sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Barcelonização das cidades da Copa

Barcelona de uma esquecida cidade ao sul da Espanha emergiu em 1992 como uma cidade mundial, ao sediar os Jogos Olímpicos de Verão, consolidando-se ao longo dos anos seguintes como um dos mais importantes polos de atração turística internacional.

Foi uma monumental transformação urbana, que todas as cidades invejam e gostariam de repetir ao sediar um grande evento internacional.


A realização da Copa do Mundo da FIFA em doze cidades brasileiras, em 2014 seria a grande oportunidade para repetir o processo promovendo uma enorme graduação delas, proporcionando uma substancial melhoria da condição de vida dos seus cidadãos. 


A construção ou reforma do seu estádio para atender às exigências da FIFA seria um investimento que retornaria com o maior afluxo de turistas e de investimentos na cidade. 



A modernização de Barcelona, mediante um devido planejamento prévio e uma execução continuada de melhorias, tornou-se um ícone mundial, almejada por todas as cidades, com a realização de um grande evento internacional.

Com base no exemplo de Barcelona, a visão do SINAENCO, depois consolidada no Portal 2014, e da qual participei, era mostrar que a Copa é, acima de tudo, um dos maiores eventos midiáticos mundiais, acompanhadas por bilhões de pessoas e, como tal, uma excepcional oportunidade para o país e as cidades se mostrarem ao mundo. 


Tornando-se conhecidas poderia atrair pós Copa um volume crescente de turistas internacionais. Mas como a cobertura do evento será feita pela mídia independente, essa irá mostrar tanto as vitrines como as vidraças do país e das cidades.

Nesse sentido não bastaria ao país e às cidades enfeitar as suas vitrines, mas precisaria cuidar de eliminar ou mitigar as suas vidraças. E, principalmente, evitar a tentação de apenas escondê-las durante a Copa.

Ao longo desses seis anos, participei, como consultor do SINAENCO, dessa perspectiva "vitrine ou vidraça", tendo sempre contribuir para a pretensão de "barcelonalização" das cidades, com a Copa.

Há uma pergunta que não quer se calar e que recebo constantemente, ao tratar das questões da Copa: "por que não conseguimos (agora não vamos conseguir) fazer nas cidades-sede da Copa as transformações feitas por Barcelona com as Olimpiadas de 92?".

Não é uma pergunta de quem acompanha o futebol e está entusiasmado com a realização da Copa do Mundo no Brasil, por causa do futebol.

Mas faz parte do imaginário popular (ou melhor do imaginário publicado) a idéia de que as cidades poderiam se transformar, como Barcelona fez. 

Qual foi a lição de casa que não fizemos? Ou qual foi a lição que fizemos errada? 

Talvez seja uma das grandes frustrações latentes que leva a população a se manifestar contra a Copa. 

A idéia das grandes transformações das cidades esteve sempre presente com a realização da Copa, na forma de legados, mas avizinhando-se a sua realização, sem a perspectiva dessas transformações, o Governo já mudou o lema da sua propaganda em relação à Copa.

Abandonou a perspectiva do legado para focar na realização do evento, caracterizando-o como a "Copa das Copas".



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Não vai ter Copa para o povo

Copa vai ter, mas incompleta. Os jogos vão ocorrer, dentro dos estádios. Quem tem dinheiro para comprar os caros ingressos estará lá. 
Já o povão terá que se contentar em ficar em casa ou ir aos bares, para acompanhar os jogos do Brasil e outros que passarem nas tvs abertas, tomando a sua cerveja. Poucos bares estarão dispostos a pagar os elevados royalties cobrados pela FIFA para passar todos os jogos. Quem quer ver os jogos pelo "pay per view" terá que fazê-lo em casa.

Em função dos preços a FIFA inventou, na Copa da Alemanha, as Fan-fests em locais abertos, com telões e shows presenciais. 

Podem acolher mais de um milhão de pessoas. Apesar de serem realizados em locais públicos e sem pagamento de ingressos não são inteiramente abertos. A comercialização de produtos só pode ser feita pelos licenciados pela FIFA. Até do pipoqueiro a FIFA cobra royalties.

Por ser aberto, nada impede que black-blocs se infiltrem na multidão e comecem a atacar as tendas ou os totens dos patrocinadores e promover quebra-quebras.

O tumulto pode resultar em correrias e até mortes, por pisoteamento.

O contingente da Polícia Militar para organizar a multidão não será suficiente para evitar a ecolosão do tumulto. Poderá intervir na sequência, mas não para prevenir a ocorrência, a menos da detenção daqueles que insistirem em comparecerem mascarados. A tendência é que os blackblocs compareçam como torcedores normais e somente se manifestem quando já estiverem dentro, retirando as camisetas e as transformando em máscaras. 

Por serem realizados em locais abertos, a tática do cerco aos vândalos é praticamente inviável. O contingente para tal teria que envolver todo contingente da Polícia Militar, com reforço da Força Nacional e até das Forças Armadas.


Envolverá um custo enorme que a FIFA não irá cobrir, entendendo que a obrigação de segurança externa é dos Poderes Públicos. Se os tumultos ocorrerem, ainda que as estratégias de contenção deem certo, os prejuízos de imagem serão muito grandes.

Para não correr riscos, Prefeituras e Governos Estaduais estão começando a desistir de promover as fanfest, apesar de estarem sujeitas a indenizações por quebra de contrato. 

O prejuízo político será muito maior se ocorrerem tumultos com mortos e feridos. E em seguida à Copa haverá eleições gerais. 


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Em quem o eleitor vai votar?

Numa eleição os atores mais importantes são os eleitores, não os candidatos. 
Cada um dos eleitores vai fazer a sua escolha e do somatório das decisões individuais vai decorrer o resultado, com a eleição de um dos candidatos.

O que faz com que o eleitor escolha um candidato e não outro?
Os corações e mentes dos eleitores não são iguais e é dentro dessas diferenças que os candidatos buscam conquistar a preferência do eleitor.

Apesar das diferenças há pontos comuns o que permite reunir grupos em segmentos do eleitorado. 

Dois seriam os grandes segmentos em que pode ser dividido o eleitorado: os pertencentes à opinião publicada e os que integram a opinião não publicada.

Os integrantes da opinião publicada são pessoas de maior educação, que lêem os jornais ou acompanham o noticiário pela televisão, ou pelo rádio (quando estão presos nos congestionamentos) e são influenciados pelas notícias e pelas análises ou comentários dos colunistas ou editoriais. 

Os seus integrantes tendem a achar que constituem a totalidade do eleitorado ou que as suas preferências e opiniões definirão as eleições.  Tendem a avaliar as circunstâncias, através de posições prévias. Já tem o seu candidato preferido.

Mas eles não devem representar mais do que 1/3 do eleitorado. Quem, efetivamente, decide as eleições é o restante 2/3 que podem ser caracterizados como opinião não publicada. Não acompanham a política no dia a dia, não leem os jornais, só acompanham acidentalmente o noticiário político na televisão, com pouco interesse e se frequentam as redes sociais, não acompanham as questões políticas.

Portanto para desenhar os cenários da eleição presidencial de outubro de 2014 é preciso desenhar os cenários do comportamento provável da opinião não publicada.

Esses 2/3 incluem a população de menor renda, cuja decisão eleitoral se baseia na visão de que esse ou aquele candidato irá melhorar a sua vida. 

A sua visão de mundo não vai além do que consegue enxergar dentro da sua vida cotidiana. O seu mundo é real e não imaginário, como ocorre com a opinião publicada.

Essa, por exemplo, vê a inflação pelos índices. A opinião não publicada só a percebe pelas suas compras. 

A opinião mais generalizada, nos dois segmentos é que o país precisa de mudanças. Mas, pelas últimas pesquisas, os que acreditam que as mudanças poderão ser feitas pela atual Presidente é maior que a que creem que os demais candidatos possam fazer.

É uma percepção contraditória que precisa ser melhor interpretada, pois isso poderá ser a chave da eleição.

Por que os candidatos da oposição não conseguem passar para o eleitorado a percepção de que eles são agentes da mudança? São vistos como mais do mesmo? 

Como e por que um número significativo de eleitores acham que uma Presidente teimosa pode promover mudanças em relação ao que ela mesmo vem fazendo? Seriam mudanças futuras ou percebem que as mudanças estão em curso?




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O que vemos e o que não vemos

Na sociedade do espetáculo, ou melhor na sociedade midiática, a população reage ao que vê na televisão ou lê nos jornais ou revistas. Para a maioria da população se não foi noticiado, não aconteceu.

Santiago Andrade não foi a primeira vítima fatal das manifestações dos black blocs? Pode não ter sido, mas foi o primeiro a ser atingido e mortalmente ferido diante das câmeras dos colegas, que documentaram o ocorrido e o difundiram amplamente. Tornou-se um fato notório e verdadeiro.

Se alguém foi morto, acidentalmente ou não, sem ser documentado, para a sociedade não existiu, ou é fofoca.

Linchamentos ocorrem todos os dias, mas quando ocorre no Rio de Janeiro e a vítima é fotografada, acorrentada e nú, gera um trauma social. Estaríamos diante da barbárie? Ou já estamos há muito tempo, mas não documentado e difundido. Agora apareceu um caso documentado e a opinião pública passa a acreditar que é uma realidade.

Vandalismo também é comum, mas quando documentado nas recentes manifestações populares, dá margem a reações da sociedade, com a proposição de leis mais severas. Os mais radicais querem tratar os black blocs como terroristas.

Os favoráveis e os contrários às ações mais repressivas usam a democracia com o objetivo: o vandalismo estaria colocando em risco a democracia. Para o outro lado, seria a repressão que está contra a democracia, proibindo a livre manifestação.

Há um vandalismo documentado. Os defensores da liberdade das manifestações não tem como esconder. Quando muito, alegam se tratar de casos isolados, pontuais que a mídia procura amplificar, generalizar para justificar as medidas repressivas.

Os manifestantes estão sendo espancados pelos policiais? Sim, estão documentados e, portanto, é verdade. As autoridades usam a mesma argumentação: tratam-se de casos isolados.

Ambos não tem com evitar a documentação e divulgação, pois isso contrariaria a liberdade da imprensa.

Já os que partem para o quebra-quebra são tomados por uma fúria juvenil, incubado e alimentado pela repressão familiar e social. Estão indignados com a situação em que estão vivendo, sem perceber grandes possibilidades de melhora. 

Ao contrário, o que percebem é uma tendência à piora, com afunilamento das esperanças.

A resposta do Governo, em vez de atacar os problemas crônicos ou estruturais é fazer o "oba-oba" da uma grande e magnífica festa que pretende que seja a Copa do Mundo, nos próximos meses de junho e julho. O povo não quer festa, quer educação, quer saude. 

A revolta pode voltar a eclodir, com manifestações reunindo grandes públicos, sem a presença dos black blocs.

A presença do público nas manifestações refluiu em função das ações violentas e de vandalismo dos black blocs, cada vez mais contidas pelas estratégias policiais.

Com a retirada deles, os que querem se manifestar pacificamente voltarão às ruas. 

A insatisfação permanece latente. Os inquietos querem sair às ruas. Só deixaram de fazê-lo por conta da violência dos black blocs que usurparam as lideranças dos movimentos. 

Se constatada, efetivamente, a segregação e contenção dos mesmos, os pacíficos voltarão às ruas, em milhares ou até milhões. 






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Guerra é guerra!

Nas passeatas há pelo menos duas categorias básicas de pessoas: os ativistas que tem objetivos e estão dispostos a lutar por esses e os simpatizantes ou seguidores que se juntam aos primeiros para manifestar a sua adesão às causas daqueles ou para demonstrar a sua inconformidade.

Diante das ações mais violentas dos ativistas e da reação policial os simpatizantes tendem a refluir, deixando de engrossar a massa de pessoas nas passeatas.

A estratégia bem sucedida das autoridades nas duas últimas passeatas anti-Copa, promovendo o cerco dos ativistas e detendo todos os cercados, sejam ativistas ou simpatizantes, obrigam os ativistas a mudar as suas táticas.

As ações dos ativistas terão que mudar de locais, transferindo as ações para vias mais amplas, onde sejam mais difíceis de serem cercados, assim como tenham maiores válvulas de escape.

O novo cenário determinado é a Av. Faria Lima, para a mobilização já anunciada para 13 de março, um dia da semana. 

Essa mudança traz riscos: a mais importante é que afaste os simpatizantes, ficando a mobilização restrita aos ativistas, com uma participação reduzida e preventivamente controlada.

Para as autoridades interessa a ocorrência de atos coletivos prévios ao período da Copa, para testar as suas estratégias e táticas, em diversas condições e promover o seu desgaste. 

Uma das táticas é do "arrastão de identificação". Com o cerco e identificação, embora liberados em seguida, eles serão intimados a prestar depoimentos ou esclarecimentos no dia da mobilização, de forma a ficarem "detidos" nas delegacias, durante o período do ato. Não estarão concentrados numa única delegacia, mas em diversos. O objetivo estratégico das autoridades é promover a dispersão de ações e concentrações. 

A estratégia "burocrática" provocará maior refluxo dos simpatizantes, ainda mais para um ato durante a semana. Os trabalhadores que forem intimados, irão perder o dia de trabalho, com desconto ou não.

A alternativa dos ativistas é tentar mobilizar os movimentos sociais organizados, como os do sem terra ou sem teto. Esses são, em grande parte, patrocinados pelo Governo petista que, não quer os atos anti-Copa. Não poderão contar com o apoio logístico usual. 

A estratégia das autoridades é de desgaste e esvaziamento dos movimentos populares anti-copa, de tal forma que esses não tenham força para ocorrerem durante a Copa.

Já os ativistas precisam de um mártir, para sensibilizar os simpatizantes. Infelizmente para eles a vítima foi um membro da mídia e provocada por ativistas black-blocs. A antipatia social se voltou contra eles.

A insatisfação popular contra os gastos com a Copa, em detrimento de recursos para educação, saúde e outros setores considerados mais prioritários permanece latente. 

A Copa no Brasil, que se esperava contar com a unanimidade da sociedade brasileiro, com exceções marginais, a divide. Pesquisas indicam que a maioria ainda apoia, mas o volume dos contrários não é desprezível.

Ainda existem elementos submersos que poderão fazer eclodir manifestações populares de grande porte. Quais são ainda não se sabe.




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Estratégias anti black-blocs

Estratégia não se conta para os outros. Ou se conta é para tentar enganar o inimigo ou adversário. Diz que vai seguir uma e na hora aplica outra.
Estratégia é a arte do general. A sua origem e sua razão está na guerra, no confronto. Essa invenção criada de planejamento estratégico que seja "bom para os dois" é pura bobagem.
Quando se tem um inimigo o objetivo é aniquilá-lo. Quando se tem um adversário o objetivo é superá-lo, vencê-lo numa disputa.
Estratégia é o oposto do espírito olímpico: "o importante é competir, não é vencer". A estratégia deve sempre ter um objetivo claro: vencer. 

A FIFA ainda não entendeu, ou melhor, não está querendo entender o que está ocorrendo no Brasil, com a programação de realização da Copa do Mundo, em junho e julho próximo.

Ela está preocupada com a conclusão dos estádios, mas não quer aceitar que os Governos possam não cumprir as obrigações assumidas com relação às estrututas complementares, festas do entorno e às fanfest.
Não entendeu que o principal alvo das manifestações anti Copa é ela e não a Copa, em si.

Os black blocs anunciaram a sua estratégia, depois do incidente no Rio de Janeiro. Propiciaram às forças policiais a montar a contra-estratégia.


Ontem houve, em São Paulo mais uma manifestação contra a realização da Copa. A teoria da conspiração dirá que foi convocada a mando (ou inspiração) do Governo do Estado para testar as suas novas táticas em relação aos vândalos, os chamados black-blocs. Seria um treinamento e deu certo, mas ainda com muitos problemas.


Os black blocs vão ter que mudar suas táticas ou fazer uma retirada estratégica.


A tática que havia surtido efeito na manifestação anterior e agora foi aperfeiçoada.


A manifestação é acompanhada por fileiras de soldados comuns da Polícia Militar. Quando um grupo se desgarra, com nítida intenção de vandalizar, seja pela reunião só de mascarados, como pelos seus gritos de guerra e ações iniciais, um grupo de elite é avisado, assim como a tropa de choque para esperá-los, mais à frente. 


Não é difícil prever os seus percursos, pois são vias centrais onde há concentração de agências bancárias, seu principal alvo. Em segundo lugar está concessionárias de veículos, lojas de redes multinacionais de "fast-food" e outros grandes símbolos do capitalismo.


A sua retaguarda é cercada pelos milicianos que os acompanhavam, eventualmente reforçados por tropas de choque.



O vandalismo não é contido, para que seja documentado pela imprensa que os acompanha. Quando chegam mais à frente encontram a tropa de choque os esperando. A retaguarda está tomada, ou seja, estão cercados. Ai entra o grupo preparado para o corpo a corpo, e imobilizam os que reagem. Os demais são obrigados a se deitar ou ficarem sentados.


Como todos que foram cercados são detidos há os black-blocs, simpatizantes, curiosos e os reporteres que estavam cobrindo as ações. Muitos soldados não foram preparados para distinguí-los e a principal falha foi a agressão e detenção de repórteres, principalmente os que estavam tomando as imagens.

Cercados eles são levados às delegacias, em ônibus ou vans já previamente estacionados nas proximidades para tal. Lá são identificados, fichados, prestam depoimento e liberados, depois de várias horas. Alguns poucos são presos e encaminhados para presídios, por portarem armas ou por terem sido flagrados em atos de vandalismo.

A estratégia anterior era de dispersão dos bandos. Agora é de tangê-los com as mesmas bombas para os locais estreitos, cercá=los e detê-los. Estratégia milenar. Os black-blocs se não leram precisam ler Sun Tzu.


As táticas continuam desastrosas, em função do despreparo dos soldados, com as suas reações truculentas sem a necessária capacidade de distinguir as categorias dos manifestantes.


Os repórteres são, em geral, jovens e solidários com os black blocs, podendo até serem alguns deles. Mas tem que serem deixados a cumprir o seu papel de informação. As suas atividades não podem ser cerceadas.


A imagem que é transmitida, apesar das filtragens das chefias de redação, é negativa para as autoridades.


Logo após o Carnaval nova manifestação anti-Copa será marcada em São Paulo. Será mesmo dos movimentos sociais ou mais um teste para as estratégias e táticas da Polícia. 


Quais serão as novas táticas dos black-blocs para enfrentar as mudanças adotadas pela autoridades?


Os cenários estratégicos atuais, dizem que "vai ter Copa" e não vão ocorrer manifestações significativas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas e nas demais cidades?


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quem está organizando a Copa?

Quem está organizando a Copa do Mundo da FIFA - 2014?
É o Brasil? O Governo Brasileiro? ou a FIFA?

A percepção é difusa, mas predomina a idéia de que é o Brasil, o país quem está organizando o evento. Há uma confusão entre a organização do evento em si, uma competição esportiva, e a construção ou disponibilização da infraestrutura para a realização dos jogos e de todos os eventos complementares, como o sorteio dos jogos, seminário técnico, congresso da entidade, etc.

O Governo Federal assumiu a responsabilidade maior pela organização da Copa, quando a Presidente veio a público dizer que faremos a "Copa das Copas".

Uma visão corrente é de que a organização não será da FIFA, embora o evento seja dela e quem vai pagar a conta seremos nós os contribuintes ou o povo brasileiro.
Valerá a pena?
Com que objetivo? Mostrar que somos capazes de organizar um grande evento mundial, melhor do que todos os outros? Que vamos fazer a "Copa das Copas", melhor do que a Alemanha, o Japão, os EUA e outros tantos paises desenvolvidos, porque melhor que a África do Sul, não é vantagem alguma.

Ou seria porque com a Copa no Brasil, ganharemos o trofeu?

A infraestrutura para receber a Copa, envolve essencialmente a disponibilização para a FIFA realizar o evento, ao longo de um mês, de um conjunto de estádios, dentro dos requisitos definidos no seu Manual, mais a infraestrutura pública aeroportuária e de mobilidade urbana.
O mínimo necessário é de oito estádios, mas deveriam ser planejados pelo menos 10 para ter uma reserva. O Brasil se comprometeu em aprontar, desnecessariamente, para a FIFA, 12 estádios para atender a composições regionais.
Desses, seis já foram utilizados para a Copa das Confederações, em 2013, 3 novos já foram inaugurados em 2014, e três ainda não foram abertos para receber jogos e público. 
Mas mesmo os que foram inaugurados estão inteiramente prontos, segundo as exigências da FIFA. Faltam equipamentos complementares.

Para a realização dos jogos, os gramados estarão prontos e preparados para eventuais intempéries. Poderá chover muito, mas o campo não ficará inundado, com poças de água. 

O público será bem acomodado e serão poucas as reclamações de pontos mortos. Os problemas de organização ainda poderão estar na ocupação indevida de cadeiras marcadas. Questões pontuais com relação aos banheiros, bares, sinalização e outras poderão ocorrer, sem prejudicar a qualidade da organização. As reclamações maiores serão sobre os preços dos produtos comercializados dentro dos estádios. 

Não faltarão lugares para os turistas, sejam estrangeiros ou nacionais, para se hospedarem, no período da Copa. A demanda será menor do que uma oferta excessivamente ampliada, contando com uma "invasão" de turistas que não ocorrerá. O problema estará nos preços abusivos pretendidos pela hotelaria, assim como da gastronomia. 

Provavelmente a Copa 2014 será a Copa mais cara de todas. Um pequeno grupo de torcedores que acompanham todas as Copas, poderão fazer as comparações reais, com base nos seus gastos efetivos. A maioria só terá comparações estatísticas, com a sensação de que o Brasil é caro. 

O problema maior estará na contaminação da alta de preços, por conta da Copa. Tudo o que for consumido pelos turistas estará mais caro durante a Copa, para todos, principalmente a população local. 

A mobilidade urbana, para os turistas, para acesso aos estádios não terá maiores problemas, com reclamações maiores por parte dos torcedores locais não acostumados com as restrições de chegar e estacionar o seu carro nas proximidades dos estádios.
Mesmo existindo, estacionamentos juntos ao estádio, liberados para jogos comuns estarão fechados durante os jogos da Copa. 
Já no dia a dia, para passeios e outras locomoções os turistas terão que enfrentar os mesmos percalços dos moradores locais. Mas serão consideradas situações normais que também ocorrem em outras grandes cidades mundiais, não afetando seriamente a perspectiva sobre a organização da Copa. Ainda que não venha a faltar reclamações e críticas.

Os problemas maiores que vão afetar a visão de uma boa organização da Copa estarão nos aeroportos e, mais ainda, nas rodoviárias. Os tumultos serão inevitáveis, pela concentração momentânea de pessoas. Poderão ser agravadas pelas condições meteorológicas. 

Será o maior risco para a imagem de organização do Copa. Se ocorrerem problemas será debitada inteiramente ao Governo Federal e o país: ficará a imagem de que o Brasil não se preparou ou não estava preparada para receber a Copa. Mas, nesse campo só resta contar que "Deus seja brasileiro" e esteja de bom humor durante a Copa.

Fica ainda o problema de segurança, ainda com algumas incógnitas, analisadas em outro artigo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estratégias de segurança para a Copa

A estratégia de segurança pública para a Copa deverá considerar a diversidade dos grupos "adversários" ou "inimigos" que poderão criar situações de insegurança.
A estratégia básica é de persuasão. Desenvolve-se tamanho aparato preventivo o ostensivo para que os inimigos fiquem intimidados a agir.

As notícias vazadas pelo Governo, incluindo a utilização das Forças Armadas, faz parte dessa estratégia. A FIFA ainda não entendeu o atual ambiente brasileiro e continua acreditando que estará tudo tranquilo durante a Copa. Não é bem assim: há grandes focos de insatisfação, impaciência e intolerância: que explodem em revoltas.

Os primeiros oponentes são os movimentos sociais que querem se manifestar pacificamente contra os gastos com a Copa e defender maiores recursos para educação e saúde, assim como os direitos dos desalojados pelas obras. Esses movimentos são predominantemente da classe média tradicional, mas podem receber o apoio dos movimentos sociais mais populares. 

Não pretendem ir à luta, mas querem mostrar ao Governo e à mídia nacional e internacional a sua desaprovação aos gastos com a Copa. Não tem a veleidade de impedir a realização dos jogos, tampouco a circulação das delegações. O sentido maior é de protesto. 

Contam com as forças de segurança para protegê-los ao longo das suas caminhada pacíficas. Com isso uma parte das forças policiais será deslocada para o seu monitoramento ou proteção.

Acabam funcionando como massa de manobra para os grupos com outras intenções. Esses querem aproveitar as movimentações de massa para as suas ações, não tão pacíficas. 

A tática "black bloc" será usada para ações de vandalismo e atrair as tropas de choques das respectivas policias militares. 

Outros irão para as áreas de hospedagem das seleções para tentar perturbá-las, com o objetivo de fazê-las desistir de ficar na competição. O seu objetivo é que a Copa não ocorra: "não vai ter Copa"
Pode não ser plausível, mas faz parte da visão obtusa e distorcida de radicais que confiam cegamente na luta. Dilma conhece bem esse pensamento e comportamento  e não quer deixar nenhuma margem, para prejudicar a sua festa. Agora que está do lado de dentro. 

Tudo isso será controlável com ampliação das forças de segurança. São 12 cidades e 32 delegações esportivas, mais a da FIFA para serem protegidas. Para o jogo da abertura serão ainda centenas de convidados Vips e VVips, incluindo autoridades de diversos paises. Cada qual merecerá um aparato de segurança. 

Com a sensação de insegurança, muitas autoridades desistirão de vir, aliviando o trabalho das forças de segurança. 

As forças de segurança utilizarão a inteligência, em todos os sentidos, para monitorar a movimentação das forças adversárias e para se prepararem, tendo que deslocar imensos contingentes, para pelo menos 44 localidades. 

Todas precisam ser protegidas, pois mandam as táticas militares que não se ataque as fortalezas mais protegidas, mas aquelas menores, mas cuja destruição causa grandes impactos. 
E o objetivo dos anti-Copa é tumultuar a sua realização. 

Duas incógnitas devem ser consideradas: o controle sobre o comportamento dos policiais e  ação das facções criminosas. A reação natural dos PMs, quando provocados ou atacados, é de "sair na porrada" e isso provocará a adesão da sociedade a favor dos manifestantes e dos blackblocs: um policial ferido é considerado natural, um manifestante ferido causa um impacto dez vezes maior. 

A questão mais grave é das facções criminosas: o que eles aprontarão, com todas as forças de segurança focadas em assegurar a "Copa das Copas"?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

2014 - um ano de muitas frustrações

O Governo Brasileiro criou grandes expectativas para 2014, tendo a Copa do Mundo da FIFA, como o principal gerador da felicidade geral da nação.
O único resultado que poderá se efetivar, dentre tantas esperanças alimentadas pelo povo brasileiro, embalado pela propaganda oficial, seria a conquista do hexa-campeonato, com o capitão da equipe brasileira levantando a Copa em pleno Maracanã, no mês de julho, 64 anos após a grande frustração anterior.

Tudo o mais não ocorrerá como o desejado ou apregoado. Os estádios ficarão prontos, com investimentos elevadíssimos, e a maioria se tornará uma manada de elefantes brancos. Os legados da mobilidade urbana, mesmo das obras prontas serão parcos. E a maioria não estará acabada no período da Copa, com alguns nem começados.

Não chegarão durante a Copa os apregoados 600 mil turistas estrangeiros. Há mesmo o risco de que o total de turistas estrangeiros durante junho e julho de 2014 seja menores do que dos anos anteriores, porque os turistas que vem normalmente nesse período, deixariam de vir, por receio de competir com os turistas da Copa. Os eventos corporativos serão suspensos no período.
Os hotéis não ficarão lotados, com grandes sobras de quartos a preços caríssimos. 

Os produtos preparados pelos pequenos e micro empresários, estimulados pelo SEBRAE ficarão encalhados.

O maior volume de turistas estrangeiros será de argentinos que, para acompanhar a sua seleção, poderão fazer o "bate-volta", sem pernoitar em território brasileiro.
Um dos principais gastos será com o ingresso nos estádios, todos esses canalizados a favor da FIFA. 

Quem estava esperando "faturar horrores" com a Copa "pode tirar o cavalinho da chuva".


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um jogo de cartas marcadas

A mídia mais uma vez foi manobrada pelos "espertalhões da FIFA" para não ter que colocar o seu rico dinheirinho para realizar a Copa no Brasil, transferindo para os Governos todos os encargos com a infraestrutura.
Velcke e sua troupe se aproveita da ignorância  e até ingenuidade dos jornalistas para dar suporte às suas jogadas, com os seus blefes.
Os jornalistas se fiam demais nas declarações das autoridades e se interessam mais com as fofocas do que em informar adequadamente os seus leitores, pesquisando mais a fundo as informações e as situações.
Um mínimo de conhecimento de engenharia, ou a entrevista com competentes engenheiros mostraria que não havia qualquer problema técnico para concluir a arena da baixada a tempo. Nem se culpem os engenheiros pelos supostos atrasos numa construção aparentemente simples. 

O problema sempre foi de natureza financeira, com o Atlético Paranaense, da mesma forma que o Internacional e o Corinthians se recusando a assumir compromissos com a construção do que não vão usufruir depois da Copa. Sempre entenderam que as tais estruturas transitórias ou complementares deveriam ser financiadas pelos Governos ou pela FIFA.

Os Governos Estaduais e Municipais, em princípio, assumiram o compromisso de realizá-las, mas recuaram depois das manifestações populares de junho de 2013. Eles como o Governo Federal e a FIFA acreditavam no pleno apoio popular e que não haveria contestações com os gastos, aplaudindo o esforço para sediar os jogos e festividades complementares.

Um dos elementos dessas estruturas adicionais são arquibancadas transitórias para aumentar a capacidade dos estádios para os jogos da Copa e que depois serão retiradas. Poderiam até serem mantidas se houvesse previsão de público para utilizá-las. O Corinthians, por exemplo, deveria mantê-las, pois seria similar ao "tobogã".

O dono do estádio deve colocar essas arquibancadas, contratando um fornecedor tradicional da FIFA, essa vende os ingressos para sua ocupação, nada pagando ao dono do estádio, depois aquelas são desmontadas. Ou seja, toda receita fica com a FIFA e toda despesa com o proprietário do estádio, chamado de arena multiuso para "dourar a pílula".

Mas o problema maior não são essas arquibancadas, mas as tendas temporárias levantadas com três finalidades: abrigar os centros de mídia, as exposições dos produtos dos patrocinadores e receber os convidados VIPs e VVIPs. Custarão de 30 a 70 milhões de reais a mais.

Essas atividades poderiam ser realizadas em equipamentos permanentes no entorno dos estádios, mas a FIFA havia recusado essa alternativa porque a ela interessava atender aos seus tradicionais fornecedores das tendas e demais instalações. Obrigou o Governo Distrital de Brasília a montar as tendas para abrigar o Centro de Mídia para a abertura da Copa das Confederações. Para a Copa do Mundo está aceitando utilizar o Centro de Convenções.

Diante da resistência dos empreendedores brasileiros em assumir aquela despesa adicional, montou uma jogada de risco, aproveitando a condição de efetivo atraso técnico das obras da Arena da Baixada. Ameaçou cancelar os jogos em Curitiba. 

As obras foram aceleradas, colocaram os assentos e o gramado para a FIFA e a mídia verem, mas os impasses financeiros continuaram, sem solução até o final da semana, 4 dias antes da data dada como final. 

Ai ela fez ou passou a divulgar o valor das multas que os Governos teriam que pagar com o eventual cancelamento dos jogos em Curitiba. Fez com que emergissem as contas de perdas da hotelaria e de outros agentes que contavam com as seleções e os turistas em Curitiba.

Politicamente, ameçaram com a entrada, já na prorrogação, de Gleise Hofmann para marcar o "gol de ouro" e evitar a decisão por penalties. Para o Governador, candidato à reeleição, seria um risco muito alto.

Com a perspectiva de perder os jogos e ainda ter que pagar uma pesada multa ele, provavelmente, achou mais prudente se comprometer a garantir os recursos do que "jogar na sorte". Mas quem tomou a dianteira foi o Prefeito.

O herói ou heroina real da permanência de Curitiba na Copa ainda não apareceu, mas aparecerá.

O objetivo da FIFA não foi apenas passar um susto no Paraná, mas em todos os Governos das cidades-sede para que não deixem de investir nas tendas, assim como na realização das fanfests. 

Os "camelôdromos" da FIFA estão assegurados. Já as fanfest envolvem questões mais complexas, como a da segurança. 
E o novo "pepino" que a FIFA vai ter que enfrentar, agora que vai ter Copa em Curitiba.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mobilidade humana

A mobilidade urbana é ainda um tema dominado pelos "transporteiros". Apesar de uma denominação mais ampla do que transporte urbano, a mobilidade continuou discutindo as alternativa de modos de transporte e dominado pelos defensores do transporte coletivo em detrimento do transporte individual. Sempre para os outros. Porque a maioria deles ainda usa predominantemente o carro em vez do transporte coletivo, seguindo um lema secular: "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".
A questão precisa ser vista por outro ângulo: o do cidadão urbano e, como tal, a perspectiva deve ser outra: a da mobilidade humana.
Não se trata apenas de um jogo de palavras, mas um ângulo diferente: o ponto de partida é o deslocamento das pessoas nas cidades. 
Esse deslocamento pode ser caracterizado como viagem, que deve ser caracterizado completo, desde uma origem inicial a um destino final. Com as devidas redundâncias para reforçar o sentido completo das viagens. O início é o final são sempre a pé (exceto circunstâncias especiais).
E quando se cuida dos meios ou modos de transporte, nas grandes cidades, é preciso incluir um dos meios coletivos mais usados: o elevador.

Uma viagem completa significa sair de casa (local da moradia) e chegar ao escritório (local de trabalho). Essa viagem envolve para cada pessoa a utilização de diversos meios de deslocamento e a somatória de todas essas viagens que determina a mobilidade urbana.

Dentro da mobilidade urbana o que mais chama atenção são as vias públicas congestionadas, gerando a idéia simplista e equivocada de que a solução para a sua redução é a transferência do carro para o metrô ou outro meio de transporte coletivo. Como se os veículos fossem seres animados. 

Qualquer solução não pode partir da discussão sobre o meio de transporte, mas sim do deslocamento das pessoas, isto é, a mobilidade humana. Das decisões e opções adotadas pelas pessoas.

A pergunta inicial da mobilidade humana é por que as pessoas precisam se deslocar dentro das cidades?

A pergunta subsequente é - em precisando se deslocar - por que elas escolhem um ou outro meio de locomoção?

A partir da pergunta inicial o objetivo primeiro de uma política de mobilidade humana deve ser a redução ou minimização das necessidades de deslocamento das pessoas. Seja em volumes de deslocamentos, como das distâncias dos deslocamentos. 

Há um indicador que mede isso, mas pouco usado: viagem.km. As pesquisas OD levantam a quantidade de viagem, mas não o indicador viagem.km. 

A meta numérica deveria ser a redução da quantidade de viagem.km, medida em São Paulo, a cada dez anos, dentro da pesquisa OD.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A tática black-bloc gera contradições do Governo


Dentro das manifestações populares de junho de 2013 emergiram manifestantes radicais praticando atos de vandalismo, confrontando a Polícia Militar e outras ações que foi caracterizada pela mídia como tática black-bloc. As pessoas foram transformadas em tática, porque não se tratavam de grupos organizados, porém indivíduos com propósitos semelhantes. 
Seriam apenas praticantes de uma determinada tática, como adeptos de um golpe de artes marciais.
Se começou assim, é apenas história. Agora as pessoas se conheceram nas manifestações e se organizaram em grupos, com lideranças e mecanismos de financiamento.
Deixaram de ser inteiramente clandestinos para serem identificados pela mídia, dentro de grandes contradições.

Os seus participantes são predominantemente de esquerda e se posicionam como anticapitalistas, alinhando-se em grande parte com o PT e o atual Governo Federal. O seu objetivo maior é a mudança do sistema econômico, dominando pelo capitalismo e, dentro dele, pelo  capitalismo financeiro. A tática black-bloc é atacar os mais evidentes símbolos desse capitalismo.

Agiram mais livremente contando com a leniência governamental, e o apoio da sociedade contra a truculência da Polícia Militar. Mais do que isso: faz parte da tal tática blackbloc provocar as forças policiais para que essas revidem com a sua usual incompetência e com isso engrossar as suas fileiras. Trabalham para estimular o espírito de luta, que existe nos jovens. Associando à insatisfação com "tudo o que está ai", reúnem os adeptos da "tática do black-bloc". 

Dois movimentos recentes mostram as contradições e o tratamentos diferenciados.

O MST, um dos movimentos sociais mais organizados e apoiados pelo PT aderiu à tática do black-bloc e entrou em confronto com a Policia Militar Distrital que é governado pelo PT, reivindicando maior atenção do Governo Federal à reforma agrária, mas especificamente à ampliação dos assentamentos.

A reação do Governo Federal foi de prontamente aceitar a condição de serem recebido pela Presidente. O Governo petista não adotou a posição usual de não dialogar com vândalos ou de não negociar sob pressão. É incomum que a autoridade máxima se disponha a negociar diretamente com manifestantes. Só quando precisa do apoio deles para a sustentação do poder. 
Os "sem terra" vão continuar sendo "enrolados" mas para efeito da sua massa, conquistaram uma vitória. Os seus líderes sairam fortalecidos para coordenar novas ações.

No Rio de Janeiro os vândalos se uniram e engrossaram os manifestantes que protestavam contra o aumento do valor das passagens do transporte público e reivindicavam a anulação daquele, adotando as tais táticas do black-bloc que acabou resultando numa tragédia anunciada, mas de grande repercussão, porque a vítima foi um integrante da mídia. Dificilmente conseguirão reverter o aumento das passagens, o movimento irá arrefecer e deixará para muitos a amarga sensação de derrota e o ceticismo sobre a compensação da ação: "será que vale a pena ir às ruas?".

Os ativistas são sempre mais radicais e crentes. Acreditam que através da luta conseguirão o seu objetivo, inaceitando a realidade. Nada os convencerá de que perderão as batalhas e estão se preparando para o confronto.

Um grupo selecionou um objetivo que será o seu grande alvo: a Copa do Mundo, transformado num grande evento capitalista. Pretendem tumultuar evitando a ocorrência da Copa no Brasil: "não vai ter Copa".

O Brasil seria o país do futebol. Mas para esses jovens, "o futebol seria o ópio do povo". Esse mote "ópio do povo" já foi usado muitas vezes ao longo da história da humanidade, algumas vezes com sucesso. Os ditadores sempre usaram o "pão e circo" para desviar a atenção do povo às suas mazelas.

O futebol está realmente na "alma do brasileiro" e controlar uma bola é um elemento cultural forte, alcançando todas as camadas sociais. E torcer por um time é, igualmente, um elemento cultural que atinge pobres e ricos. 

É um elemento cultural amplo no Brasil, mas tem características globais. Em todo o mundo se joga o futebol ou pelo menos o controle de uma bola.

A FIFA, percebendo esse fenômeno mundial, transformou a Copa do Mundo no maior evento midiático mundial, buscando o patrocínio das grandes marcas do capitalismo mundial. Patrocinar um evento mundial, cobrado como tal, só interessa às grandes marcas mundiais que querem estar presente em todo o mundo. Não é por outro motivo que Coca-Cola, McDonald, Visa e outros grandes símbolos do capitalismo mundial são os principais patrocinadores da FIFA e da Copa do Mundo.

Isso não traz só benefícios. Tem os seus ônus, que a FIFA, tão radical como os adeptos do black-blocs o são. Ela não quer reconhecer que se tornou o maior simbolo do domínio capitalista, junto ao povo. E como tal se tornou o principal alvo dos radicais que contestam o capitalismo. 

Os governos, mesmo quando de esquerda, acabam se compondo com o capitalismo. Alguns vão além: desenvolvem o capitalismo de Estado, como está fazendo, com imenso sucesso, a China.

O Governo Brasileiro é de esquerda, mas ele que, através do Presidente Lula, se comprometeu a realizar a Copa no Brasil, o que já havia sido refutado pela ditadura militar. 

Enlevado pela percepção de que o povo brasileiro é "louco por futebol" aceitou todas as exigências da FIFA e agora está "em palpos de aranha". 

Tem a obrigação de realizar a Copa, com a melhor das organizações, mas tem a oposição radical daqueles que seriam uma das suas grandes bases de apoio popular: os jovens esquerdistas. 

Eles são contra a Copa, porque essa é percebida como o grande símbolo da hegemonia capitalista, usando o futebol para desviar a atenção para os problemas maiores da sociedade brasileira.

Os jovens também aceitam a Copa. Mas não em detrimento da educação e da saúde. Acreditam que combatendo a Copa irão conseguir maior atenção para a educação e para a saúde. Segundo o "padrão FIFA".

A esquerda concorda, mas não quer a contestação com violência. Os balckblocs acreditam piamente que sem luta, sem violência nada conseguirão. Irão às ruas.

Dilma já viveu esse quadro e conhece bem. Sabe que nada irá demovê-los. 

Com as estratégias anunciadas deixam de ser adversários para se tornarem inimigos. Para evitá-los será necessário aniquilá-los. Como?

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mudança de estratégias em relação à Copa

Dilma, se voltasse no tempo, seria uma jovem revolucionária, adepta das táticas block-blocs. Mas agora é velha e governante. 

Informa a Folha de São Paulo que, diante das pesquisas qualitativas da sociedade em relação à Copa, o Governo mudou a sua estratégia de comunicação.
Teria deixada a mensagem do legado, que dominou o discurso até há pouco tempo, para dar lugar à "Copa das Copas". A idéia é trabalhar com o interesse do brasileiro com a Copa e a sua torcida pela seleção e contrapor às manifestações.
Em que pese a competência dos seus assessores e consultores em comunicação, a Presidente está correndo um alto risco de fracasso, com resultados diversos do pretendido.
Não obstante as manifestações do "Não vai ter Copa" essa será realizada, com grande sucessso "indoor", seja nas arquibancadas, como no campo. A ocorrência de um atentado terrorista ou de briga entre torcidas é remota. Mas com grandes massas é sempre possível ocorrer algum acidente. 
Persiste o risco de um apagão eletrico e de telecomunicações, mas serão controlados mediante geradores e backups, redundância e outros mecanismos alternativos.

Só não vai ser a Copa das Copas para a FIFA, particularmente, para Josef Blatter porque será vaiado no seu discurso de abertura.



Todo esforço, no entanto, não será suficiente para evitar as manifestações de rua. 


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Não é preciso fugir da Copa

Tem muita gente com medo da Copa, programando fugir das cidades-sede nos dias de jogo. Não é preciso.
Foi criada uma excessiva expectativa em relação à Copa, como viesse ocorrer uma revolução durante a sua realização.
A Copa é o maior evento midiático mundial. Por isso mesmo, haverá essa "revolução" na mídia. Mas na realidade cotidiana o impacto será muito limitado e pontual, centrado em alguns locais.

O  principal impacto será nos aeroportos, com uma concentração momentânea de viajantes, mas com o risco de não ocorrerem os problemas anunciados, porque os outros poderão evitar de viajar nessa época. Só ocorrerá se os "fujões" quiserem viajar na mesma época.

Quem está com medo da Copa precisa viajar bem antes e voltar depois. 

Não haverá o volume de 600 mil turistas estrangeiros no país durante a Copa, a menos das estatísticas que contarão - de forma múltipla - os mesmos turistas.

O número será inflado pelos argentinos, que se movimentarão em grandes quantidades, principalmente, se a sua seleção se classificar para as fases finais. E poderá mesmo haver uma invasão argentina no Rio de Janeiro, para uma eventual final contra o Brasil. Os argentinos farão muito o "bate-volta", não chegando a pernoitar no Brasil,  frustrando a hotelaria. 

Vão sobrar quartos de hotel, durante a Copa, nas cidades-sede. Poderão faltar em outras cidades, com o encarecimento dos valores das diárias.
Poderá ocorrer uma inversão. Com a disponibilidade de quartos a hotelaria fará promoções para sua ocupação e, ao final, ficar em cidades-sede, mas sem participar do movimento da Copa, poderá ser mais barato, durante as férias do meio do ano. É só não se precipitar.

A maior movimentação dos aeroportos será de brasileiros, acompanhando a sua seleção. Não programe Fortaleza na segunda quinzena de junho. 

Ontem em grande parte do mundo, foi o Dia dos Namorados, o dia se São Valentim, com a grande exceção do Brasil, onde o dia é 12 de junho, véspera de Santo Antonio. Não queiram viajar pelo Brasil, nesse dia. Mas o tumulto nos aeroportos poderá ser apenas momentâneo. 

No veja o noticiário. O Brasil que será mostrado pela mídia, durante a Copa, nada terá a ver com o Brasil real. Só não queira aparecer na telinha: "mamãe oi eu aqui". 


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Foi acidente?

Acidente foi trazer a tona um esquema financeiro de promoção de tumultos. 
As ações de manifestantes aliciados para promover tumultos durante as manifestações puxaram o fio de uma meada que parecia enorme, mas acabaram dando apenas para um novelinho, com a reunião de pequenos valores por grupo de ativistas de classe média, para ajudar participantes com menor renda. Esses não chegam a se tornar profissionais da baderna, promovendo-a mesmo sem o recebimento das ajudas de custo para condução e dos lanches. Talvez não tivessem condições de chegar aos locais. 
A menos da descoberta de esquemas maiores, a eventual suspensão dos mecanismos já descobertos não irá reduzir a movimentação dos autênticos black blocs. O vandalismo poderá ser menor sem o aliciamento de seguidores, mas as manifestações seguirão, levando a uma revisão das estratégias de ambas as partes: da policia, de um lado e dos manifestantes de outro.
A continuidade das manifestações no Rio de Janeiro, contra o aumento das passagens, mesmo com um volume pequeno de pessoas, mas suficiente para chamar atenção e sem vandalismos indica que segue havendo pessoas dispostas a ir às ruas protestar contra alguma insatisfação comum.
Ir contra a Copa buscando evitar a sua realização geral, ou mesmo de um ou outro jogo não será viável. A Copa irá ocorrer, porque é um evento em recinto fechado. Tentar impedir também o acesso ao estádio também é inviável, em função dos esquemas de segurança estabelecidos desde os planejamentos iniciais. Há uma área de isolamento da ordem de 2 km em torno do estádio. Não haverá aglomerações nas proximidades, a menos de quem já tenha ingresso.
As passeatas seguirão pelas vias de acesso e os confrontos com a policia ocorrerão nas divisas dos cordões de isolamento, com os remanescentes que conseguirem chegar, após vencerem as ações de dispersão promovidas pelos esquemas de segurança.
A questão maior não será de segurança, mas de imagem. Esta estará irremediavelmente arranhada. O prejuízo para o turismo será enorme.
Acidente foi evidenciar um esquema remunerado de mobilização. A ação que deu origem à morte do cinegrafista não. Foi consequência inevitável dessa organização criminosa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alguma coisa não fecha

A teoria da conspiração nunca acredita no que é mostrado e busca explicações fantasiosas para as supostas evidências, quando nem tudo se encaixa.
No caso da morte do cinegrafista Sebastião Andrade, causado por um artefato pirotécnico, os dois suspeitos de terem manuseado e acendido aquele estão presos.
Com relação ao primeiro há uma certa consistência de pessoa e personalidade. Jovem, magro, da familia pobre remediada, que se autointitula tatuador, mas pertenceria efetivamente do grupo dos nem-nem (nem estuda, nem trabalha). Seria um revoltado e admirador dos black-blocs, mas não um deles. Amedrontado, não parece estar disposto a qualquer ação violenta, mesmo em grupo. Mas seria capaz de suprir munição para um block-bloc disposto a uma ação violenta. 
Teria entregue o artefato ao outro e ficado parado para ver o que iria acontecer. Ele aparece nas fotos, com uma camisa ou lenço no rosto, parado, enquanto o outro foge, aparentemente com um lenço preto na cabeça. Há, no entanto, um pequeno detalhe ainda não explicado: um chapéu.


Raposo seria, nos termos atuais, apenas um "seguidor". O que emergiu, no entanto, foi a denúncia ou suspeita de que não o seria por mera admiração, mas por receber ajuda de custo, seja para a locomoção até o local das manifestações, como para participar das mesmas. Seria aliciado.

Já o segundo suspeito teria dupla personalidade. Seria tranquilo e simpático na vida cotidiana e agressivo e violento, quando em grupo. A figura dele preso não condiz com as fotos dele em ação na Central do Brasil.


O que não bate é a sua compleição física, em ação, típica de um jovem bem nutrido, desde a infância, e não de alguém pertencente a uma família miserável, como a triste figura de sua mãe, entrevistada pela televisão. 

O rapaz preso, em Feira de Santana, de óculos, acuado, faminto e sem dinheiro não seria um autêntico black-bloc, mas um jovem pobre aliciado, mediante retribuição financeira, por uma organização criminosa. Que ameaçaria a quem a denunciasse. Black-bloc não seria uma manifestação espontânea, reunindo gente que não se conhece, com uma revolta comum, que não segue uma entidade mas um movimento organizado, profissional. 

Quem os estariam financiando e promovendo? Com que objetivos?

O que vai acontecer na sequência?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O primeiro cadáver relevante

Aconteceu o anunciado, mas de forma inesperada.
Era esperado que das manifestações de rua, com crescente violência, com a transformação de áreas da cidade em praças de guerra, alguém viesse a morrer.
Uma morte, nessas manifestações, iria gerar uma comoção social e, provavelmente, uma mudança nos rumos do processo. 
Os manifestantes mais radicais ficaram provocando a polícia, contando com um "mártir". Uma vítima da truculência policial seria o combustível para atrair a simpatia e a adesão da sociedade. Poderia ser qualquer cidadão, vítima de uma bala perdida, ou de um atropelamento. Esse até teria ocorrido, mas não teria sido divulgado.


Mas o que ocorreu foi diferente, fartamente registrado.
Por acidente, um rojão, um artefato pirotécnico deixado a esmo, na superfície da praça, atingiu um cinegrafista da televisão, em serviço, provocando a sua morte, 4 dias depois de uma agonia numa UTI, prolongando e amplificando o drama.
Não foi a primeira vez que um artefato pirotécnico causou uma morte comovente. Na Bolívia um desses, também solto a esmo, matou um jovem torcedor boliviano. Não esquecendo que foi um desses que deu origem ao incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, causando a morte de mais de 200 jovens.

Santiago Andrade não foi o primeiro morto, dentro das manifestações. Dois ou mais morreram em Belo Horizonte, nos movimentos de junho de 2013, mas por terem sofrido queda de um viaduto. A comoção foi limitada.

Mas a morte de um cinegrafista em serviço, tem uma repercussão muito mais ampla. Toda mídia se irmana em sua homenagem e à dor dos familiares. O tempo dedicado a ele na televisão é enorme, estendida pela demora na prisão do responsável, agora tratado como assassino. Assassino de um trabalhador. A difusão da indignação é maior.

O que acontecerá doravante com as manifestações?


Os que vão às ruas para protestar pacificamente continuarão indo? Uma parte, provavelmente sim, mas o número tenderá a ser cada vez menor, até se limitar a pequenas manifestações pontuais.

Os black blocs continuarão indo? Sim. São pessoas ressentidas, que se sentem oprimidas e acabam se manifestando violentamente, sem medir as consequências. São, fundamentalmente, inconsequentes e não se intimidam com a campanha da mídia. Ao contrário, aumenta a sua reação contra os profissionais. Eles não são mais vistos como gente em serviço, mas como "lacaios de um sistema falido". Passam a ser vistos como "inimigos".
A sua lógica é contrária: "quem mandou esse sujeito ficar na linha de tiro?". A culpa é da Band que manda o sujeito a cobrir as manifestações sem capacete, e por ai vai. O culpado, para eles é a vítima. É a sociedade. Eles apenas reagem. Vão continuar e aumentar o atrito com os jornalistas. Esses antes não reagiam. Agora já começaram a reagir. O clima de confronto vai aumentar.

Quem poderá deixar de ir é o oportunista que aproveita a oportunidade para saquear e furtar. É gente pobre, meninos de rua, integrantes de gangs que se misturavam na massa. Com uma massa menor, ficando mais fácil serem identificados nas suas contravenções, crimes e de serem detidos, não vão se arriscar tanto. Esses não vão engrossar os black blocs. Aproveitavam as mesmas táticas, mas sem os mesmos objetivos.

Há uma inversão na composição da massa de manifestantes. Inicialmente os pacíficos eram maioria e tomavam a iniciativa do processo, contando com o apoio dos black blocs, dos pequenos marginais e a adesão espontânea da população. Principalmente quando a reação policial, sempre truculenta, era mais evidente.

Agora a iniciativa e o comando é dos black blocs (bbs), contando com a adesão de pessoas que, emocionalmente, apoiam as suas ações. O bbs fazem aquilo que eles gostariam de fazer, mas não tem coragem. Tem receio das consequências, o que os bbs não tem.

O que vai ocorrer na sequência depende da reação policial e das autoridades. 

Se a reação for de inteligência e de estrategia, as manifestações vão minguar e desaparecer. Se for a tradicional, de repressão, só vai aumentar a indignação e, passado o luto, o povo voltará às ruas. 

De toda forma, o grupo "não vai ter Copa" irá às ruas, ficando apenas a dúvida se com grande ou pequeno volume de pessoas.

Saberá o Governo agir com inteligência? Ou vai continuar panglossiano?

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