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Governando para uma minoria, supostamente maioria

Jair Bolsonaro, por ter sido eleito com a maioria dos votos válidos em 2018 acha que representa a maioria do povo brasileiro e governa para atender aqueles que o apoiaram ou votaram nele. Esta suposta maioria é altamente fragmentada e, supostamente, uma grande parte não votou a seu favor, mas para evitar o retorno do PT ao poder. Neste começo do ano atuou a favor de dois desses fragmentos e contra um dos que não o apoiam. O primeiro foram os evangélicos, com a tentativa de reduzir os custos com energia dos grandes templos, favorecendo algumas denominações que adotam, como estratégia de marketing, ter grandes igrejas fartamente iluminadas ao longo de toda noite. É o caso da Igreja Universal do Reino de Deus e de outras menores. Pouco favorece aos templos católicos que, a menos de período de festas, fecha e apaga as suas luzes, durante a noite. Atender aos grandes templos e controlar a concessão de benefícios é relativamente fácil, dado o diferencial de consumo. Já em relação aos pequenos…
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Lições apreendidas

Como um ex-tecnocrata velho, algumas vezes responsável pela elaboração e controle do orçamento do Governo de São Paulo, tenho muitas histórias para contar. As esqueci, mas fatos atuais me relembram algumas.
No início dos anos sessenta, ainda menino recém formado em Administração Pública, com algum conhecimento de orçamentos públicos, fui incumbido de cuidar do orçamento de investimentos, então organizados no Plano de Ação, do Governo Carvalho Pinto. 
Para garantir a integridade das propostas formuladas pelo Grupo de Planejamento e afastar as mudanças do legislativo, o mecanismo foi usar as emendas  individuais ao orçamento  de parlamentares . Foram definidas  pequenas quotas individuais, para o parlamentar definir a sua aplicação, de forma a atender aos pleitos da sua base eleitoral. 
Concedia-se o "agrado" e o orçamento de investimentos era aprovado, na sua integridade, sem acatar qualquer emenda substancial. 
Esse modelo, adotado ou desenvolvido por São Paulo se espalhou pelo …

Dependendo do rompante do decisor

As coisas não acontecem por iniciativa de movimentos coletivos. Esses são reações a decisões monocráticas de decisores com poder. Tais decisões tem os seus seguidores que o acompanham, segundo o “efeito manada” e os contestadores, que podem alcançar a condição de maioria. Cada vez mais assistimos a decisores que tem rompantes emocionais, criam um fato consumado e depois, buscam ajustes a partir do novo contexto. O início do ano foi tomado pela decisão de Trump de mandar matar um general iraniano e criar um cenário no Oriente Médio. É preciso voltar um pouco ao passado, para entender o presente e as perspectivas futuras: por que os EUA ocupam militarmente várias bases em países do Oriente Médio? Supostamente para evitar eventuais ataques terroristas. Mas a sua presença é anterior a essas manifestações. A razão mais clara era garantir o suprimento de petróleo e gás para os EUA, com diversidade de fontes, para conter eventuais movimentos altistas. Com a expansão da produção de P&G a part…

Cenários Bolsonaro 2020. em 2020

Jair Bolsonaro começou o ano “a todo vapor”, no exercício do que entende ser o seu papel de Presidente da República: “Aqui que manda sou eu, talquei”. Não interferiu no aumento da carne, mas quer controlar o eventual aumento do diesel. Determinou à ANEEL que parasse com a tal “taxa do sol”, afirmando que a Agência Reguladora é independente, mas não soberana. Soberano é ele. Todos dentro do Governo devem obediência a ele, “talquei”. Se não determinou expressamente, o fez indiretamente, assumindo a nota do Itamaraty de apoio as ações de Trump, contra o Irã. Talvez esteja aproveitando que os demais poderes estejam de férias, para ser o único poder da República que já retomou plenamente as suas atividades. Dando vezo à sua natureza de despachante de interesses corporativos decidiu dar um aumento a policiais do DF, abrindo “a porteira” para a pressão dos demais servidores públicos, contra o congelamento dos salários. Terá a equipe econômica contra, mas essa também não retornou inteiramente à a…

Acidentes de percurso

A economia brasileira evoluiu positivamente, ainda que lentamente, até novembro de 2019, tornando-se cada vez mais dependente do consumo das famílias. 
Todos os demais itens da demanda, que "puxam" a evolução da economia fraquejaram. O consumo do Governo está contido pelas medidas de equilíbrio fiscal, embora sigam crescendo, por conta dos parcelamentos de reajustes dos servidores públicos, concedidos ainda pelos Governos do PT e dos encargos da Previdência. Os investimentos, tanto públicos, como privados estavam contidos por falta de confiança no futuro e por inseguranças jurídicas. As exportações de commodities não evoluíram fortemente, por conta da guerra comercial entre os EUA e a China, abalando todo o comércio mundial. As exportações industriais brasileiras ancoradas nas operações com a Argentina sofreram um grande baque com a crise financeira do país vizinho.
O consumo das famílias depende, fundamentalmente, da massa salarial e com o elevado nível de desemprego, as pers…

Um novo Davi , jã velho

Uma das características principais da "velha politica" é a eleição do político como despachante de interesses comunitários, com votos em redutos eleitorais por levar a estes benefícios pontuais. Sejam unidades de saúde ou de educação, pontes, asfalto e outros, através das suas emendas parlamentares. Atuam ainda junto aos órgãos públicos federais para a destinação de recursos e execução de programas para os mesmos redutos. 
Em geral, permanecem à sombra, dentro do "baixo clero", raramente emergindo para o "alto clero". David Alcolumbre Tobelén é uma das exceções.
Quando foi eleito para a Presidência do Senado, em fevereiro de 2019, festejado como uma grande renovação, por ter derrotado Renan Calheiros, colocamos um post "Um novo Davi, não tão novo", texto incluído na segunda edição do meu livro "Até onde a vista alcança", pgs 79 a 81, mostrando que a sua trajetória política era típica da "velha política".
Ao final do ano de 2019,…

Número de candidatos em 2020

Espera-se um número recorde de candidatos às eleições de 2020, o que geraria, segundo analistas, uma forte dispersão de escolhas pelos eleitores, assim como dos recursos financeiros.
As contas agregadas em nível nacional não são significativas, a menos para a Justiça Eleitoral, para a qual o número de candidatos eleva os seus custos. As eleições de 2020 são municipais e cada eleitor com domicílio eleitoral num município só pode votar no candidato igualmente domiciliado no mesmo município. Será uma eleição altamente fragmentada dentro de mais de 6.000 municípios, de diferentes tamanhos. Não será uma eleição nacional, como a presidencial, nem mesmo estadual como a de deputados federais, embora essa seja a de maior impacto sobre as eleições municipais.
A enorme desigualdade do número de eleitores por município, faz com que qualquer análise nacional com base em municípios maiores não faça sentido. Por exemplo, não se pode avaliar as perspectivas das eleições de 2020, a partir do que pode oc…