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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Uma manada de elefantes coloridos

Que os estádios de Manaus, Cuiabá e Brasília seriam elefantes brancos, depois da Copa era aposta certa. Natal era séria candidata. Mas dos demais esperava-se que "se dariam bem". Não estão dando, e agora que começaram os campeonatos estaduais as situações incômodas estão ficando evidentes. O Maracanã não quer receber os jogos do estadual e prefere ficar ocioso a receber jogos, com prejuizos. É um caso típico de "elefante branco" ocioso, mas consumindo pouco para ser usado e apresentado somente nos grandes eventos: as finais dos campeonatos. No caso, torcendo para que o Flamengo seja finalista.É o único jeito de encher o Maracanã, e mesmo assim a preços populares.

Fortaleza,  Recife e Salvador,  todos sob gestão privada, insistiram para os clubes locais jogarem no estádio, firmando contratos exigindo o seu uso, com contrapartidas de adiantamentos financeiros, e agora também querem se livrar dos ônus. Fortaleza bate os recordes de públicos, superando 60 mil espectador…

Novas estratégias da Petrobras

A Petrobras está sob fogo cerrado.
Ela mesma reconhece a ocorrência de irregularidades em contratações o que requer a correção de valores dos ativos registrados na sua contabilidade, assumindo a ocorrência de superfaturamentos e, sobrevalorização dos mesmos.

As correções não são simples. Determinar o superfaturamento dependeria de confissões dos contratados dos valores adicionais, com o compromisso de devolução. Isso dificilmente irá ocorrer, apesar do instrumento da delação premiada, e mesmo que viesse a ocorrer não seria imediata e a Petrobras já estava atrasada na divulgação do seu balanço trimestral referente ao terceiro trimestre de 2014. A auditora se recusa a firmar o seu relatórios sem as devidas ressalvas. A Petrobras não aceita as ressalvas propostas pela auditora.A Price, como boa parte da sociedade quer saber o montante dos desvios. Já estão começando a perceber que será inviável. 

De toda forma, as tentativas de apuração já estão demonstrando que as perdas com os erros estra…

A sustentação pela participação social

Dilma foi eleita com o voto dos eleitores mais pobres que estão gratos com a melhoria da sua vida, por conta dos programas sociais. Mas pesou sobre eles as ameaças tanto veladas como explícitas de que os adversários iriam acabar com os programas.

Essa população é mobilizada no período eleitoral, por meios televisivos, mas principalmente pela presença direta dos políticos, cabos eleitorais, ativistas partidários, lideranças associativas ou comunitárias e funcionários contratados para as campanhas. 

As campanhas envolvem paralelamente uma grande mobilização econômica, que não se sustenta fora do período eleitoral, que pode ser caracterizado como "entressafra" eleitoral ou política.

Essa massa volta a ser um contingente silencioso, fora alguns pequenos grupos de ativistas que são caracterizados como movimentos sociais.

A maioria se recolhe, volta-se para as suas atividades cotidianas, sem qualquer participação política e, também, por falta de recursos, desinteresse ou falta de comp…

Quem cuida da água?

No seu discurso de abertura do segundo mandato, que deveria ser de trabalho e não mais eleitoral, como podia e foi o da posse,  Dilma não saiu do palanque. Tratou da crise da água de forma política, dizendo que apesar de não ser responsabilidade federal, iria ajudar os Governos Estaduais, responsáveis pelo abastecimento a vencer a crise. Cometeu vários erros, usuais na mídia, mas não compatíveis com uma governante. Demostrou ignorância. Leu um discurso escrito por João Santana e não pelos "goshwriters" para os pronunciamentos gerenciais.

A gestão da água tem um espaço vazio que foi assumido pelo Governo Federal, ao criar a ANA. O controle sobre o uso da água dos corpos naturais, depende da jurisdição do rio. Existem rios estaduais e federais. Não existem rios municipais.

Há problemas de escassez em duas das maiores bacias hidrográficas federais do sudeste: a do Piracicaba, que começa em Minas Gerais e tem a maior parte em São Paulo e do Paraiba do Sul, que começa em São Paulo,…

Ambiguidade reveladora

O discurso de Dilma que marca, efetivamente, o início do seu mandato, confirma o esperado e não desejado: nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.
Reforçou a necessidade do equilíbrio fiscal e deu recado aos seus Ministros: contenham os gastos, não esperem mais verbas para os seus programas, tanto os antigos, como novos. O seu papel não é expandir, mas fazer mais com um pouco menos que já tem. Usem a criatividade para serem mais produtivos. É querer demais da sua "equipinico" ministerial. Os menos piores acham explicações, os mais, se calam.
Esperado, mas nenhum deles gostou. Talvez só a trinca econômica, que teve o respaldo para as suas tesouradas. 

Mas, sempre mas: os programas sociais serão preservados. Os ajustes não prejudicarão as conquistas sociais. Os direitos dos trabalhadores serão preservados. Também esperado, mas não desejados. As Centrais Sindicais irão esperar pelo cumprimento das promessas. A equipe econômica bateu forte. Ela "assopra devagarinho". Não gosta…

O Rio vai ficar sem água e luz?

O Sistema Cantareira virou o principal termômetro para acompanhar a "febre da falta d'água". Impulsionado pela mídia, milhões de pessoas estão a toda hora buscando informações sobre o nível das águas do Cantareira. Alguns transformando em obsessão, em neurose. E cada vez mais preocupados com as baixas sucessivas.
Ficam aliviados quando não desce e felizes quando sobe um pouquinho. E torcendo pela chuva. Essa vem, mas não muda a situação. A impressão disseminada entre a população é que chove, mas não em cima da Cantareira. 

Chove lá também. Mas se chove porque não melhora a situação? Há várias explicações: o solo está muito seco e precisa absorver primeiro a água antes de chegar às represas. O calor está elevado e a água evapora mais rápido, sem a mata ciliar, e outras.

Não há transparência na informação, porque o Sistema Cantareira é formado por diversas represas interligadas por túneis e na última a água é bombeada para atender a população. 

Em que represa é feita a medição…

A crise da indústria brasileira e sua superação

A balança comercial brasileira foi deficitária em 2014, uma condição que não ocorria desde 2000. De um lado a indústria foi a mais deficitária e de outro as commodities agrícolas e minerais, com os preços unitários em queda, não foram suficientes para cobrir aquele déficit. 

As análises apontam para baixa produtividade, baixo grau de inovação, câmbio supervalorizado, carga tributária, insuficiência de infraestrutura e outros fatores macroeconômicos, tratando a indústria como uma entidade monolítica. Ela não é, contemplando diversidades em que cada fator influencia de forma diferenciada. 

Esse tratamento da indústria como se fosse uma unidade decorre da visão estatistica. Nos números das estatísticas oficiais do comércio exterior ou da contabilidade nacional (a que apura o PIB). a indústria é uma categoria que soma os resultados de todos os seus subsetores.

E essa indústria, como um todos,  é responsabilizada pelo déficit por não se integrar nas cadeias produtivas globais. Tais análises n…

A água do camihhão pipa

Usei ontem o caso da água distribuída pelos caminhões ou carro pipa para mostrar que a crise da água não é geral, mas da água encanada, da água distribuída pelas redes, ou seja, a água suprida pelas concessionárias de serviços de água (e eventualmente também de esgotos), ou seja, das SABESPs, COPASAs e outras.

Se a crise for geral, com escassez total da água, não adianta buscar a alternativa do carro pipa porque esse não tem onde buscar a água. Talvez a enormes distâncias. Como no exemplo da energia, teria que ir buscar na Argentina: Só como piada. 

Se o caminhão-pipa traz e distribui a água é porque essa existe. Mas onde está essa água que o motorista ou proprietário do caminhão-pipa retira? Essa água é tratada, indagam os leitores?

Não, não é tratada, porque se for tratada pela concessionária o carro-pipeiro avulso tem que pagar pela água e não teria lucro. Ou estaria "roubando" a água da concessionária, furando a adutora. Ou ainda, poderia provocar um vazamento na tubulação …

Vou poder tomar banho? Quente?

Vai, e sem remorsos, desde que não fique tempo demais debaixo do chuveiro.

A água não vai acabar. Mas vai ter racionamento. Ou melhor, em São Paulo, já vem tendo. Só não vai ter rodízio com cortes compulsórios, comunicados prévia e transparentemente.

E a água vai ficar muito mais cara. 

Água está escassa, mas existe o suficiente para atender toda população da Região Metropolitana de São Paulo, mesmo que não chova à cântaros, em 2015. 
Mas haverá muito preconceito com relação a algumas soluções: a principal fonte para substituir o Cantareira será o reuso da água resultante do tratamento de esgotos nas Estações de Tratamento de Esgotos e o uso da água da Represa Billings, atualmente poluido.

Os preconceitos formados com relação a essas fontes. vão levar algumas pessoas a indagar: se eu tomar banho com essa água vou ficar mais limpo ou sair do banho "cheirando merda?" Posso beber essa água? Vai sair limpo e pode beber. Como diversos europeus.

Se as soluções são sabidas, por que não f…

A doutrina de suprir a água por encanamento

A crise da água é, na realidade, a crise do sistema de abastecimento da água por rede.

Durante muitos anos a população se abasteceu de água por poços individuais. Ou iam buscar a água no chafariz do largo. No interior, principalmente em áreas rurais, as famílias ainda se abastecem da água dos poços, ou quando tem facilidade, dos próprios rios e demais cursos d'água.

Esses meios são considerados primários e atrasados. A modernidade é caracterizada pelas redes de água, a partir de uma captação num corpo d'água, ampliada por reservação, adução, ou seja, transporte até uma estação de tratamento para um novo transporte até uma caixa d'água para ser distribuída por ampla rede até os domicílios. Com o apoio de bombas elevatória, uso da gravidade, geração e controle das pressões.
Com isso as famílias tem a água na sua torneira, sem necessidade de ir buscá-la. A água chega em sua casa. É só abrir o registro, que saía a água.
É essa água suprida por uma concessionária dos serviços de ág…