sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A transição pela economia informal

A solução definitiva para a eliminação da pobreza passa pela geração de oportunidades de trabalho, com apropriação de renda pelos pobres.

Apesar dos diversos programas e ações efetivas não se conseguiu garantir a sua sustentabilidade. 

Isso decorre, principalmente, de duas concepção ilusórias, relacionadas, segundo uma visão tutelar das classes mais ricas e mais educadas sobre o problema.

A primeira é a crença de que a solução definitiva está na educação. O que é correto, mas com resultados efetivos a longo prazo, envolvendo ainda muitas gerações. Resultados parciais e emblemáticos sempre serão mostrados, o que pode esconder a realidade do conjunto, não tão favorável.

De toda forma garantir a educação básica continuada das crianças pobres é uma condição essencial e essa deveria ser a única condicionante exigida para o acesso aos benefícios dos programas assistenciais, com o Bolsa Família.

Já a educação de nível médio defendida pelos Governo Federal e muitos estaduais, também é necessária, porém a sua prioridade está equivocada. O programa pretende preparar jovens, principalmente, para uma indústria decadente que não vai gerar oportunidades suficientes para abrigar todos os formandos. A sua importância é qualitativa: da massa de formandos sempre surgirá uma elite de operários e técnicos competentes, muitos deles inovadores, que serão aproveitados para a melhoria da produtividade e modernidade industrial. Há um foco e uma expectativa em relação às profissões vinculadas à tecnologia da informação, incluindo a automação industrial, porém essas representam uma parcela pequena da oferta de empregos. A maioria dos formandos pelo PRONATEC e programas similares não está dentro das profissões e carreiras mais demandadas.

Não é um programa para eliminar a pobreza. Muitos dos formando se frustrarão, por não encontrar o emprego esperado e poderá ter sido um desperdício de recursos.

A maior demanda do mercado formal de empregos tem sido por funções de menor qualificação, em que os salários menores pesam mais que a elevada qualificação.

A outra ilusão, relacionada com a primeira, é que a solução está no mercado formal do trabalho, organizado com patrões e empregados e regulado pela CLT.

A tendência futura é que o sistema formal, no Brasil, não terá condições, no futuro próximo, de gerar os empregos suficientes para absorver os jovens que chegarão ao mercado de trabalho, ainda que melhor formados. Isso ocorrerá, principalmente, na indústria, onde os ganhos de produtividade pela inovação tecnológica irá requerer cada vez menos mão-de-obra e mais qualificada. Os com menor capacitação terão o seu espaço, porém com salários comprimidos. 

O resultado desse modelo baseado no mundo do trabalho formal é que levará a uma melhoria da educação dos jovens pobres, mas eles não conseguirão sair da pobreza, por falta de oferta adequada no mercado formal.

A saída está na transição pela economia informal, voltado para o mercado da pobreza.
A história mostra que as economias não nasceram ricas. Começaram pobres e superaram essa condição, com muito trabalho. O mesmo vale para as comunidades pobres.

Elas tem que sair da pobreza pelas suas forças e não pela concessão permanente de doações da economia formal.

Os jovens e adultos nascidos e crescidos na pobreza, podem achar nas próprias comunidades oportunidades para trabalhar e ganhar um "algo a mais". Durante algum tempo, mas ainda com resquícios, a grande ilusão foi o futebol e a música. Os mecanismos de busca dos talentos no futebol mudou. Antes os meninos desenvolviam o seu talento jogando descalços em campo de terra. Agora são formados em campos gramados, quadras, escolinhas de futebol, etc., cada vez mais tomados pela classe média. A trajetória de meninos saídos das comunidades é cada vez menor. As oportunidades para eles escassearam.

A música é ainda uma saída, mas poucos conseguem fazer dela uma fonte de renda sustentada. Eventualmente por equívoco de mercado, por buscarem os ganhos no mercado formal. No entanto, é na própria comunidade onde estão as oportunidades de geração e apropriação de renda.

A principal oportunidade para os jovens auferirem uma renda adicional com o seu trabalho, dentro das próprias comunidades pobres, emergiu na forma de moto-taxi. 

Com a moto, comprada com financiamento dos revendedores e garantia do próprio equipamento (alienação fiduciária), não lhe sendo exigida a formalização trabalhista, mas apenas a individual (CPF e RG) vai usar como meio de ganho de renda, transportando as pessoas da própria comunidade.

Incorporando outra modernidade. Pode ser chamado por celular. 

Começa como um "nanoempreendedor" informal. Se o seu negócio vai bem, pode buscar expandir os seus serviços e ai precisa de crédito e para isso pode precisar formalizar o seu negócio, para ter demonstração da renda. Ocorre a chamada bancarização, que leva à formalização. 

O informal não precisa ser definitivo, mas é a ponte que o jovem pobre tem para ingressar no mercado de trabalho, aproveitando a sua capacidade de trabalho.

A solução não está na busca infrutífera de um emprego formal, ou aceder à sedução da criminalidade, mas numa oportunidade de mercado que a própria comunidade oferece.

Essa realidade não é percebida ou não é entendida pelos analistas tradicionais e pela opinião publicada.

As eleições de outubro de 2014 não mostraram a divisão entre um Brasil que se desenvolve pelo trabalho dos seus integrantes e outro Brasil de beneficiários dos programas sociais. Que o preconceito os associa à indolência e a falta de empenho pessoal.

Ao contrário. Os "filhos do Bolsa Familia" estão trabalhando, estão "ralando" mais que os da classe média, alcançando taxas de crescimento da sua economia local e regional relativamente maiores do que o da economia em geral. Os estados do nordeste estão apresentando taxas de crescimento do PIB maiores o que os do sudeste. A economia que está estagnada é a do sudeste. A do nordeste continua em crescimento. 

Embora com taxas maiores de crescimento a economia da pobreza representa uma parcela relativamente menor dentro do PIB enquanto a economia da riqueza "patina" e puxa o crescimento global para baixo.

Aécio e o PSDB não percebeu essas mudanças e acabou sendo derrotado pelos "filhos do Bolsa Família" que não são indolentes, estão trabalhando e ralando tanto ou mais que os seus colegas metropolitanos de classe média.

Eles vem buscando melhorar de vida pelo seu esforço pessoal, fora do mercado formal. Porque acham que o mercado formal não oferece remuneração adequada.

Reagem às insinuações ou afirmações de que são indolentes. Quando não aceitam o emprego, não é porque não querem trabalhar, mas não aceitam mais os salários oferecidos. 

Querem ser reconhecidos pelo seu esforço, mas creditam ao bolsa família ou programas similares a oportunidade para poderem ir trabalhar e melhorar a sua vida. 

Continuam recebendo do bolsa família e são gratos aos governos que lhe garantiram o benefício.

Votaram em Dilma e lhe deram a reeleição. 

Se a oposição não perceber esse fenômeno, continuando com os mesmos paradigmas ultrapassados pela realidade, perderá todas as eleições subsequentes. 

A conciliação possível e a impossível

O Brasil saiu das eleições do segundo turno para a Presidência, com uma grande divisão estatística. Cpm uma inegável vantagem para Dilma Rousseff e para o PT, contra Aécio Neves e o PSDB.

Pretende-se e deseja-se uma conciliação desses supostos dois Brasis, em benefício de todos. Esses dois não conversam entre si, por diversas distâncias: ideológicas, visão de mundo, problemas reais que enfrentam, diferenças sociais e econômicas, distâncias, etc. E teriam como representantes apenas os candidatos, ainda que circunstanciais e temporários. 

Dilma tem uma representação mais consistente, do projeto que atende à maioria dos seus eleitores e que mudou a configuração social do Brasil. E acusou o adversário de querer abandonar o seu projeto, de um Brasil socialmente mais justo.

Os eleitores de Aécio e ele próprio, não representam um projeto alternativo. Ao longo da campanha até aceitou mantê-lo, aperfeiçoa-lo e até melhora-lo.

A sua oposição está no projeto de poder, que se utiliza do projeto social, para se manter no poder. E associada à corrupção, principal instrumento para financiar esse projeto de poder.

Dilma já ao longo da campanha, buscou se dissociar do projeto da corrupção, e vem prometendo reiteradamente fazer a faxina que não conseguiu completar no primeiro mandato, "doa a quem doer". Vai doer muito mais nos companheiros e aliados do que nos adversários.

Provavelmente, acredita que sem se desvincular do projeto de poder, suportado pela corrupção, corre o risco de não poder sustentar o seu projeto nacional.

Dai a sua proposta de conciliação e união ter dificuldades que não são entre os 50 e poucos milhões de um lado e de outro. Grande parte dos 51 milhões de eleitores de Aécio acabarão aceitando o projeto de Dilma, enquanto boas intenções, e livres da sua parte podre.

Mas a torcida organizada dos tucanos não aceitará jamais. E estará sempre em confronto com a torcida organizada dos petistas. Torcidas organizadas adversárias são irreconciliáveis. Mas são uma minoria. É preciso evitar os confrontos diretos, porque faz vítimas pessoais, alguma fatais, mas  são sempre brigas localizadas, apesar da repercussão na mídia e na opinião publicada.

Não adianta perder tempo com elas, mas as lideranças dos clubes, vão influir no acirramento ou não dos ânimos. 

Conseguirá Dilma, com os acenos de pacificação, esfriar os ânimos dos tucanos, agora dispostos a uma oposição ativa? Segundo alguns líderes, aguerrida, semelhante ao que seria do PT se tivesse perdido às eleições.

Mas a oposição precisará ter cuidado com os seus posicionamentos. Se for contra o projeto social de Dilma, como quer a sua torcida organizada e os mais radicais, baseados em preconceitos e incompreensão da realidade, tenderá a perder mais apoio do que ganhar. 

Para ganhar parte dos eleitores que, em 2014, votaram em Dilma, os tucanos não podem ser contra o projeto social, mas sair na frente, propondo o passo seguinte para os beneficiados, de forma mais consistente e viável do que o PT irá oferecer. Tem uma vantagem, porque a visão petista é dominada por uma ideologia e visão que não atende às aspirações desse eleitorado.

Visto dessa forma, a conciliação em torno do projeto social será mais fácil, com diferenças de "detalhes" e de tempo. Mas a oposição não poderá nem terá como abrandar a critica e as ações contra a corrupção que grassou e ainda grassa o Governo petista e o Congresso dominado pela base aliada. 

E Dilma e o PT acusarão a oposição de querer destruir o projeto social. Tentarão distorcer veiculando que a oposição ao projeto de Poder é ao projeto social.  Por que só o PT tem um projeto social consistente e é capaz de implantar e sustentar.

Se o PT insistir em se adonar do projeto social, não aceitando a participação dos demais, não há diálogo possível.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Um passo adiante

Os mecanismos de distribuição direta de dinheiro aos pobres, através do bolsa-família, aposentadorias rurais e pensões da assistência social, são percebidas por esses como um ganho proporcionado por Lula. A gratidão deles assegurou a reeleição de Dilma. Mas muitos já demonstraram que querem mais. Nenhum dos três principais concorrentes à Presidência soube oferecer propostas aceitáveis para aqueles. Dilma, com o seu marqueteiro, foi quem mais se aproximou, embora as suas manifestações não correspondam ao pensamento majoritário do PT e das organizações de esquerda.Dilma incorporou no seu discurso, o trabalho por conta própria, que não é o caminho preferido ou desejado pela esquerda: o objetivo desta é a universalização do regime celetista. A esquerda ainda associa do trabalho por conta própria como trabalho precário ou não decente. 

O PT tentou a desconstrução dos adversários acusando-os de que eles, se eleitos, iriam acabar com o bolsa família. Marina Silva, usou a sua história, para desmentir, junto ao eleitorado, que poderia fazê-lo: "quem já passou fome, sabe da importância do bolsa-familia". Aécio não. Por isso não conseguiu a transferência de grande parte dos votos dados a Marina no primeiro turno.
Aécio em sua defesa usou dois argumentos que "não pegaram": a 13ª bolsa e que os programas foram criados pelo PSDB, ainda no Governo FHC. Quem foi o pai da criança não tem importância. O que conta é o presente e o futuro. 

Os beneficiados não querem apenas a sua manutenção e atualização dos valores. Querem continuar melhorando de vida. Querem que o Governo os ajude a encontrar e desenvolver as oportunidades de trabalho e renda, com base no seu esforço pessoal. 

Todos tem o mesmo mantra, que é uma visão de "cima para baixo": a solução, a saída é a educação. E todos oferecem variantes de educação, dentro da suposição de que mais e melhores educados (no sentido formal) eles conseguirão melhorar a sua vida.

Casos concretos, pesquisados e difundidos, seja pela propaganda oficial, como pela mídia independente confirmam a ascensão sócio-econômica daqueles que tiveram e tem maior oportunidade de estudar. Não faltam casos de favelados que se tornaram médicos, engenheiros e outros profissionais de nível superior. Não são muitos, ainda são exceção e não a regra, mas são fartamente usados para gerar uma impressão de alcance popular. O caso mais emblemático de ascensão social pela educação, é de Marina Silva, analfabeta até os 16 anos.

Não há maior consenso dentro da sociedade brasileira de que a solução é a educação. Mas a sua compreensão e influência sobre as decisões eleitorais são diferentes.

A visão e proposta do Governo são dadas pelo que tem feito: recursos para a educação, qualificação técnica pelo PRONATEC, subsídios e financiamentos para o estudante da educação superior, de um lado, e a formalização dos micro e pequenos empreendedores, através do MEI e Super Simples.

Marina Silva, por influência de Neca Setúbal, focou - inteiramente - as suas posições e propostas em torno da educação, ainda que de forma difusa, do ponto de vista, da imagem. Não teria tido grande alcance, além da visão de que manteria os programas sociais. Isso explicaria uma expressiva votação, mas insuficiente para tê-la levado ao segundo turno.

Aécio Neves demonstrou incompreensão. Ficou na defensiva e na crítica, focando o seu discurso em torno da creche. É uma visão tecnocrática ou educanocrática. Essa vê a creche como pré-escola.

Para a mãe pobre creche é o local onde ela deixa a criança para ser cuidada enquanto vai trabalhar. Creche não é percebida como educação e a idéia de pré-escola é uma construção elitista.

Ocorre aqui mais uma contradição entre os programas e propostas, mal percebidas. 

Há um preconceito de que os beneficiários do bolsa-família se acomodam e não querem trabalhar. Ora, se isso é verdade, não há necessidade de creches. As mães, tem bolsa família, podem ficar em casa, cuidam dos filhos pequenos e não precisam deixá-los por conta de terceiros. A menos que entendam que creche é a primeira etapa da educação formal. O que ainda não ocorre.

As mães querem e precisam de creche porque "trabalham fora" e precisam deixar as suas crianças com alguém. 

Mas se trabalham, porque continuam com o bolsa família? Rigorosamente deveriam sair do programa, por ter uma outra fonte de renda e não ser mais uma "pobre absoluta".

Por que o seu trabalho é de natureza informal. E ela acumula as duas fontes.

Ao contrário do que povoa o imaginário da classe média urbana, os beneficiários do bolsa-família não estão, nem querem ficar acomodados com o pequeno benefício. Não querem perdê-los, mas saem para "ralar", ganhar um pouco mais e melhorar de vida.

As propostas dos partidos tem que partir dessa realidade. O que está em discussão não é o bolsa família. Mas como ir além desse, para atender as aspirações dos beneficiários. 

(cont)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Uma realidade irreversivel

Há um novo quadro no Brasil que não poderá deixar de ser considerado. Decorre de uma opção estabelecida na Constituição de 88, iniciada - de forma tímida - ainda no Governo Itamar Franco, continuada por Fernando Henrique Cardoso e desenvolvida de forma ampla nos governos de Lula e Dilma, mas cujo impacto na organização social brasileira está declinante, embora não esgotado.

Um novo salto terá que ser dado pelo Governante, mas ambos parecem não entender claramente as transformações que estão ocorrendo, prejudicados pelo confronto eleitoral.

Afastados os ataques pessoais durante a campanha, permanece o fato fundamental que estavam em disputa dois modelos para o Brasil, que podem ser simplificados em "crescer para distribuir" ou "distribuir para crescer".

Na realidade não são dois modelos, mas duas estratégias, com prioridades distintas, pois tanto um quanto o outro objetivam o crescimento e a distribuição.

A visão econômica enfatiza o crescimento, com base em fundamentos monetários, e entende que uma distribuição precoce da renda, significa distribuir a pobreza e prejudica o crescimento. Uma distribuição excessiva pode incentivar a demanda e gerar a inflação, diante da rigidez da oferta, uma vez que esta não estaria crescendo. Dai a prioridade deveria ser às taxas de investimentos. E se a demanda crescer demais deverá ser contida mediante elevação da taxa de juros e redução radical dos gastos públicos. 
Assume ademais que com o crescimento haverá, naturalmente, a distribuição da renda.

A contestação principal a esse modelo é que não garante a distribuição de renda. E a história tem mostrado que tende a concentrar a renda.

A outra estratégia parte da desigualdade existente na distribuição da renda e que, uma injeção direta de recursos, através do Estado, para as faixas inferiores teria dois efeitos positivos:

  1. promoveria a redução das desigualdades, com maior participação dessas faixas na apropriação da renda nacional; e
  2. a demanda adicional dessa população dinamizaria as atividades econômicas, promovendo o crescimento e etimulando os investimentos.
Essa estratégia defendida em meios acadêmicos de esquerda, nunca fora aplicada de forma ampla, em função das contestações, também acadêmicas, e dos riscos, ficando sempre em experiências limitadas ou pilotos. Até que Lula, por razões mais políticas do que econômicas, e baseadas mais na sua intuição do que na racionalidade ousou fazer uma distribuição não condicionada previamente. Ou seja, não estabeleceu obrigações ou restrições de aplicação dos recursos distribuidos. 

O resultado foi fantástico: tirou milhões da miséria, erradicou a fome, com o suprimento dos alimentos pelo mercado, não gerou inflação mas sim um capital político eleitoral que garantiu a eleição da sua sucessora e agora a reeleição dela. A reeleição de Lula, ainda não tinha tido tanto o efeito do programa, embora já tivesse contribuido. E mantém a perspectiva de permanência do PT por muitos anos.

Por outro lado dinamizou a economia, ainda que de forma limitada e diferenciada por regiões. No Nordeste o efeito foi mais visível, dada a maior participação relativa dos segmentos de menor renda no conjunto. No Sudeste, embora recebesse o maior volume de recursos, o seu efeito ficou diluido e a contribuição para o crescimento econômico menor.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

A crise prenunciada

Dilma conseguiu ser reeleita, mas a um custo muito elevado que ela terá dificuldade de pagar.

O primeiro dado a considerar é que ela foi eleita com os votos da opinião não publicada, que praticamente só se manifesta durante a safra (os dias da votação) e não se manifesta durante a entressafra, ou seja, todos os demais dias.

Na entressafra a política é dominada pelos meios políticos Congresso, Assembleias Legislativas, Governantes e manifestações públicas urbanas.

Registramos aqui, na ocasião,  que as manifestações de junho de 2013 foram da opinião publicada e não haviam chegado à opinião não publicada, razão pela qual os políticos ficaram inicialmente assustados, mas se acomodaram quando, voltando às suas bases, perceberam a não contaminação pelas reivindicações de mudanças dos jovens urbanos de classe média tradicional, com alguma adesão da emergente.

Diversamente do que queriam os arautos da opinião publicada, as manifestações de junho de 2013 não refletiam o conjunto da sociedade brasileira, mas apenas um segmento mais visível dela. 

A maioria da opinião não publicada voltou pela continuidade, pela manutenção dos benefícios obtidos e não pela mudança. Até a campanha do PT associou, maldosamente a mudança à perda do bolsa família e de outros benefícios, assegurando a vitória de Dilma. Marina apareceu como alternativa de mudança sem perda dos benefícios obtidos, dai a sua votação no Nordeste que não transferiu para Aécio, percebido como um "riquinho" que não daria a devida atenção aos pobres. Dilma também é uma "riquinha", mas tinha o aval de Lula.

A opinião não publicada se recolhe, não conta com lideranças capazes de mobilizá-la, com poucas exceções e que não são congressistas. São lideranças de movimentos sociais, financiados pelo Governo. Durante a entressafra a única voz em sua defesa é o próprio Governo, mas que também não tem condições de levá-los às ruas, em grandes multidões. Até porque uma grande parte está dispersa em pequenos municípios longínquos  dos grandes centros.

A Presidente, terá que conviver com a opinião publicada, junto à qual ela perdeu as eleições, com grande diferença em relação a Aécio Neves. E o PT está sem grandes lideranças representativas dessa minoria urbana.

O seu principal inimigo não é o PSDB e companhia, que seriam os seus adversários. O inimigo mora junto e está ressentido. O PMDB vai continuar na base aliada, até porque já não sabe mais ser oposição. Desde a redemocratização, sempre foi Governo. Seu único momento de quase oposição foi o breve mandato de Collor. 

O PMDB sentiu-se traido por Lula e pelo PT em eleições estaduais. O mais ressentido é o ainda Presidente da Câmara Federal, que depois de 11 mandados consecutivos, 44 anos dentro do Congresso não voltará àquela e ficará sem mandato legislativo. Mas encontrará um espaço dentro da direção partidária. 

O PMDB não irá abrir mão dos cargos diretivos a que tem direito pelas regras vigentes no Congresso. Não entregará a Presidência da Câmara ou do Senado ao PT como este deseja. E não será inteiramente cordato ao Planalto. Isso pode significar que não irá postergar ou evitar CPIs e outras investigações indesejadas pelo PT. Tenderá, no entanto, a fazer para proteger os seus. Alguns deles tão ou mais comprometidos do que os do PT. 

Os políticos não estarão voltados para a opinião não publicada, ainda que eleitos por ela. Todos estarão preocupados com a opinião publicada, seja nacional, como regional.

Dilma ganhou, democraticamente, a eleição nacional. Mas no meio político que ela irá enfrentar, certamente ela perdeu. O que é prenúncio de crises políticas. 

Não adianta ficar ela e todos os demais com a visão otimista de que não vai acontecer. Por que não queremos que aconteça. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Duas vitórias fundamentais

Dilma foi eleita com uma margem da ordem de 3,5 milhões de votos, em âmbito nacional. Embora relativamente pequena, mais que suficiente para não deixar qualquer dúvida sobre a sua retumbante vitória.
A reeleição pode ser creditada a duas grandes vitórias regionais, que anularam as derrotas menores em outras regiões (exceto São Paulo): Pernambuco e Minas Gerais.

Em Pernambuco ela perdeu no primeiro turno para Marina Silva. Aécio teve uma votação pífia. Sem Marina, no segundo turno, Aécio buscou o apoio dela e da família de Eduardo Campos. Mas ai entrou em cena Lula e garantiu a transferência dos votos de Marina para Dilma. Em Pernambuco ocorreu a maior das diferenças, dentro dos Estados do Nordeste, a favor de Dilma. Lula anulou o apoio da família Arraes-Campos.
Pernambuco, juntamente com a Bahia e o Ceará tem os maiores colégios eleitorais e está carente de lideranças fortes. Na Bahia Jaques Wagner tem o comando e demonstrou competência ao eleger o seu sucessor. No Ceará os irmãos Gomes dominam. Neste, Tasso Jereissatti ainda tem alguma força, mas é só. Na Bahia o PSDB não tem força. Está aliado a ACM Neto que ainda tem os resquícios eleitorais do avó.

Pernambuco terá que reconstruir o seu quadro de lideranças e a família Arraes-Campos terá que cuidar muito bem do seu posicionamento nos próximos 4 anos, para garantir a manutenção do Governo Estadual e enfrentar Lula (se for o caso). Tem novas lideranças, mas sem projeção nacional. Paulo Campos e Geraldo Júlio podem emergir nacionalmente. Mas a perspectiva futura é João Campos.

Aécio terá que promover a reconquista de Minas Gerais e ter um candidato forte para o Governo do Estado, para concorrer com Fernando Pimentel. Poderá ser Anastasia, que já foi eleito Governador uma vez e agora se elegeu Senador. Mas precisará avaliar muito bem as razões da sua derrota em Minas Gerais, o que levou à derrota geral.

E ai não foi Lula, nem Dilma. O responsável pela derrota foi ele mesmo. Por erros de diagnostico e de estratégias. Por autossuficiência, abandonando a campanha em Minas, para se dedicar a São Paulo. Em São Paulo  ele tinha bons apoios, em Minas não. 

Não percebeu a estratégia bem formulada por João Santana e executada por Dilma de desconstrução da sua imagem em Minas Gerais. A partir do episódio do aeroporto de Claudio, toda estratégia de desconstrução foi vender a imagem de que o povo mineiro fora enganado: ao aprovar e reelegê-lo Governador e depois Senador. Ele não seria o que queria mostrar. E ai ele mesmo ajudou a estratégia adversária ao colocar gravações de Dilma o elogiando.  Ela disse que foi por generosidade e ela mesmo foi enganada. Deixando implícito que os demais mineiros também o tinham sido. E já teriam descoberto isso no primeiro turno.

Quando ela insistiu em levar as questões de Minas para os debates, não era porque queria disputar o Governo de Minas, mas porque queria conquistar os votos dos mineiros para Presidência. 

Procurou grudar (e conseguiu) a imagem da velha política, voltada ao nepotismo. A família é um grande valor cultural do mineiro. Mas o seu favorecimento quando governo vem se tornando um fator negativo. Aécio não percebeu  mudança. Sarney sim, embora também tenha sido derrotado no Maranhão, mas manteve-se no Amapá.

Aécio e sua turma não perceberam a estratégia de Dilma/ Santana e ai perderam a eleição. Precisavam de uma vantagem de 2 milhões de votos em Minas Gerais. Perderam por 500 mil. Invertendo esses e mais 1,5 que não conseguiram, teriam uma vantagem numérica de 4 milhões (pois cada voto a favor e também um a menos para o adversário), suficiente para vencer.

Aécio perdeu por erro estratégico, apesar de todos os alertas. Não pode por a culpa em ninguém, a não ser nele mesmo.

Mas como  bom mineiro tem que acreditar que se perdeu o trem, vai esperar pelo próximo que vai passar e subir nesse.

Ele será o candidato natural do PSDB em 2018 ou 2019. 2018 se for mantida a reeleição e 2019 se alterado o regime. O mais provável é a eleição em 2018, sem direito à reeleição.

O PT não tem muitas alternativas e irá buscar Lula, para o projeto de poder dos 20 anos. Mas ambos terão que enfrentar Marina Silva e eventual nova liderança emergente. 

O PSDB, mais uma vez derrotado, terá que se reorganizar em torno das eleições municipais de 2016. Em Minas Gerais são mais de 800 Municípios, e sem formar uma boa base municipal perderá de novo.

O PSDB caiu na armadilha estratégica do PT e de João Santana. Eles fizeram um grande fogo de barragem para que o PSDB focasse o Sudeste e acabassem por desprezar o eleitorado do Nordeste, conquistado facilmente, pelas hostes petistas. 

E mais, que Aécio descuidasse de Minas, certo de que levaria "com os pés nas costas", não percebendo claramente o processo de desconstrução de uma imagem de confiabilidade.  As respostas de Aécio foram burocráticas, e não estratégicas. 

Dilma ganhou em Minas e com isso a eleição nacional. 

Foi mais um caso de derrota do outro do que a sua vitória. 

domingo, 26 de outubro de 2014

O pássaro misterioso ataca de novo

Não foi a primeira vez, nem será s última. A Veja tem um pássaro misterioso, meu concorrente, que vê o que não foi mostrado, ouve o que não foi dito.
E coloca na primeira página da revista, transcrevendo uma suposta conversa, plausível, mas que os outros não ouviram: Diz o doleiro: O Planalto sabia. Indaga o delegado: Planalto quem? Lula e Dilma, responde o doleiro.

A Veja conseguiu o que queria. Não apenas o aumento da circulação da revista, mas a sua repercussão. Provocou e conseguiu. Os primeiros ataques seriam junto ao Judiciário. Conseguiu se safar, em termos. Queria mesmo que a revista fosse impedida de circular, porque ai acusaria de censura e teria repercussão maior. O Judiciário não "caiu nessa", mas determinou algumas providência inócuas.

Mas a provocação à militância deu certo. Um grupo jogou lixo em frente à sede da empresa, pixou e vandalizou. A editora poderia ter evitado danos maiores, chamando rapidamente a polícia que estava próxima. Mas deixou que ocorresse para criar o fato. E conseguiu maior repercussão do que com a revista em si. Provocou o instinto animal dos petistas e conseguiu o que queria: a reação descabida.

O impacto sobre o eleitorado é forte. Afinal, Dilma sabia ou não sabia. Ela reagir indignada, mas não afirmou categoricamente que não sabia. Colocou o seu currículo de combate à corrupção que não é verdadeira. Ela cedeu em vários momentos. E deixou a dúvida junto aos eleitores indecisos. Ela é confiável?

As reações foram as piores. Ela pode ter convencido o eleitor indeciso ou flutuante de que não sabia. Mas e Lula?
Sabia? Se Lula sabia o que ela estava fazendo lá?

A sua vantagem é que apesar da repercussão o alcance ainda é pequeno, em relação ao conjunto do eleitorado. Mas pode ter afetado uma pequena parcela que irá decidir a eleição. 

O vírus da dúvida está no ar. O quanto vai contaminar o eleitor só se saberá hoje após as 20 hs, horário de Brasilia. 

sábado, 25 de outubro de 2014

Ortodoxia ou mistura

A campanha presidencial produziu um aclaramento de dois projetos para o Brasil, cada qual com uma política econômica própria.
O modelo nacional desenvolvimentista que parecia estrar morto e enterrado, na prática, foi ressuscitado por Dilma, mas o resultado foi pífio.
A economia não cresceu, mas manteve um quase "pleno emprego" pelos ajustes que a própria economia promoveu, a inflação ainda está sob controle, mas no limite superior e as contas externas pioraram significativamente.
Embora combata o retorno ao modelo "ortodoxo", mais por razões eleitorais do que por convicção, se eleita, ela terá que voltar àquele. O retorno não será ao Governo FHC, mas ao primeiro mandato de Lula, conduzido por Antonio Palocci. 
A gestão da economia, segundo os preceitos "néo-liberais" restabeleceu a confiança dos agentes econômicos privados, o Brasil "voltou a caminhar" e até enfrentou galhardamente uma crise mundial, muito mais grave que a atual. Essa é usada como desculpa pelo Governo pelos maus resultados da economia, mas o fato real é que o remédio agravou a doença.
Quem não tem Palocci caça com Wagner. Ele tem boa capacidade de interlocução com os empresários.

O que ela irá mudar na gestão da economia?

Por outro lado, se Aécio for eleito, com Armínio Fraga no Ministério da Fazenda, não poderá simplesmente desmontar alguns dos principais pilares do néo-desenvolvimentismo: a política industrial.

Pode fazer de imediato o propalado "choque de gestão", com a redução no número de Ministérios, e do quadro de cargos em comissão. Porém os efeitos orçamentários e de curto prazo dessas medidas é reduzida.

O que pode fazer de imediato, até se antecipando, antes da posse, é a revisão dos conceitos e diretrizes das concessões e das PPPs: reduzindo a interferência e o comando governamental.

Mas terá dificuldades, pois os radicais do PT não aceitam.

Despreparo geral

O debate da Globo trazendo as perguntas dos eleitores indecisos, mostrou o despreparo dos dois candidatos, treinados pelo "media training" e orientado pelo "marketing" político, mas que não sabem responder às questões reais da população.
Dilma tregisversou, como sempre, vomitando números e mais números, bilhões e mais bilhões e escapou das armadilhas.
Aécio foi pior. Perdeu a grande oportunidade para mostrar aos indecisos e ao povo brasileiro os resultados reais da vida deles: os alugueis continuam subindo, a economista de mais de cinquenta anos não consegue se empregar, o esgoto está correndo a céu aberto,  quando chove está sujeito a inundações, os jovens estão sendo mortos ou aliciados pelo tráfico, a família que foi expulsa da sua casa, com a roupa do corpo pelos bandidos, os idosos estão desamparados, etc.

As questões dos indecisos mostrou a vida real. Não a vida de um Brasil maravilhoso, mostrado pela peças governamentais, seja a federal, como as estaduais. 

A inflação não está sob controle. As pessoas estão sentindo isso no dia a dia. Sem crescimento não há geração suficiente de empregos e os de mais idade são preteridos, sim. Dilma diz ao indagador que está fazendo o maior programa habitacional, jamais feito, e que ele aguarde. 

Aécio deu resposta semelhante à colega economista: espere que com o crescimento econômico ela terá mais oportunidades. Dilma, nesse item, foi pior. Disse a ela para procurar o PRONATEC e o SENAI, como se ela fosse uma jovem tentando ingressar no mercado de trabalho. Rebaixou uma profissional de nível superior, e Aécio deixou passar. Foi aquela bola recebida sozinho na área, com o goleiro caído e chutar para fora. 

A pior resposta foi de Aécio diante do esgoto a céu aberto. Propôs desonerar os serviços de água e esgotos, do PIS e do COFINS. Não soube explicar à eleitora, como isso iria beneficiá-la. Falou em assumir pessoalmente a questão do saneamento, no que foi, corretamente, contestada pela adversária. Embora de forma confusa.

Ambos pecaram pela falta de objetividade, por despreparo. O marketing político faz com que se preparam para um debate superficial, mas não para planos e programas consistentes. 

Se estivesse na condição de indeciso, não votaria em nenhum dos dois. Pelas demonstrações de incompetência e despreparo  nenhum dos dois merce o meu voto.

Mas a perspectiva para os próximos meses é de crise: econômica e política.

Será pior se Dilma for eleita. porque as denúncias da delação premiada virão a tona, com algumas provas. Talvez insuficientes do ponto de vista criminal, mas mais que suficientes do ponto de vista político.

Os fatos efetivamente ocorreram dentro da Petrobras e de outras estatais. Depois das eleições ou mesmo depois da posse virão a público. Inevitavelmente.

A crise ocorrerá, qualquer que seja o eleito, mas para evitar o mal menor, votarei positivamente, contra Dilma e o PT. Infelizmente. 








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O grande erro tático de Aécio

Dilma tinha muito contra ela para levá-la a perder a eleição. Mas agora quem tem maior risco de perder é Aécio. Infelizmente nesta eleição de 2014 ninguém vai ganhar: vai ser um jogo de perde-perde.

Aécio cometeu vários erros, nesta campanha do segundo turno, mas o pior foi ter reagido mal e deixado colar a ele a imagem de "filhinho de papai". O que não foi difícil porque ele tem o estereótipo dessa imagem, já defasada no linguajar do "sul maravilha", mas ainda muito presente no Nordeste.

Lula usou essa imagem, e passou a reiterar quando percebeu que "colou". E Aécio reagiu mal. Contestou Lula, mas não levou à público uma imagem positiva. Ficou na defensiva e levou gol.

Onde estava Aécio quando a sua adversária, um "coração valente" lutava contra a ditadura? Escondido atrás das calças do pai?

Aécio estava nas ruas, junto com o seu avó Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Franco Montoro e outros na linha de frente contra a ditadura e defendendo "Diretas Já". Lula, como FHC eram coadjuvantes nesses processo.

Isso está documentado, fotografado, filmado.  Não é história, para ser contada. E Dilma não está nas fotos. Lula está.

Se no domingo o povo brasileiro irá tranquilo votar, numa operação simples (exceto em Niterói, por incompetência tecnológica e burocrática) é porque nos anos oitenta, as lideranças democráticas, mobilizaram esse povo, para derrubar a ditadura e alcançar o voto direto.

O "coração valente" dessa luta é Tancredo Neves e seu "netinho lutador". Não é Dilma, trazida à tona por Lula e seu marketeiro. Mas Aécio deixou que ela se apropriasse desse papel da "maior guerreira a favor do povo brasileiro" deixando a ele o papel de "coxinha" defensor dos ricos.

Imagem é tudo. Aécio perdeu a batalha da imagem.





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

(in)competência marketóloga

As campanhas eleitorais deixaram de ser políticas, para se tornarem campanhas publicitárias para conquista de "corações e mentes" dos eleitores. 
O que importa é a conquista da adesão do eleitor, para que ele, no dia 26 de outubro vá à cabine e aperte as teclas "vendidas" (13 ou 45).

Nesse processo o marketing do PT e de Dilma é mais competente e parece estar tendo melhores resultados. Embora mantenha uma linha estratégica principal, de comparar as gestões tucanas com a petista, agrega ou elimina questões, em função da reação imediata dos eleitores, medida por pesquisas qualitativas.

A estratégia de desconstrução do adversário deu certo, mas trouxe também efeitos negativos. Para sustentar os positivos e minimizar os negativos, Dilma, seus assessores e seu conselheiro, ajustou a sua estratégia. Ela passou a posar de "Dilminha, paz e amor", vítima das agressões machistas do seu adversário e terceirizou a tarefa de desconstrução a Lula, que está se excedendo nesse papel, podendo trazer efeitos negativos. 

Ao final da campanha os convictos já estão definidos e já se reuniram em torcidas organizadas. No dia da votação, não vão mudar.

Numa situação de empate, o foco é o indeciso, seja o que ainda não se definiu ou é flutuante. Esse já escolheu, mas ainda não está seguro e pode mudar até na cabine.

Na busca desse eleitor, a campanha de Dilma é mais ágil. Percebeu os dois segmentos, onde pode conseguir a decisão ainda não tomada ou até reverter uma intenção: a mulher e os jovens da classe média emergente.

A campanha dela para as mulheres é fraca, mas Aécio não tem propostas claras. Ele precisa urgentemente, pois só tem mais um dia, para a propaganda obrigatória", do socorro do Serra, com os programas da "mãe paulista" ou similar. 

A casa da mulher brasileira tem um apelo menor do que o melhor tratamento para as grávidas, com pouca renda.

Já em relação à classe média emergente, a campanha petista, percebeu - com atraso, mas percebeu - que os seus componentes, principalmente os jovens, creditam a sua melhoria de vida, mais ao seu esforço pessoal, do que aos programas sociais do Governo.

Eles percebem que Bolsa Família, pensões do LOAS, aposentadorias rurais, dão uma condição de sustento aos seus pais, aos com mais idade que não precisam mais na labuta diária, ou não passem fome. Mas eles querem mais. E querem com trabalho. 

Então a nova mensagem de Dilma é reconhecer esse esforço, mas dizer que só conseguiram graças ao suporte dos programas sociais e das ações oferecidas, com o Pronatec, FIES, PROUNI e outros.

Para eles isso é importante, mas é instrumental. Eles querem melhorar de imediato. E não podem ficar esperando que o mercado ofereça os empregos desejados.

Ele parte logo para a solução do trabalho por conta própria. E a grande oportunidade surgiu na forma motorizada: a moto é o seu principal símbolo de ascensão econômica e social.

Compra a moto financiada, com garantia do próprio veículo, e vai trabalhar como mototaxistas ou motofretista (mais conhecido com motoboy). 

A esta altura do campeonato ou do jogo, vai ganhar quem tiver a melhor proposta crível para melhorar a vida dos motoqueiros emergentes. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A imagem do papel social dos Bancos Públicos

O PT, sob comando de Lula e, instrumentado por João Santana adota como principal estratégia de ataque o "nós" contra "vocês". E acua o adversário que é obrigado a aceitar o jogo e ficar na defensiva. 
Escolhe um tema em que tem impacto sobre o imaginário popular e cria as imagens positivas (a seu lado) e negativas (do adversário).
Em campanhas anteriores a tônica foi a privatização dos bancos públicos e da Petrobras. 
Desta vez os casos de corrupção da Petrobras enfraqueceram o uso dessa grande empresa no embate, embora não tenha saido do debate.
Permaneceu a questão dos bancos públicos, com "nós", o PT insistindo na imagem de que Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES atendem ao povo, enquanto "vocês" querem enfraquecê-los para favorecer os banqueiros privados. É o povo contra os ricos. E o Brasil contra os gananciosos banqueiros.

O risco do marketing focado na imagem é sempre um incidente, que pode ser pequeno, mas destroi toda uma construção imaginária.


O episódio de um empréstimo subsidiado do Banco do Brasil a uma conhecida "socialite" por ser frequente na televisão é explicável, mas o dano à imagem é enorme. Ainda mais quando cercado de um conjunto de fofocas sobre as relações pessoais (supostamente íntimas) entre a loiríssima perua e o Presidente do Banco do Brasil. Tem todos os ingredientes para aguçar o imaginário de muita gente que adora as fofocas sobre as celebridades.

A imagem da necessidade de fortalecer o papel dos Bancos oficiais para exercer funções sociais passa a ser vista como apoio às "colunas sociais".


terça-feira, 21 de outubro de 2014

É carestia, mana!

Aécio Neves fica em desvantagem perante Dilma, no discurso, por usar uma linguagem inapropriada perante a maioria dos eleitores. Esses são mais simples, pobres, aspiram melhorar de vida, a curto prazo, e não entendem a linguagem dos economistas.

Aécio, adotou uma estratégia objetiva para acalmar o mercado. Anunciou antecipadamente quem seria o seu Ministro da Fazenda. Um nome respeitável aceito pelo mercado: Armínio Fraga. 

Mas esse lance acabou por virar um dos principais alvos do ataque petista, por configurar um agrado aos banqueiros e ricos. 

A estratégia petista deu certo na desconstrução de Marina Silva e está dando certo com Aécio Neves. Por incompetência dele. Pelo tratamento e linguagem errada do tema inflação.

Para os economistas, para os banqueiros, para os ricos, para os mais ilustrados, enfim para a opinião publicada - a que pauta a visão e o discurso de Aécio - existe a inflação, um dos maiores problemas da economia.

O "povão", os pobres, os menos ilustrados não sabem o que é inflação. Ouvem falar, mas não entendem o que quer dizer IPCA, IGP, centro da meta e outras construções sofisticadas que os "ricos" criaram.

Mas sabem muito bem o que é CARESTIA. Carestia é a sensação de que tudo está mais caro. Que a carne subiu, que o leite subiu, que o pão subiu. A cebola subiu. O pior a cerveja subiu. Com todo esse calor.
E que não dá para comprar hoje o que se comprava ontem com o mesmo dinheiro. 

Ele quer que o Governo combata a carestia. Ele quer que o Governo garanta que o preço da carne, amanhã, não vai ser maior do que o de hoje.

Carestia o povo entende e não é preciso explicar. Ele vive no dia a dia e não quer saber o que é preciso fazer para garantir a manutenção dos preços.

Já inflação é um ser imaginário que ele vai só vai entender pelo que lhe é contado e forma na sua mente um entendimento, uma versão, uma imagem.

O PT, com sucesso, vende a imagem de que o combate à inflação é feita por desemprego e arrocho salarial.  Traz à lembrança do que teria sido feito antes no Brasil e o que é feito por outros paises, para combater a inflação.

Dilma é bem sucedida na mensagem, montada com o seu marketeiro, de que a inflação não está descontrolada e que o seu adversário inventa uma situação para promover o aumento dos juros, para beneficiar os banqueiros, e prejudicar os trabalhadores - que terão arrocho salarial - e desemprego.

Dilma teve que segurar essa munição, porque os não havia segurança com relação aos dados de emprego formal e de desemprego, com impacto sobre a sensação popular.

Não há a sensação de desemprego, a menos nos principais centros industriais, como o ABCD paulista e outros polos onde a indústria automobilística se instalou.

Os dados lhe foram favoráveis, com o CAGED mostrando uma criação de empregos formais, ainda que menores que o ano e meses anteriores. Pouco importa a comparação. O que importa é que continuou crescendo, superando a sensação de desemprego. O mesmo vale também em relação ao índice geral de desemprego. Outra construção dos economistas, essa em âmbito mundial. 

Para efeito eleitoral, o que importa é o imaginário popular: o que existe para o povo é CARESTIA, que segundo Dilma a culpa é da seca. Quando voltar a chover os preços vão cair e os produtos vão ficar mais baratos.

Já a inflação é um pretexto para dar mais dinheiro aos banqueiros.

O que vale não são os fatos, ou a interpretação técnica dos mesmos.O que vale para o eleitor é a imagem que ele absorve. 

É na briga em torno do "imaginário popular" que Aécio Neves corre o risco de ser derrotado, embora esteja com a verdade, contra as falsidades da adversária.

Se perder será por incompetência e por erro estratégico.

Mas ainda há tempo para corrigir.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cumprindo babela

Depois da má repercussão do "sangrento" embate na SBT, o debate ontem na Record foi para "cumprir tabela". Menos "pegado" mais educado e mais morno. Se o anterior não agradou pelo excesso  o de ontem pecou pela falta.

A mídia reclama que os debates se concentravam demais em ataques pessoais, em detrimento da apresentação de propostas. Criou-se um "senso da opinião publicada" de que os debates deveriam ser propositivos.

Quando tirada a disputa pessoal, pouco sobra e fica.  Na realidade os candidatos tem poucas propostas a oferecer.

Na questão econômica, as colocações são genéricas e prevalece a linha da desconstrução. Não é Aécio que diz o que vai fazer. É Dilma que diz o que o Ministro da Fazenda, já indicado por Aécio vai fazer. E, acrescenta, "vai dar caca".

Só no tema segurança, os dois tem propostas, ambas erradas. A solução não está na federalização da segurança. 

No resto a disputa é sobre o passado. Dilma desfia um rosário de coisas que diz ter feito, com grande domínio dos números. Aécio não teve capacidade de demonstrar que esses números escondem um conjunto enorme de obras inconclusas. Aécio, neste item, continua despreparado. Parece não dar a necessária importância.

Acusa a concorrente de continuar querendo ver e discutir o Brasil pelo retrovisor, mas pouco apresenta sobre o futuro. E não conseguiu escapar da pecha do "seu governo" que Dilma procura incutir na disputa entre nós e eles.

A disputa continua empatada, com uma pequena vantagem, por pontos, no debate de Dilma. O que não significa que se reflita no eleitorado.

Soube-se defender bem, mas não atacou com nenhum fato novo, de peso. Mesmo assim, Aécio deixou passar a bobagem das manifestações pessoais de promotores ou conselheiros do Tribunal de Contas.

Aparentemente, ontem Dilma não foi orientada, momento a momento, pelo impacto imediato nas pesquisas qualitativas conduzidas por João Santana.  

A influência do debate de ontem nas posições do eleitorado deverá se minima, mas os impactos do anterior ainda deverão ser detectados nas pesquisas desta semana.



domingo, 19 de outubro de 2014

A principal diferença econômica

A principal diferença entre Dilma e seus oponentes, em relação à economia não é técnica, mas ideológica.
Dilma é visceralmente estatizante e anti-lucros (excessivos). 
Os oponentes são a favor da iniciativa privada, com menor interferência e ação estatal e sem preconceito contra os lucros, ainda que excessivos.
Ambos os lados enfrentam restrições à sua ideologia e são obrigados a fazer concessões.
Dilma tem que tolerar os lucros extraordinários dos bancos, o seu principal aliado empresarial e promover privatizações camufladas ou medrosas. Ela quer que o setor privado aporte os recursos, mas o Estado mantenha o controle da gestão. A qualidade dessa gestão é questionada, pela interferência política, como ocorreu na Petrobras.
Os oponentes não tem  condições de propor ou mesmo promover enxugamentos bruscos da máquina estatal. 

O fato é que o modelo menos estatizante funcionou na economia melhor que o estatizante.

(cont) 

sábado, 18 de outubro de 2014

A refém

Dilma Rousseff é uma pessoa de forte personalidade, voluntariosa, séria e que deve ser respeitada. É absolutamente convicta sobre a necessidade de "faxinar" a administração pública dos antros de corrupção. Isso é inegável, mas ela não tem a força que gostaria de ter para levar a cabo as suas convicções pessoais. 
Quando já na Presidência de República tentou, conseguiu dar os primeiros passos, mas logo foi cerceada e teve que parar e em alguns casos recuar. 

O que a segura? medo, cumplicidade? Não.

O que a faz conceder é o seu alinhamento com um projeto de nação, em que ela pessoalmente acredita, com convicção ainda maior e que toma como uma missão de vida. A visão (ou sentido) desse projeto é a igualdade social. Envolve a erradicação total da miséria e da fome, a eliminação da pobreza, a ascensão dos pobres a uma classe média, incorporada ao mercado de consumo. 

Acredita firmemente, com fundamentos teóricos e reais, de que essa ascensão econômica da pobreza (que é rica) sustenta o crescimento econômico, superando as crises e sem os malefícios sociais que atribui ao modelo neoliberal.


Não é um projeto eleitoreiro e circunstancial, tampouco uma novidade. No Brasil, sua formulação e implantação (depois interrompida) tem mais de meio século. Estava morto e insepulto e Dilma, como Presidente da República, por convicção e missão tentou infrutiferamente ressuscitar. 

Para tentar impor o modelo em que ela, no seu mais íntimo, acredita e luta por ele (desde sempre), correndo riscos pessoais, que resultaram na sua juventude, em torturas, assume que "os fins justificam os meios". Se na sua juventude idealista, esses meios eram ir para a luta armada - como efetivamente foi - atualmente são às concessões à ética, para assegurar a governabilidade e a sustentação dos programas sociais.

Ela se julga altamente poderosa, mas na prática está sendo "inocente útil". O foi nos anos sessenta, acabando por ser presa e torturada. O foi durante o Governo Lula, colocada na Presidência do Conselho de Administração da Petrobras, para dar uma imagem de seriedade e firmeza, encobrindo o mar de lama que se formava abaixo dela. Ela percebia, mas era orientada para não ver. E se quisesse ver, recebida "informações incorretas e erradas". Ela pode ter vários defeitos, mas "burra" nunca foi. Percebia mais, era orientada para "olhar para o outro lado".

Continuou sendo inocente útil, quando designada como o "poste" para ser eleita e assumir a Presidência da República. Ela, por convicções pessoais, não entraria no "esquema". Esse tinha que ser mantido em paralelo, mas com a cobertura institucional dela.

Conseguiu algumas coisas que, provavelmente, eram e são prioridades dela. Atacou os dois antros maiores: o DNIT e a Petrobras. 

Promoveu a cúpula do Ministério dos Transportes e do DNIT, entregue a PR. Mas não fez a "faxina" completa. Ao final, apenas trocou a equipe.

Na Petrobras, buscou estancar a continuidade do "esquema" que ela percebia existir, com a mudança da Diretoria, colocando a sua companheira Graça Foster na Presidência e na Diretoria Internacional e trocando os outros diretores que comandavam o esquema.  Mas não conseguiu evitar a emergência do que ocorreu antes da sua faxina, por estar atrelado aos processos de lavagem de dinheiro.

Ela se considera mais poderosa do que efetivamente é. Na prática é uma refém. Preenche um lugar para encobrir o que os "chefões" querem fazer, nem sempre de forma ética.

A candidata, aparentemente, reagiu e já deu o recado. Vou continuar na luta, mas reeleita "vai ser do meu jeito". Isso lhe dá uma força pessoal, uma convicção para enfrentar a campanha. Está sendo verdadeira quando afirma que combaterá "sem tréguas" a corrupção. 


Mas na sua solidão presidencial, apenas na companhia do travesseiro deve ser tomada pela dúvida: "o que não consegui fazer, para acabar com a corrupção?". Por que não consigo fazer?


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Uma luta sangrenta vencida por pontos

Dilma e Aécio protagonizaram, no segundo debate direto entre eles, uma luta ainda mais violenta, terminando em empate por pontos, apesar de algumas quedas. 

Dilma mostrou-se mais preparada estrategicamente e Aécio, ao contrário, despreparado para enfrentar questões onde entram números, dominados amplamente pela Presidente.

Ademais Aécio é lento em respostas prontas, deixando de aproveitar oportunidades incríveis, com respostas fracas onde caberia contra-atacar com mais força.

A luta é conduzida pela Presidente que, com o apoio do meu marketólogo insiste em questões que, supostamente, tem impacto positivo sobre o eleitorado. Tudo é acompanhado por pesquisas qualitativas com pequenos grupos, chamados de focais.

Esses grupos são formado por eleitores de diversas classes e locais que corresponderiam a uma amostra do eleitorado. 

Ao contrário do que gostariam os jornalistas e, principalmente, os comentarias políticos, o que interessa ao marketing da Presidente é o impacto sobre essa amostra e não o que acham e querem os formadores da opinião publicada.

Essa quer que os debates elevem o nível das discussões políticas, trazendo o "povão" a essas. O marketing politico busca baixar o nível para atender ao apetite sangrento do povão.  Não por outro motivo os noticiários da televisão de maior sucesso são os que mostram mais casos de crimes, ebolas e outras doenças, guerras e crises.

A Presidente persiste em temas, aparentemente de menor importância, mas que supostamente tem maior impacto e que afetam diretamente a imagem pessoal. Aécio e sua assessoria podem até ter percebida essa estratégia, mas não tem sido eficazes na neutralização ampla.

Conseguiram neutralizar um forte golpe, mas não inteiramente.

O que Dilma e seu marketólogo quer grudar em Aécio é que ele no Poder irá governar para beneficiar os seus parentes e não o povo. Ele adota o nepotismo, o que é inconstitucional, ilegal e, principalmente, inaceito pelo eleitorado. O alvo principal é a irmã de Aécio. Não há comprovação formal, uma vez que ela exercia funções voluntárias, como a "primeira dama". Mas a versão corrente é que era ela que governava de fato. É essa versão que Dilma procura fazer o povo absorver. Foi parcialmente anulada com a "descoberta" de um cargo público do irmão da Presidente, na Prefeitura de Belo Horizonte, sem o correspondente trabalho. Tem explicações, mas como no caso do adversário vale a versão. Dilma, no caso, foi acusada de terceirizar as responsabilidades pelos "mal feitos". Mas de forma leve.  O tema poderá voltar, mas sem grandes efeitos, fora fatos novos que cada parte está desesperadamente pesquisando.

A história do aeroporto de Cláudio tem a mesma finalidade. A distinção entre ações criminais e improbidade administrativa é pouco inteligível. O que se quer passar é que "é feio" um governante aplicar recursos públicos para beneficiar um seu parente. "explica, mas não justifica". Se fez antes, vai fazer de novo. Aécio não entendeu e fica se justificando com os pareceres do TCE e da aprovação do seu governo. 

O que ele precisa mostrar são (se tiver) os casos concretos de aeroportos regionais feitos pelo seu governo, com as populações atendidas, caso a caso. Do ponto de vista da versão não importa os grandes números. São necessários mais não suficientes. A demonstração precisa ser jornalística. E se conseguir identificar, os aeroportos melhorados que foram usados pela campanha da atual Presidente. Para mostrar que fez investimentos em aeroportos regionais em benefício do povo mineiro, sendo um deles, apenas um dele o seu tio-avó. Para reforçar tem entrevistas com diversos industriais e fazendeiros elogiando a melhoria, que já apareceram em programa de televisão. A versão que precisa passar é que fez o programa para atender a muitos mineiros e que o suposto benefício ao seu tio-avó foi acidental.

No caso tem mais: deve mostrar que a modernidades e os novos investimentos públicos tem bônus e ônus. Quando se instala um novo aeroporto, ou um corredor de ônibus, muito vão ter um bônus. O ônus recai sobre aquele que é desapropriado para instalar o novo equipamento. O benefício chega, mas o desapropriado não se beneficia porque tem que sair de onde está, perde total ou parcialmente a sua propriedade.  E, dificilmente, recebe o valor justo. Tem que recorrer à justiça. No caso do Aeroporto de Claudio o desapropriado fica ainda com o ônus de tomar conta da propriedade. Ter a chave do aeroporto não é um bônus, mas um ônus.

Tanto o nepotismo, com a improbidade administrativa, no caso do Aeroporto, não são golpes fortes, mas acumulam pontos para a contagem final. Aécio continua perdendo pontos nesse "quesito".

Ou Aécio consegue uma grande vantagem, para poder dispensar esses "pontinhos" ou serão decisivos em caso de pequena diferença. O que está em jogo é o estilo de governo, quanto à ética (segundo a visão do eleitorado).

Nesse ponto a Presidente tem pontos fracos maiores, mal explorados pelo oponente. Vamos tratar do tema em outro momento.

Neste momento é importante tratar de um  míssil  novo, que emergiu no dia de ontem, antes do debate: o vazamento de uma suposta propina que Paulo Roberto Costa teria dado ao Senador Sérgio Guerra, então Presidente do PSDB, para  esvaziar uma CPI. Como se trata de um vazamento em processo protegido por segredo de justiça, não há como comprovar. É um vazamento seletivo. 
E o denunciado não pode se explicar ou se defender porque está morto. E não há testemunhas - não autoridades - que possam comprovar. Qualquer indicação de autoridade com foro privilegiado, como são os congressistas o fato não pode ser divulgado.

O episódio terá desdobramentos, mas segundo a teoria da conspiração, tem todo jeito de uma "armação tucana" (o que será sempre vigorosamente desmentida) para "pegar o PT". A denúncia faz pouco sentido, embora verossímel.  Paulo Roberto Costa só foi diretor da Petrobras durante os governos do PT. Por que ele pagaria a uma liderança da oposição para conter uma CPI que seria sempre para investigar mal feitos da Petrobras? Quem tem interesse em "melar uma CPI" é a situação, nunca a oposiçâo.  

O PT tem tentado conter os estragos das denúncias de Paulo Roberto Costa, alegando vazamentos seletivos, contestando a credibilidade daquelas, por falta de provas. E coloca toda a culpa na mídia. Agora com uma suposta denúncia contra um tucano, saiu alvoroçado para usá-lo. E como fez a Presidente no debate procurou dar credibilidade ao denunciante, o que foi apontado, mas "de leve" pelo seu oponente.

O fato é que a denúncia do delator coloca do PT num dilema. Usa logo dois pesos e duas medidas. E Dilma, bem treinada, acusou logo o adversário de fazer o que ela está fazendo. 

Nos próximos dias a mídia se encarregará de ampliar as versões, pois os fatos reais ainda não serão abertos. Alimentará mais ainda o "jogo sujo" com dois mortos que não podem se explicar: José Janene e agora Sérgio Guerra.

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