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domingo, 19 de março de 2017

Um porto madero incompleto

Recife está aproveitando os investimentos públicos e privados na tradicional área portuária, para buscar a revitalização do seu centro histórico. 

Na área portuária, junto ao Marco Zero reformou e modernizou os armazéns, para instalar lojas e restaurantes, à semelhança do Puerto Madero, em Buenos Aires: o Porto Novo Recife.

Agradável e seguro na parte interna, não oferece as mesmas condições na parte externa. Ao lado de uma avenida de grande movimento, escuro e calçadas irregulares, é inseguro e pouco convidativo para acesso.

Apesar de outras intervenções na Ilha do Recife,  o conjunto gastronômico do Porto ainda não promoveu a revitalização da região. 

A revitalização da região portuária de Buenos Aires, não decorreu apenas do conjunto gastronômico-cultural de Puerto Madero, o ícone mais visível. No entorno foi desenvolvido um grande polo empresarial, com novos prédios para escritórios  - visível na foto ao lado -  e, paralelamente, um conjunto de parques. 

O potencial germinador de um "Porto Madero" depende das intervenções pública e privadas no entorno. No caso do Recife, um dos poucos empreendimentos imobiliários implantados foi envolto por grandes contestações de movimentos sociais e ambientais: as Torres Gêmeas na área do Cais Estelita.  Não teve sequência na modernização imobiliária.

A revitalização da área do Porto do Recife, corre o risco de sucumbir à continuidade da crise econômica. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Os equívocos e ilusões que povoam os programas de concessão

Com a escassez de recursos públicos, os Governos - em todos os níveis - se "agarram" nas concessões de serviços públicos ao setor privado.
Apesar da mudança na Presidência, as equipes do novo Governo mantém muitos dos paradigmas que inviabilizaram as concessões anteriores. Acrescidas de ilusões.
O primeiro é que os serviços públicos a serem concedidos são excepcionais negócios em que há um grande interesse privado em assumir o negócio.
O segundo de que o risco principal é o da segurança jurídica e que - em sendo assegurada, em contrato - todos os problemas futuros seriam resolvidos. Os problemas com concessões já contratadas e pendentes demonstram que as resoluções juridicas são desastrosas para ambos os lados: concedente e concessionário. 

O maior equívoco, já apontado aqui é entender as concessões como forma alternativa de contração de obra pública. A pressa anterior decorria da pressão das grandes empreiteiras para ter continuidade na sua carteira de obras. Com os impedimentos delas, em decorrência da Operação Lava-Jato, não mais existe essa intensa pressão. 

Outro equívoco é confundir necessidade, ou déficit, com demanda.  O déficit só se transforma em demanda, quando o preço de sua eliminação tem um custo menor que o benefício. Custo é objetivo, beneficio é um fator subjetivo: sujeito a interpretações emocionais. 

E ainda há o risco cambial. Com a redução da participação do BNDES e os elevados custos e menor prazo dos financiamentos nacionais, a expectativa é do ingresso de recursos externos. 

Parte-se mais uma vez de ilusões. Há excesso de capitais disponível no mundo e os chineses estão ávidos para investir. Mas eles querem investir em dólar e receber em dólar, ou em yuan.

Podem ser criados diversos mecanismos derivados para minimizar os riscos. O mais objetivo é assegurar que a receita - ou parte dela - das concessões seja denominada em dólar, ou qualquer outra moeda forte. 

Essa condição só é viável para concessões que estejam relacionadas com exportações. 

O Governo, supostamente pró-mercado quer mostrar serviço e para isso quer fazer das concessões um vitrine. Mas corre o risco de ter uma vidraça, a ser quebrada.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Serviços "tradables" e "nontradables"


"Tradables" são produtos comercializados mundialmente, sem fronteiras, de tal forma que os produtos locais enfrentam a concorrência dos produtos de fora.
"Non tradables" são produtos vinculados a um local, como a construção de uma casa, de uma usina hidroelétrica ou um serviço de transporte urbano de passageiros. Os serviços às pessoas ou às famílias tem que ser prestados onde os clientes estão, não estando sujeitos à concorrência externa.

Mas a tecnologia da informação vem mudando essa conceituação. Um serviço pode ser prestado, mesmo distante do usuário. 

Outra mudança substancial está na visão concorrencial a partir dos gastos alternativos do consumidor ou usuário final. Isso fica evidente na avaliação da concorrência dos serviços turísticos. A concorrência não é entre um hotel e outro, mas de um polo receptor de turistas e outro, sendo que podem estar dentro do mesmo país ou em países diferentes. 

Um turista brasileiro ao se hospedar num hotel estrangeiro está importando serviços. Ao contrário um turista estrangeiro se hospedar num hotel brasileiro, corresponde a uma exportação por parte desse. É um comércio externo de serviços, envolvendo bens materiais fixos (o imóvel do hotel), mas que não passa pelas alfândegas.

A atividade de turismo não compreende apenas os serviços prestados aos turistas no Brasil, mas os gastos dos turistas brasileiros no exterior e, nessa perspectiva, aquela é altamente deficitária, influindo negativamente na formação do PIB.


 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A economia do Carnaval

Nestes dias em que o Brasil pára e o povo se diverte, qual é o impacto do carnaval para a sua economia em crise?
Apenas uma pausa, para esquecer as agruras da realidade?
Uma queda na atividade econômica, pela  paralisação  da  produção industrial e de serviços?
Um aumento da atividade comercial pelas compras de produtos carnavalescos e consumo das bebidas?
Um aumento do PIB do setor hoteleiro?
Uma injeção adicional de recursos pelos gastos dos turistas estrangeiros para participação no carnaval?

O carnaval puxa a produção, gera milhões empregos - ainda que temporários - movimenta a economia, em volumes não desprezíveis. Mas o impacto conjunto sobre o PIB ainda não foi medido.  

A paralisação de 2,5 dias úteis, tem uma repercussão negativa macroeconômica ampla. O exemplo da Copa do Mundo em 2014 foi bem ilustrativa, nesse sentido. Depois de realizada e levantadas as contas, a Copa foi responsabilizada pela queda do PIB nesse ano.

Com a ampliação de participação da população nos folguedos carnavalescos, ampliando a perseguição aos trios eletricos em Salvador ou ao Galo da Madrugada no Recife e, agora, com os milhões de cariocas nos blocos e também em São Paulo, os otimistas calculam a movimentação de milhões de reais com o Carnaval de Rua. O que compensaria as perdas com os feriados. Será?



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

pão, circo e ... carnaval

"Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão". Diz o ditado popular.
Então, os Governos para obter apoios das famílias despossuídas distribuem o pão, na forma de bolsas e acrescentam o circo. Assim, todo mundo se alimenta - ainda que minimamente - e se diverte.
No Brasil os políticos aproveitam o  Carnaval para propiciar o circo e ter retorno em votos.
Mas esse circo vem sendo embranquecido, elitizado e segregado. Nascido negro a mídia o transformou em "carnaval espetáculo" para participação também dos não negros. E cada vez mais globalizado e caro: transformado num grande negócio, voltado para os turistas.
Na Bahia o carnaval é de rua, com os foliões indo atrás dos trios elétricos. Mas há o que ficam dentro, tendo que pagar de R$ 300 ou mais para comprar os abadás. Quem não pode comprar só pode acompanhar a passagem dos trios elétricos, separados por cordas. São os "foliões pipoca".
Para democratizar o carnaval e propiciar a inclusão social o Governo do Estado resolveu contratar a grande estrela do carnaval, Ivete Sangalo, para um bloco sem cordas, sem segregação
A sua contratação, coadjuvada com o cantor Bell Marques, por um suposto valor de R$ 840.000,00 vem causando reação e polêmica dentro da população baiana. Predominantemente pobre e negra.
Num Estado com elevado nível de desemprego e miséria, com carência de serviços públicos básicos, principalmente da saúde pública, é adequado concentrar os recursos públicos para tão poucos, em nome da ampliação da participação do povo no circo?

domingo, 15 de novembro de 2015

E o que será de Mariana?

A tragédia de Mariana traz comoção e prioriza as ações emergenciais de salvamento e atendimento aos desabrigados. Além das medidas de remediação ambiental e identificação das causas do acidente.

Mas também é necessário se pensar sobre o futuro de Mariana, sem a sua maior fonte de renda e de emprego. Como Mariana irá se sustentar econômicamente sem a exploração das suas minas?

Deverá voltar a ser apenas uma cidade histórica? Nesse caso como irá se posicionar com Ouro Preto, para a captação de turistas? Ser concorrente ou ter uma ação conjunta para que os turistas visitem as duas cidades? Hospedem-se, façam refeições e gastem nas cidades.

A outra base de renda será a "massa salarial" dos inativos, aposentados e pensionistas da SAMARCO. Os gastos dessa população, desde que permaneçam no Municipio, poderão ser a base da sua sustentação econômica e gerar uma nova dinamização.

Dependerá do espírito empreendedor da população desempregada na busca de uma fonte alternativa de renda.

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Colapso do modelo brasileiro

A crise que estamos passando é a manifestação do colapso de um modelo de vida introvertido e consumista.
O brasileiro médio quer viver bem dentro do Brasil, com acesso pleno a todos os produtos mundiais e poder ainda viajar ao exterior, onde tudo seria mais barato. Pelo menos enquanto o dólar estava baixo.

O brasileiro não quer ficar na dependência das commodities, acha que é preciso agregar valor e exportar mais manufaturados.

Esse grande ilusão está se esfacelando com a crise atual. Agrega valor com a industrialização e não  vende. Por não estar preparado para vender.

Ou o Brasil, muda de estratégia, saindo pelo mundo - não para comprar, mas para vender - ou não sairá da crise. 

O consumismo internacionalizado do brasileiro não pode ser sustentado pelas commodities. Simplesmente porque é insustentável.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Uma economia de idosos

Há um deslumbramento dos menos idosos com um futuro em que os idosos serão maioria da população.
Eles se deslumbram quando descobrem que a vovó está no whatsapp ou no facebook. Em 2050 isso será absolutamente normal e não causará nenhum espanto para os jovens. O que eles vão fazer é criar novos softwares, novos aplicativos para não se misturar: com os idosos do futuro que são os jovens de hoje, inteiramente ligados na tecnologia da informação.
O envelhecimento da população trará, inevitavelmente, duas novas circunstâncias: um maior número de pessoas sem saúde (ou com alguma doença) e a maior disponibilidade de tempo, com dinheiro.
Os dois maiores setores da economia no futuro poderão ser o dos cuidados com a saúde e o do lazer.
Como esses setores irão evoluir com os avanços tecnológicos e como podemos nos preparar para esse novo mundo?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Quem vai pagar a conta?

Mesmo  com os impactos concretos da realização da Copa da FIFA no Brasil, positivos em parte e negativos de outro, os Governos procuram manter um otimismo perverso e iludir a sociedade
a um ano do inicio das Olimpiadas de 2016.

Anunciam impactos positivos sobre o PIB, escondendo o que Governo e economistas disseram no inicio deste ano sobre a frustração de crescimento do  PIB em 2014. A culpa toda foi da Copa, em função dos feriados, reduzindo a produção industrial e os dias de compras.

O maior legado da Copa de 2014 foi uma imensa dívida dos Estados e Distrito Federal que insistiram em sediar os jogos e  estão com um elefante branco imponente e ocioso ou arenas deficitárias em que mesmo com grandes públicos e entregues ao setor privado é o Governo quem tem que pagar as dívidas com o BNDES.

O principal legado prometido para a sociedade que seriam as obras de mobilidade urbana foi frustrado, com obras inacabadas e outras nem iniciadas. Quando os Governos Municipais e Estaduais se deram conta de que a montanha de dinheiro prometido pelo Governo Federal não era de graça, mas empréstimos da Caixa Economica recuaram.

O Rio de Janeiro, pós Olimpíadas vai ficar com um monumental conjunto de elefantes brancos e uma enorme dívida que vai recair sobre os contribuintes cariocas.

Os investimentos não tem retorno próprio e os empréstimos terão que ser pagos no futuro com o dinheiro dos impostos. Os novos Prefeitos, sem caixa suficiente terão que aumentá-los.

Quando a conta chegar o arrependimento será inútil.



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Legado da Copa 2014

Quando o Brasil foi escolhido ainda em 2008, como sede da Copa do Mundo de 2014, confirmando um critério de realizar as copas de 2010 e 2014 em países emergentes, grandes expectativas foram criadas. 


O resultado em junho, julho de 2014 beirou ao desastre quase total.

O PIB não só não cresceu os 3,5% adicionais, como ficou estagnado. E a Copa do Mundo foi apontada como a grande culpada pelo fracasso do PIB, por conta de meia dúzia adicional de feriados.


Estádios ficaram prontos, mas carregando grandes dívidas, as obras de mobilidade urbana não ficaram prontas, os turistas que vieram foram os vizinhos , gastando muito pouco ea seleção da CBF amargou um 1x7.

Como as esperadas manifestações de contestação foram contidas, avaliou-se que a organização foi exemplar.
Diante da frustração de expectativas, o Governo e a FIFA acenaram com os benefícios do "Legado da Copa".

Para a FIFA foi muito boa, com um lucro nunca antes obtido. Para ela a Copa no Brasil foi realmente a "Copa das Copas", deixando as dívidas a serem pagas pelo Brasil.

A Justiça Norte-americana, da mesma forma que a Justiça paranaense, puxando o "fio da lavagem de dinheiro", vai evidenciar um mega esquema de corrupção na FIFA, mas que o desenrolar do fio vai mostrar uma grande concentração de operações atípicas ou "malfeitas" na CBF e de seus ex-dirigentes junto à FIFA.

E com elas o uso de parte  dos recursos apropriados a políticos para evitar investigações. Que agora tornaram-se irreprimíveis. 

Vai sair muita lama no Congresso.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Vila Madalena

O ponto final do bonde Vila Madalena, ficava antes subida final da Fradique Coutinho. Quando lá chegava os bancos eram virados. O bonde aberto, andava pelos dois lados. 
A Vila Madalena fez parte da minha adolescência. Tinha primos que moravam pouco além do ponto final. Numa daquelas casas "germinadas". Para complementar a renda funcionavam como pensão abrigando jovens estudantes.
Não sei mais onde localizar. As casinhas lá foram substituidas por edifícios de apartamentos. Meus primos se mudaram e eu também. 
Voltei algumas vezes, mas não lembro porque. Mas uma delas sim, embora não lembre porque fui levar o carro para consertar na oficina do Genésio. Na Fidalga, quase na Aspicuelta. Gostei dos serviços e passei a usá-lo sempre que o carro aparesentava algum problema. Troquei de carros, mas não de oficina. Mas depois mudei e deixei de levar. Um dia soube que ele havia fechado a oficina. E que seu filho tinha aberto uma oficina especializada em escapamentos. Quando tive um problema de escapamento levei lá. O Robson, o filho, ampliou os negócios, passando a atender mecânica e voltei à família. Os carros da família vão todos lá. O local da antiga oficina do Genésio viou um bar, com o nome dele. Não é dele, mas o nome sim. Ele era uma figura lendária da Vila Madalena.  Por causa do bonde essa irmã ficou conhecida que a Beatriz e Ida só conhecidas mais recentemente, quando também viraram linha de ônibus. Fazem parte da lenda das Vilas.

A Vila mudou, os estudantes foram para lá, depois de despejados do CRUSP. Frquentando os poucos barzinhos foram gerando um mercado para novos bares, num processo de crescimento contínuo, atraindo os estudantes de outros bairros. Com a demanda foram abertos restaurantes, atraindo outros comensais, com mais recursos, moradores de todos os bairros e turistas. A Vila, com as suas apertadas virou um ponto turístico.

Manteve, no entanto, a convivência com os moradores, satisfeitos com a melhoria do bairro, a disponibilidade maior de serviços, mas também contrariados com a dificuldade de locomoção e barulho.

Durante a Copa, a Vila sofreu uma invasão. Os turistas estrangeiros descobriram um local para se divertir sem gastar muito. Se os estabelecimentos estavam cheios a alternativa era a rua, com muita cerveja. O problema era o despejo do excedente.

Junto com uma população disposta a se divertir, vieram os "descontrolados" que bebem além da conta e entre eles os vândalos. Não vão apenas para se divertir. Vão para beber e aprontar. Beber demais é apenas desculpa para explicar o vandalismo. 

Durante a Copa já havia ocorridos incidentes que obrigaram a presença da Prefeitura e da Policia Militar. Além dos vândalos, um dos principais conflitos eram com os "mijões".

Não obstante, a Prefeitura resolveu transformar a Vila num ponto de encontro da população durante o Carnaval. Promoveu a Vila. levou os blocos e atraiu mais gente, sem ter montado um esquema adequado para as multidões. O resultado foi uma sucessão de tumultos e vandalismo. E a invasão das casas para as "necessidades básicas".

Só depois do ocorrido  as autoridades tentaram ordenar e controlar. 

E gerou um conflito entre os moradores e os frequentadores dos bares e restaurantes. A Vila é muito pequena para abrigar os blocos.
O carnaval de rua está aumentando e deve ser promovido, mas organizado. A Vila deve ser um ponto, mas não o central. Depois dos problemas a Prefeitura descobriu que a melhor área é o Largo da Batata.

Robson é um dos lideres dos moradores em defesa da Vila. Pede o meio apoio e aqui o faço. 

Mas a situação é crítica e requer muita atenção, para evitar efeitos indesejados. O excesso de gente e a presença dos vândalos, irá afastar muitos frequentadores. Poderá se tornar um local maldito, proibido aos filhos pelos pais. A demanda poderá cair e muitos estabelecimentos poderão não aguentar. A concorrência entre eles se tornará acirrada. É preciso achar o ponto de equilibrio.

É preciso  eliminar os vândalos profissionais, porque os amadores que bebem demais são controláveis. Aqueles não: já vão com más intenções, mas logo passam a ser conhecidos. É preciso proibí-los de frequentar a Vila, como já ocorre com membros de torcidas organizadas. 

Medidas restritivas de caráter geral, em nome da igualdade, dos direitos humanos e da democracia, levará à decadência da Vila. Não é preciso criminalizar o vandalismo. Esse já é tipificado. É preciso que as leis sejam cumpridas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

2016 vai repetir 2014?

Até começar a Copa do Mundo da FIFA, o Governo, as consultorias contratadas e os "especialistas" diziam que com o evento o PIB brasileiro iria "bombar", com crescimento adicional de 1,5 % só por conta daquele, além do "crescimento normal". Depois a Copa do Mundo passou a principal vilã do baixo crescimento.

O Brasil foi tomado pela euforia, quando escolhido para ser a sede da Copa da FIFA, ainda em 1997. E teve o repeteco com a escolha do Rio de Janeiro, como sede das Olimpiadas de 2016. Houve uma grande elevação da auto-estima e a sensação de que o mundo "se curvava ao Brasil" e reconhecia a sua importância.

Ao final de 2014, o ano da Copa do Mundo, a sensação é de frustração. Não só pela goleada sofrida contra a Alemanha, mas porque o legado da Copa é negativo: passou a ser visto como a responsável pelo baixo crescimento da economia, quando se esperava que ela fosse impulsionar a economia. 

As obras para a Copa atrasaram, mas não fizeram falta. A Copa foi usada para acelerar a sua contratação e execução, mas verificou-se que era um argumento falso. As que ficaram prontas, como o Terminal 3 de Guarulhos, mal foram usadas. A mobilidade urbana nas cidades da Copa não melhorou. Os prometidos metrôs e trens urbanos ainda não estão à disposição da população, para melhorar a sua locomoção diária. Há poucas exceções, para trechos parciais. A vida dos cidadãos nas sedes da Copa não melhorou. 

Mas nem tudo é ruim. Com os novos estádios - apelidados de arenas, o que não são - aumentou o público dos jogos de futebol. A audiência cresceu significativamente. Estamos tabulando os últimos dados que serão consolidados após a última rodada do Brasileirão. Mas os dados parciais já mostram o crescimento. As rendas também aumentaram, com elevação do ingresso médio. Bom de um lado, porque vai permitir a amortização dos investimentos feitos com os estádios. Ruim de outro porque significa um aumento generalizado dos valores dos ingressos. No jogo decisivo da Copa do Brasil havia ingressos avulsos a preço oficial de R$ 1.500,00.

Há uma efetiva elitização do público do futebol, saudado pela classe média, que pode voltar aos estádio com a família, filhos menores, com menos riscos de violência. A televisão não cansa de mostrar mocinhas e rapazes bonitos nas arquibancadas.

Por outro lado, o "povão" reclama dos ingressos populares,  com um piso de R$ 50,00. Mas continuam indo, proporcionando público e rendas recordes em Minas Gerais, Porto Alegre e principalmente em São Paulo.

Voltando às perspectivas de 2016. Os Governos vão acreditar e difundir mensagens otimistas estimando resultados fabulosos com a realização das Olimpiadas? Em Londres - 2012 ocorreu o fenômeno que se repetiu no Brasil com a Copa do Mundo. Caiu o turismo de negócios, que ocupa os hotéis e gasta mais e subiu um turismo mais popular, pernoitando fora dos hotéis e comendo nos restaurantes populares de R$ 1,00 ou nos quilões? Isso se repetirá em 2016?

O Rio de Janeiro vai ser invadido por mochileiros, como os que vieram para a Jornada Universal de Juventude, ou os hermanos caracois, trazendo a casa nas costas? 

Os caríssimos hotéis do Rio de Janeiro vão ficar lotados, ganhando muito, ou vão ficar ociosos? Quantos terão que fazer promoções de última hora para aumentar a ocupação dos seus leitos? 

Os comerciantes que acreditaram nas projeções do Governo, compraram muito dos chineses, acabaram ficando com estoques encalhados vão investir novamente, ou vão ficar retraidos?

Os empreendedores que acreditaram na propaganda otimista do SEBRAE e outras entidades, começando ou desenvolvendo negócios vão ousar a investir? Ou vão ficar retraidos?

Não haverá clima de otimismo e euforia antes das Olimpiadas. Mas como ocorreu com a Copa do Mundo, poderá haver um febre olímpica no período mais próximo e durante os Jogos, de muito entusiasmo e festa. Cada medalha conquistada pelo Brasil será saudada por muitos. Se for de ouro por multidões e fogos, como gols decisivos.

Os medalhistas dourados vão virar celebridades. E a sua cidade natal conhecida mundialmente. E depois? Qual será o legado?

O que pode ser feito antes para garantir um legado positivo?

sábado, 30 de agosto de 2014

A Conta da Copa chegou!

O Governo Federal tocou o bumbo antes e durante a Copa. Antes contratou diversas consultorias para prever o impacto positivo da Copa na economia brasileia, apontando crescimentos adicionais de até 1,5% que somado ao crescimento "normal" levaria o PIB de 2014 a elevadas taxas, em torno de 5%.
Contestamos sempre esse excesso de otimismo, com registros neste blog.
Durante a Copa o Governo alardeou o sucesso da Copa das Copas. Foram, inegavelmente belos momentos, empanados pela vergonha da seleção brasileira em campo na fase final. Mas o fato real é que o Brasil sediou uma grande Copa e Ângela Merkel agradece muito à sua colega que propiciou a ela e aos alemães uma magnífica festa.
O Governo não titubeou em mostrar os números de turistas durante a Copa. Os estrangeiros no Brasil foram muitos, mas gastaram pouco. Para escamotear esse número desfavorável, misturaram com os gastos dos turistas brasileiros. 
Porém, enquanto milhares de "hermanos" invadiam o Brasil com os seus motorhome, gastando pouco, centenas de endinheirados brasileiros foram "torrar" o seu dinheiro no exterior, fugindo da Copa, e gerando um enorme déficit na balança cambial do turismo. São dados do Banco Central.

Agora com a divulgação do pífio resultado da evolução do PIB brasileiro no 2º trimestre de 2014, com variações negativas, o Governo responsabiliza a Copa, com os seus feriados, pelos maus resultados.

A conta da Copa das Copas chegou. Com a "vingança" dos pessimistas.

Em vez das elevadas taxas de crescimento, previstas pela EY, FGV, FIPE e outras tantas - a maioria mediante contratos milionários - o impacto real da Copa sobre a macroeconomia brasileira é negativa.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Profecias auto-realizadas

A Presidenta vem repelindo, com a sua habitual irritação, as previsões pessimistas do mercado e de analista políticos, contrapondo a essas o que ocorreu com a Copa.
As previsões pessimistas foram de que "ia dar tudo errado", maculando a imagem externa do Brasil e causando a maior vergonha:

  • os estádios não iriam ficar prontos, levando ao cancelamento de alguns obrigando a remanejamentos;
  • as obras de mobilidade urbana não ficariam prontas, gerando problemas de mobilidade e de acesso aos estádios;
  • nos dias de jogos as cidades iriam parar, com os congestionamentos;
  • o comércio teria perdas com os feriados e restrições nesses dias;
  • as obras dos aeroportos não ficariam prontas, gerando caos com o maior afluxo de turistas;
  • haveria brigas dentro dos estádios, entre as torcidas, com quebra-quebras;
  • haveria tumultos fora dos estádios, com os anti-copa e os black blocs promovendo manifestações que acabariam em vandalismo;
  • a falta de segurança generalizada afastaria os turistas, com grande volume de cancelamentos;
  • a elevação dos preços dos hotéis e dos restaurantes e dos produtos em geral ampliaria a impressão de que o Brasil é um país caro, para os turistas estrangeiros;
  • muitos turistas viriam atraidos pelo turismo sexual e, finalmente, 
  • a seleção da CBF não passaria das oitavas de final: mesmo que passasse da primeira fase, seria derrotada pela Espanha ou pela Holanda.
Muito das previsões pessimistas se efetivaram, mas foram abafadas pelas ocorrências favoráveis que geraram uma imagem positiva de organização da Copa da FIFA.

Os estádios não ficaram inteiramente prontos, mas com o essencial para a realização dos jogos. A falta do padrão FIFA foi abafada e esta teve que desembolsar -  a contragosto - o seu dinheiro para completar instalações temporárias. Não houve necessidade de nenhum remanejamento.

Das obras de mobilidade urbana programadas apenas uma pequena parte foi concluída à tempo, mas não causaram grandes transtornos a não ser em algumas cidades, como Natal. 

As obras dos aeroportos não ficaram prontas, com algumas exceções. Não houve caos e as que ficaram prontas tiveram subutilização porque os turistas de negócios que são os principais usuários dos voos aéreos deixaram de vir.

As manifestações contra a Copa foram abafadas por ação preventiva e repressiva das autoridades de segurança.

Muitos compradores prévios de pacotes da Match cancelaram os seus pedidos, dando origem à comercialização paralela de ingressos dos jogos das fases finais.

Mas acabaram vindo mais turistas do que o esperado, dada a invasão dos "hermanos" da América do Sul e também dos mexicanos. Mas foram os europeus que chamaram mais atenção.

Os turistas estrangeiros ficaram com a impressão de que o Brasil é um país caro e o turismo sexual andou solto, tanto o profissional como o não. 

Os levantamentos vão confirmar que o PIB ao invés de aumentar, como estimava o Governo, vai confirmar as previsões pessimistas, com queda no ano e, especificamente, nos meses de junho e julho.

Finalmente a seleção da CBF acabou passando das oitavas, não tendo que enfrentar nem a Espanha como a Holanda. Avançou na Copa América superando o Chile e depois a Colômbia, mas acabou sucumbindo de forma trágica e vergonhosa perante a Alemanha.

Mas nem a fragorosa derrota perante a Alemanha e depois contra a Holanda, superaram a imagem positiva promovida pelo povo brasileiro que, com a sua alegria e hospitalidade, encantaram os turistas e a mídia internacional que cobriu a Copa no Brasil.

A grande esperança de Dilma, x, é que nas eleições se repita o processo.

Mesmo que as previsões pessimistas sobre a economia e sobre o quadro geral do país se efetivem, o povo votaria pela alegria, pela esperança: e ... nela.

O problema de Dilma "uma mulher à beira de um ataque de nervos" não encarna essa alegria e essa esperança.

Nem os seus principais opositores. 

domingo, 27 de julho de 2014

Quem organizou a Copa das Copas (para os alemães)

A Copa do Mundo da FIFA de 2014 foi um grande sucesso. Só não foi para a seleção de futebol da CBF, que representou o Brasil na competição.
O Governo se gaba de ter organizado a Copa das Copas. Mas de quem foi efetivamente a organização da Copa?
Como já comentamos anteriormente, a Copa tem diversas dimensões, cada qual com a sua organização. Como administrador, por formação e consultor em organização, por profissão, tenho o viés de ver a organização como um processo programado, e não como resultado de processos aleatórios e circunstanciais, que acabam dando certo.

Dentro dessa ótica quem organizou com sucesso da Copa da FIFA de 2014 foi o povo brasileiro com o seu jeitinho brasileiro. 

O Governo não organizou a Copa e a sua parte não foi cumprida, mas não empanou o sucesso, em parte, porque não era necessária.

A organização da FIFA deixou muito a desejar, mas o sucesso nos gramados e nas arquibancadas encobriu todas as falhas. Ela mesmo reconheceu algumas, mas ao final uma nota em torno de 7, numa escala de zero a dez seria razoável.

O resultado da organização da CBF foi marcado pelas humilhantes derrotas perante a Alemanha e a Holanda.

Ao Governo Federal coube apoiar a construção ou reforma de 12 estádios para receber os jogos. 
O Governo Federal não empreendeu as obras de nenhum estádio. Foram todos feitos pelos Governos Estaduais ou pelos clubes. O Governo Federal apoiou com financiamentos e benefícios fiscais.
Ainda que incompletos os estádios construidos ou reformados  foram suficientes para abrigar os jogos, em maiores problemas. Ficaram, como principal legado, enormes dívidas que não serão pagas com as arrecadações dos jogos, a menos do Itaquerão, mesmo assim a longo prazo. E no caso dos Governos Estaduais comprometeram receitas futuras.

O Governo Federal não cumpriu a sua parte nos aeroportos, mas não houve maiores problemas, porque não era essencial.

As pessoas do ramo sabiam e aqui também comentamos oportunamente que haveria uma redução substancial do movimento aéreo e aeroportuário no periodo da Copa por conta da suspensão dos eventos geradores do turismo de negócios. 

A dúvida era se o movimento turístico para a Copa compensaria a dimiunição do movimento para negócios. 

Compensou, mas não acrescentou. Ou seja, o movimento aeroportuário dos meses de junho e julho ficaram pouco abaixo dos anos anteriores. Não houve o caos que alguns - por ignorância dos fatos - alardearam. 

O Governo e a Infraero usaram a Copa para estabelecer regimes diferenciados para acelerar as contratações, mas já se sabia, no momento das contratações, que a maior parte das obras não ficaria pronta para a Copa. Só duas concessionárias de aeroportos acreditaram que os prazos eram para valer. E o Terceiro Terminal de Guarulho ficou pronto e vazio durante a Copa. Não era e não foi necessário.

Das obras de mobilidade urbana poucas eram essenciais para a Copa. Nenhuma ficou pronta completamente. O Governo cuidou de promover inaugurações parciais. Mas não eram e não foram necessárias, com exceção de Natal. 

Se as obras não ficaram prontas, mas não comprometeram a organização da Copa, o que aconteceu?

Simples. Não eram necessárias. A Copa foi usada como pretexto para financiar a execução das obras que estavam nos planos e não conseguiam começar. Com a expectativa da Copa começaram, mas agora que a Copa passou, a dúvida é quando vão terminar.

Ao Governo Federal, em apoio aos Governos Estaduais e Municipais coube a segurança fora dos Estádios. Houve uma grande mobilização, mas a atuação do Governo Federal não foi necessárias. Mas ajudou a reequipar as Forças Armadas. 

A Polícia Federal foi mobilizada e preparada para diversos cenários catastróficos desenhados de ataques ou problemas com as delegações. Nenhum desses ocorreu ou foi abortado, sem que a sociedade tomasse conhecimento.

Os Governos Estaduais deram conta, com ações preventivas - incluindo as repressivas prévias - das manifestações populares contra. Fora da cobertura pela televisão a maioria da população brasileira não viu nem soube dessas manifestações.

Então, se a preparação foi falha, a organização da FIFA teve falhas e a organização da equipe da CBF um fracasso, porque o resultado e a imagem final foi de uma "tremenda organização" pelo Brasil da Copa de 2014?

Por que não ocorreram problemas maiores, os turistas estrangeiros foram muito bem recebidos pelos brasileiros ficando encantados com a hospitalidade e, tirando os fracassos da Espanha, no início, e do Brasil no final, a Copa, em termos futebolísticos foi a Copa das Copas. 

Na organização da Copa da FIFA de 2014 funcionou a famosa "lei de Murphy" ao contrário: "se alguma coisa podia dar errado, não deu. E se alguma coisa poderia dar certo deu." As zebras pastaram à vontade nas fases iniciais, mas acabaram devoradas pelos leões, nas fases finais. 

Tudo funcionou na base do jeitinho brasileiro. Só não funcionou com a CBF que resolveu montar um time europeu.




quinta-feira, 24 de julho de 2014

O jeitinho como forma de vida

O jeitinho brasileiro salvou a Copa. Só não salvou a seleção da CBF. Agora ela quer dar o seu jeitinho trazendo Dunga de volta. Não vai recuperar o desempenho da sua seleção. 
Ressalte-se aqui que na Copa do Mundo da FIFA quem representa o país é a seleção da CBF, uma entidade, supostamente, privada e sem fins lucrativos.

A Copa no Brasil mostrou que a principal atração do Brasil para os turistas estrangeiros é a forma de viver do brasileiro. Para eles o "brazilian way of life": muita alegria e muita festa.

Para os turistas estrangeiros o Brasil é o "pais do futebol e do Carnaval". Imagem que muitas autoridades queriam esconder e superar por outras. Mas o que atrai os turistas estrangeiros é aquela.

O Brasil precisa assumir a condição de um país com povo alegre, hospitaleiro e festeiro. 

Poderá, com isso, se transformar num dos principais pontos turísticos mundiais, porque essa condição é rara no mundo. 

O Brasil tem praia e sol. Mas isso muitos outros países também tem, com muito melhor infraestrutura. 

Mas brasileiro, bem brasileiro, só aqui. Por obra e graça de Deus (segundo uma velha anedota).

O Brasil precisa aprender com um dos mais espertos baianos, ora comemorando 100 anos do seu nascimento, que fez da sua preguiça um grande negócio.

O Brasil pode transformar o "jeitinho brasileiro" num grande negócio: o que vai dar muito trabalho e precisará de muita dedicação.

O futebol brasileiro era marcado pelo talento e pela alegria. A seleção da CBF foi montado com uma seleção de gente que joga na Europa, ficou emocionado demais no Brasil e nada jogou. 

O Dunga anão era alegre, bem brasileiro. O da seleção continua carrancudo. 

O Brasil precisa de um técnico que promova a alegria, que deixe os seus jogadores jogarem, como sabem. 



sábado, 19 de julho de 2014

Não vai ter Copa

"Não vai ter Copa"... Em 2022 no Catar.
A FIFA tem um grande problema que precisará resolver, no mais tardar, até o final do próximo ano: a sede dos jogos da Copa do Mundo  em 2022.
De momento a sede está definida, mas sob graves suspeitas de corrupção. 
Agravada pelos problemas ocorridos com a comercialização dos ingressos que chega próximo ao coração da direção da FIFA, ela precisará de muito esforço e muita negociação para confirmar a sede de 2022. A maior dificuldade poderá ser com os seus patrocinadores que ficaram muito temerosos com a sua participação na Copa do Brasil, mas acabaram se dando bem. O risco delas é perda de mercado na Europa se a sua marca ficar marcada pela ligação ou até patrocínio da corrupção: "Tome Coca-Cola que já vem com um ingrediente adicional: uma pitada de corrupção".

Enfrentará também a oposição (embora não seja tão forte) das Confederações européias, submetidas a intenso calor em alguns jogos da Copa no Brasil. A promessa do Catar é construir estádios fechados e climatizados. 

Terá ainda a resistência da mídia internacional porque os jornalistas terão que enfrentar percursos não climatizados, ao contrários dos jogadores e delegações que somente circularão em ônibus climatizados. 

A mídia internacional, por enquanto, não é favorável à realização da Copa de 2022 no Catar e tenderá a pressionar a FIFA para mudar o local. A sua grande arma é a difusão das notícias desfavoráveis, como trazer novos casos de corrupção.

Se a FIFA tiver que mudar o local irá buscar um país que esteja preparado para sediar os jogos, sem maiores problemas. 

A China será uma natural candidata, mas precisará se preparar inteiramente, apesar de ter sediada os Jogos Olímpicos de 2008. A sua parte futebolística é apenas um pouco melhor que a do Catar. Mas estão se organizado para se tornar uma potência mundial como fizeram com a economia. Levaram jogadores brasileiros experientes com Aloisio e Wagner Love. E agora o técnico Cuca, com a conquista da Libertadores com o Atlético Mineiro. E agora estão em São Paulo para um programa de intercâmbio.

Os europeus serão naturais candidatos, mas a preparação poderá envolver altos custos que os governantes das economias em crise poderão não desejar. A Inglaterra e a Alemanha seriam as principais candidatas, mas dificilmente a Alemanha seria escolhida, por questões políticas do mundo do futebol.

Os EUA poderiam ser uma forte candidata, dentro da tendência de ampliação do interesse da sua população pelo soccer. Tem enormes arenas multiuso que seriam adaptadas para jogos de futebol, como ocorreu em 1994. 

A política da FIFA não é repetir a curto prazo a sede, mas há um antecedente que é o México que recebeu a Copa de 70 e teve outra em 86, com a desistência da Colômbia. 

Mas diante dos riscos de crise, poderá vir a optar por essa solução e nesse caso o Brasil seria uma alternativa.

Apesar dos percalços e realizou a "Copa das Copas", e tem 12 estádios prontos. A FIFA só precisa de 8. 

Se o Brasil receber a Copa em 2022 terá uma festa maior porque irá coincidir com o bicentenário da sua independência. Com exceção da Bahia. Mas o 2 de julho cairia exatamente durante o período da Copa. 

Já que a Presidenta Dilma se vangloria de ter organizado a Copa das Copas deveria começar a batalhar para ser a alternativa para 2022. Com isso, pelo menos, diluiria os elevados gastos com os Estádio por duas Copas e as obras de mobilidade urbana que foram prometidas para a Copa poderiam ficar prontas. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...