segunda-feira, 29 de maio de 2017

Colapso eleitoral - Sistema eleitoral

O que estamos vivendo hoje no Brasil não é apenas mais uma crise conjuntural, envolvendo a permanência ou saída de um Presidente da República.

São reflexos do colapso de um velho Brasil. São as velhas estruturas que estão ruindo, com os seus protagonistas lutando para mantê-las e sobreviver. Tanto no campo sócio-cultural, como no econômico e no político.

O modelo patrimonialista da vida brasileira está em colapso. O modelo econômico voltado para dentro está em colapso. O modelo politico, estruturado em torno de um financiamento empresarial tornou-se inviável, gerando um grande abalo econômico.

Sem o financiamento empresarial - formal ou informal - não há mais como sustentar o modelo de eleição proporcional baseado em coeficiente partidário.

A eleição dos mais votados, independentemente dos partidos, será o modelo futuro. Se não para 2018 - por conta dos prazos e das resistências - o será para 2022. 

Os partidos enfraquecerão. Não por falta de representatividade, mas por falta de base financeira.
Terão que se reinventar, se repaginar ou se refundar.

Quem sair na frente levará vantagem.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Colapso estrutural - modelo econômico

A crise atual reflete o colapso de duas estruturas seculares, dominantes na cultura, politica e econômia brasileira: o nacionalismo econômico e o patrimonialismo.

O nacionalismo econômico é caracterizado pela estruturação da economia voltada para dentro, autossustentada pela produção e consumo interno. Essa estruturação decorre de vontade política, com apoio de segmentos da sociedade, com o sentido de não aceitar o que seria uma vocação natural do Brasil: um grande supridor mundial de matérias primas, tanto vegetais e animais, como minerais.

Ainda que iniciada antes, foi reforçada pela doutrina e conceitos desenvolvidos dentro da CEPAL, e conta ainda com inúmero adeptos. 

Embora caracterizada como "nacional-desenvolvimentista" prefiro denominar de nacionalista-estatizantes. Nacionalista porque adota o conceito de uma economia voltada para dentro, para a nação e não amplamente integrada no mercado mundial, na globalização. Estatizante porque o modelo é baseado em forte atuação direta e indireta do Estado.

Para viabilizar e implantar essa estrutura o Brasil, através dos seus governantes - eleitos ou não - optou pela utilização do Estado como o principal protagonista, seja através da assunção de atividades estratégicas, atribuídas a empresas estatais, como através de mecanismos de apoio às empresas privadas, como regras de proteção à produção nacional, renúncias fiscais e financiamentos por bancos públicos. Envolveu sempre, intervenções artificiais do Estado na economia e tornou as empresas privadas reféns das políticas públicas. Estabeleceu uma cultura empresarial de só fazer o que o Governo sinalizava. 


A persistência nesse modelo apenas retarda a recuperação da economia brasileira. O modelo já perdeu a sua essência vital. Não tem mais base suficiente para sua revitalização. O colapso é definitivo.


(cont)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Vencer o patrimonialismo

Para vencer o patrimonialismo e seus filhos nepotismo e corrupção, não basta a indignação, muito menos o estarrecimento diante das revelações. Tampouco mudar os presidentes. Necessário, mas não suficientes.
É preciso desenvolver estratégias eficazes, a partir de diagnósticos corretos. Sem o que as ações serão erráticas e ineficazes.

O nosso entendimento, que submetemos aos leitores, é que o patrimonialismo é um traço cultural, de natureza individual que pelo alto alcance se torna coletivo e nacional. Tem a ver com o caráter pessoal.

A pessoa tem princípios e está disposta a sustentá-los, resistindo a qualquer oferta de vantagem contra os mesmos? Ou está disposta a oferece vantagens a terceiros para obter um benefício indevido?

Para combater as doenças do patrimonialismo, nepotismo e corrupção que são membros da mesma família, é preciso atuar sobre as pessoas para reforçar a sua imunidade, ou seja, reforçar a integridade. É preciso que isso se amplie para o seu ambiente, assim como para a coletividade.

Para a erradicação definitiva da família patrimonialista, é preciso alcançar a cultura individual. E transformá-la numa cultura coletiva. Onde o improbo seja exceção e não a regra. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Mudar para ficar na mesma

A política brasileira segue mais os ensinamentos de do príncipe de Tomasi de Lampedusa, do que de Maquiavel: "tudo deve mudar para que tudo fique como está."

O regime político brasileiro é um "parlamentarismo disfarçado" e não um presidencialismo de coalisão, como os acadêmicos acham, seguidos pela mídia.

O poder real da política brasileira está com o Congresso. Nenhum Presidente da República governa, se não tiver a anuência do Congresso. E se contrapor a ele, o (a) Presidente acaba derrubado (a).

Não existe a possibilidade de eleição direta.  A maioria dentro do Congresso não quer. E é esse Congresso que tem o poder de mudar a Constituição para estabelecer a eleição direta.

As facções que estão no poder hoje são a do PMDB, associada a do PSDB, com a cooptação de diversos partidos menores. Não pela composição dentro do Poder Executivo, mas por dominarem o Congresso Nacional.

Esse grupo dominante, tem Michel Temer como o seu representante na Presidência de República. Se ele cai, seja por renuncia, impugnação da sua diplomação, ou por impeachment, o Congresso irá eleger um sucessor do mesmo grupo.

Podem mudar nomes, mas todo jogo político continuará na mesma. Pode haver incerteza com relação ao nome, mas as coisas caminharão como dantes. 

A politica econômica seguirá em frente. Com maior ou menor velocidade. A Reforma Trabalhista será aprovada, logo ou mais adiante.
Já a reforma previdenciária poderá ser postergada por mais tempo. Mas não afetará o interesse estrangeiro em investir no Brasil. Que é oportunista e está aproveitando a crise para comprar ativos baratos. 

Quem ficar esperando o desfecho da crise política só vai perder tempo. Não há incertezas.

Tudo vai mudar, para ficar tudo na mesma. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Colapso estrutural - patrimonialismo

O patrimonialismo é um traço fundamental da cultura brasileira. 

Caracteriza-se pela confusão entre o interesse pessoal com o interesse público, coletivo ou até organizacional.

Um das primeiras consequências do patrimonialismo é o nepotismo. O dirigente eleito coloca em cargos da entidade seus parentes. Leva para dentro de entidades da qual não é dono, as práticas das empresas familiares.

A outra consequência, mais grave, é a corrupção ativa, que pode também ser caracterizada como extorsão, no se de servidor público, como concussão. 

A corrupção ativa tem como contrapartida a passiva que é a aceitação pelo dirigente de uma "colaboração", de um suborno do terceiro em troca de algum benefício através da entidade que dirige ou representa.

O fenômeno original, ou pai, é o patrimonialismo, que é um traço cultural. De natureza pessoal, mas que pela difusão se torna coletivo.
Mas se manifesta, de forma prática, pelos seus dois filhos: o nepotismo e a corrupção.

Com o desvendamento da ação dos dois principais protagonistas empresarias dos mega esquemas de corrupção, envolvendo centenas de políticos, dentro do legislativo como do executivo, incluindo dois ex-presidentes e o presidente atual, será que o "pilar" corrupção entrou - efetivamente - em colapso? E levará ao colapso do patrimonialismo?

O mais provável é que os dois entrem em recesso, mas tenderão a retornar,  a menos de ações eficazes para a sua erradicação definitiva.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Frentes de Temer

Abalado pela revelação da sua suprema estupidez em receber clandestinamente o bandido-mor Joesley Batista, Michel Temer tem que enfrentar diversas frentes.

A primeira de ordem pessoal, para exorcizar a sua estupidez.

A segunda perante o STF em função da aprovação da abertura de um pedido de investigação do Procurador Geral da República. As falhas processuais e a falta de configuração objetiva dos crimes a ele imputados, poderão levar à suspensão da investigação ou, mesmo que continuada, a resultado nenhum. 

A batalha no TSE para evitar ou postergar a cassação da diplomação da chapa Dilma-Temer deverá ser perdida.  Deverá ocorrer ainda no mês de junho, o mais tardar em julho.

A frente mais complexa que Temer deverá enfrentar é no Congresso Nacional. Não bastará a ele evitar os processos de impeachment.  O que ele precisa é fazer aprovar duas reformas por ele propostas e consideradas essenciais pelo mercado: a trabalhista e a previdenciária. 

A outra ameaça ou dilema que se coloca perante os parlamentares é a retomada da economia e o risco de reversão. A versão do Presidente Temer é que a economia está retomando o crescimento, mas se a reforma previdenciária não for aprovada, haverá uma reversão e os deputados e senadores que votaram contra serão acusados de comprometer o crescimento e, principalmente, a retomada dos empregos. 

A frente mais importante a enfrentar é o "mercado". Como os consumidores e as empresas brasileiras irão reagir diante de mais uma crise política? Continuarão consumindo e produzindo, ou voltarão a conter as compras como a produção? 

Se diante da crise política  o mercado se retrair e a inflação voltar a subir, Temer terá que sair para não comprometer as "suas" conquistas de recuperar o crescimento da economia. As manifestações crescente dos empresários serão de que com a instabilidade política a economia "voltará ao fundo do poço". E apontarão como solução, a renúncia de Temer, com a expectativa de eleição indireta de Henrique Meirelles.

O mercado já está formando a sua solução e se associará aos movimentos "Fora Temer", com o seu candidato preferido. Para dar continuidade ao "Temerconomic", que na realidade é de Meirelles. Chega de intermediários "Meirelles no poder". O obstáculo é que Meirelles presidiu o Conselho da J&F a holding do grupo Friboi.

A frente da opinião pública está perdida e irrecuperável. 

Diante da elevada probabilidade de ter que sair, por derrotas judiciais, no âmbito da Justiça Eleitoral, e pressão do mercado para a sua saída, como solução para manter a retomada do crescimento. Isolado e cada vez mais abandonado, sem condições de governabilidade, Temer deverá renunciar.

Diante de tantas áreas a enfrentar e elevação progressiva das pressões para a sua renúncia, o que lhe resta é escolher o melhor ou menos pior momento para a renúncia.

Nesse sentido a data azada é o começo de junho, preferentemente o dia 1 de junho. A razão é que nesse dia, o IBGE irá anunciar oficialmente os resultados do PIB do 1º trimestre de 2017. 


domingo, 21 de maio de 2017

O informante

A divulgação do material das delações dos dirigentes da JBF, evidenciam cada vez mais que o informante do colunista da Globo foi o próprio Joesley Batista, não tendo ocorrido vazamento seletivo, seja na PGR como no STF. 
Ele contou ao colunista o que ele acha ter dito e ouvido na conversa clandestina com Temer. Contou de memória misturando o que havia contado nos depoimentos e naquela conversa. Afirmando que Temer anuiu com a continuidade de mesada a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro.
E foi isso que o colunista divulgou, dando origem a mais uma grave crise política. E a JBF faturou especulando na bolsa. Mais um "golpe de mestre" do maior espertalhão que o Brasil jamais conheceu.

A teoria da conspiração diz ainda que houve um conluio entre Janot e Fachin, para derrubar o Presidente Temer. Só isso explica o prêmio dado ao delator. Afinal o que ele ofereceu aos dois foi o melhor e o maior dos pratos: um Presidente da República em exercício, pego em ato de corrupção. 
Um magnífico contra-golpe daqueles que acham que Temer deu um golpe.