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Mostrando postagens de Janeiro, 2020

Patrimonialismo filial

O usual do patrimonialismo são os privilégios dos "amigos do rei". No Brasil atual o novo patrimonialismo é marcado pelos amigos dos príncipes.
Dois episódios recentes trouxeram à tona dois integrantes da "turma" dos príncipes. Gustavo Montezano, amigo e vizinho deles teve que explicar a "caixa preta" da auditoria, para abrir outra "caixa preta". Gastou milhões a mais do que seus antecessores tentando descobrir o que não existiu. Partiu para o ataque para se defender. Culpou as alterações legais, mas a principal delas não é recente. Trata-se da Lei nº 8.666 de 1993 que foi estabelecida para combater a corrupção, mas acabou dando cobertura aos maiores esquemas de corrupção. Cobrado sobre o número das leis, não soube responder. Saiu-se mal, mas ainda não perdeu o cargo.
Já o companheiro Vicente Santini, aproveitando a condição ministerial temporária utilizou o símbolo mais visível do patrimonialismo: usar o avião da FAB. Para uma viagem internaciona…

TRANSFORMAR CONGRESSO

RENOVAR a composição do Congresso Nacional é necessário, mas não suficiente. Insuficiente para a sua transformação para melhor. 
O objetivo maior é TRANSFORMAR O CONGRESSO e isso não pode prescindir da atuação de veteranos dispostos a melhorar o desempenho do Congresso, nas duas casas.
Com a sua experiência e conhecimento, devem desenvolver o seu espírito público para liderar a transformação.
A origem do Congresso que temos está na visão de mundo do eleitor que enxerga o deputado federal como um representante dos seus interesses mais imediatos. Espera que ele traga melhorias no ambiente que ele vive: escola, posto de saúde, professores e médicos presentes, asfalto, ponte, condução, etc. Isto é, como um despachante dos seus pleitos junto à União.
O deputado responde com as emendas parlamentares, visando a sua reeleição e se estabelece um círculo vicioso curto.
A superação irá requerer uma ampliação da visão dos deputados, com o conhecimento e posicionamento em relação a questões maiores, qu…

A ilusão do poder no Estado (III)

Ao longo de muitos anos a intervenção do Estado nas questões culturais foi pelo seu valor simbólico e educacional,  o que justificava - do ponto de vista organizacional - ser acoplado à educação. O Ministério que cuidava da educação era de Educação e Cultura, consagrando a sigla MEC. As unidades estaduais e municipais seguiam o mesmo padrão. A visão prevalecente era de que não bastava ao estudante conhecer o básico: ele precisa ser culto. Não basta saber ler, precisa ler os clássicos da literatura, seja mundial ou nacional. Ainda hoje os vestibulares para ingresso no ensino superior exige do candidato o conhecimento de um conjunto de clássicos da literatura. Assim considerados segundo critérios estéticos definidos pela elite. 
Cultura, assim como a edução são entendidos como pilares básico da cidadania.
Em alguns momentos essa cultura foi considerada como expressão ideológica do governo de plantão.
Mudanças dentro da sociedade, com produções culturais de "guetos" incorporados p…

Bolsonaro sem Moro

Jair Bolsonaro se cerca de um pequeno grupo de súditos fiéis, nos quais confia que não o irão trair. Até porque qualquer suspeita de traição o levará a demiti-lo. Alguns cobram o seu preço. O seu amigo de longa data, Alberto Fraga quer, porque quer, em nome da velha amizade e fidelidade, o Ministério da Segurança Pública. Ainda que isso signifique enfraquecer o Ministro Moro, podendo levá-lo a deixar o Governo. Foram os demais adeptos de Bolsonaro que questionaram a troca: Moro ou Fraga? A sensação é que o Governo ficaria mais fraco, com perda de popularidade, comprometendo o seu futuro. Não quis correr o risco e voltou atrás. Moro acabou ficando mais forte, o que contraria os projetos políticos de Bolsonaro. Este não desistirá das tentativas de enfraquecer Sérgio Moro, visto como c 
Achava que em Brasília teria mais condições para o combate à corrupção do que ficando em Curitiba. Ao ingressar na carreira política, mesmo com grande força pelo apoio popular, percebeu que o jogo era muito …

A ilusão do poder no Estado (II)

A cultura artística é cercada por grandes dissensões dentro da sociedade. 
A primeira é se a cultura artística - no seu conjunto - reflete ou expressa a totalidade da cultura nacional. Uma parte acha que sim, outra entende que muitos elementos culturais da sociedade brasileira não são captadas pela cultura artística, principalmente as de natureza popular.
A segunda é se uma dada produção cultural tem que atender a critérios estéticos, sem o que não seria considerada como artística. Ou se todas as manifestações culturais devem ser reconhecidas como parte da cultura nacional. Neste sentido a música funk, sertanejo ou rock nacional seriam reconhecidas tanto quanto as bachianas e demais obras de Vila Lobos.
A terceira é se a cultura artística se confunde com a economia criativa, ou se é apenas uma parte dessa. A aceitação implicaria em reconhecer a produção cultural como um elemento econômico, parte integrante da economia brasileira, como um todo. O que leva a uma discussão sobre a importânc…

A ilusão do poder no Estado (IV)

Com a nomeação de Roberto Alvim, o grupo ideológico, orientado por Olavo de Carvalho, ampliou o seu espaço dentro do Governo, completando o tradicional eixo educação e cultura.
O grupo comanda ainda o Ministério das Relações Exteriores,a Secretaria Geral e o Ministério do Turismo. Conta ainda com a adesão do Ministério de Damares Alves. No conjunto, uma parcela menor do Governo Bolsonaro, mas mais estridente e visível.
Na Secretaria da Cultura Roberto Alvim tentou implantar uma política cultural pela predominância - talvez absoluta - de uma antropocultura nacional reacionária por ser antiprogressista, dominada por crenças religiosas, ideológicas e ademais de cunho nacionalista. 
A cultura artística deveria - a ver dele - ser a expressão por meios estéticos, dessa cultura nacional conservadora.
Ao copiar  concepção, texto e forma de apresentação de Joseph Goebbels obteve efeito contrário ao desejado, por atingir o ponto mais sensível da cultura judaica, muito presente no Brasil.
Ao tentar p…

A ilusão do poder no Estado

Os não políticos ou os que não passaram por cargos públicos de direção, tem uma visão ilusória e sonhadora sobre o poder no Estado: "se eu for Ministro, faço, aconteço, mudo tudo e ajudo o Brasil a melhorar". 
Alguns tem realmente bons propósitos, como parece ser o caso da atriz Regina Duarte, uma celebridade muito aceita como "namoradinha do Brasil", ao aceitar o "namoro" com Bolsonaro em relação à Secretaria Nacional da Cultura.
Em tese, o âmbito da Secretaria seria a "antropocultura nacional", ou seja, o conjunto de visões de mundo, de comportamentos e ações de toda a população humana brasileira. A qual não é unitária, monolítica, com muitos segmentos, mas alguns traços comuns. O principal é a unidade de idioma. 
Na prática a ação estatal se restringe à "cultura artística, isto é, a produção e uso cultural caracterizada como artística: produção de livros, de peças teatrais, de filmes, músicas e outras peças audio-visuais, manifestações popu…

Valendo-se da sociedade do espetáculo

O mundo contemporâneo é pautado pela sociedade do espetáculo. A sociedade organizada mundial tem mais interesse em saber o que está e vai acontecer com o ex-casal real da Inglaterra do que o que vai acontecer com a mesma Inglaterra, deixando a comunidade europeia, no final do mês. Davos é matéria que só interessa a um reduzido número de pessoas, embora sejam detentores de mais da metade de toda riqueza do mundo. O que não sensibiliza ou emociona as pessoas, em geral. No Brasil, as grandes reformas estruturais na economia, a desigualdade social, as questões ambientais e outras mais passaram para segundo plano com o namoro de Regina Duarte com Jair Bolsonaro ou vice-versa, em torno da nomeação dela para a Secretaria da Cultura. O objetivo político de Jair Bolsonaro não é resolver os problemas da cultura brasileira, mas – em primeiro lugar – ofuscar o prestígio popular de Sérgio Moro. Ele está - como prioridade pessoal e momentânea – reduzir o protagonismo do seu ainda Ministro da Justiça…

A grande feira de Davos

O Fórum Econômico Mundial, em Davos, tornou-se a maior feira de exposições de investimentos, onde Governos montam os seus estandes e apresentam os seus discursos e power points, com as oportunidades de investimentos em seus países ou estados para atrair banqueiros, gestores de fundos, empresários capitalizados.
O Brasil nem sempre se dedicou a esse mister, com alguns governos até contra o maior ingresso de capitais estrangeiros, com o lema "O Brasil não está à venda!"
Jair Bolsonaro faz parte dessa turma nacionalista, com grande penetração nas hostes militares. 
No entanto, diante da restrição de recursos públicos para investimentos, foi instado por Paulo Guedes a ir a Davos, logo no início de seu mandato, para vender as oportunidades de investimentos no Brasil. Foi um desastre.
Decidiu nem ir em 2020 para não passar por novo vexame, mas autorizou Guedes a "vender o Brasil".
Dória, um profissional da área de eventos, não quer perder a oportunidade de ser expositor e &qu…

Os evangélicos na politica

Os evangélicos na política são ainda um grande mistério, pouco entendido pelos cientistas políticos, como se viu no programa Painel deste final de semana, na Globonews, sob a segura condução de Renato Lo Prete.

O avanço da comunidade evangélica no Brasil não ocorre de cima para baixo, mas avança pela base, aproveitando uma condição real da sociedade brasileira: a extrema desigualdade econômica e social. Os evangélicos vem ocupando o espaço dos católicos na classes mais baixas. Não por razões religiosas, mas pelo acolhimento emocional dos mais pobres. 
A catequização é um elemento importante para a "conquista das almas", mas é o "acolhimento 24 horas" o fator mais importante.
A catequização é feita a partir de fascículos escritos na Bíblia Sagrada, mas considerando a amplitude do analfabetismo (total ou funcional) como eles podem acompanhar? Ai entra o papel do pastor e dos seus auxiliares que transmitem aos crentes a leitura, agregando ao texto a sua interpretação ou …

Um morto vivo ambulante

Lula foi um grande líder político que levou e manteve o campo político da esquerda ao poder em todos os níveis, gerando uma grande base eleitoral que ainda remanesce, sem muita clareza de qual é o seu tamanho atual.
Preliminarmente deve-se diferenciar entre eleitorado adepto e simpatizante. Os simpatizantes nem sempre consagram o seu voto diante da urna eletrônica - se é que vão votar - nos candidatos nitidamente de esquerda.
O campo da esquerda sempre teve e ainda tem líderes ideológicos, os quais nem sempre tiveram sucesso eleitoral.
Lula nunca foi ideologicamente de esquerda, mas que com o seu discurso "consumista", carisma pessoal, sua capacidade de perceber os anseios dos seus interlocutores domina o eleitorado dos adeptos e simpatizantes de esquerda e tem uma base que o torna competitivo para uma disputa eleitoral. 
A autopercepção dessa condição o leva a assumir uma posição autoritária de mando absoluto do seu partido e de comando do campo politico da esquerda, subordinan…

O futuro do bolsonarismo

O bolsonarismo tem várias fases históricas, mas sempre com uma linha mestra: a polêmica. A partir de provocações pessoais. 
A primeira foi eminentemente pessoal, enquanto ainda oficial subalterno do exército, operando como líder sindical em defesa da sua classe, mobilizando esposas, irmãs, mães dos militares. Para chamar atenção promoveu atos explícitos de insubordinação, gerando polêmicas.
Instado a sair do Exército migrou para a carreira política, inicialmente na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e depois por  7 mandatos sucessivos na Câmara Federal.
A sua base eleitoral sempre foi da base da carreira militar, até os oficiais subalternos, defendendo a melhoria dos soldos e das condições de atuação. A eles agregou os policiais civis e militares, sempre na perspectiva sindical de melhoria das suas condições de remuneração e de trabalho. Assumiu uma posição de defesa do regime militar de 64 e dos seus principais protagonistas, provocando polêmicas.

Pensamento e discurso

O então Secretário da Cultura, expressou rigorosamente o pensamento de Jair Bolsonaro a respeito da cultura nacional: uma cultura nacional definida por uma suposta maioria que levou à eleição daquele, subordinando a minoria derrotada: "será isso ou então não será nada".
Ao se inspirar e reconhecer ter se inspirado no pensamento do regime nazista, consubstanciado no Ministro da Propaganda do regime, Joseph Goebbels, atingiu uma ferida até hoje não fechada de um eleitorado poderoso, que não faz alarde mas tem grande poder político: a comunidade judia.
David Tobelén, de família judia, que poucos o conhecem com esse nome, foi obrigado a logo se manifestar, como o primeiro Presidente Judeu do Senado, onde prefere ser conhecido com Davi Alcolumbre. Outras lideranças políticas e da comunidade judia se manifestaram e pressionaram o Presidente Bolsonaro a demitir Alvim. O fez, não por discordar das idéias, mas pelo erro de parafrasear o mais odiado dos nazistas. Se fosse pelo pensament…

Governando para uma minoria, supostamente maioria

Jair Bolsonaro, por ter sido eleito com a maioria dos votos válidos em 2018 acha que representa a maioria do povo brasileiro e governa para atender aqueles que o apoiaram ou votaram nele. Esta suposta maioria é altamente fragmentada e, supostamente, uma grande parte não votou a seu favor, mas para evitar o retorno do PT ao poder. Neste começo do ano atuou a favor de dois desses fragmentos e contra um dos que não o apoiam. O primeiro foram os evangélicos, com a tentativa de reduzir os custos com energia dos grandes templos, favorecendo algumas denominações que adotam, como estratégia de marketing, ter grandes igrejas fartamente iluminadas ao longo de toda noite. É o caso da Igreja Universal do Reino de Deus e de outras menores. Pouco favorece aos templos católicos que, a menos de período de festas, fecha e apaga as suas luzes, durante a noite. Atender aos grandes templos e controlar a concessão de benefícios é relativamente fácil, dado o diferencial de consumo. Já em relação aos pequenos…

Lições apreendidas

Como um ex-tecnocrata velho, algumas vezes responsável pela elaboração e controle do orçamento do Governo de São Paulo, tenho muitas histórias para contar. As esqueci, mas fatos atuais me relembram algumas.
No início dos anos sessenta, ainda menino recém formado em Administração Pública, com algum conhecimento de orçamentos públicos, fui incumbido de cuidar do orçamento de investimentos, então organizados no Plano de Ação, do Governo Carvalho Pinto. 
Para garantir a integridade das propostas formuladas pelo Grupo de Planejamento e afastar as mudanças do legislativo, o mecanismo foi usar as emendas  individuais ao orçamento  de parlamentares . Foram definidas  pequenas quotas individuais, para o parlamentar definir a sua aplicação, de forma a atender aos pleitos da sua base eleitoral. 
Concedia-se o "agrado" e o orçamento de investimentos era aprovado, na sua integridade, sem acatar qualquer emenda substancial. 
Esse modelo, adotado ou desenvolvido por São Paulo se espalhou pelo …

Dependendo do rompante do decisor

As coisas não acontecem por iniciativa de movimentos coletivos. Esses são reações a decisões monocráticas de decisores com poder. Tais decisões tem os seus seguidores que o acompanham, segundo o “efeito manada” e os contestadores, que podem alcançar a condição de maioria. Cada vez mais assistimos a decisores que tem rompantes emocionais, criam um fato consumado e depois, buscam ajustes a partir do novo contexto. O início do ano foi tomado pela decisão de Trump de mandar matar um general iraniano e criar um cenário no Oriente Médio. É preciso voltar um pouco ao passado, para entender o presente e as perspectivas futuras: por que os EUA ocupam militarmente várias bases em países do Oriente Médio? Supostamente para evitar eventuais ataques terroristas. Mas a sua presença é anterior a essas manifestações. A razão mais clara era garantir o suprimento de petróleo e gás para os EUA, com diversidade de fontes, para conter eventuais movimentos altistas. Com a expansão da produção de P&G a part…

Cenários Bolsonaro 2020. em 2020

Jair Bolsonaro começou o ano “a todo vapor”, no exercício do que entende ser o seu papel de Presidente da República: “Aqui que manda sou eu, talquei”. Não interferiu no aumento da carne, mas quer controlar o eventual aumento do diesel. Determinou à ANEEL que parasse com a tal “taxa do sol”, afirmando que a Agência Reguladora é independente, mas não soberana. Soberano é ele. Todos dentro do Governo devem obediência a ele, “talquei”. Se não determinou expressamente, o fez indiretamente, assumindo a nota do Itamaraty de apoio as ações de Trump, contra o Irã. Talvez esteja aproveitando que os demais poderes estejam de férias, para ser o único poder da República que já retomou plenamente as suas atividades. Dando vezo à sua natureza de despachante de interesses corporativos decidiu dar um aumento a policiais do DF, abrindo “a porteira” para a pressão dos demais servidores públicos, contra o congelamento dos salários. Terá a equipe econômica contra, mas essa também não retornou inteiramente à a…

Acidentes de percurso

A economia brasileira evoluiu positivamente, ainda que lentamente, até novembro de 2019, tornando-se cada vez mais dependente do consumo das famílias. 
Todos os demais itens da demanda, que "puxam" a evolução da economia fraquejaram. O consumo do Governo está contido pelas medidas de equilíbrio fiscal, embora sigam crescendo, por conta dos parcelamentos de reajustes dos servidores públicos, concedidos ainda pelos Governos do PT e dos encargos da Previdência. Os investimentos, tanto públicos, como privados estavam contidos por falta de confiança no futuro e por inseguranças jurídicas. As exportações de commodities não evoluíram fortemente, por conta da guerra comercial entre os EUA e a China, abalando todo o comércio mundial. As exportações industriais brasileiras ancoradas nas operações com a Argentina sofreram um grande baque com a crise financeira do país vizinho.
O consumo das famílias depende, fundamentalmente, da massa salarial e com o elevado nível de desemprego, as pers…

Um novo Davi , jã velho

Uma das características principais da "velha politica" é a eleição do político como despachante de interesses comunitários, com votos em redutos eleitorais por levar a estes benefícios pontuais. Sejam unidades de saúde ou de educação, pontes, asfalto e outros, através das suas emendas parlamentares. Atuam ainda junto aos órgãos públicos federais para a destinação de recursos e execução de programas para os mesmos redutos. 
Em geral, permanecem à sombra, dentro do "baixo clero", raramente emergindo para o "alto clero". David Alcolumbre Tobelén é uma das exceções.
Quando foi eleito para a Presidência do Senado, em fevereiro de 2019, festejado como uma grande renovação, por ter derrotado Renan Calheiros, colocamos um post "Um novo Davi, não tão novo", texto incluído na segunda edição do meu livro "Até onde a vista alcança", pgs 79 a 81, mostrando que a sua trajetória política era típica da "velha política".
Ao final do ano de 2019,…

Número de candidatos em 2020

Espera-se um número recorde de candidatos às eleições de 2020, o que geraria, segundo analistas, uma forte dispersão de escolhas pelos eleitores, assim como dos recursos financeiros.
As contas agregadas em nível nacional não são significativas, a menos para a Justiça Eleitoral, para a qual o número de candidatos eleva os seus custos. As eleições de 2020 são municipais e cada eleitor com domicílio eleitoral num município só pode votar no candidato igualmente domiciliado no mesmo município. Será uma eleição altamente fragmentada dentro de mais de 6.000 municípios, de diferentes tamanhos. Não será uma eleição nacional, como a presidencial, nem mesmo estadual como a de deputados federais, embora essa seja a de maior impacto sobre as eleições municipais.
A enorme desigualdade do número de eleitores por município, faz com que qualquer análise nacional com base em municípios maiores não faça sentido. Por exemplo, não se pode avaliar as perspectivas das eleições de 2020, a partir do que pode oc…

Populismo econômico

2020 começa com lançamento de mísseis contra a economia brasileira: as intervenções do Presidente da República. No primeiro ano de governo Jair Bolsonaro pouco interferiu nas decisões governamentais sobre a economia, mantendo a posição de “ignorante na matéria” e deixando o seu “Posto Ipiranga” conduzir todas as proposições e articulações. Não assumiu o comando da aprovação da Reforma da Previdência, interferindo apenas a favor das corporações policiais e militares. Mas com a sua aprovação, apropriou-se dessa, transformando-a no maior feito econômico, do seu primeiro ano. Aparentemente interferiu para criar estímulos ao consumo, mesmo com as resistências da equipe econômica. Promoveu a liberação do FGTS, o que teria dado certo, levando a uma reação da economia, nos dois últimos meses. Achou que pode comandar a economia. Com a crise gerada pelo conflito EUA x Irã quer administrar o eventual impacto do aumento do petróleo, no preço da gasolina e do diesel. Mais deste do que do outro, para a…

O apoio dos evangélicos

Entre os grupos de apoio de Bolsonaro  o mais importante - eleitoralmente - seria dos evangélicos pelo volume de eleitores.
Não há, no entanto, unanimidade entre eles nas preferências políticas. 
Algumas denominações (ou igrejas) estariam fechadas com Bolsonaro, em função da adesão dos seus líderes, mas outras - entre as maiores - mantém certa independência. Não há, por enquanto, evidências de alguma oposição.
As lideranças evangélicas se unem num ponto comum: não pagar impostos. Agora não querem nem pagar as conta de luz.
Ou seja, em 2022 os eleitores evangélicos poderão ou não votar a favor da reeleição de Jair Bolsonaro.
Uma parte seguirá as orientações dos pastores e líderes maiores, outra seguirá os sentimentos pessoais. Esses serão de gratidão ou de decepção.
De um lado estarão os que entendem que Jair Bolsonaro fez um governo a favor dos princípios defendidos pelos evangélicos, colocando Deus e a família em primeiro lugar. Colocou-se contra os desvios gerados pelo progressismo, como …

Aos inimigos nada

O titubeio de Jair Bolsonaro em relação ao Fundo Eleitoral para 2020 tem uma razão simples: mudança de perspectiva do uso dos recursos pelos seus aliados e seus inimigos. O bolsonarismo, encarnado na figura do mito Jair Bolsonaro, promoveu a eleição de uma importante bancada para a Câmara Federal, em 2018, o que lhe propicia uma elevada participação na distribuição dos fundos públicos para os partidos. As verbas são proporcionais ao número de deputados eleitos, o que significa que cada deputado eleito gera um ativo, mas não pertence a ele. Pertence ao partido. Se ele se transfere para outro partido, dependendo das condições da transferência, pode levar o ativo para o novo partido. A bancada bolsonarista foi eleita predominantemente dentro do PSL que, dessa forma, tem a maior parcela do Fundo Eleitoral para gastar nas eleições municipais de 2020, embora nem todos os deputados que geraram o ativo estejam diretamente envolvidos nas campanhas. Com os recursos o PSL pode promover a eleição de…

Retomar o rumo

Por diversas vezes o Brasil tentou mudar o rumo da sua economia, mas acabou desistindo, voltando a insistir no modelo tradicional baseado no seu mercado interno, na dinâmica do consumo da sua população. O resultado tem sido uma economia estagnada, com algumas variações e uma recessão prolongada a partir de 2014.
A dinamização pelo mercado consumidor atual terá efeitos limitados. 
A dita "massa salarial" que é o conjunto dos rendimento dos trabalhadores que é mantido como poupança, investido em aplicações financeiras ou usado para consumo vinha caindo pela redução do volume de empregos e das contenções dos reajustes. 
Diante da insegurança, em relação ao futuro, parte dessa massa ficou "entesourada", tampouco foi acrescida por financiamentos pessoais. Ao contrário, com os financiamentos tomados anteriormente  a juros elevados, parte dessa massa ficou comprometida com o pagamento de juros, reduzindo a capacidade de consumo.
Com a redução dos juros para o consumidor, o qu…

O mercado brasileiro de consumo

Apesar de uma enorme população, a massa consumidora do mercado brasileiro sempre foi relativamente pequena, abrangendo uma parcela menor da população total.
Até o início dos anos 90 era formada por uma pequena elite de fazendeiros e comerciantes, movimentando um mercado de produtos importados, em contrapartida às exportações de commodities florestais, minerais ou agrícolas. 
Esse modelo, com reflexo no poder, foi questionado por uma geração de jovens militares e civis, de classe média, que assumiram o poder, em 1930 e iniciaram a promoção da industrialização e da incorporação da classe média no mercado de consumo. 
Formou-se um circuito virtuoso, com uma indústria produtora de bens anteriormente importados, contratando trabalhadores no Brasil que transformaram os seus salários, preponderantemente em consumo e investimento em bens duráveis e imóveis.
A par da ascensão social de um segmento da população remanesceu uma grande parte fora do mercado, seja sobrevivendo com uma produção de subsi…