quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quem voltará ao Congresso em 2019? (2) - os mais votados do Rio em 2014

Está em curso um processo de renovação político eleitoral, mal percebido em função das crises políticas.

Mas tanto em 2014, como em 2016 muitos políticos da "velha política" foram derrotados, com a ocupação dos espaços por outros - não inteiramente novos -, todos com grande apoio das igrejas evangélicas e dos seus principais pastores e líderes: Silas Malafraia e Edir Macedo.
Aparentemente o principal processo está ocorrendo no Rio de Janeiro, onde em 2014 os três mais votados são ligados a igrejas evangélicas. Jair Bolsonaro à Batista, Clarissa Garotinho à Presbiteriana e Eduardo Cunha, então à Sara Nossa Terra, depois trocada pelo deputado pela Assembléia de Deus. 
É a parte mais visível. Porém entre os nove do segundo pelotão (mais de 100 mil votos, mas menos que o quociente partidário de 166 mil), estão três nomes pouco conhecidos: Roberto da Silva Salles, Rosângela Gomes, ambos do PRB e apoiados pelo Bispo Edir Macedo e Sóstenes Cavalcanti, um dos líderes da Bancada Evangélica na Câmara dos Deputados. 

Em 2018 poderá haver uma grande renovação na Câmara dos Deputados, com a derrocada dos grandes partidos e de velhas lideranças. Mas não serão substituidos por uma nova política, como ocorreu na França com Macron. 

A tendência é de uma renovação com a substituição da velha política conservadora por outra igualmente conservadora, dominada pela igreja evangélica. 

A menos que o segmento "progressista"  da sociedade "abra os olhos" e deixe de ficar sonhando que a Operação Lava-Jato será suficiente para erradicar o "atraso" e promover a "modernidade". 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quem voltará ao Congresso em 2019? (1) - os mais votados do Rio em 2014

Uma avaliação preliminar da origem local dos votos dos deputados federais que alcançaram mais de 100 votos em 2014, num total de 14 indica que poderá haver a renovação 80/20. 

Apenas Chico Alencar e Jean Wyllys, ambos do PSOL e com eleitorado próprio, com baixa rejeição dentro desse, poderão ter fôlego para serem reeleitos. Apesar da oposição dos outros grupos. 

Jair Bolsonaro, como candidato à Presidente da República, poderá transferir parte dos seus votos de 2014. Já a herança de Eduardo Cunha é negativa. Clarissa Garotinho, Leonardo Picciani, Marco Antonio Cabral e Felipe Bornier carregam o nome e a máquina paterna, fortemente contestada pela opinião publicada. São de um estirpe - aparentemente - altamente rejeitada pela opinião publicada. A questão pendente é o quanto essa conseguirá demover as bases deles, para evitar a sua reeleição. Washington Reis conseguiu se eleger Prefeito de Duque de Caxias mas está sob risco de cassação. Dificilmente terá condições de transferir os votos que o elegeram deputado federal em 2014.

Pedro Paulo, continuará carregando a imagem negativa de "agressor de mulher" o que poderá inviabilizar a sua reeleição. Ademais não terá o apoio da máquina municipal do Rio de Janeiro, como teve em 2014.

Rodrigo Maia e Sérgio Sveiter, nomes nacionalmente ora conhecidos, em 2016 tiveram menos de 60 mil votos. A visibilidade obtida será o suficiente para garantir uma reeleição em 2018? 



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pobre vítima!

As declarações de Janot ao PSOL justificando a imunidade concedida a Joesley Batista, dizendo que ele não é chefe da quadrilha, pode ser entendida, em primeira instância de que:

  • não existe a quadrilha da JBF e que, como tal, Joesley Batista não pode ser chefe de uma quadrilha que não existe.
  • ou existe a quadrilha. A que além do que já foi divulgado, teria pago "mensalinho" a 200 fiscais sanitários, conforme divulga o jornal Valor de ontem.
  • Mas Joesley não seria o chefe. Então quem seria o chefe? 


O que Rodrigo Janot quer vender, para justificar a sua indulgência, é a versão de que Joesley Batista é uma pobre vítima de uma poderosa quadrilha, chefiada por Michel Temer. 
Há uma série de indícios ou ilações de que essa quadrilha existe mesmo, assumiu o poder central do Brasil e seria mesmo chefiada pelo Presidente Temer. Mas ainda faltam comprovações materiais.

Agora negar a existência da quadrilha da JBF e que seria chefiada por Joesley Batista é achar que todos os brasileiros são bobos. E que para derrubar um Presidente em exercício, o bandidão mor pode ser tratado como santo. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O futuro da política brasileira (4) - o cenário tendencial para 2018

Na eleição presidencial faltará um líder populista social, abrindo espaço para lideranças populistas de "direita", do tipo Bolsonaro ou Dallagnol, focados no combate à corrupção, por quaisquer meios.
A tônica será um Estado forte, com ações até autoritárias, sem restrições de recursos. Se o mercado resistir a aumentos de impostos, o sacrifício será da remuneração dos servidores públicos e dos programas sociais. Principalmente da previdência social. 
No Congresso Nacional as lideranças mais preparadas, que tem sido também as mais corruptas, sucumbirão tragados pelas ondas anti-corrupção, com poucas exceções. Serão substituidas por deputados e senadores do atual baixo clero. Em geral, populistas assistenciais e religiosos. A maior bancada a partir de 2019 no Congresso será a evangélica.  
Não haverá alto e baixo clero. A Câmara dos Deputados será inteiramente dominado pelo atual baixo clero, com pequenos redutos de renovação e comandada pelo alto clero do Senado.
As eleições para o Congresso Nacional, na prática, terão mais importância do que a eleição do Presidente da República. Embora essa tenha maior visibilidade, quem quer que venha a ser eleito, será refém do Congresso. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O futuro da política brasileira (3) - mudanças no jogo de forças

Ontem apesar de todos os percalços e molecagem das "velhas senhoras" o projeto de alterações da legislação trabalhista foi aprovado. 
Com a sua aprovação, ala do PSDB pressionará para o desembarque do Governo Temer, associando-se de um lado com a oposição petista e de outro com a conspiração carioca que quer assumir o poder, na esperança de salvar o Rio de Janeiro. 
O dilema do PSDB é maior do que parece, não se limitando a manter ou não o apoio a Temer. Há grandes diferenças regionais (ou estaduais). 

O problema maior da base aliada está na divisão do PMDB, com a ala carioca se rebelando contra a cúpula para derrubar Temer e ver Rodrigo Maia assumindo o poder.

Essa ala tem o apoio da Rede Globo. Esta acha que o paulista Michel Temer não está tratando adequadamente o Rio de Janeiro.

Essa mesma visão levou o deputado peemedebista, com votos na Baixada Fluminense, Sérgio Sveiter a apresentar um relatório para afastar Temer da Presidência. 

Agora se soma uma entrevista de Armínio Fraga, dizendo que a eventual queda de Temer não afetaria a retomada. 

Na ocupação interina da Presidência Rodrigo Maia manteria Meirelles. Se assumir definitivamente, poderá trocá-lo por Fraga. Para o mercado não fará grande diferença, sendo que uma parte até o prefere. Do ponto de vista de política monetária e econômica não haverá substanciais mudanças. 

A principal diferença é que Meirelles é um paulista-goiano e Fraga é um carioca da gema. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

O futuro da política brasileira (2) - os passos seguintes

Os próximos passos (ou jogadas) ocorrerão todos no campo do Congresso Nacional, com dois jogos principais: a autorização (ou não) da investigação do Presidente Temer pelo STF por solicitação da PGR e a aprovação das reformas.
As partidas ocorrerão simultâneamente. A da reforma tem uma parte adiantada, a trabalhista, que deverá ser aprovada - fora uma inesperada surpresa de última hora - pelo Senado e levada à sanção do Presidente. A da previdência dependerá do andamento ou resultado da outra partida.

De um lado, Temer terá fortalecida a sua posição perante a base aliada e ganhará o apoio - velado ou ostensivo - das ditas "classes empresariais". 

De outro, os "tucanos" poderão considerar que Temer já cumpriu a missão essencial. Não terá condições de fazer aprovar a reforma da previdência. "Desembarcarão" e engrossarão os pró-saída de Temer.

O Congresso não quer aprovar qualquer reforma previdenciária. Como em outras ocasiões, a aprovação da reforma da previdência, terá que ser "comprada": principalmente do "baixo clero".

O pouco trunfo que resta a Temer é dizer ou mostrar ao "mercado" que com ele haverá uma reforma previdenciária, ainda que restrita. Com o seu sucessor - quem quer que seja - o risco é da reforma previdenciária ser adiada para a nova legislatura, ou seja, para 2019. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O futuro da política brasileira

A crise política brasileira atual tem um componente conjuntural, mas afeta o estrutural.

O conjuntural é a cerrada batalha de Janot para derrubar o presidente atual. 

A Operação Lava Jato e suas ramificações detetaram os malfeitos realizados pelo consórcio enquanto liderado pelo PT e contribuiu para a sua deposição, sendo a direção assumida pelo outro consorciado, supostamente liderado pelo atual Presidente Michel Temer.

Todas as citações, denúncias, acusações e prisões até junho de 2016, se referiram a ações criminosas praticadas ainda na fase da liderança petista. 

As obras públicas contratadas na fase Temer (ainda que poucas) estariam "livre de propina".

Supostamente com todas as operações promovidas a partir da Lava-Jato, as prisões e condenações em primeira instância, a corrupção pública teria sido erradicada, ou pelo menos, estancada. 

A facção Temer assumiu o poder, mas estaria manietada para manter a continuidade dos esquemas de corrupção. 

Mesmo depois de 3 anos de Operação Lava Jato, com a prisão e condenação de alguns dos maiores empresários nacionais, o maior deles, manteve o esquema de corrupção. Já adentrando o Governo Temer. 

Os fatos indicariam que o Brasil ainda não tem uma Administração Pública inteiramente "livre de propina" e os esquemas continuaram, mesmo depois da destituição de Dilma Rousseff e da deposição do PT do poder. 

Essa continuidade do esquema deu origem à feroz ofensiva de Janot para derrubar o Presidente, agravando a crise política.

Em 2019, o Brasil estará livre dos "dois briguentos", que estão numa disputa encarniçada (sem ilações) não levando em conta os seus reflexos sobre o Brasil.

E como será o futuro do Brasil sem essa "guerra"?