domingo, 18 de janeiro de 2015

A estigmatização do racionamento


A partir do uso político-eleitoral do racionamento de energia elétrica, adotado em 2001, ficou estigmatizado e os governantes evitam usar o termo e muito menos adotá-lo, como medida compulsória.
Isso gerou uma forte rejeição da população ao racionamento, ainda que poucos saibam o que isso efetivamente significa.
Racionamento é uma redução do uso, podendo ser voluntário, forçado, indireto ou compulsório.

O racionamento voluntário é o feito pelo próprio consumidor podendo ser:
Por consciência, quando  consumidor faz a redução por decisão pessoal, independentemente de fatores externos;
Induzido, quando a redução é premiada por descontos na sua conta, como faz a SABESP.

Para forçar o menos consumo da água, o Governo pode optar pela cobrança de sobretaxas sobre o aumento de consumo, ou o consumo excessivo.
Isso é interpretado como multa, cuja legalidade é discutível, mas é na realidade um sobrevalor tarifário, o que é legal.

Racionamento indireto
O gerenciamento da operação de distribuição da água varia as pressões, em função dos níveis de consumo, de forma a evitar rupturas na canalização e outras perdas.
Isso é feito, normalmente,  no período noturno, quando o consumo é menor, com as pessoas já dormindo.
Ao reduzir mais a pressão e ampliar os períodos de pressão mais baixa, a SABESP promoveu um racionamento indireto,  recebendo reclamações generalizadas.
O maior problema do racionamento indireto é o baixo grau de transparência.
Por ser uma medida usual o Governo não avisa com antecedência aos moradores e demais consumidores, tampouco reconhece como racionamento.
Gera a interrupção ou a redução do suprimento durante um pequeno período, mas é negado como racionamento.

Todas as variações bruscas de pressão da água aumentam os riscos de ruptura das tubulações ou conexões e abertura de vazamentos.
Quando ocorre o vazamento, para o seu conserto a concessionária tem que fechar o suprimento da área, gerando a falta da água nas torneiras das casas.
A redução da pressão e o retorno dessa gerarm maior incidência de vazamentos, com o prolongamento da falta de água, reclamada por muitos moradores, com cobertura da mídia.                         

O racionamento formal: cortes em rodízio
O racionamento formal, reconhecido institucionalmente, é o corte programado,  devidamente comunicado, da suspensão temporária do fornecimento.
Os cortes são feitos por área segundo rodízio, ao longo da semana ou do mês.

A energia elétrica não pode ser estocada domiciliarmente.
Já a água pode ser estocada de forma que o usuário pode compensar o dia sem água, acumulando o dobro.
O resultado final pode não ser a redução do consumo.
Dai a combinação entre o racionamento por rodízio com a sobretaxa por aumento ou excesso de consumo.

Não tem faltado estudos, diagnósticos e proposições, mas tem faltado decisões:
Planejar não é apenas levantar informações, estudar, diagnosticar e propor tecnicamente.
Planejar é decidir por antecipação e, como tal, é um ato de poder.
Os governantes tem hesitado na tomada de decisões e é a falta de decisões que tem sido objeto de criticas da oposição política, dos usuários e da sociedade.
     
Os estudos já apontavam para os riscos na Região Metropolitana de São Paulo.
Além da limitação de capacidade dos sistemas atuais para o atendimento pleno da demanda, da forte dependência do Sistema Cantareira, havia o risco de repetição da forte e prolongada estiagem ocorrida nos anos 50.
Infelizmente a estiagem atual está sendo pior do que dos 50.

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