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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Tudo muito simples

 A Ford Motors Co tem unidades de montagem e produção de auto-peças, tanto no Brasil, como na Argentina, instlando a sua cadeia produtiva, regional e não nacionalmente.

Os carros de entrada, montados no Brasil são vendidos na Argentina, como nacionais, tanto quanto o Focus, comprados pelos brasileiros, como produto nacional, é montado na Argentina.

A Argentina tem uma economia dolarizada, o que significa que quando o Brasil importa da Argentina, paga com um dólar acima de R$ 5,00, apenas com vantagens tarifárias em relação a uma compra dos EUA.

Com a globlização e mundialização das cadeia produtivas, todos os carros montados, em qualquer país, tem um baixo índice de nacionalização. Todos os países se especializam em alguma das partes, onde são mais competitivos e importam dos demais o que é mais vantajoso. 

A Ford do Brasil, como as demais montadoras aqui instaladas, fazem grandes importações e os custos dos seus carros estão sujeitos às variações cambiais.

Com a sua produção voltada quase totalmente para o mercado interno, o preço precisa subir enquanto a renda ou remuneração do potencial comprador fica estável.

Para não elevar demasiadamente os preços, o que afetaria o nível de venda, a empresa absorve a diferença, como prejuizo tolerável e temporário.

Quando a variação é excessiva ou excessivamente demorada o prejuizo se torna intoleravel e a empresa prefere parar a produção e deixar de vender do que continuar absorvendo os prejuizos. É uma das razões da Ford, para o fechamento das suas fábricas no Brasil.

Mas por que mante a produção na Argentina? Porque ela vende no equivalente ao dolar e a renda dos compradores também. As variações são relativamente menores, os prejuizos mais toleráveis.

Simpes assim.

A solução está na dolarização da economia? Não

A solução é evidente e está sendo praticada pelo agronegócio. Aumentar as exportações. 

A conformação produtiva e comecial do agronegócio faz com que os seus negócios sejam dolarizados. Mas tem impactos internos quando produtos de exportação são vendidos também no mercado interno.É o caso da carne.

Mas não é o caso do arroz e do feijão em que os aumentos são dos aproveitadores, que nem importam, tampouco exportam. 

Mais simples ainda.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Uma boa intenção, mas duvidosa

 Na aprovação do projeto de lei que estabelece a autonomia operacional do Banco Central, foram estabelecidas duas missões adicionais ao BC para o qual ele não conta com instrumentos adequados, tampouco fundamentos teóricos.

Diz o projeto que:

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental [de estabilidade de preços], o Banco Central do Brasil também tem por objetivos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”,

São meras intenções políticas, ou "jabutis oficiais" para mitigar a oposição ao projeto.

O papel fundamental do Banco Central é de governança monetária, sustentado por teórica, ou cientifica segundo os economistas e instrumentos para tal, como a definição da taxa de juros básica, intervenção no mercado de câmbio, volume de dinheiro em circulação no país, gestão das reservas monetárias do país, regulação e controle do sistema bancário e afins, mais outras atividades pertinentes.

Em relação à suavizar as flutuações do nivel da atividade econômica, trata-se de orientar a política monetária para conter flutuações excessivas, que - em  geral - ocorrem por fatores externos. 

Requer uma boa gestão da politica monetária, sem a contaminação de interesses políticos imediatistas, vale dizer "populistas",  dai a importância da autonomia do Banco Central. 

Já em relação à fomentar o pleno emprego, há pouca ou nenhuma base teórica/científica para utilização da política monetária como instrumento de interferência no mercado de trabalho.

Sua atuação em relação ao mercado de trabalho seria indireta, a menos que extrapolasse as suas atribuições para adentrar em outros campos da política econômica.

Dois seriam os principais formas de atuação indireta: evitar flutuações cambiais de valorização do real, o que poderia conter as exportações, com impactos sobre a atividade produtiva voltada para o mercado internacional e, consequentemente, os empregos vinculados a essas atividades. 

No mercado interno já tem atuado na redução da taxa de juros para incentivar as compras a prazo. Só tem tido resultado positivo no mercado imobiliário de classes de renda mais alta. 

Vem ocorrendo um aumento dos empregos no setor, mas insuficiente para melhorar os índices agregados de emprego.

A construção não é o maior emprgador, como se imagina.

O comércio de automóveis estaria com maior aquecimento no segmento dos seminovos, comprometendo o dos carros novos que impulsionam a produção. E o Banco Central tem pouco a fazer, em relação a isso, embora seja uma situação conjuntural. 

Nos demais setores menos impactados pela taxa de juros, com prevalência das compras à vista a recuperação é lenta, o que indicaria a ineficácia da politica de juros para fomentar o pleno emprego.

O fator mais importante do tripé monetário, fundamento da ação de um Banco Central autônomo está em não intervir para sustentar a valorização do real, ou - o que é o outro lado da moeda - para evitar a desvalorização do dolar, que tem dominada a visão populista política. 

Jair Bolsonaro, embora um populista, tem dado independência ao Ministro da Economia e ao Banco Central, para manter uma política de não intervenção, o que pode dar maior segurança às empresas para aumentarem as suas exportações. 

O agronegócio tem respondido favorável e rapidamente, enquanto a indústria ainda está reticente, com receio de se aventurar mais amplamente no mercado internacional.

Nesse sentido o cenário decorrente da autonomia do Banco Central seria mais promissor. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Uma inflação clássica

  Com uma prolongada estagnação da economia, após uma recessão, mantendo um elevado nível de desemprego, o desequilíbrio entre uma oferta ampliada para atender a uma recuperação da macroeconomia e uma demanda reprimida provocou a desinflação dos preços.

O Brasil chegou a uma estabilidade monetária, não obstante um acentuada elevação cambial, decorrente da movimentação de capitais, com o exterior, acentuada pelas ações especulativas do mercado.

Com a pandemia do coronavirus SARS-COV 2, retendo as pessoas em casa, a demanda geral foi contida, com exceção dos gastos básicos com a alimentação, suprida - em grande parte - pelas entregas a domicilio, ou compras locais, sem problemas maiores de abastecimento e impacto nos preços. A produção agropecuária brasileira era suficiente para atender ao mercado interno e ainda exportar.

Um primeiro grande impacto ocorreu ainda no final de 2019, quando a China, começou a recompor ou seus estoques, importando mais carnes bovinas e suínas, principalmente do Brasil, provocando um substancial aumento dos preços internos. Na sequência os preços refluiram, mas não inteiramente. 

A concessão de um auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 a  cerca de 80 milhões de pessoas, com uma injeção de mais de 100 bilhões de reais para o mercado da pobreza gerou uma inflação  nos preços dos alimentos básicos, movidos pelas ações dos produtores e comerciantes para recuperação dos seus preços, contidos durante a recessão e estagnação. Como sempre, acentuada pelos movimentos especulativos.

Colocaram a culpa nas exportações e essa narrativa tem sido aceita para enfatizar os efeitos benéficos do auxílio-emergencial e mascarar os danos colaterais. 

O fato real é que parta do auxílio-emergencial foi "comido" pelos aumentos de preços, notadamente no arroz, feijão - que não tem grandes volumes de exportação - e nas carnes e agora no óleo de soja - que sofrem o impacto das exportações.

O arroz e o feijão podem ser importados, mas com o "dólar nas alturas", os preços continuarão elevados. As reduções só ocorrerão com as novas safras.

Com a nova onda do coronavirus na Europa e a eventual vitória de Biden, nos EUA, gerando  a expectativa de retomada comercial com a China, as exportações brasileiras não seguirão o mesmo ritmo de 2020, gerando estoques, em alguns produtos que serão "desovados" no mercado interno a preços promocionais.

Internamente, não há condições fiscais de sustentar o mesmo volume de auxílios à população mais pobre, a menos que o Governo mude a sua posição de proteger os rendimentos e ativos dos mais ricos, considerados essenciais para os investimentos.

Tais acontecimentos atuais irão se refletir na contenção da inflação de alimentos, já no início de 2021.

Mas o processo inflacionário disparado pela inflação dos alimentos, diante da retomada geral das atividades econômicas poderá recrudescer em 2021.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O "agro-humanista" é o futuro do Brasil

Os grandes produtores de grãos já semearam a produção da nova safra, a qual deverá alcançar novos recordes, impulsionado pelos bons resultados da safra deste ano. 

Por outro lado, o mundo estará demandando os grãos e outros produtos do agronegócio para atender a consumos maiores por alimentos, além da reposição de estoques.

Diante da pandemia e, principalmente, vencida a pandemia, depois dos cuidados com a saúde, a principal prioridade dos Governos será a segurança alimentar. Um amplo desabastecimento de alimentos, ou forte aceleração nos preços dos mesmos, "derruba Governos".

Para muitos países, com carência de terra e de outras condições para a produção agro-pecuária o Brasil é a "tábua de salvação".

É uma grande oportunidade para o Brasil. 

Mas vê-la apenas pela dimensão econômica leva ao risco da especulação, da exploração indevida da oferta brasileira e organização ou fortalecimento de cartéis e monopólios. 

Será terrível, mas não está fora de risco, o aproveitamento daqueles que só querem ampliar os seus ganhos e deixar milhões de pessoas sem comida, porque não chegarão a elas.

Sem a incorporação da dimensão  humanista, no sentido de destinar as grandes produções do seu agronegócio para vencer a fome no mundo, as contestações mundiais - usando os argumentos ambientais - serão crescentes.

Por outro lado, o agronegócio humanista ajudará a melhorar a imagem internacional do Brasil. 


domingo, 18 de outubro de 2020

A missão humanitária do agronegócio

 O agronegócio brasileiro é indubitavelmente um grande sucesso produtivo e econômico. Enfrenta contestações ambientais, mas tem uma missão mundial, mais ampla, que precisa ser melhor entendida pela sociedade brasileira: contribuir decisivamente para acabar com a fome no mundo.

O mundo já tem 7,5 bilhões de pessoas e, segundo a FAO, em 2019, ainda 690 milhões passaram fome. 

A população mundial continua crescendo e poderá chegar a 9 bilhões em 2035 e 10,5 em 2050 (segundo as estimativas da ONU).

A população  dos países de renda alta tende à redução progressiva e ao envelhecimento da sua população, sendo cada vez mais exigente em relação à saudabilidade dos alimentos.

Os países de renda média manterão pequeno crescimento, no conjunto, mas não de forma uniforme. O Brasil tende a seguir a tendência dos ricos, enquanto China e outros países asiáticos ainda seguirão crescendo, ainda que a taxas menores.

Os maiores crescimentos serão em países de renda baixa, principalmente na África e na Ásia, onde a perspectiva é de parte da população ainda passe fome.

Mesmo em países de renda média como o Brasil, dada a desigualdade de renda, parte da população ainda passará fome. Segundo a FAO, no período 2017 a 2019, antes da pandemia do novo coronavirus, 43 milhões de brasileiros teriam passado fome.

O Brasil é o país que tem as melhores condições para ajudar a eliminar a fome no mundo. Além das condições climáticas favoráveis, através da tecnologia passou a aproveitar terras anteriormente improdutivas. E conta com empreendedores inovadores, dispostos a investir continuamente, no aumento  da produtividade e melhoria da qualidade dos produtos.

Para efetivar o aumento da produção de alimentos e cumprir a missão humanitária contra a fome precisará superar diversos desafios:

  1. viabilizar e reduzir o custo logístico que encarecem o preço dos alimentos na ponta final para o consumidor, tornando-os inacessíveis, para os mais necessitados;
  2. aumentar a produção, sem promover desmatamento, utilizando preferencialmente (ou exclusivamente) áreas degradadas, mediante uso intensivo de tecnologia para a sua recuperação;
  3. superar a imagem negativa em âmbito internacional do agronegócio, em relação ao impacto ambiental;
  4. processar os seus insumos alimentares em comida pronta ou semi-pronta para consumo, uma vez que as pessoas precisam comer a comida pronta e não as matérias-primas;
  5. garantir a saudabilidade dos alimentos;
  6. evitar a monopolização ou  cartelização  (ou garantir a livre concorrência) na comercialização ou processamento dos alimentos;
O principal protagonismo no enfrentamento dos desafios deve ser do próprio agronegócio, com apoio institucional do Estado. Não pode esperar por iniciativas do Governo, mas sair à frente e conquistar o apoio  da sociedade urbana brasileira.

Não bastam campanhas de que Agro é tech, agro é pop. É preciso demonstrar que Agro é sustentável e que Agro tem missão humanitária.

Agro é solução contra a fome, ou Agro é o fim da fome. 

Mas até alcançar essa condição será necessário superar os desafios acima referidos.

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O agro como capitalização da indústria

  No passado os excedentes da acumulação de capital do café, um produto agricola, financiou a instalação da indústria brasileira. Não apenas uma indústria processadora de produtos do campo brasileiro, mas de uma gama diversificada de produtos voltada para o mercado interno. Os principais produtos do complexo agro-pecuário-florestal industrializados foram o algodão, para os tecidos, a madeira, para os móveis, entre os não alimentos e o açúcar, as carnes e o leite entre os alimentos. Umas das principais indústrias alimentícias, dessa fase inicial foi do trigo, cuja matéria prima era toda importada.

A indústria cresceu e se diversificou em torno de produtos metalúrgicos e derivados de petróleo, superando em muito a participação da agropecuária dentro do PIB.

A indústria brasileira foi fruto do capital do agronegócio. Com essa capitalização promoveu e impulsionou o crescimento macro da economia brasileira.

O próspero agronegócio brasileiro poderá exercer e novo esse papel e agora financiar a reindustrialização brasileira? 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O agronegócio como propulsor da economia

 A agropecuária brasileira segue em grande expansão, superando os obstáculos e atendendo às demandas nacionais e mundiais.

Na parte nacional o aumento dos preços dos alimentos, com maior visibilidade para o arroz e feijão, foi debitado à insuficiência da produção e, consequentemente, da oferta, diante do forte crescimento da demanda provocada pelo auxílio emergencial. No período, houve um aumento da produção desses alimentos, mas teriam ocorridos problemas logísticos, associados à especulação. Aparentemente o mercado se equilibrou, com a demonstração de que a agropecuaria brasileira tem total capacidade de atender às demandas nacionais e ainda ter grandes excedentes para suprir o mundo.

Enfrenta contestações ambientais, mas já surgiram contestações sobre o seu "poder de fogo" macroeconômico.

Os defensores do agronegócio alegam que este representa entre 24 a 30% do PIB, mas isso somando toda cadeia produtiva, inclusive os "chefs de cusine" que preparam os pratos sofisticados servidos aos "gourmands nacionais". Já teria chegado a esse nível de 30%, mas vem decrescendo não só em função do crescimento de outros setores, mas também pela perdas na agroindústria. Essa envolve os alimentos assim como os não alimentos.

A agropecuária, no sentido estrito, abrangendo as lavouras e a pecuária, atividades tipicas do campo, representariam apenas 6 a 8% do total do PIB.

Isso se explica por serem atividades iniciais da cadeia produtiva, com baixo custo/valor agregado e o PIB soma apenas os valores adicionados aos dos produtos anteriores.

O segmento moderno, que hoje representa a maior parte, tem elevada produtividade da terra, com a introdução de modernas tecnologias e equipamentos modernos. Reflete-se na produtividade da mão-de-obra, o que significa, em contrapartida, menor volume de trabalhadores e menor efeito-renda (a renda adicional gerada pelos gastos com os salários dos trabalhadores.

O volume maior de trabalhadores na agropecuária, mostrada nas estatísticas oficiais decorre da agricultura familiar, ainda com baixa produtividade, tanto da terra como do trabalho. O que se reflete no maior contingente de trabalhadores, supostamente um benefício social maior. A maior parte da produção da agricultura familiar é consumida no mercado interno, com pouca participação das exportações. 

O agronegócio tem na sequencia da cadeia produtiva, parte ainda no campo, de uma industrialização dos produtos. Para efeito do PIB, já é incluída como indústria, portanto fora dos 6 a 8% da agropecuária estrita.

O processamento da cana para produção de açúcar ou etanol, a produção de carnes, seja de aves, suinos ou bovinos e a produção de suco de laranja, apenas para citar alguns dos principais produtos de exportação do agronegócio, já são indústria e não mais agropecuária. Não estão no setor primário da economia, mas no secundário.

A principal agregação de custo/valor aos produtos do campo ou mesmo da industrialização inicial, não está - com se supõe no processamento dos produtos, mas nos serviços, principalmente na logística e na comercialização, tanto no atacado como no varejo.

Do valor final pago pelo consumidor nos supermercados ou quitandas apenas uma pequena parte é da fazenda. A maior parte ocorre pós porteira em serviços.

Isso gera uma contradição ou paradoxo: se o custo logístico for reduzido, com ganhos de produtividade, a soma dos valores adicionados do setor deverá cair, reduzindo o impacto relativo do agronegócio dentro do PIB. 

Esse quadro é relevante para avaliar a força do "motor" do agronegócio para promover um crescimento sustentável da macroeconomia brasileira.

Com uma participação atual, mais próxima de 20%, um crescimento de cerca de 10% no agronegócio representaria apenas 2% do pib.

O motor do agronegócio teria maior capacidade de impulso, na medida em que agregasse mais trabalhadores, os quais com a sua renda impulsionasse outros setores, não diretamente vinculados ao agronegócio. Por exemplo, uma compra maior de carros de passeio, de eletrodomésticos ou de imóveis. 

Como a agropecuária tem baixa geração quantitativa de empregos essa geração de  empregos precisa ocorrer nos outros segmentos da cadeia produtiva, principalmente na indústria e na logística.

Mas tanto em um como em outro é preciso melhorar a produtividade, para gerar mais trabalho, mais emprego é preciso aumentar substancialmente a produção e vendas.

Não bastará aumentar as vendas para o mercado interno, uma vez que a recuperação geral do consumo das famílias, ainda tem sido lenta. O "boom" dos alimentos  decorrente do auxílio emergencial deverá refluir, com a redução dos valores e eventual descontinuidade.

O agronegócio terá que expandir a sua participação no mercado global, com produtos de maior valor adicionado. Sem isso o impulsionamento do agronegócio terá efeito reduzido sobre o crescimento do PIB.


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

E dai?

  •   O discurso de Bolsonaro transmitido na abertura da Assembleia Geral da ONU, parcialmente virtual, foi destinada ao mundo, mas mirou mesmo o público bolsonarista nacional. O qual teria ficado exultante, eufórico com a apresentação, para que o mundo conheça a verdade. 

E dai! poderá responder o mundo, parafraseando a expressão habitual de Bolsonaro.

O mundo ajudará a combater a conspiração que alguns países e grupos  estão tramando contra o Brasil? Irá ajudar o Governo Brasileiro a reconstruir o país?

O Brasil que Bolsonaro apresentou ao mundo, é de um país que alimenta o mundo, sem estar desmatando. 

O que é fato, é verdadeiro. Com os sucessivos ganhos de produtividade, o agronegócio cresce absurdamente, enquanto a área ocupada por esse, para cultivo e criação, é praticamente estável.

Não obstante, outros segmentos ou grupos continuam promovendo o desmatamento. Embora não seja de responsabilidade direta do agronegócio, o fato é que o desmatamento que estava em queda, voltou a subir, sendo usado para comprometer o agronegócio brasileiro nos mercados externos. Com o apoio interno de grupos ambientalistas e outros que se opõe ao crescimento do agronegócio e à dependência cada vez maior do desenvolvimento brasileiro das exportações de commodities, que tem baixo valor por peso.

 O Brasil que Bolsonaro apresenta ao mundo é um país pleno de oportunidades de investimentos, apesar de uma conspiração internacional de grupos insatisfeitos com os rumos ideológicos do seu Governo e que usam a desinformação ambiental para comprometer a sua imagem.

Para Bolsonaro e seu governo o importante é o mundo dos investidores, não o mundo dos ambientalistas. Para ele esse mundo continua confiando no Brasil e investindo no Brasil. A pandemia teria prejudicado o fluxo, mas com as medidas adotadas pelo Governo e pelo Congresso Nacional, como as recentes aprovações dos marcos regulatórios do saneamento e do gás, com os processos de desestatização em andamento os luxos voltarão a crescer. 

Confirmando que o mundo dos investidores continuam confiando no Brasil. Pensamento positivo, pensamento mágico, "wishful thinking" ou perspectivas reais? 

O mundo quer conhecer a realidade. Ou vai se guiar por Bolsonaro ou por grupos ambientalistas, ambos distorcedores da realidade, difundindo "fake news".

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Aposta no agronegócio - segura ou arriscada?

A agropecuária-florestal brasileira vem apresentando um bom desempenho, que se acentuou com a pandemia do novocoronavirus, promovendo o aumento da participação do agronegócio no PIB e indicando que poderá - dentro da retomada da economia - ser o novo motor do crescimento.
É uma boa ou má aposta "jogar as fichas" nesse setor? É seguro ou arriscado? É possível ou mais uma ilusão?
Primeiramente é preciso ver e perceber que o agronegócio se divide, pelo menos, em três subsetores: agropecuária-florestal, agroindústria e agrosserviços.
O primeiro é o que vai bem e sustenta o desenvolvimento dos demais, tanto para o abastecimento interno, como nas vendas para o exterior. É a parte mais visível, pelos recordes de produção das safras de grãos e pela geração de superavits cambiais. 
A agroindústria se desdobra em "semi-manufaturados" com a produção ainda de commodities, como o açúcar, o suco de laranja, a celulose e outros. Destinados predominantemente para o mercado externo, também vai bem. Os segmentos de maior industrialização das matérias-primas para a transformação de alimentos prontos ou semiprontos para consumo atende suficientemente a demanda interna, mas tem participação reduzida, seja na pauta das exportações brasileiras, seja de participação no mercado mundial. 
Para fazer do agronegócio o motor do crescimento econômico, a agroindústria será o elemento mais importante. 
O terceiro subsetor do agronegócio e que contempla a maior participação, representando cerca de 50% do setor é altamente diversificado, mas duas das atividades se destacam: a logística e a comercialização.
A logística está presente em todo o agronegocio, gerando valor, mas também custos. Pode favorecer como comprometer a competitividade dos produtos brasileiros. É um ponto crítico ou o maior gargalo. 
A comercialização para o mercado interno caracterizado como abastecimento vem funcionando sem maiores problemas, ainda sob predomínio das empresas nacionais, apesar do avanço no mercado de varejo, de grandes cadeias multinacionais. Já a comercialização para o mercado externo, nos principais produtos exportados, é dominado por multinacionais. 
Apostar no agronegócio, do ponto de vista interno, significa investir fortemente na agroindústria exportadora e na logística. 
Do ponto de vista da demanda externa, as perspectivas são de crescimento constante, em função da continuidade do crescimento demográfico mundial que já conta com 7,5 bilhões de habitantes e poderá chegar a 10 bilhões, até 2050. Todos precisam comer, embora nem todos venham a ter renda para o consumo.
Na relação com o mercado externo, a variação cambial é um fator crítico. As perspectivas são de continuidade do patamar atual, mas será sempre um fator de risco na aposta de uma economia com maior participação no mercado internacional. A estratégia brasileira terá que ser de mitigar o risco cambial, assunto para outro artigo. 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O antiambientalismo de Bolsonaro

As posições de Jair Bolsonaro em relação às questões ambientais decorrem de três bases: a) as convicções pessoais; b) as derivadas de manifestações de terceiros; e c) pressões corporativas.
As convicções pessoais decorrem da sua natureza pessoal que compõe a sua visão de mundo. A infância de Jair Bolsonaro está relacionada com a floresta atlântica, mas parece não ter criado nenhuma afeição pessoal com essa. Ao contrário, ao longo de sua carreira politica foi tomado por ojeriza aos ambientalistas, na medida que esses foram sendo dominados pela esquerda ideológica. A esquerda internacional migrou da "luta de classe" para a "defesa do clima", contestando o sistema capitalista, denunciado com o principal vilão da degradação ambiental mundial.
A estratégia internacional dos ambientalistas foi ocupar um espaço próprio dentro dos Governos nacionais e criação de uma rede internacional de ongs ambientalistas, entre as quais a Greenpeace é a mais conhecida.
Jair Bolsonaro sempre se posicionou contra os ambientalistas, negando as suas constatações e previsões com respaldo em bases científicas e assumindo que as proposições preservacionistas restringem o trabalho e a atividade econômica. 
Com a maior participação dos partidos de esquerda e centro-esquerda nos governos europeus, fazendo do desenvolvimento sustentável, políticas nacionais, regionais e internacionais, os antiambientalistas brasileiros passaram a ver risco na soberania nacional.
A par das suas convicções pessoais, negativistas em relação aos problemas ambientais as posições de Jair Bolsonaro foram reforçadas pelas de Donald Trump, o seu grande ídolo político. 
Durante a campanha eleitoral buscou ou aceitou o apoio de grupos igualmente antiambientalistas, principalmente de garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros desmatadores das florestas. Comprometeu-se, em contrapartida, apoiá-los - uma vez eleito - contra a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos ambientais. Contou ainda com parcela do agronegócio, que se beneficia indiretamente do desmatamento, com presença relevante na Frente Parlamentar da Agricultura.
Por conta desse apoio e promessas, que vem cumprindo com esses, desmontou a fiscalização, esvaziou o IBAMA, e permitiu o aumento do desmatamento, assim como a difusão dos incêndios florestais.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Novo perfil das lideranças empresariais

A organização empresarial vinha atravessando grandes mudanças, mesmo antes da pandemia do novo coronavirus e tendem a seguir a mesma trajetória: a substituição das empresas familiares ou "com dono", por corporações, com a composição acionária difusa e direção por dirigentes profissionais contratados. Essa direção profissionalizada ocorre também nas empresas com dono, mas mais sujeitas às interferências desses na gestão da empresa.

Na agricultura, uma das principais partes do agronegócio, a produção ainda é amplamente disseminada pelas fazendas de donos, sendo ainda pequena a participação de pessoas jurídicas, e praticamente nenhuma corporação.
A principal integração ocorre pelas cooperativas de produtores, que também participam da comercialização, principalmente das exportações dominadas pelas tradings.
Lideranças empresarias do setor seguiram o caminho político, como Blairo Maggi, integrante de uma das famílias líderes na produção de grãos. Roberto Rodrigues, uma das principais lideranças do setor, não se destaca como produtor.  

Na pecuária,  produção ainda é predominantemente de fazendas "familiares", ainda que algumas sejam de grande porte, com faturamentos bilionários. Já a industrialização é dominada por grandes frigoríficos empresariais, tanto de empresas de dono (JBS, Marfig, Minerva e outros), como corporações, como a BRF. 

Na área de produtos florestais, há o domínio de grandes empresas, ainda de dono, mas com tendência a serem transformadas em corporações, com grande volume de ações em bolsa de valores. São dirigidas por profissionais, como o caso da Suzano.

Em 1977, promovido pela Gazeta Mercantil, foi formado um grupo de lideranças empresariais, todos donos (pessoais ou familiares) das empresas que dirigiam. Iniciou com os 8 pela  redemocratização. 

Após a redemocratização, em 1985 o movimento perdeu força. Os empresários voltaram-se para a gestão de suas empresas, recolhendo as suas vozes em manifestações políticas. Os porta-vozes do empresariado voltaram a ser os dirigentes das organizações sindicais patronais ou associações setoriais, dominadas pelos interesses corporativos. 
Dada a elevada interferência regulatória, creditícia e fiscal, acompanhada por uma imensa máquina burocrática, do Estado, o foco dos interesses corporativos está sempre relacionado às ações governamentais, o que limita uma atuação mais independente dos empresários.

A atuação cidadã dos empresários ficou fora das prioridades das suas agendas, com raras exceções.

Com a conjugação de três grandes crises, a sanitária, com a pandemia do novo coronavirus, a ambiental, com o impacto internacional do desmatamento e queimadas na Amazônia e a institucional, com a emergência dos movimentos antidemocráticos, lideranças empresarias tem se mobilizado, mas com características distintas do movimento de 1977. 

Dirigentes de entidades representativas do agronegócio, publicaram manifesto de apoio ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o que escancarou para o público em geral a divisão do setor. 

Reações externas de gestores de investimentos, colocando restrições às operações enquanto o Governo Brasileiro não definisse medidas objetivas para o combate ao desmatamento e aos incêndios na Amazônia, foi repicado  do Brasil, por manifestações de líderes empresariais, cobrando do Governo, medidas mais concretas. 

A quase totalidade dos manifestantes é de dirigentes profissionais, contratados pelos Conselhos de Administração das empresas, esses dominados pelos donos das empresas. 

Esses continuam "enrustidos", também com algumas exceções como as de Horácio Lafer Piva, integrante da família controladora da Klabin, Guilherme Leal um dos principais acionistas da Natura e outros poucos. 

Todos os demais tem preferido não entrar em confronto com o Governo. 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

A maçã podre

Os desmatadores tem interesses econômicos específicos que não são muito transparentes e, principalmente, como se integram dentro da cadeia produtiva.
Eles não ganham pelo desmatamento em si, pela derrubada e venda da madeira, mas também pela venda da terra desmatada. O desmatador é um elo que bifurca em duas correntes subsequentes: a dos compradores da madeira das árvores derrubadas e a dos compradores do terreno desmatado. O mercado de madeira é seletivo, só demandando "madeira de lei" para móveis diferenciados. É um mercado da riqueza que não tem demanda suficiente no Brasil, fazendo com que grande parte dela seja exportada. Como essa madeira tem restrições de exportação, as operações são predominantemente ilegais, conectando a redes igualmente ilegais no exterior. 
O desmatador não compra a propriedade para desmatar. Ele a invade, por conta própria, ou de acordo com um grileiro que assume a posse do terreno. Em muitos casos é um terceirizado do grileiro para derrubar a área florestada. 
Uma vez derrubada as árvores e retiradas aquelas de valor comercial, ficam as demais no chão. 
A etapa subsequente é a queimada desses e da mata restante para tornar o terreno adequado para pastagem ou para plantação. Essa queimada deveria ser controlada, limitada ao terreno a ser preparado, mas em função da temperatura e dos ventos pode fugir ao controle, se propagando por áreas vizinhas. 
Depois da queimada o terreno está adequado para a sua exploração agropecuária. No caso da pecuária ainda é preciso esperar  o renascimento do capim e de outras plantas rasteiras que irão servir de alimento para o gado. Em alguns caso, a alternativa é de alimento por rações produzidas na própria área ou industrializadas. 
Depois de algum tempo, a área é considerada degradada e passa a atender a lavoura. No geral são áreas de tamanho pequeno ou médio. Não são mega áreas, uma vez que o processo de desmatamento e ocupação  ficaria muito visível. 
O agronegócio não pode se eximir da responsabilidade pelo desmatamento e pelos incêndios, porque ele está na ponta do processo, comprando as áreas desmatadas e preparadas, para a sua exploração agropecuária.
Não é, no entanto, o segmento mais moderno, voltado para as exportações. Esse busca os aumentos de produção pelos ganhos de produtividade, mediante o uso intenso de tecnologias, o que requer grandes investimentos.
O segmento que se vale das áreas desmatadas é daqueles com menor produtividade e competitividade.
É a banda ou maçã podre que prejudica o conjunto.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Impasses ambientais (1)

O amanhã de Jair Bolsonaro é permanecer na Presidência, o que nas circunstâncias atuais é amplamente provável, mas essas podem piorar por revelações "bombásticas". 
Ele não tem muito o que fazer a não ser esperar e reagir às ameaças, se surgirem.
Já o depois de amanhã está com data marcada: as eleições presidenciais, em 2022, às quais ele pretende concorrer.
Para ter condições de ser reeleito, precisará de uma melhoria substancial da macro economia brasileira, com uma vigorosa retomada do crescimento econômico. 
Para isso, duas condições são essenciais: manter e ampliar as vendas externas do agronegócio e atrair capitais externos para financiar os investimentos fundamentais para a retomada da economia.
Ambas estão sob risco em função dos problemas ambientais. Os consumidores europeus, com apoio dos respectivos governos já estão promovendo boicotes aos produtos brasileiros sob o pretexto de que são fruto do desmatamento da Amazônia. Pretendem ampliar as restrições a todos os produtos brasileiros, ainda que não integrantes ou associados ao agronegócio.
Donos e gestores dos capitais já vem se pronunciando contrários a investimentos no Brasil em função da sua política anti-ambiental. 
O Governo adotou uma postura negativista, contestando os dados que seriam promovidos por interesses contrariados dos concorrentes do agronegócio brasileiro no exterior.
Assumindo que o mundo está sendo manipulado por desinformação e notícias falsas sobre o desmatamento na Amazônia, promoveu e vem promovendo campanhas publicitárias, que tem eficácia reduzida diante das realidades incontestes.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Novo Normal - Meio Ambiente


O Brasil, como um todo, e o seu Governo Nacional, em particular, é obrigado a se posicionar internacionalmente, em relação às questões ambientais, principalmente, em relação à preservação florestal, por dispor de uma das maiores reservas florestais do mundo, consideradas pelos demais países como o "pulmão do mundo".

O Brasil vinha se posicionando na vanguarda do movimento ambientalista mundial, com as política de proteção ambiental entre as mais avançadas do mundo e protagonismo relevante nos Acordos Internacionais que culminaram, mais recentemente, no Acordo de Paris, para a contenção do aquecimento da terra, alinhando-se às posições dominantes dos cientistas e à maioria dos países desenvolvidos, contrapondo-se à dissidência norte-americana.
Essa posição hegemônica dos ambientalistas no Brasil era contestado por parte do agronegócio, contrária às restrições de uso das suas áreas para a produção e obrigação de preservar ou restaurar áreas florestais, assim como às restrições de avanços sobre as terras na Amazônia Legal, para a produção, seja pecuária ou de grãos. Era contestado também por produtores industriais, pelo excesso de obrigações burocráticas impostas pela legislação ambiental. O que afetava também o setor de construção e os proprietários de terrenos, tanto urbanos como rurais.
Esse segmento, apesar de relativamente pequeno, mas ativo politicamente, foi uma das bases iniciais de apoio à eleição de Jair Bolsonaro, tendo aderido quando o candidato não era considerado como possibilidade, pelo pensamento político dominante.
Por conta da filiação irrestrita de Jair Bolsonaro às políticas e posições de Donald Trump e do atendimento àquele fiel grupo de apoio, Bolsonaro mudou inteiramente o posicionamento do Governo, buscando desmontar todo o aparelho de controle ambiental, diligentemente montado desde a redemocratização, fora pequeno intervalo com o Governo Collor. 
Essa profunda mudança no posicionamento ambiental do Governo Federal, introduz obrigatoriamente o tema na pauta política e eleitoral. Terá alguma influência nas eleições municipais de 2020 e mais ainda nas eleições nacionais de 2022.
O fato real é que, ainda que não isoladamente, a tradicional política ambientalista brasileira foi derrotada em 2018, dando oportunidade à emergência de uma política anti-ambientalista. 
Um elemento importante, nessa disputa política, está nas eleições norte-americanas de 2020. Caso Donald Trump não seja reeleito, o Brasil pode ficar inteiramente isolado no cenário mundial, com a sua posição anti-ambientalista. Poderá reverter diante das novas circunstâncias, levando em conta, ademais, os impactos sobre o comércio externo brasileiro.

Há uma grande esperança no meio dos ambientalistas, expressa em manifestações pela mídia, de que o Novo Normal seja favorável a uma economia de baixo carbono. 

Os novos hábitos serão favoráveis ou não a essa perspectiva?

Como se posicionam e se posicionarão os eleitores diante da questão? O quanto a ocorrência da pandemia do coronvirus, as medidas para o seu combate e as mudanças de hábitos das pessoas, principalmente nos grandes centros urbanos poderão mudar os hábitos e posicionamento dos eleitores?

O "fique em casa" favorece a redução da emissão de gases de efeito estufa, pela menor movimentação urbana das pessoas. Em contrapartida, quando saem dão preferência ao uso do seu carro, evitando o transporte coletivo e mesmo o uso de carro de terceiros, dos aplicativos de chamada, em função do receio de contaminação. No conjunto, no entanto, contando com a diminuição da movimentação, principalmente dos que tem renda e carro, em contrapartida ao maior uso do carro, o resultado final deverá ser uma emissão menor do monóxido de carbono e outros gases. 
Em relação à geração de energia elétrica, a redução conjuntural do consumo, associado a um maior volume de chuvas onde estão os principais reservatórios, deverá evitar o uso de termoelétricas a carvão (são poucas), a diesel e mesmo a gás natural, concentrando a geração na hídrica e fontes alternativas (eólica e solar). 

terça-feira, 19 de maio de 2020

Mudanças de hábitos 2

Havia um forte movimento entre as classes com mais renda, a favor de mudanças de hábitos alimentares, seja por serem mais saudáveis, como pelo menor impacto sobre o meio ambiente.
No caso do açúcar o objetivo é essencialmente a saúde, para o combate à obesidade. Casos concretos de mortalidade entre os jovens, contaminados pelo SARS-COV2 mostraram que estavam relacionados com a obesidade. Esse se tornou um fator de vulnerabilidade. O avanço territorial da produção da cana de açúcar ainda não sensibiliza os ambientalistas.
Já a proteina animal, em particular a carne vermelha bovina, é o principal alvo dos ambientalistas, seja por razões de saúde, relacionadas com o teor das gorduras, como por emergir como o maior inimigo brasileiro do clima. O imenso rebanho bovino brasileiro seria o principal emissor de gases de efeito estufa e, em função, da demanda nacional e internacional, o principal causador do desmatamento da Amazônia. Os desmatadores derrubariam as árvores, não só para comercializar a madeira, como para abrir as áreas para a pastagem. 
Os defensores do clima defendem a contenção pela população mundial da proteina animal oriunda da carne bovina, usando a pandemia da COVID 19 como uma das principais razões. O desmatamento poderia causar a migração de animais silvestres, portadores do vírus para as cidades. Esse receio da população ocorreu, anteriormente, em relação à Zika o que levou a uma caça a macacos.
Mas a análise do histórico do suposto surgimento do vírus na China, indica que a população pobre, na falta de opção, caça e se alimenta de animais silvestres, inclusive morcegos, que são fartamente comercializados nas feiras livres.
Mesmo com a melhoria de renda de grande parte da população chinesa uma grande parte mantém os hábitos de consumir carne de animais silvestres. O esforço do Governo Chinês na produção de carne de porco, assim como a ampla importação de carne de frango e de bovinos, todos com a produção controlada sanitariamente, tem por objetivo substituir o consumo de animais silvestres. 
Em outros países mais pobres da Ásia e em grande parte da África, o consumo de animais silvestres é ainda enorme e um grande esforço mundial é de substituir esse consumo por proteina animal de produção sanitariamente controlada. 
O Brasil não tem a percepção do problema do consumo da carne de animais silvestres, porque conseguiu contê-la, com medidas restritivas à caça e com a imensa produção de carnes de frango, boi e porco, consegue abastecer a maioria da população. Mas tem uma percepção mais clara da questão da carne vermelha do boi, em função do tamanho do seu rebanho e da preferência da população pelo seu consumo. Se não é maior não é por questões ambientais e de saúde, mas de restrições de renda.
Todo mundo quer usar a pandemia para a defesa de suas teses, mas todas tem "cara e coroa". Não apenas coroa.


domingo, 22 de dezembro de 2019

Oportunidade de diversificação

O agronegócio brasileiro teve uma grande evolução, por conta das compras pelos chineses, através das grandes tradings internacionais, de grãos, tanto a soja, como o milho.
O agronegócio brasileiro não "vendeu" os seus produtos para a China, mas teve os mesmos "comprados" e atendeu a demanda, entregando os produtos. Ainda é um entregador e não um vendedor.
As perspectivas futuras são de que mesmo com a recuperação dos rebanhos de porcos, a China não aumente substancialmente as suas compras no Brasil, podendo até diminuir, dados os acordos da China com os EUA, para comprar mais produtos agropecuários desse país, como passo para superar a guerra comercial. 
O Brasil corre o risco de ter estoques de grãos. Diante dessa perspectiva terá que deixar a posição de entregador, para se tornar - efetivamente - vendedor.
As maiores oportunidades estão no Norte da África e no sudoeste asiático, principalmente na Índia, onde estão ocorrendo os maiores crescimentos demográficos, com reflexo na demanda de grãos e outros produtos agrícolas. 
A comercialização internacional de grãos não é feita diretamente entre os produtores e os consumidores, mas com ampla intermediação de um pequeno grupo de tradings internacionais. 
São duas de origem indiscutivelmente norte-americanas, uma anglo americana, com passagem pela Argentina e até pelo Brasil e uma francesa. As chinesas começam a entrar no mercado, mas ainda não se firmaram em grãos, embora tenham importante participação em outros produtos do agronegócio, como a Olam, em cacau. Entre as nacionais, no setor de grãos, apenas a Maggi, que tem o respaldo de ser a maior produtora de grãos, tem relevância. Algumas ficaram no meio do caminho.
Todas elas são predominante compradoras, atendendo aos comparadores e buscando no Brasil os fornecedores. 
Com o compromisso da China em comprar mais produtos agrícolas dos EUA, como a sua contrapartida na trégua da guerra comercial, as tradings tenderão a dar preferência aos fornecedores norte-americanos, em detrimento aos fornecedores brasileiros e argentinos.
Os produtores brasileiros, com a menor procura dos chineses pelos seus produtos, terão que buscar novos mercados e a questão crucial é se farão através das mesma tradings  através das quais entregam os seus produtos, ou se irão criar ou desenvolver canais de comercialização diferenciados para esses novos mercados?
A continuidade de crescimento do agronegócio brasileiro dependerá dessas decisões.





sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Brasil, na direção errada


O Brasil está na direção errada.
Não adianta fazer reformas estruturais que a economia vai continuar “patinando”.
Vai melhorar um pouco aqui, um pouco ali. A economia vai ganhar ou perder 0,1% a mais, continuando no “reme-reme”, sem sair do lugar.
A economia dos ricos vai melhorar cada vez mais, mas o resto continuará piorando. A média vem e vai melhorar. Com desigualdade cada vez maior.
Para que uma economia cresça com base no seu mercado interno, precisa ampliar sucessivamente o seu mercado de consumo, pela incorporação das camadas de menor renda.
O Brasil, tentou esse modelo, mas de forma desastrada e recuou em vez de avançar.
Agora quer crescer, só com os andares superiores. Quando o pessoal do térreo sai as ruas, quebrando tudo, acompanhado pelo pessoal do porão, como agora no Chile, a reação é de pura perplexidade.
Para ter um crescimento sustentado o Brasil precisa mudar de direção, de rumo.
Não é um rumo utópico, mostrado pelos avanços tecnológicos ou pelos novos profetas. É um rumo realista, baseado nos recursos naturais.
Quem está mostrando o caminho é o agronegócio, mas com muitas distorções.
A China está comprando o Brasil, o mundo está comprando o Brasil para alimentar as suas populações.
Pagando a poucos. Sem a participação da maioria da sua população.
O rumo é esse: o mundo, mas o Brasil precisa deixar de ser comprado, para se tornar vendedor. Ter o comando dos seus rumos e não os que forem definidos pelos outros.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Confronto de interesses


Jair Bolsonaro, no início da sua campanha, sem o apoio dos grandes partidos, sem o apoio de grandes empresários e das lideranças do mercado, teve que se valer de corporações, grupos minoritários, marginalizados pelo “establishment”, mas que ele sempre defendeu – enquanto deputado federal.
Entre esses estão grupos de caminhoneiros e predadores da floresta amazônica, como garimpeiros irregulares, grileiros, desmatadores, madeireiras e produtores agrícolas e rurais, em condições irregulares.
Eles se sentiam perseguidos pela política ambiental, criada por Marina Silva e que o PT manteve, mesmo depois da dissidência dela e da retirada do partido. 
Os antiambientalistas reclamavam junto ao deputado e depois candidato de que o Governo não os deixava exercer livremente a sua atividade econômica, que a fiscalização impunha multas astronômicas, impagáveis e que destruíam os seus equipamentos quando flagrados.
Empoderados, muitos fiscais e mesmo autoridades ambientalistas, extrapolaram as suas atribuições, se excederam na aplicação das penalidades, gerando a reação contrária. Na prática foi estabelecida a indústria da multa, parte por ativismo de radicais, mas uma grande parte, para dar suporte à corrupção.
Jair Bolsonaro prometeu a esses grupos de apoio que, quando eleito, mudaria tudo e eles voltariam a ter condições de trabalhar livremente. Acabaria com a "indústria da multa". Eleito, cumpriu.
Desmontou a estrutura de fiscalização ambiental, determinou à estrutura remanescente que  não aplicasse as multas e proibiu a destruição das máquinas e equipamentos encontrados em atividades de desmatamento ou garimpo ilegais. Orientou aos seus apoiadores a não pagarem as multas.
Sem fiscalização e punição, esses apoiadores de Bolsonaro, voltaram a desmatar.
Com a repercussão internacional do aumento do desmatamento, agravada pelos incêndios, tentou desmentir, desqualificar os dados. Abriu confronto direto com autoridades europeias, acusando-os de conspirar contra a soberania do Brasil na Amazônia, mas diante dos fatos foi obrigado a mandar as tropas do Exército para controlar a situação e com isso conteve a continuidade do desmatamento e dos incêndios. Mas foi por tempo limitado. A operação militar terminou.
Bolsonaro está diante da pressão direta dos seus apoiadores que querem flexibilidade para desmatar e do agronegócio exportador que está sentindo as restrições dos compradores.
O amanhã vai depender dos vitoriosos. A sociedade, por enquanto, está mais na torcida do que em ações efetivas.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O agornegócio nas mãos dos intocáveis


A demissão de mais um general do Governo Bolsonaro, reflete a vitória de um segmento de bolsonaristas “desde criancinha” formado por grileiros, desmatadores, incendiários, pecuarista e agricultores, que avançam sobre a floresta amazônica, para geração de terras mais baratas. Há uma grande disponibilidade de terras onde já se avançou bastante, em passado recente, dentro do ciclo perverso, deixando áreas de pastagens degradadas disponíveis para a produção de agrícola.
A expansão da produção de grãos, no Brasil, não precisa ampliar as fronteiras agrícolas, tampouco desmatar, mas como as terras disponíveis já estão mais caras, alguns produtores preferem as novas áreas, mais baratas, proporcionadas pelos grileiros. Como muitas dessas áreas não tem titulação regularizada, o que impede o acesso ao crédito rural subsidiado, pressionam pela sua regularização, com o apoio do seu líder, instalado dentro do Ministério da Agricultura, mas sempre presente do Palácio do Planalto.
Como o General Correa, na Presidência do INCRA, era contra essa regularização aquele grupo de apoio pressionou pela sua saída, argumentando a demora na regularização dos títulos da reforma agrária. E querem a aceleração dessa regularização, um grande objetivo de caráter social, o que é estranho e contraditório num Governo, onde o social não faz parte. Na verdade, usa a reforma agrária para acelerar a regularização de títulos de terras griladas. Mediante autodeclarações.
Esse propósito, no entanto, acaba tendo repercussão internacional, afetando a exportação de carnes para o mundo, um dos principais produtos do agronegócio. O futuro do agronegócio está comprometido a curto e médio prazo, pelo domínio desse segmento ganancioso dentro do Governo Bolsonaro. Não há campanha publicitária no exterior que vá conseguir esconder essa realidade.
A esperança do agronegócio está na reação do Exército Brasileiro. Que coisa !!!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Primeiro os meus

Os grupos de apoio de Jair Bolsonaro são específicos, ampliados ou generalizados pelos analistas e mídia.
O agronegócio, como um todo, não faz parte do grupo de apoio, mas aceitam ou toleram um subgrupo específico formado por produtores rurais, integrando uma cadeia de grileiros, desmatadores, incendiários e produtores, liderados por Naban Garcia. Ele não conseguiu o Ministério da Agricultura e Pecuária, em que o agronegócio moderno "emplacou" Teresa Cristina, mas ficou com a Secretaria de Assuntos Fundiários, para atender aos interesses daquele citado subgrupo, que apoiou - desde cedo - a candidatura de Jair Bolsonaro. 
As suas pretensões esbarram mais na resistência do Exército do que dos ambientalistas. Teria conseguido uma vitória, com a demissão do General João Carlos Jesus Correa da Presidência do INCRA. A razão estaria no atraso na titulação de terras da reforma agrária.
Como informa a colunista do Valor, Maria Cristina Fernandes, em 3 de outubro de 2019, a fritura do General "atendeu à pressão da base de Naban Garcia, produtores rurais que ocupam terras irregularmente e buscam títulos de propriedade para ter franqueado o acesso ao crédito rural... Um novo recorde de regularização de terras são grileiros e não os assentados quem puxam a fila."
Por outro lado, o agronegócio exportador está preocupado, mas ainda não contrário à atuação desse segmento que vem afetando a imagem externa do Brasil e criando algumas restrições às compras do Brasil.
O Exército foi chamado para controlar a crise dos incêndios e endureceu o combate a esse grupo que, em função do apoio do Presidente, vinha atuando com mais liberdade, promovendo o desmatamento e o fogo para deixar as terras preparadas para os pecuaristas envolvidos no processo.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...