toda movimentação de Lula e do seu partido é nesse sentido.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Previdência: visões diferentes

A dificuldade de aprovação da reforma previdenciária decorre de visões distintas sobre a aposentadoria.

A mais significativa é a visão individual, o que tem forte efeito político, porque é a visão do eleitor. O eleitor é um indivíduo. Um conjunto de indivíduos elege um deputado federal. Um número maior de indivíduos elege um Senador e outro, maior ainda, elege o Presidente da República.

O politico que quer se eleger precisa atentar para as visões, interesses e desejos de cada um dos seus eleitores. E os eleitores, na sua maioria, são contra a reforma previdenciária.

E por que são contra?

Porque uma grande parte, se não a maioria, trabalha para poder se aposentar. O sonho de vida, o objeto de desejo é uma aposentadoria remunerada, sem ter que trabalhar.

Elas começam a trabalhar pensando na sua aposentadoria. O início do trabalho é o marco de uma contagem regressiva do tempo adicional que precisam trabalhar para poder se aposentar.

Para esse trabalhador, as condições para poder se aposentar, são as vigentes no momento em que ingressa no mercado de trabalho. E as incorpora como direito.

Para ele qualquer mudança nessas regras que piore as condições para obter a sua aposentadoria é percebida como uma retirada de direito. Ter que trabalhar mais anos para poder se aposentar: um absurdo! E ele é contra. E induz o deputado a votar contra. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Perspectivas dos investimentos em infraestrutura

Uma pequena retomada da taxa de investimentos está animando os analistas a prever substanciais aumentos dos investimentos em infraestrutura, o que não deverá ocorrer. 
Isso porque os investimentos em infraestrutura, no passado, foram predominantemente estatais. Com a total falência econômica do Estado, sem condições políticas de continuar aumentando a carga tributária, obrigado a conter os gastos, os investimentos em infraestrutura terão que ser privados, o que muda substancialmente a lógica decisória.

Os principais investimentos previstos ou desejados estão no setor de transportes, com ênfase ainda no setor rodoviário. Segundo previsões de consultoria especializada, deverão ser investidos no setor, em 2018, R$ 35,7 bilhões, dos quais R$ 12,2 bilhões no rodoviário.

Para isso se conta com a renovação antecipada de contratos de concessões rodoviárias, com a realização de investimentos. A legislação foi alterada para a sua viabilização, mas até agora não foi aplicada em nenhum caso específico.

Por outro lado, os principais grupos nacionais detentores de concessões estão inabilitados ou debilitados, sem condições de assumir novos compromissos ou mesmo de levantar financiamentos. 

Esses grupos são predominantemente de construtoras, interessadas nas obras e não na operação. Com a execução das obras iniciais algumas procuraram transferir os contratos para operadoras. Na inexistência de operadoras nacionais, grupos estrangeiros ocuparam esse espaço.  E não se deram bem. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Grandes esperanças

A animação com a inflexão dos investimentos dentro do PIB, faz sentido, mas deve ser visto com cautela.

Dos investimentos, contabilizados dentro das contas nacionais, como Formação Bruta de Capital Fixo - FBKF, uma grande parte é consumo de bens duráveis, como a compra de um imóvel residencial ou aumento da frota de locadoras de automóveis. Ou mesmo a compra de ônibus para o transporte coletivo. São itens importantes, mas que não aumentam a capacidade produtiva industrial.
Esta é representada pelo item máquinas e equipamentos cuja participação dentro da FBKF não alcança 20%. Deve ainda ser considerado que os equipamentos para o setor de energia elétrica, tanto na geração, como na transmissão, estão dentro deste item. Os de telecomunicações estão contabilizadas a parte. 
O principal item da FBKF está em "construção de outros edifícios e estruturas" que fica em torno de 30% do total. E juntamente com a construção residencial representam cerca de 50% da FBKF.

A construção residencial sofreu um estouro da bolha imobiliária - que o setor recusa em reconhecer - e foi sustentada pelo programa governamental "Minha Casa, Minha Vida", embora em ritmo menor que dos anos anteriores. Com a perda de capacidade financeira do Estado, sem condições de manter os subsídios as perspectivas futuras desse programa são de redução continuada.

A melhoria da FBKF se deve à retomada do mercado imobiliário privado, com aumento dos lançamentos e maior produção nas obras em andamento, que estavam sendo tocadas em ritmo mais lento.

A perspectiva neste setor é positiva, mas a continuidade dependerá dos financiamentos privados. O Estado, seja diretamente, como indiretamente, através dos bancos oficiais, não tem mais condições de oferecer financiamentos a juros subsidiados.

Os investimentos industriais, em parte, são de máquinas e equipamentos importados. Aumenta a capacidade industrial, mas não geram - de imediato - encomendas à indústria nacional de máquinas e equipamentos. A curto prazo o efeito sobre o PIB é negativo, não positivo. Não aumenta a produção e o produto nacional. Essa tendência deverá continuar, diante da geração de divisas pelo agronegócio, contribuindo para uma estabilidade cambial em níveis relativamente baixos.

A grande esperança dos economistas e do mercado está nos investimentos em infraestrutura, ora com um grande gargalo. Até recentemente o principal investidor foi o Estado.
Com a sua "falência" não tem mais capacidade de investir. Tudo dependerá do interesse privado. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O que o Brasil ganha com o agronegócio exportador

O agronegócio não é exportador apenas de 

matéria prima, sendo grande parte exportada com um 

primeiro processo industrial, tanto em unidades industriais 

de grande porte, com a produção de celulose, como em 

unidades menores, com o açúcar e etanol. Cabe 

considerar, ademais, que esteúltimo é produto de inovação 

tecnológica brasileira. 



O suco de laranja não só agrega valor pelo 

processamento industrial da laranja, como também pela 

marca. O Brasil é maior produtor mundial de suco de laranja.


As carnes são o caso mais emblemático de transformação

industrial e agregação de valor.


As lavouras estão cada vez mais maquinizadas e 

tecnologizadas, elevando a produtividade e empregando 

relativamente menos. Aumentam a quantidade de 

empregos pela ampliação dos volumes de produção.


Mas a sua principal contribuição para os empregos está na viabilização do processamento industrial subsequente. 


Sem a intensa produção florestal o Brasil não teria se 

transformado no maior produtor mundial de celulose de fibra curta. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Mitos e fatos sobre o agronegócio (2)

A agropecuária, do ponto de vista da produção, vai bem. Produziu uma supersafra de grãos, que promoveu a retomada do crescimento econômico.
E vai bem porque está preponderantemente voltada para o mercado externo, aproveitando as oportunidades, ao contrário da indústria que ainda é fortemente dependente do marcado interno, cujo enfraquecimento promoveu a crise.

A orientação para o mercado externo não foi fruto de políticas governamentais, tampouco de decisões dos produtores. Mas por estratégias das grandes tradings de comercialização de produtos agrícolas, em busca de melhores resultados para os seus acionistas ou sócios. 

Os produtores não são vendedores. Tem os seus produtos comprados pelas tradings. As estratégias comerciais são delas.
São elas que orientaram o setor para o mercado externo. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mitos e fatos sobre o agronegócio

A agropecuária se tornou o principal motor do crescimento econômico brasileiro. Promoveu a retomada do crescimento, no início deste ano, rompendo o ciclo recessivo, mas não é essa "coisa" toda que alardeia. 
Por uma série de circunstâncias históricas a agropecuária vem crescendo a sua produção - com pequenas variações sazonais - por força da ousadia e perseverança dos produtores rurais.

As suas lideranças e, principalmente, os seus arautos, procuram convencer a sociedade e o Governo da sua importância, afirmando e sendo razoavelmente aceito que produzem de 20 a 25% do PIB. Falso e verdadeiro, dependente do ângulo. Considerada a produção no campo, a que decorre do esforço e coragem do produtor rural, falsa. Se considerada a cadeia produtiva verdadeira.

Agronegócio não é só produção rural. Agronegócio é indústria. Agronegócio é serviço. 

Motor não é necessariamente a peça maior do sistema. Mas é a que dá partida, aciona e dá continuidade à sua movimentação. 

O motor do crescimento da economia brasileira é hoje a agropecuária-florestal. Pode representar uma parcela relativamente pequena do PIB, em torno de 5%, mas movimenta diretamente pelas suas correias transmissoras e motores sucessivos, pelo menos mais 15%. E tem efeitos indiretos não mensurados. 

O agronegócio é hoje essencial para a economia e sociedade brasileiras. A cultura urbana precisa perceber e aceitar esse papel. Até porque a principal parte da produção do agronegócio está nas cidades. Comer um bom churrasco é agronegócio.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Estratégias de negociação

Com a lei de "modernização" trabalhista embutindo uma meia reforma sindical, as negociações entre empregadores e empregados assumirão contornos diferentes dos atuais.

As clausulas econômicas, com condições mais favoráveis ao empregador, serão as principais motivações para o empresário não se filiar ao sindicato, assim como não incentivar ou até tentar restringir a participação do empregado em sindicatos.

O seu principal instrumento será a não admissão de empregados sindicalizados.

Na conjuntura de alto nível de desemprego as empresas poderão forçar o trabalhador a aceitar as condições impostas, sob o risco de não ser contratado. 

As condições a serem oferecidas é o contrato formal, isto é, com carteira assinada, mas com valor inferior ao piso salarial, acordado em convenção coletiva, desde que acima da lei - quando houver - e do salário mínimo.

Também serão estabelecidas condições mais favoráveis à empresa e desfavoráveis aos empregados em relação aos benefícios, como vale-alimentação, plano de saúde e outros.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O sentido das emendas parlamentares

O mecanismo da emenda parlamentar foi criado e desenvolvido para dar margem aos parlamentares para decidirem sobre a alocação das verbas orçamentárias menores. 
O processamento das emendas nas suas diversas fases tem sido usado pelo Executivo e aceito pelos parlamentares para votações a favor das propostas do Governo.
Esse mecanismo é interpretado, pela opinião publicada, pela sociedade organizada como "compra de apoio", um comportamento moral condenado. 
Mas não é o que acham os beneficiados. Sejam de pequenas cidades, como das periferias das grandes cidades. E votam no suposto "benfeitor". Este usa e abusa dos meios de comunicação para alardear a destinação dos recursos para a comunidade, para o suposto benefício aos seus eleitores.
Na prática, o sistema de emendas gera distorções de prioridades, tanto territoriais como setoriais.

Uma emenda pode ser destinada à construção de creches, o que atenderia a uma prioridade setorial. Mas é destinado ao Município onde o deputado tem a sua base eleitoral e não aquele que apresenta maior déficit de atendimento. Ademais a emenda pode ser destinada apenas à uma construção, sem previsão para a operação. O resultado pode ser a inauguração de uma obra que depois não funciona, por falta de verbas para pessoal e material. 
Durante muitos anos, até depois de algum tempo da eclosão da Operação Lava-Jato, as emendas parlamentares foram preparadas por empreiteiros e outros fornecedores interessados em construir a obra. 

domingo, 26 de novembro de 2017

Não bastam honestidade e vontade

O populismo da sociedade organizada acredita que um candidato sem passado político eleitoral, isto é um novato ou "outsider" poderá ser eleito Presidente da República. Em decorrência da ampla insatisfação da população com os políticos, percebidos por aquela  como corruptos e sem consideração com os interesses nacionais.
E que, com seriedade, honestidade e vontade política poderá governar bem o Brasil e colocá-lo no caminho do desenvolvimento atendendo aos interesses nacionais.
Embora o regime político seja presidencialista, o Presidente da República depende do Congresso para aprovar as medidas legais consideradas necessárias pelo Governo, a favor do interesse nacional. Para isso precisa de uma base aliada no Congresso. 

Não basta ao candidato novato conseguir uma ampla aprovação social a seu favor.
Ele precisa liderar uma mobilização para uma ampla renovação do Congresso Nacional, elegendo a maioria no Congresso para uma base aliada.

Sem isso continuará refém do sistema fisiológico que continua dominando a política brasileira.

sábado, 25 de novembro de 2017

O populismo da sociedade

O populismo se caracteriza pela proposição de soluções fáceis a problemas complexos. São soluções simplistas de entendimento generalizado, em geral, de caráter mágico, colocadas como se dependessem apenas da vontade do governante.

Diante das sucessivas revelações, seguidas de prisões de grandes empresários e políticos, há uma inversão de papéis. Não são políticos populistas propondo soluções simplistas. É a chamada sociedade organizada que quer uma solução simplista para governar o país. Ao candidato basta ser honesto e ter bons propósitos. 

Como se supõe que todos os políticos são desonestos e só defendem os seus próprios interesses, o candidato a Presidente da República precisa ser um não político. Isto é, não ter antecedente de atividade politico-eleitoral.


A sociedade está atrás de um novo "salvador da Pátria". Não está esperando pela emergência de um "Messias" que venha pregar a salvação. Está procurando por ele e quer que o indigitado supostamente encontrado aceite o encargo. 

Para aceitar ele exige "carta branca" para escolher os seus auxiliares e impor as suas vontades. Ser um "déspota esclarecido" que é um eufemismo para ditador, ainda que bem intencionado.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Riscos de empreendimentos privados de infraestrutura

O primeiro grande risco é a falta de compreensão sobre "empreendimento de infraestrutura", também caracterizado como projeto de infraestrutura, pela utilização do termo em inglês "project" que corresponde a empreendimento. 


A segunda grande confusão é tratar o empreendimento como uma obra. Que tem começo, meio e fim, dentro de um curto ou médio prazo.

O empreendimento, no entanto, tem começo definido, mas só finda depois de muitos anos, considerando toda a sua vida útil. Não termina com a obra pronta.

Com os empreendimentos de infraestrutura realizados predominantemente pelo Estado, com recursos públicos, com as obras e equipamentos (capex) contratados pelo setor público, que depois fica responsável pela operação, gerou-se uma cultura de confusão do empreendimento apenas com o capex, e desconsideração com a operação (opex). 

Com a total redução dos recursos públicos para investimentos, os empreendimentos de infraestrutura deverão ser predominantemente privados. Isso implica numa mudança completa de paradigmas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O alcance da opinião publicada

A opinião publicada está muito indignada com os últimos acontecimentos políticos, em que vem sendo "derrotada" sucessivamente. 
E não entende porque os políticos não dão a devida atenção a ela e continuam manobrando indecentemente. 
Acha que é a opinião pública, menosprezando a opinião não publicada que é, quantitativamente, muito maior e tem o poder de decidir a eleições democráticas.
A opinião publicada só se transforma em opinião pública quando consegue envolver ou contaminar a opinião não publicada. O que é incomum, mas não impossível. A opinião publicada está sempre contando com esse incomum, achando que é o usual.
Não é. E as pesquisas que apontam Lula na preferência dos pesquisados para a Presidência de República, indica que o momento incomum, com o ápice da Operação Lava-Jato, que ocorreu ao longo da campanha eleitoral municipal de 2016, já não persiste. A opinião não publicada, mais uma vez, se afastou da publicada. Não segue as mesmas posições.
O ciclo político oscila sempre entre a safra e a entressafra. Safra é o período eleitoral onde ele tem que colher o número suficiente de votos para se eleger e o necessário para ter força política. Entressafra é o período que entremeia as campanhas eleitorais, podendo ser de 1,5 a 3,5 meses.

Se nesse novo momento, eles não estão dando a devida atenção às reações da opinião publicada é porque percebem o baixo alcance da contaminação junto às suas bases, à opinião não publicada que vota e poderá continuar votando neles.
Sim, eles não estão "nem ai" com a opinião publicada, para a indignação da mídia das grandes cidades. Mas estão "muito ai" com a sua opinião não publicada. Sem o que não não conseguirão se reeleger.
Eles seriam eleitos pela opinião não publicada e não pela publicada. 
Outubro de 2018 dará a resposta efetiva.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Como chegaram ao poder?

O noticiário que atende à opinião publicada está tomada, com indignação, com a soltura dos 3 principais políticos estaduais do PMDB do Rio de Janeiro. A revogação da revogação não reduz a indignação. 

Eles juntamente com o ex-Governador Sérgio Cabral, ainda preso, conquistaram e dominaram o poder político do Rio de Janeiro hà mais de 18 anos.

Todos os Governadores eleitos, no período, Marcelo Alencar, Anthony Garotinho, Benedita Silva e Rosinha Garotinho, ficaram na dependência de acordos com o grupo Cabral-Picciani, para conseguir aprovar medidas de interesse do seu Governo na ALERJ.

Como Cabral e Picciani conseguiram se reeleger sucessivamente, apesar de algumas derrotas para cargos maiores, ora está conhecida.

Mas como conseguiram se eleger na primeira vez?

Agora que deixaram um vácuo político eleitoral, quem irá preenchê-los. Com base em que tipo de campanha eleitoral?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria foi o motor do desenvolvimento econômico brasileiro, protegido por barreiras determinadas pelo Estado Brasileiro.
Perdendo substância, a partir dos anos noventa, com a abertura da economia para importações, é - atualmente - uma indústria - em geral - desatualizada tecnologicamente,  com baixa produtividade e não competitiva mundialmente.
Diante de um mundo globalizado, com restrições crescentes ao protecionismo, qualquer indústria para se manter no mercado precisará ser mundialmente competitiva.

Não podendo contar com esses dois instrumentos, a única barreira que persiste é a ineficiência logística. Enquanto essa persistir alguns mercados regionais poderão resistir à concorrência estrangeira. Fora disso estarão condenadas ao declínio e até ao desaparecimento, deixando de ser um fator de desenvolvimento, e se tornando um problema social.

As industrias de multinacionais voltadas apenas para o mercado interno decorrem das estratégias de assegurar a participação no mercado brasileiro com a montagem final de seus produtos criados no exterior. Alguns podem ter adaptações para o mercado nacional, mas a sua opção é importar o produto inteiramente produzido no exterior ou montar no Brasil, para ser mais competitivo em relação aos seus concorrentes externos. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (3)

O Brasil não é apenas um exportador de matérias primas agrícolas. Parte já é processada, num primeiro estágio. Outros em estágios mais avançados, ainda que alguns não os aceitam como produtos industrializados ou processados.
A imagem predominante é que o Brasil produz e exporta soja em grãos. 

Na realidade o milho brasileiro é exportado na forma de proteina animal. O que é uma fase mais avançada e com maior agregação de valor do que a eventual venda externa de rações. 

Nesta cadeia produtiva a matéria prima brasileira - o grão de milho - é exportada incorporada aos produtos da etapa final do processo, como as partes de frangos cortadas.

O Brasil é um importante produtor e processador de alimentos, mas os "pessimistas" ou "envergonhados do Brasil" preferem só ver o caso do café. Países europeus que não são produtores agrícolas do café, desenvolveram tecnologias para transformar o grão em produtos de consumo, mais saborosos e amigáveis. E ganham nos royalties ou mesmo da importação pelo Brasil de bens derivados do seu café.

O caso do café não é a regra, mas a exceção. 

O agronegócio brasileiro agrega valor às suas matérias primas, mas tem se mostrado incompetente para superar a imagem de que é um exportador de produtos agrícolas de baixo valor agregado. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (2)

Num primeiro nível, a estratégia brasileira, para aproveitar o momento favorável, deverá estar voltada para:

  • diversificação de mercados compradores, reduzindo o grau de dependência das importações chinesas;
  • agregar maior valor às matérias-primas.

A agricultura brasileira de grãos vem crescendo e conquistando mercados internacionais, com altíssima produtividade, incorporação sucessiva de tecnologia e inovação, integrando já a revolução 4.0, e apesar do custo Brasil.

A soja brasileira é altamente competitiva nas fazendas, perde parte dela, com as deficiências logísticas, mas é ainda competitiva no porto. Desmente inteiramente as visões de que a produção brasileira tem baixa produtividade e não investe em inovação. A soja brasileira é, provavelmente, o produto nacional com a maior agregação tecnológica. 

O processamento das matérias primas envolve duas categorias:

  • a dos processamentos que mantém a característica de commodities;
  • a da industrialização com diferenciais que podem ser caracterizados por marcas.

Faltam empresas brasileiras do setor de alimentos, com vocação internacional. 

Sem essa vocação não haverá empenho das empresas ou dos empresários em tentar a conquista de mercados externos.

O Brasil precisa de "campeões internacionais", mas esses terão que ganhar o pódio pelo seu esforço e competência empresarial. Não poderão depender de benefícios estatais.

Para isso o Brasil, seus empresários e a sociedade organizada, precisam se livrar da cultura estatista (ou estatizante) de que o objetivo acima só será possível, com forte atuação e recursos do Estado.

O papel do Estado nas circunstâncias atuais e nos próximos anos terá que se restringir à diplomacia. Não tem recursos, tampouco instrumentos para promover a formação e desenvolvimento de "campeões internacionais".




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional? (1)

O Brasil por força da iniciativa privada, aproveitando oportunidades do mercado mundial, se tornou em poucos anos, uma potencia agrícola mundial, liderando a produção e a exportação de diversos produtos agrícolas. 

Apesar dos elementos positivos essa conjuntura brasileira é fonte de infelicidade ou incomodidade para alguns que a criticam como sendo uma condição indesejável.
Essa condição é vista como um retrocesso com o Brasil voltando a ser um supridor de matérias-primas para as grandes potenciais mundiais e importador de bens industrializados, como nos tempos coloniais. Ou da fase pré-industrial.

O Brasil tem que aproveitar a oportunidade para ser o principal supridor mundial de matérias primas de produção agro-pecuária-florestal. Sem sacrificar a cobertura vegetal.

Não pode desprezar essa oportunidade histórica que pode sustentar um crescimento econômico moderado, lento e gradual.

Não se deve desprezar ou combater a ação efetiva da agricultura, que se tornou o mais dinâmico motor da economia brasileira. Embora não o único.

Como estratégia brasileira a primeira condição é aceitar que a produção agro-pecuária-florestal será esse motor e  deverá ser acionado e não contido ou execrado, como um retrocesso, que não é.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O impasse dos investimentos ferroviários

Há um grande consenso nacional que o Brasil tem um grande potencial como produtor agropecuário. Mas que esse potencial é prejudicado pela carência de infraestrutura que encarece demasiadamente o custo logístico, anulando a competitividade, alcançada dentro das fazendas.
E também é predominantemente aceito que a solução está no escoamento dos grãos via hidrovia e ferrovia, por terem custos menores. Mas que não ocorre na prática.
Eles oferecem um preço pouco abaixo do frete rodoviário, efetivamente praticado além da seletividade de clientes, o que impede o acesso de grande parte dos produtores em utilizar a ferrovia.
Dai o produtor tem que usar o meio rodoviário, pagando 100 (valor de referência) ou usar o ferroviário a 90. Não adianta os técnicos dizerem que nos EUA ou na Argentina, ele pagaria 30 ou 40. É a condição comercial. 

Os concessionários querem renovar os seus contratos sem alterar substancialmente as condições do direito de passagem, para manter as suas políticas comerciais e rentabilidade. 
Já os usuários representados pela CNA e pela ANUT querem maior participação para os operadores independentes e menores restrições comerciais.
A força do lobby conseguiu dar andamento aos processos de renovação, mas "empacou" na resistência da CNA, da ANUT e das associações dos produtores (APROSOJAs) e outras associações, como a Ferrofrente.
Eles deram um "nó" no processo e o Governo não sabe como desatar. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Estratégias do marketing político

A visão predominante do marketing político ainda é da tradicional propaganda em que o partido ou candidato procuram convencer os eleitores a aderirem às suas ideias, programas a votarem nele.

A principal preocupação do político é encontrar um profissional criativo capaz de transformar as suas idéias ou discursos em bons produtos, atrativos e compráveis pelos eleitores. 

O marketing inverteu a equação: o ponto de partida não é o que o produtor quer vender. Mas o que o consumidor quer comprar. E "embrulhar" o produto segundo o desejo do comprador. 

Para isso o marketing busca através de pesquisas entender o que o consumidor quer, para então modelar o produto.

Uma geração de marketólogos políticos, novos quando surgiram e já velhos, hoje em dia, revolucionou o processo, com grande sucesso.

O principal precursor foi Duda Mendonça.

Foi bem sucedido por João Santana que criou uma personagem, bem recebida e aceita pelos eleitores: a da "mãe do PAC", uma competente "gestora".

Dilma se ajustou plenamente na imagem externa criada por João Santana, mas não cumpriu a condição interna, contrariando a imagem de "boa gestora". O que acabou levando à sua destituição após ter recebido mais de 50 milhões de votos. 

Tanto um quanto outro, por terem recebido parte dos seus honorários profissionais, através do "caixa dois" alimentados por verbas de corrupção, estão impedidos de exercer a atividade.

A estratégia requereu muito dinheiro e tornou-se inviável com a proibição das doações empresariais formais. E com o maior rigor dos controles sobre as transferências empresariais pelo "caixa dois". 

O principal elemento da estratégia desse marketing político será a capacidade de percepção e interpretação dos desejos dos eleitores. E a partir dai criar o perfil ou a personagem compatível com tais desejos.

João Dória Jr percebeu os desejos do eleitor paulistano em 2014, em relação ao perfil desejado e personificou essa personagem. Sintetizada na marca "João Trabalhador". 

Tentou difundir nacionalmente a imagem para se viabilizar como candidato à Presidência da República, em 2018. Errou na dose e no "timing" .

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de ...