sábado, 31 de outubro de 2015

Opinião publicada e degradação urbana

A elite se apropria da parte melhor da cidade e reclama da sua degradação. 
As grandes cidades emergem, segundo a visão dela, como a maior ameaça à humanidade. O avanço da urbanização, principalmente nos países de maior população é vista como exterminadora dos recursos naturais não renováveis e geradora dos gases estufa que irão fazer subir a temperatura da terra em níveis insuportáveis.
A elite domina os meios de comunicação e difunde a opinião publicada, achando que essa corresponde à opinião pública. 
Despreza a opinião não publicada, que na hora das eleições mostra a sua força, nem sempre seguindo a opinião publicada.
O que a elite não quer mesmo é a concorrência dos demais a uma cidade que ela quer só para ela.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Materialização dos serviços

A característica básica dos serviços era a sua imaterialidade. A sua prestação poderia ser agregada como custo ou valor a um bem material, mas a atividade, em si, não era material. E só podia ser prestada diretamente ao usuário ou receptor do serviço.

A materialização de serviços de processamento de informações tornou viável a sua movimentação em escala mundial. O software pode ser transmitido por meios de comunicação aparentemente imateriais.
adeptsolutionsinc.com

A permanência do serviço ocorreu com a tecnologia do processo. O prestador do serviço pode usar repetidamente um mesmo processo, desenvolvido por alguém. Se esse for patenteado o seu uso poderá ter que ser pago e o dono da patente terá o direito de receber "royalties". 

Cada vez mais o consumidor recebe serviços, com o apoio de bens.

A essa predominância dos serviços, os economistas vêm como desindustrialização.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Futuro de qual civilização?

O futuro de quem estamos nos referindo, quando discutimos as evoluções tecnológicas?
Supostamente da humanidade, de uma população futura de 9 bilhões de habitantes, em 2050.
Mas será que estamos nos referindo a todos os 9 bilhões ou aos mais ou menos 8 bilhões integrantes da dita sociedade ocidental, que hoje incorpora grande parte da civilização asiática, principalmente China e Índia.

Mas há um segmento que não só resiste à civilização ocidental, como a combate, embora tenha o suporte de uma matéria prima, essencial da atual civilização ocidental: o petróleo.

Como pensar num mundo comum, com a presença do Estado Islâmico e outros grupos minoritários, mas que perturbam os padrões de vida desejados pela civilização ocidental?

O que se desenha para o futuro da sociedade ocidental é a liberação dessa do petróleo. O que se deseja é uma civilização livre de petróleo. 

Se isso se concretizar irá tirar dos anti-ocidentais a sua sustentação econômica. Será viável a sobrevivência de uma sociedade anti-ocidental que se baseia na posse de um insumo básico da cultura ocidental?

Com o fim da era do petróleo, sucumbirão também os redutos rebeldes anti-ocidentais?

Acabarão também sendo incorporados pela civilização ocidental?



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O papel da micro, pequena e média empresa

As micro, pequenas e médias empresas são incensadas pela sociedade em função das oportunidades para as pessoas e por identificarem significativos vencedores. São os que deram certo como empreendedores.
As MPMEs são símbolos do empreendedorismo e do sucesso pessoal. 


O principal campo para elas é o de trabalharem como terceiras das grandes e mega empresas, desenvolvendo trabalhos especializados.

Um segundo é o de trabalhar diretamente com os consumidores finais, no mercado do B2C (business to consumer) ou com produtos voltados para o consumo. Podem ser pequenos empreendimentos locais, que atendem a um mercado restrito, ou "start ups".

Um terceiro campo é o dos consórcios de empresas de pequeno porte para atuar no mercado internacional. 


A partir dessas circunstâncias, existem duas posições básicas em relação ao empreendedorismo de pequeno porte:
  1.  estabelecer políticas pública de apoio público prioritário para os empreendimentos de pequeno porte, inclusive como fator de dinamização da economia;
  2. não estabelecer políticas econômicas específicas para os empreendimentos de pequeno porte, mas aceita-los como instrumentos de política social, principalmente para sustentação das ocupação laboral.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A importância da engenharia nas concessões

As concessões de serviços públicos de infraestrutura, sejam na forma comum, ou na de PPP são a grande esperança para a retomada do crescimento econômico. 
As modelagens para atrair o investidor privado privilegiam a segurança jurídica e a econômica e menosprezam a segurança técnica. 
No entanto, as variações de valores,  no investimento (CAPEX) e na operação (OPEX) em função das alterações técnicas, podem inviabilizar os investimentos.

As estimativas de valor com base em configuração genérica do empreendimento ou de um anteprojeto se baseia em condições normais.

A implantação, na prática, envolve diversos outros fatores que geram grande variação nos valores. 

Os advogados são chamados para garantir ao concessionário o ressarcimento das variações e restabelecer com os economistas o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. 

A elaboração de um projeto completo e bem feito, transforma o imprevisto em previsto e a estimativa do CAPEX mais precisa. 

O risco técnico é, e tem sido em muitos casos, maior que o risco da demanda. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Globalização e latinoamericanização


Globalização, na prática significa que as multinacionais tomaram conta de maior parte do comércio internacional, criando e gerenciando as cadeias produtivas dos industrializados. 


Essa historinha que se difunde que exportar não ocorre a curto prazo, que é preciso todo um trabalho de preparação, criar rede de comercialização, participar de feiras, etc, é para um mercado marginal, que seria em torno de 20% do comércio internacional de industrializados. Às empresas nacionais só restam nichos de mercado. 
As multinacionais não precisam de nada disso e estabelecem com os seus fornecedores suprimentos mundiais.

A visão predominante das multinacionais parece ser a do mercado sulamericano, com a implantação de plataformas de produção continental. 

Dentro das estratégias das multinacionais as plataformas sul americanas não estariam voltadas para o suprimento europeu ou mundial. 

A questão para o Brasil e para o Mercosul é negociar com a UE
as contrapartidas. As multinacionais européias ou instaladas na União Européia, acederiam em transferir produtos fabricados dentro do Mercosul para o mercado europeu? Em que condições?

A questão dos tratados e acordo comerciais não é de diplomacia entre países, mas de negociações com as multinacionais. O que para o Governo brasileiro atual é inconcebível.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O modelo de crescimento brasileiro que se esgotou

O Brasil, nos últimos vinte anos cresceu, economicamente, segundo o real modelo do "reaganconomics" apesar das divergências ideológicas.


Esse modelo teve como pilar a contenção do dólar para importação de produtos mais baratos e com isso estimular a demanda interna, com dois efeitos: conter a inflação, apesar da pressão da demanda e gerar empregos no comércio e nos serviços que compensaram as quedas de emprego no setor industrial.


Esse modelo foi viabilizado pelas elevações dos preços das commodities brasileiras.
A sequela principal desse modelo foi a desindustrialização da economia brasileira.






quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Tem conserto?

Este país tem conserto, diante da crise atual? É o que me pergunta uma amiga pela rede social.
Do ponto de vista econômico sim e antes de 2018, dependendo apenas dos agentes econômicos privados se libertarem do jugo do estatismo. 
Todo mundo é contra o excesso de intervenção do Estado. Desde que mantenha os benefícios para si. 
Já a questão política só haverá mudança se os eleitores não elegerem os "políticos ladrões" em 2018 e elegerem gente séria no lugar deles. O conserto político dependerá dos eleitores. 
Mas o risco é que eles continuem sendo enganados e elejam os mesmos ou outros que depois se descubra que "são ladrões", como todo os demais políticos.
O grande desafio do enfrentamento da crise é como evitar que os eleitores continuem elegendo os políticos ladrões?

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Descrença total

O Brasil está governado pela visão de tesouraria, na qual os gestores estão preocupados em manter o crédito, para garantir a continuidade do fluxo de caixa.



Para os descrentes em relação ao futuro desenho as perspectivas da crise econômica:
  1. mantida a visão de tesouraria a crise será prolongada, com agravamentos sucessivos e sem qualquer perspectiva de inflexão, em função da crise política;
  2. a confiança dos agentes econômicos privados não ocorrerá apenas com a regularização do fluxo de caixa dos tesouros públicos, mantendo-se a recessão;
  3.  a inflexão ocorrerá quando setor privado, cansado de esperar pelo Governo, irá buscar as soluções próprias, sem ficar contando que o Governo reduza o Custo Brasil e outros obstáculos. Essa reação poderá ser demorada, só ocorrendo quando além do fundo do poço, acabar o "volume morto". É a última reação de sobrevivência.
  4. essa reação poderá ser antecipada mas depende da emergência de lideranças que ainda estão submersas. O prazo para isso ocorrer ainda é imprevisível.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

PatrImonialismo e corporativismo

A sociedade brasileira carrega dois traços culturais responsáveis pelas dificuldades de desenvolvimento: o patrimonialismo e o corporativismo, que fundidos viram o patrimoni-corporativismo.
O patrimonialismo é recorrer ao Estado na defesa da sua visão de mundo. Qualquer coisa coletiva que a pessoa ache que deva ser feita, apela logo para uma política ou ação pública, a uma regulação pública.  O Brasil precisa de educação, então defende políticas públicas, recursos para a educação. Se, necessárias, medidas coercitivas e punitivas. Sempre através do Estado. 
Para garantir o que acha que é necessário defende a vinculação de recursos públicos. 

Uma das faces da crise atual, é o esgotamento do patrimonialismo, com a sociedade não aceitando mais a elevação dos tributos.

A cultura patrimonialista, no seu sentido amplo, que tem o respaldo e o desejo da sociedade dá margem a outro traço cultural: o corporativismo.

A conjugação dos dois fatores leva a diversas distorções, mas duas delas são as principais:
  1. a dificuldade do ajuste fiscal, para conformar tudo o que já se comprometeu com as vinculações dentro dos recursos disponíveis, levando o Governo a propor sucessivamente aumentos tributários;
  2. a ineficiência dessas atividades priorizadas, pela captura das corporações que contam com recursos garantidos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Aré onde e quando vai a crise?

A crise brasileira não é um fenômeno natural. É um processo social, provocado pelos próprios brasileiros.
Os motores para a retomada do circuito de crescimento estão parados, por ineficácia das medidas de ativação e por impasses políticos.


O impasse político só se resolve quando uma parte vence a outra, ou entram num acordo efetivo. A perspectiva é de um empate prolongado que só se resolverá em 2018, com as novas eleições gerais.

A crise econômica é contaminada pela crise política, porque o Governo insiste em soluções que dependem de aprovação do Congresso.
Insistindo nos rumos e nos focos da política econômica  governamental, a crise econômica também seguirá até 2018.

Mas há saídas para abreviá-las.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A última saída

Imobilizado pelas crises gêmeas (política e econômica) o Brasil corre o risco de perder o grau de investimentos. Com isso reduzir-se-á mais ainda o fluxo de investimentos externos. 

O Balanço de Pagamentos que contabiliza todas as contas do país com o exterior, tende a ficar negativo.

Precisará ampliar substancialmente receitas externas, para o que só restou uma alternativa significativa: exportação de produtos industrializados.

A geração de substanciais superavits comerciais está na dependência das multinacionais que se instalaram no país, como etapa final de fabricação para o mercado interno, importando os insumos. Elas não se instalaram para uma produção voltada ao suprimento para o resto do mundo.

A elevação do dólar, associada à crise externa obriga-as a mudar de estratégia: elas precisam exportar para absorver, ainda que parcialmente, a elevação do dólar. Uma vez que não conseguem repassá-la nas vendas ao mercado interno.

A alternativa é reverter a sua estrutura produtiva de montadora final para o mercado interno para plataformas continentais ou mundiais.

Não dependem de iniciativa governamental, de uma política industrial, mas de necessidade empresarial.

Mas essa estratégia será favorecida pela retirada das travas que emperram o livre curso dessas estratégias.

A chave da virada está com as multinacionais.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Política industrial industrial

A política industrial brasileira deve ser formulada e praticada pelos industriais. 
No entanto, os industriais brasileiros foram formados num ambiente de comando estatal da atividade industrial e não conseguem se libertar desse jugo cultural. Por que não interessa a eles.
Dessa forma, estão - com poucas exceções - inteiramente voltados para o mercado interno e dependentes dos estímulos dados pelo Governo. Estão sempre esperando pela cenoura que o Governo acena à sua frente, enquanto por trás só levam chutes. Por isso estão sempre reclamando, e não saem disso.

O problema hoje da indústria é que entidades industriais e que industriais podem assumir a liderança para propor, discutir e conduzir essas estratégias?


A reindustrialização não depende apenas de investimentos, de superação do "custo Brasil" e de outros obstáculos. Depende, fundamentalmente da emergência de novas lideranças, com novas mentalidades.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A real estratégia norte-americana com o TPP

Os EUA estão tentando repetir a mesma estratégia que adotaram no pós-guerra para conter o avanço soviético no Leste Asiático.
Levaram para paises como a Tailândia, Malásia, Cingapura, Taiwan e outros a produção de marcas americanas, para gerar empregos garantindo a sua aquisição, para suprir o mercado interno e mundial.
Com essa estratégia deram origem à globalização das cadeias produtivas.


Com a China os EUA tentaram repetir o mesmo modelo, mas o Partido Comunista Chinês obrigou as empresas estrangeiras a se associaram com empresas chinesas. Essas aprenderam a produzir e, através de cópias não autorizadas, passaram a produzir concorrentes dos produtos norte-americanos. A escala da produção chinesa ameaça a norte-americana.

Para frear esse processo os EUA em parceria com o Japão, dois dos maiores mercados mundiais, buscará transferir produção norte-americana da China para outros países do Pacífico, sejam asiáticos, como sul-americanos. 

O objetivo é usá-los como plataformas de exportação, com mão-de-obra barata substituindo as plataformas chinesas. 

Os EUA não estão dispostos a continuar alimentando o crescimento chinês às suas custas. 

Claramente, com o TPP a China deixa de ser parceira para virar adversária dos EUA. 

 Não se pode dizer que o Brasil não quis entrar no jogo. Na realidade, não foi chamado. 

O Brasil não está apenas atrasado na realização dos acordos. Ficou desimportante, como a periferia da periferia da nova configuração do mundo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Acordo Brasil Colômbia

O acordo firmado entre o Brasil e a Colômbia, definindo cotas de comércio entre os países de produtos da indústria automotiva, dá respaldo às estratégias das multinacionais na América do Sul.
As principais multinacionais do setor automobilístico se instalaram no Brasil para atender ao mercado interno, dentro da política industrial de substituição de importações. Com o Mercosul estabeleceram uma divisão de trabalho, entre os dois países, dentro de uma estratégia de conteúdos nacionais e domínio dos mercados.

Numa etapa subsequente algumas multinacionais escolheram a Colômbia como a plataforma de produção sul-americana, embora o seu mercado interno seja um décimo do brasileiro.

Depois de perder a produção para exportação do Duster, da Renault, para a Colômbia, e ficar próximo de zero no comércio automobilístico com esse pais, o Brasil  finalmente firmou um acordo comercial, definindo cotas de comércio de carros: significa exportação e importação de veículos acabados, além do comércio de autopeças.
As principais marcas instaladas na Colômbia são a GM, Renault, Toyota, Volkswagen e Nissan.

A Colômbia é um novo passo para o desenvolvimento da estratégia continental das multinacionais automotivas, agora respaldado pelo acordo comercial com o Brasil. 

A grande dúvida em relação ao acordo bilateral Brasil -Colômbia (e não Mercosul -Colômbia) é se as multinacionais que se instalaram nos dois países, conseguirão consolidar uma cadeia produtiva continental capaz de sobreviver a uma abertura mais ampla dos mercados.

O desafio não é dos países, mas da GM, da Toyota, da Volkswagen, do grupo Renault-Nissan, em enfrentar a Kia e os chineses. A Fiat e a Ford não estão presentes no mercado colombiano, a menos de alguma participação eventual.

O acordo comercial automotivo firmado entre o Brasil e a Colômbia evidencia uma "dependência" dos Governos às estratégias das multinacionais. Os governos facilitam as transações dessas firmas entre as suas unidades nos dois países. 

E confirmam o conceito de que as multinacionais não exportam - no seu sentido comercial -, mas transferem seus produtos de uma unidade a outra.

Os trabalhadores, tendem a ver os acordos, como riscos aos seus empregos, pois facilitaria o ingresso de importados que substituiriam os produtos nacionais, gerando desemprego.

A visão do outro lado significaria um aumento da produção para exportação e elevação nos níveis de emprego. 

De toda forma é preciso que o produto brasileiro seja competitivo. 

                          







segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vento estocado

A Presid anta vem sendo crucificada por mais uma abobrinha, mas que faz sentido técnico: o vento estocado.

Energia hidrelétrica não é estocável, como tal, mas estocada na forma de água.

Há várias formas de estocar essa energia quando incorporada a produtos, como o caso do alumínio primário e de todos os produtos eletrointensivos. 

No Porto de Fortaleza estão instaladas  torres de energia eólica. Ao lado do porto está uma colônia de pescadores que precisam de gelo.

O vento estocado da madame estará no gelo.

A evolução tecnológica avança no sentido de usar a energia gerada pelas fontes alternativas com a liquefação do ar. 

O que é estocável é a energia gerada e os avanços tecnológicos viabilização técnica e economicamente essa estocagem.

Agora estocar o vento mesmo é pura bobagem.

sábado, 10 de outubro de 2015

Uma sucessão de equívocos

O Uber é uma empresa de software. Como são também o 99 Taxis e o Easy Taxi.
Como tal exerce uma atividade econõmica livre e não pode ser proibido de funcionar pela Municipalidade. Esse foi um equívoco da Câmara dos Vereadores.
Para viabilizar a sua atividade, o Uber extrapolou e passou a gerenciar uma frota e serviços de transporte individual remunerado de passageiros. Não importa o que afirme, exerce, na prática, atividades de frota de taxis, o que depende de  outorga de serviço público, por parte da Municipalidade. É o seu equívoco. 
Como o prestador do serviço é, na realidade, um taxista, não pode realizar a atividade sem estar registrado e autorizado pela Prefeitura. O uso da tecnologia não descaracteriza a atividade principal que é o transporte remunerado. A tecnologia é um acessório de uma atividade regulada.
O motorista que presta o serviço é um ilegal e o Uber uma empresa que estimula atividade ilegal, ainda que amplamente praticada, podendo ser criminalizado. 

Por trabalhar o motorista do Uber se acha no direito de exercer a atividade. É o seu equívoco. 

O que a sociedade paulistana esperava do Prefeito era a liberação da atividade de transporte individual remunerado de passageiros, dentro da sua competência.

Ficou a meio caminho. Ampliou as licenças, mas com restrições e privilegiou os aplicativos. Vai acirrar os confrontos.

A soma de todos os equívocos. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Apropriação indébita

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é uma reunião de contas dos trabalhadores, formado por depósitos compulsórios dos empregadores. Mas é gerenciado pelo Governo Federal, em função da sua instituição por lei federal, como se dele fosse. 

Com a necessidade de contenção dos gastos do Tesouro Nacional, a fim de manter os subsídios  do Minha Casa, Minha Vida  o Governo está recorrendo aos lucros do FGTS. Os lucros são dos fundistas, mas são apropriados pelo Governo Federal, para cobrir "furos de caixa". Não deixa de ser "pedalada fiscal", ainda que por "uma boa causa". Uma apropriação indébita do Governo e um peculato por parte de quem aprovou.

Pode prejudicar os fundistas no futuro e vai comprometer a aprovação das contas pelo TCU.
O lucro do FGTS não pode ser dilapidado em gastos sem retorno. Precisam ser mantidos como capital.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A saída pela exportação de industrializados e as travas

Uma das saídas para a crise econômica é o aumento das exportações de industrializados. Para alguns a única. 

Essa saída enfrenta uma série de travas que precisam ser afastadas.

Duas visões ideológicas travam o desenvolvimento industrial:
  1. a visão nacional-desenvolvimentista que sempre foi e continua sendo contrária à produção industrial nacional para exportação. O entendimento dessa visão é de que toda produção industrial deve estar voltada para o mercado interno, com exportação apenas de excedentes;
  2. a visão monetarista para qual o principal instrumento para conter a inflação é a elevação dos juros, mantendo-os em elevados patamares reais.
A primeira trava a integração da indústria brasileira nas cadeias globais, modalidade ora adotada pela indústria mundial e limita os aumentos de escala.

A segunda, praticada ao longo de muitos anos, trava os investimentos físicos na ampliação e na produção industrial  pois a rentabilidade desses investimentos é mais baixa do que das aplicações financeiras. E se depender de financiamentos para alavancar as suas atividades os juros desses financiamentos inviabilizam tanto os gastos em capital, como em operação.

A desindustrialização não se caracteriza apenas pela redução da participação da produção industrial dentro do PIB, mas pelo esgarçamento do tecido industrial.

A reindustrialização envolve uma reintegração das cadeias produtivas, não mais adstrita ao país, mas às cadeias globais, sejam as produtivas como de suprimento. 

Para essa reindustrialização é preciso estabelecer e discutir uma pauta para vencer os obstáculos que a trava.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Por que o Brasil está fora do TPP?

O Brasil ficou fora do Acordo Trans-pacífico firmado por 12 paises, liderados pelos EUA e Japão. Não por estar fora do Pacífico, por omissão ou por incompetência, mas por opção deliberada. 
O Brasil recusa-se a estabelecer acordos com paises industrializados, por viés ideológico e usa o Mercosul com desculpa.

Para  proteger a sua indústria o Governo mantém tarifas alfandegárias elevadas e restrições para tentar conter a invasão de industrializados dos países mais desenvolvidos. 
Se forem feitos acordos o Brasil teria que reduzir ou até abolir as tarifas, melhorando a competitividade dos produtos externos em relação aos brasileiros. 
O resultado seria um aumento de importações e uma pressão maior sobre as contas externas. Provocaria fechamento de indústrias e desemprego.
Em contrapartida o Brasil poderia colocar os seus produtos nos demais países, porque também não teria a barreira de tarifas alfandegárias, assim como restrições tributárias e outras.

Mas não tem interesse em exportar os seus industrializados.

Por essa visão unilateral ao Brasil só interessa acordos com países menos industrializados, cujo volume de produtos manufaturados afetaria pouco à produção nacional.  

A sociedade brasileira precisa escolher qual o modelo de participação que ela quer para a sua economia, no mundo.

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades ...