sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Encantamento, cultura e geração y

José Galló, o mais bem sucedido administrador profissional brasileiro,  terá pela frente um dos poucos desafios que ele ainda está recusando a aceitar, conforme está no seu brilhante livro "o poder do encantamento".

Fez toda a sua carreira baseada na formação e consolidação de uma cultura empresarial, tendo como principal valor o encantamento das clientes. 

O  seu ciclo de 2012 a 2019, de sucessivo crescimento da Rede Lojas Renner, enfrentando as turbulências da crise de 2014-2017, e prevê um futuro com grandes mudanças tecnológicas, anunciadas pela Revolução 4.0.

A introdução dessas tecnologias dentro da cultura Renner, provavelmente será o seu desafio menor. 

Os dois desafios maiores estarão na área de recursos humanos ou gestão de pessoas, com a eventual desumanização promovida pela tecnologia e a contradição da sua cultura consolidada com a cultura da geração y, onde estão os novos talentos.

Os jovens mais talentosos em todas as áreas, mas principalmente nas áreas de gestão empresarial, não querem mais fazer carreira profissional perene num mesma empresa. O seu projeto pessoal é uma trajetória de aprendizado passando por diversas empresas e estar preparado para a gestão superior em qualquer empresa, de qualquer setor, e por tempo limitado. Os seus contratos de trabalho, para a gestão empresarial são por prazo certo e finito.  O oposto da visão de Galló.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Plano esratégico para o agornegócio amplo (5) -

O alimento adquirido nos supermercados e outros estabelecimentos de varejo é - na maioria dos casos - a penúltima etapa da cadeia produtiva dos alimentos, antes do consumo humano. A última etapa seria o preparo domiciliar o fora de casa.

O principal produto de exportação da agropecuária brasileira é a soja. A maior parte dos derivados é representada pelo óleo de soja, cuja produção bruta, a partir do esmagamento do grão, pode alcançar 20%. 

Do óleo de soja bruto, a maior parte sofre novos processamentos, para a produção do óleo de soja refinado. São comercializadas, com marcas próprias dos fabricantes.

Outra parte é utilizada como ingrediente para a produção de outros alimentos industrializados. A matéria prima ou  o insumo semi-manufaturado, perde a identidade. Essa passa a ser do produto final de usou a soja como ingrediente.

As bebidas de soja são produzidos a partir do grão. 

Este mercado, no Brasil foi dominado  - inicialmente - pela Unilever, com os produtos da marca AdeS, recentemente vendida ao Sistema Coca-Cola .

Presente nos dois principais produtores de soja em grão (Brasil e Argentina), com distribuição em diversos paises da América Latina, a localização das fabricas dependerá de decisão da multinacional.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Meirelles: esperança de quem?


O mote para 2018 será esperança, mas a sua percepção é diferenciada pelas diferentes pessoas e grupos. Se Lula é a esperança de uma classe média emergente que submergiu com a crise e tem expectativa de reemergir; se Bolsonaro é a esperança daqueles sob risco da violência urbana, Henrique Meirelles é a esperança dos agentes econômicos que tem expectativa de maiores ou melhores ganhos com uma economia em crescimento sustentável, com estabilidade monetária.

Poderá ter expressiva votação nesse meio, mas esse próprio meio receia que ele não consiga cativar os demais. Com isso não alcançaria os votos suficientes para ser eleito.

A crença dele e dos seus seguidores é que através da comunicação e do marketing político se consiga gerar, difundir e ter aceitação de que ele é o mentor da retomada da economia e garantirá a continuidade do crescimento econômico. Esperam repetir o feito de Fernando Henrique Cardoso que foi eleito na esteira da estabilização da moeda, ainda como Ministro da Fazenda do Presidente Itamar Franco.

A imagem pessoal de Henrique Meirelles também não o ajuda, dada a sua natural soberba. Simpatia requer humildade, o que não é característica natural. Terá que criar e assumir uma personagem fictícia que não corresponde à sua realidade pessoal e essa falsidade, percebida pelo eleitor gera desconfiança.

Ademais falta a Meirelles um mentor político, com grande capacidade político-eleitoral, que foi Antonio Carlos Magalhães. Temer tem capacidade política para se relacionar com a classe política, mas não com os eleitores.

E ainda não poderá contar com o volume de recursos financeiros que viabilizaram a eleição da personagem criada por Lula, operacionalizada pela própria e por João Santana, chamada Dilma Rousseff. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

Agropecuária ou agronegócio?

Os produtores rurais não podem se apropriar do que não produzem, pois a sua produção primária representa apenas 25% do conjunto do agronegócio. E a sociedade urbana não pode rejeitar a importância dessa produção rural, pois é ela que dá origem e viabiliza os demais 75% e impulsiona o crescimento de toda a economia. 

O que se faz necessário, reiteramos aqui, é que o Brasil seja produtor e exportador de alimentos, com maior valor agregado em território nacional. 

Isso requer que a produção de insumos para a agropecuária tenha maior conteúdo nacional. Mas para essa ser competitiva com relação aos produtos estrangeiros precisa ter escala de produção nacional para a qual a demanda nacional, apesar de elevada, não será suficiente.

A indústria brasileira de máquinas agrícolas deverá ser organizada para suprimento mundial, tendo o mercado brasileiro como o principal mercado. 

A maior parte dos fornecedores desse setor são multinacionais que fabricam os seus produtos em diversos países do mundo. 

O objetivo brasileiro nesse setor não pode ser da autossuficiencia. Deverá se especializar em algumas linhas nas quais a meta é ser líder mundial. Em outras, deverá ser importador. Deverá ainda organizar a indústria de agropeças, com maior integração da indústria brasileira nas cadeias produtivas globais. 

A consecução desse objetivo envolve duas profundas mudanças culturais: a primeira de descartar o  pensamento da autossuficiência nacional. A segunda de dependência de planos e ações governamentais.

Sem internet

De viagem, sem internet, amanhã retorno às atividades do blog. Feliz Natal, meu caro leitor.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Salvador da Pátria ou Nosso Salvador?

Com a aproximação do período eleitoral, de um lado, emergem candidatos messiânicos, tomados como "Salvadores da Pátria". De outro, contestados ou repudiados, pelo populismo e pelo risco de serem eleitos.

Pátria, assim como Brasil, nação são "coletivos majestáticos", em que cada pessoa, ou grupos de pessoas se assumem como sendo o coletivo. 

Assim, quando estamos nos referindo ao Salvador da Pátria, não é a pátria de todos os brasileiros, mas dos brasileiros que acreditam nele. E para os que não acreditam, a sua pátria é outra. 

Não estão falando da mesma pátria. Portanto, seria mais adequado falar em "Nosso Salvador". 

Quando alguém diz que quer um Brasil Melhor, ele está dizendo que quer viver melhor ou em condições melhores. Não é a visão do todo, mas a transposição da sua visão pessoal ao coletivo. 

É dentro dessa percepção que o "populista" trabalha para conquistar os votos. Ele promete aos seus interlocutores ou simples ouvintes ou assistentes uma vida melhor para eles, caracterizando-a como uma melhoria de todos. 

O salvador da Pátria diz que quer salvar o país, mas o país de cada um, de cada eleitor e ou grupo de eleitores. E essa Pátria é maior que a dos que o repudiam. 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Plano estratégico para o agronegócio amplo (4) - comercialização

Já a comercialização internacional de produtos agrícolas é altamente cartelizada, com um pequeno número de empresas multinacionais dominando o mercado. 

A decisão de exportar grãos ou óleo de soja/ farelo não é do país, mas das multinacionais, que tem instalações em todo o mundo. O primeiro importador é ela mesma, que avalia as condições dos mercados externos.

Internamente (no Brasil) ela avalia os ganhos marginais e não apenas o faturamento. Os custos do processamento podem superar os valores adicionais. 

São elas que decidem se produzem o óleo de soja no Brasil, para exporta-lo na forma líquida ou se exportam o grão de soja e fazem o esmagamento no exterior, gerando também o farelo. Indo mais adiante: se refinam o óleo e envasam ou vão refinar mais próximo ao mercado consumidor.

A partir de uma ampla produção da matéria-prima o Brasil precisaria ter condições para que a multinacional veja vantagem econômica em processar todas as fases aqui, exportando o produto acabado do que processar em outros locais. 

Trata-se de criar condições internas para que as empresas possam produzir com competitividade mundial. E possam competir com os concorrentes, no exterior, com os seus produtos "made in Brazil".

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Plano estratégico para o agronegócio amplo (3)

O agro-serviços tem segmentos com mercado difuso com participação de um grande número de empresas independentes, pouco integradas setorialmente e outros altamente cartelizado, com poucas empresas com amplo espectro setorial.

O agronegócio, com a exceção da Rumo e de algumas pouco estradas vicinais, não participa diretamente da construção da infraestrutura, tampouco da operação da agrologística. 

Uma relevante questão estratégica é de como e quanto a agropecuária podem ou devem participar da agrologística? 

Sem perspectivas de poder contar com investimentos públicos terá que contar exclusivamente com recursos privados. 

A agropecuária terá que assumir a elaboração de um plano de "capilarização" do sistema logístico para atender ao agronegócio. E a partir dai negociar os investidores públicos e privados. 

Os "investidores públicos" serão os congressistas que poderão direcionar as suas emendas parlamentares para essa rede. Serão os poucos recursos públicos disponíveis para investimentos, em função do sistema político vigente.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Exportar para empregar (20) autopeças

Assim como a recuperação das montadoras automobilísticas, o setor de autopeças também está ampliando a sua produção.
Não em função da ainda lenta recuperação do mercado interno, mas por conta das exportações.

Segundo o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe "A crise nos fez perceber que o mercado interno não deveria ser o foco principal. Acredito que as exportações continuarão a ter espaço importante mesmo quando as vendas no Brasil voltarem a crescer".

O setor de autopeças chegou a exportar US$ 11 bilhões em 2011, ainda cumprindo os contratos firmados anteriormente. A partir dai entra em sucessivas quedas, com recuperação só este ano de 2017.

O setor teve e ainda tem que enfrentar uma forte onda de importações, mercê das estratégias das montadoras no Brasil, todas multinacionais. Elas passaram a dar preferências aos seus fornecedores ou parceiros no Exterior do que comprar no Brasil, onde ainda grande parte é de capital e gestão nacional.

O Brasil viu se reduzir a sua participação dentro da cadeia produtiva da indústria automobilística. 

A retomada ainda será penosa, porque nesse meio tempo os concorrentes ocuparam os espaços. Mas está no caminho que pode dar certo. Porque o anterior não deu. 

Problewmas com o computador

Ontem uma associação entre problemas com o computador e incompetência do operador, deixei de colocar os artigos ontem. 
Estou retomando

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Plano estratégico para o agronegócio amplo (2)

Na perspectiva de maior processamento industrial das matérias primas agrícolas a estratégia mais importante é da marca. O que envolve toda uma gama de serviços para que a marca seja reconhecida mundialmente.

O passo inicial ainda está no campo, pela qualidade do produto. 

A qualidade mais importante não é a intrínseca, medida por índices técnicos, mas a qualidade percebida pelo consumidor.

Uma alternativa é focar no produto puro. Que agora é a moda. Nas bebidas alocoolicas, o "puro malte". 

Vender no mundo o "puro café brasileiro".

Como e quem pode fazer isso? Não pode ser o Governo. Aliás governos anteriores tentaram e fracassaram. Não pode ser baseada na visão burocrática. 

Serão empresarios nacionais ou multinacionais de origem estrangeira?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Plano estratégico para o agronegócio amplo

Qual é a visão desejada para o agronegócio brasileiro amplo, em 2035 e em 2050? 

"Ser o maior "participante" mundial de alimentos (ou proteinas), prontos para consumo humano."

Na ponta final do consumo de alimentos (comida), seja residencial como "fora de casa" deverá estar presente um insumo produzido no Brasil.

"um insumo do agronegócio brasileiro em todas as comidas do mundo".

"neste momento alguém está comendo uma comida com insumo brasileiro" (parafraseando a Coca-Cola).

O que o Brasil deve fazer para alcançar essa visão?

O principal ponto forte é ainda a disponibilidade de terras agriculturáveis, associada à produtividade nas grandes plantações. O Brasil tem alta competitividade na produção agro-pecuária dentro das fazendas.

O maior ponto fraco é a deficiência logística que anula, grande parte das vantagens "dentro das fazendas".

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Falta liderança para o agronegócio

A agricultura moderna importou o termo "agribusiness" para caracterizá-la, buscando diferenciar da agricultura tradicional.
Com o sucesso da produção dessa agricultura, preponderantemente voltada à produção de grãos para exportação, os mentores ampliaram o escopo do agronegócio, para envolver toda a cadeia produtiva e passaram a alardear que representavam cerca de 1/4 do PIB.  Somadas todas as atividades, inclusive transporte e comercialização, chega próxima a essa participação, dependendo da evolução dos outros setores.

Usam a denominação agronegócio, mas as lideranças empresarias e políticas são todas da agropecuária. São pessoas do campo, "da roça", que para tentar fortalecer a importância do segmento, extrapolam os números, mas todas as ações são no sentido da defesa da agropecuária.

O que o mundo quer é que o Brasil cumpra o papel de alimentar a sua população, que se aproxima dos 9 bilhões de pessoas. O mundo espera que o Brasil contribua amplamente para a erradicação definitiva da fome no mundo.

O Brasil precisa aproveitar a sua capacidade produtiva no campo para se tornar uma potência mundial de produção de alimentos. Não precisa se limitar à produção e exportação de commodities.

Uma opção de um projeto nacional, de um Projeto Brasil, é tornar o Brasil o maior produtor de alimentos para o mundo. 

Mas faltam lideranças para assumir esse projeto.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representando outros 25%, dos quais 5% são insumos. O processamento industrial não passaria de 20% do PIB do agronegócio. A metade é representada pelos serviços. Ou seja, agronegócio é agro-serviço. Onde a logística e a comercialização representariam a maior parte.

O que o consumidor de alimentos no Brasil, como no mundo, paga é pelo custo do alimento chegar até o varejo. Ou até ao seu prato, ao consumí-lo num restaurante.

Para ser reconhecido socialmente o agronegócio precisa substituir a visão "Brasil celeiro do mundo" por "Brasil, alimentando o mundo" ou similar. Precisa substituir a idéia de produtor e exportador de matérias primas, para ser um supridor mundial de alimentos. E ainda de energéticos e de produtos de madeira.

O grande desafio do agronegócio é agregar valor às suas matérias primas agro-pastoril pelos serviços. Muito mais que pela industrialização.

O agronegócio para ter o reconhecimento social precisa mostrar que é muito mais que produção agrícola e pastoril. 

O lema da campanha da Rede Globo tem esse sentido, mas o conteúdo continua sendo dominado pelo Globo Rural.

domingo, 10 de dezembro de 2017

A estrutura do agronegócio

O agronegócio vai muito além da produção no campo. 
Para efeito de análise podemos desdobrar em três:

  • agro-rural (com perdão pelo pleonasmo);
  • agroindústria;
  • agro-serviço.

O agro-rural, por sua vez, pode ser dividido em lavoura, pecuária e florestal. 
A agroindustria se caracteriza pelo uso que dará às matérias-primas, podendo ser destinadas a alimentação, energia ou a bens derivados da madeira. 
Pode ainda ser desdobrada em processamento primário ou manufatura. No primeiro caso irá gerar ainda commodities, insumos de processamentos mais desenvolvidos. Envolvem, por exemplo, o açúcar e o etanol, com o processamento da cana, as carnes "in natura", a celulose e outras. 
A agroindústria envolve ainda um terceiro segmento que é o de suprimento de insumos, máquinas e equipamentos para a produção rural, assim como para as demais fase do agronegócio. 
Os insumos para a produção rural envolvem os elementos químicos como fertilizantes, defensivos e outros, de produção industrial. Também se incluem nesse segmento as as máquinas agrícolas, cada vez mais sofisticadas. Atualmente há um grande avanço no suprimento de tecnologias, o que estaria no campo do agro-serviço. Não mais na agroindústria.
Máquinas e equipamentos para a produção alimentar, energética ou madeireira, com o uso dos insumos do agro-rural são parte importante da agroindústria.

O agro-serviço compreende uma gama imensa de subsetores, correspondendo - do ponto de vista dos valores adicionados - metade do pib do agronegócio.
Os principais segmentos são a comercialização dos produtos oriundos do agro-rural e a logística. Mas dois outros segmentos tem ganho importância econômica: marca e tecnologia.

O principal valor agregado pago pelo consumidor final é dos serviços. A logística fica com uma boa parte, mas a principal é a comercialização. Que aumenta ainda mais quando o produto, mesmo com processamento primário, ganha marca. 

Ou seja, o principal valor adicionado à matéria prima rural não está na industrialização, mas na comercialização, com marca. E essa pode decorrer da qualidade da matéria-prima. É o que vem ocorrendo com o café de qualidade. 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Projeto Nacional: por que ninguém propõe?

Ao participar de mais um evento público ouço reclamações ou lamentações de que falta ao Brasil um projeto nacional, um projeto de Nação, ou projeto Brasil.
Se "todo mundo" concorda que faz falta, porque ninguém propõe um projeto?
Uma das razões é porque as pessoas estão por demais envolvidos em soluções para a crise fiscal, para as questões monetárias, tem propostas, mas percebem que essa não significam um projeto nacional. Se assim o fosse, as recentes propostas do Banco Mundial seria uma proposta de projeto nacional, baseado nos gastos públicos: "O Brasil gasta muito e mal".

Temos aqui feito uma proposta que ousamos dizer que é uma proposta de Projeto Nacional. 

O Brasil irá se desenvolver nos próximos anos, sustentado por dois grandes pilares: petróleo e grãos.  Ou energia e alimento.

Territorialmente o primeiro irá reforçar o desenvolvimento do sudeste. O segundo irá gerar novos polos de desenvolvimento, dentro do cerrado brasileiro, com dois subpolos: centro-oeste e nordeste. 

A esta altura da história não se trata mais de uma opção do país. Este está condenado a ser um grande produtor de petróleo e grãos. Se quiser evitar esse destino histórico terá que fazer um grande esforço, para que os produtores rurais deixem de plantar ou que as petroleiras abandonem os poços de petróleo do pré-sal. Ou rezar para que as adversidades climáticas arrazem a produção agrícola. 

No caso dos grãos, o mundo está precisando desses e espera que o Brasil seja um grande produtor e supridor. E dará condições econômicas para a continuidade. Já em relação ao petróleo, o mundo tem excesso de oferta, poderá reduzir os preços, de tal forma que somente os mais eficientes seguirão produzindo. Nesse caso, o Brasil poderia se livrar da "maldição" de ser um grande produtor.  Mas as petroleiras teriam condições e buscariam eficiência e redução de custos para manter a produção brasileira entre os sobreviventes.

Se o Brasil está condenado a ser um grande produtor mundial de grãos e de petróleo, por que lutar conta essa tendência e não aproveitar a oportunidade para fazer delas as grandes alavancas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país?

A proposta de Projeto Nacional que temos defendido se baseia nessa segunda opção. Aproveitar a oportunidade da demanda mundial por alimentos e a ampla disponibilidade de petróleo do pré-sal para recolocar o Brasil entre as cinco maiores economias mundiais, juntamente com maior equidade social. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Plano B, N (2)

Se para a Presidência a estratégia do PT e de Lula é caracterizar uma eleição fraudulenta, quais serão as estratégias para as eleições de Governador e para o Congresso Nacional?

Irá o PT abandonar um importante palanque, que é o Congresso Nacional,  para combater a suposta ilegitimidade do Governo, em nome de uma coerência ideológica? Ou adotará uma postura pragmática de buscar manter ou ampliar uma bancada para ter uma arena para suas manifestações. 

Terá que ser de ferrenha oposição, sem fazer as alianças espúrias que fez para eleger Lula em 2002, e se manter no poder. Terá que voltar ao seu jogo original, de minoria, mas de repaginação para voltar a ser um partido verdadeiro. 

Para renascer como força política que já não tem, mascarada pela relevância ainda da figura de Lula, terá que focar as eleições legislativas.

A alternativa é de se opor às reformas, principalmente a previdenciária e ao suposto desmonte dos programas sociais. 

Do ponto de vista eleitoral, a estratégia deve ser o de eleger as suas principais "estrelas" com penetração popular para a Câmara dos Deputados: Dilma no Rio Grande do Sul, Jaques Wagner na Bahia, Gleisi Hoffmann no Paraná, Fernando Haddad em São Paulo, entre os mais conhecidos, para puxar a formação de uma forte base parlamentar.

Seria a estratégia mais perigosa para os seus adversários. Mas esses contam que  o PT não seguirá esse caminho. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O plano B, N

A alternativa da esquerda à inviabilização judicial da candidatura Lula não é nenhum outro candidato do PT ou de algum partido aliado. 
O plano alternativo pode ser chamado de BN, ou brancos e nulos.
O objetivo é que o volume de brancos e nulos, ainda no primeiro turno seja maior do que os dois principais candidatos que poderiam disputar o segundo turno. 
A mensagem, que já está nas ruas, é que "eleição sem Lula é golpe" ou "eleição sem Lula é fraude". 
Para o PT e partidos aliados o objetivo é manter a denúncia de "golpe". E se fortalecer como oposição. Buscando a reconquista do poder nas próximas eleições. 
Quem quer que vença as eleições de 2018 será considerado ilegítimo, porque eleito num pleito fraudado.
Toda movimentação de Lula e do seu partido é nesse sentido.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Previdência: visões diferentes

A dificuldade de aprovação da reforma previdenciária decorre de visões distintas sobre a aposentadoria.

A mais significativa é a visão individual, o que tem forte efeito político, porque é a visão do eleitor. O eleitor é um indivíduo. Um conjunto de indivíduos elege um deputado federal. Um número maior de indivíduos elege um Senador e outro, maior ainda, elege o Presidente da República.

O politico que quer se eleger precisa atentar para as visões, interesses e desejos de cada um dos seus eleitores. E os eleitores, na sua maioria, são contra a reforma previdenciária.

E por que são contra?

Porque uma grande parte, se não a maioria, trabalha para poder se aposentar. O sonho de vida, o objeto de desejo é uma aposentadoria remunerada, sem ter que trabalhar.

Elas começam a trabalhar pensando na sua aposentadoria. O início do trabalho é o marco de uma contagem regressiva do tempo adicional que precisam trabalhar para poder se aposentar.

Para esse trabalhador, as condições para poder se aposentar, são as vigentes no momento em que ingressa no mercado de trabalho. E as incorpora como direito.

Para ele qualquer mudança nessas regras que piore as condições para obter a sua aposentadoria é percebida como uma retirada de direito. Ter que trabalhar mais anos para poder se aposentar: um absurdo! E ele é contra. E induz o deputado a votar contra. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Perspectivas dos investimentos em infraestrutura

Uma pequena retomada da taxa de investimentos está animando os analistas a prever substanciais aumentos dos investimentos em infraestrutura, o que não deverá ocorrer. 
Isso porque os investimentos em infraestrutura, no passado, foram predominantemente estatais. Com a total falência econômica do Estado, sem condições políticas de continuar aumentando a carga tributária, obrigado a conter os gastos, os investimentos em infraestrutura terão que ser privados, o que muda substancialmente a lógica decisória.

Os principais investimentos previstos ou desejados estão no setor de transportes, com ênfase ainda no setor rodoviário. Segundo previsões de consultoria especializada, deverão ser investidos no setor, em 2018, R$ 35,7 bilhões, dos quais R$ 12,2 bilhões no rodoviário.

Para isso se conta com a renovação antecipada de contratos de concessões rodoviárias, com a realização de investimentos. A legislação foi alterada para a sua viabilização, mas até agora não foi aplicada em nenhum caso específico.

Por outro lado, os principais grupos nacionais detentores de concessões estão inabilitados ou debilitados, sem condições de assumir novos compromissos ou mesmo de levantar financiamentos. 

Esses grupos são predominantemente de construtoras, interessadas nas obras e não na operação. Com a execução das obras iniciais algumas procuraram transferir os contratos para operadoras. Na inexistência de operadoras nacionais, grupos estrangeiros ocuparam esse espaço.  E não se deram bem. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Grandes esperanças

A animação com a inflexão dos investimentos dentro do PIB, faz sentido, mas deve ser visto com cautela.

Dos investimentos, contabilizados dentro das contas nacionais, como Formação Bruta de Capital Fixo - FBKF, uma grande parte é consumo de bens duráveis, como a compra de um imóvel residencial ou aumento da frota de locadoras de automóveis. Ou mesmo a compra de ônibus para o transporte coletivo. São itens importantes, mas que não aumentam a capacidade produtiva industrial.
Esta é representada pelo item máquinas e equipamentos cuja participação dentro da FBKF não alcança 20%. Deve ainda ser considerado que os equipamentos para o setor de energia elétrica, tanto na geração, como na transmissão, estão dentro deste item. Os de telecomunicações estão contabilizadas a parte. 
O principal item da FBKF está em "construção de outros edifícios e estruturas" que fica em torno de 30% do total. E juntamente com a construção residencial representam cerca de 50% da FBKF.

A construção residencial sofreu um estouro da bolha imobiliária - que o setor recusa em reconhecer - e foi sustentada pelo programa governamental "Minha Casa, Minha Vida", embora em ritmo menor que dos anos anteriores. Com a perda de capacidade financeira do Estado, sem condições de manter os subsídios as perspectivas futuras desse programa são de redução continuada.

A melhoria da FBKF se deve à retomada do mercado imobiliário privado, com aumento dos lançamentos e maior produção nas obras em andamento, que estavam sendo tocadas em ritmo mais lento.

A perspectiva neste setor é positiva, mas a continuidade dependerá dos financiamentos privados. O Estado, seja diretamente, como indiretamente, através dos bancos oficiais, não tem mais condições de oferecer financiamentos a juros subsidiados.

Os investimentos industriais, em parte, são de máquinas e equipamentos importados. Aumenta a capacidade industrial, mas não geram - de imediato - encomendas à indústria nacional de máquinas e equipamentos. A curto prazo o efeito sobre o PIB é negativo, não positivo. Não aumenta a produção e o produto nacional. Essa tendência deverá continuar, diante da geração de divisas pelo agronegócio, contribuindo para uma estabilidade cambial em níveis relativamente baixos.

A grande esperança dos economistas e do mercado está nos investimentos em infraestrutura, ora com um grande gargalo. Até recentemente o principal investidor foi o Estado.
Com a sua "falência" não tem mais capacidade de investir. Tudo dependerá do interesse privado. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O que o Brasil ganha com o agronegócio exportador

O agronegócio não é exportador apenas de 

matéria prima, sendo grande parte exportada com um 

primeiro processo industrial, tanto em unidades industriais 

de grande porte, com a produção de celulose, como em 

unidades menores, com o açúcar e etanol. Cabe 

considerar, ademais, que esteúltimo é produto de inovação 

tecnológica brasileira. 



O suco de laranja não só agrega valor pelo 

processamento industrial da laranja, como também pela 

marca. O Brasil é maior produtor mundial de suco de laranja.


As carnes são o caso mais emblemático de transformação

industrial e agregação de valor.


As lavouras estão cada vez mais maquinizadas e 

tecnologizadas, elevando a produtividade e empregando 

relativamente menos. Aumentam a quantidade de 

empregos pela ampliação dos volumes de produção.


Mas a sua principal contribuição para os empregos está na viabilização do processamento industrial subsequente. 


Sem a intensa produção florestal o Brasil não teria se 

transformado no maior produtor mundial de celulose de fibra curta. 

Um novo amor!

Em 10/06/2018 publicamos este "post" Para que se efetive uma ampla renovação do Congresso Nacional duas condições são essenciais...