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Mostrando postagens de 2019

Ultimo dia do ano

Dia para retrospectivas ou prospectivas. O dia, em si, não tem significado. Apenas uma transição, cheio de esperanças e de mudanças.
Há uma que não haverá em 2020: a natureza de Jair Bolsonaro.
Vá a economia bem ou vá mal, continuará sendo um torcedor - de camarote especial - mas sem interferências, a menos de proteção de algum protagonista particular. 
Jair Bolsonaro continuará sendo o mesmo de 27 anos de vida parlamentar, com funcionários fantasmas e rachadinhas no seu gabinete, que, para ele, como para muitos dos seus colegas (talvez a maioria) era o normal. E continuará com os mesmos discursos, enaltecendo o regime militar e seus protagonistas, exceto os que considera traidores, a discriminação contra as minorias, contra o politicamente correto e a favor do armamento da população.
A diferença é que os gastos abusivos das verbas de gabinete, foram criminalizado pela mídia e pelos seus inimigos. Já descobriram no gabinete do seu filho 01, então deputado estadual no Rio de Janeiro e vão …

O Congresso reflete o Brasil

O Brasil é um país desigual social e regionalmente, com elevado grau de analfabetismo (completo e funcional).
O Congresso Nacional representa razoavelmente esse Brasil o que não é aceito pela opinião publicada, principalmente pela elite (em todas as dimensões) e pelos cientistas políticos.
Estes querem que o Congresso Nacional represente um modelo ideal, tirado dos livros acadêmicos ou supostamente vigente em países desenvolvidos, defendendo reformas políticas que, na prática, só irão consolidar o sistema atual. 
Aproveitei o recesso de final de ano para concluir a leitura do interessante livro  "Dinheiro, Eleições e Poder, do cientista politico e colunista do Jornal Valor Econômico, Bruno Carazza - que recomendo  - no qual ele mostra e analisa as relações espúrias de um importante segmento econômico com as decisões do Congresso Nacional, a partir dos depoimentos nas delações premiadas, assim como das sentenças judiciais. 
É uma visão parcial, mas altamente ilustrativa de como funcio…

O próximo capítulo

No enredo da novela ou da teoria da conspiração uma vereadora esquerdista radical começa a investigar a ação de milícias na grilagem de terras urbanas e construções clandestinas. Um dos chefes das milicias manda matá-la, o que é executado. O assassinato por envolver disputas ideológicas ganha repercussão ampla, mas as investigações são obstadas, com sucessivos lances ou capítulos. Sempre alardeadas para manter a audiência.
Um deputado federal, eleito e reeleito por 7 vezes, sempre com o apoio das corporações policiais, militares e civis, promove a eleição de um filho, como deputado estadual, dentro do mesmo reduto eleitoral e coloca em seu gabinete seus amigos que não quiseram acompanhá-lo à Brasilia. 
As milicias no Rio de Janeiro são uma extensão informal da corporação, acomodando aqueles que expulsos das forças legais, ficaram sem renda. Como tal sempre foram uma base eleitoral para as sucessivas reeleições do então deputado federal. 
O filho, em gratidão, sempre agraciou os membros d…

Os pilares do desenvolvimento brasileiro

O desenvolvimento econômico brasileiro está sustentado por dois grandes pilares, fortes num aspecto e fraco em outro: o agronegócio e o petróleo.
A força esta na competitividade mundial do produto, alcançando diversos mercados no mundo. Dá segurança às contas externas, deixando o Brasil à margem das crises financeiras internacionais e sem qualquer risco de "default".
Por outro lado é fraco, porque naturalmente, são poucos indutores do crescimento da macroeconomia, em função da baixa geração de empregos. 
Para que seja indutor do crescimento é preciso que sejam acompanhados pelos demais elos da cadeia produtiva, tanto para trás, como para frente.
No caso do agronegócio, os principais elos estão à frente, com a transformação das matérias primas agropecuárias em alimentos prontos ou semiprontos para consumo mundial. 
No caso do petróleo & gás os principais efeitos estão à trás com a constituição de uma cadeia produtiva mundial de equipamentos e serviços para a exploração e indus…

Um balanço alternativo

As mudanças no quadro político brasileiro, nos últimos anos tem sido dominado pela reação ao "saco cheio". 
A população brasileira está de "saco cheio" com o mais do mesmo e vem buscando mudanças, que a maioria dos políticos e analistas não percebem.
O General Geisel percebeu que o povo já havia "enchido o saco" com o regime militar e estava perdendo apoio sucessivamente. Planejou uma longa retirada e o povo ainda teve que aguentar seis anos daquele que pediu para ser esquecido. 
O PMDB, uma oposição "light" assumiu o poder, contestado pelos ex-colegas da resistência à ditadura, que conseguiram encurtar um ano o mandato de José Sarney, mas não conseguiram evitar a eleição de um suposto "outsider", que prometia acabar com a velha politica, embora fosse descendente direto dessa. Ao confrontar a velha política, foi derrubado e depois de uma curta transição, o centro esquerda assumiu o poder e se manteve por 21 anos, apesar de divergências e …

Oportunidade de diversificação

O agronegócio brasileiro teve uma grande evolução, por conta das compras pelos chineses, através das grandes tradings internacionais, de grãos, tanto a soja, como o milho.
O agronegócio brasileiro não "vendeu" os seus produtos para a China, mas teve os mesmos "comprados" e atendeu a demanda, entregando os produtos. Ainda é um entregador e não um vendedor.
As perspectivas futuras são de que mesmo com a recuperação dos rebanhos de porcos, a China não aumente substancialmente as suas compras no Brasil, podendo até diminuir, dados os acordos da China com os EUA, para comprar mais produtos agropecuários desse país, como passo para superar a guerra comercial. 
O Brasil corre o risco de ter estoques de grãos. Diante dessa perspectiva terá que deixar a posição de entregador, para se tornar - efetivamente - vendedor.
As maiores oportunidades estão no Norte da África e no sudoeste asiático, principalmente na Índia, onde estão ocorrendo os maiores crescimentos demográficos, com r…

A "marvada" da carne

A perda de popularidade de Bolsonaro tem uma explicação simples que o pensamento dominante resiste em aceitar: o aumento do preço da carne no varejo.
Para o Governo e os economistas, influenciando jornalistas e empresários, inflação é um fenômeno medido por índices estatísticos, como o IPC, INPC, IPCA e outras sopas de letrinhas. São aceitas como indicador do estado ou evolução da economia.
Segundo esses indicadores a inflação no Brasil está controlada, ficando o índice anualizado abaixo da meta. 
É uma surpresa para eles todos que a popularidade do Presidente tenha caído se a economia vai bem.
Para o povo, em geral, o estado da economia é percebido (sem medição agregada) pelo emprego, pela renda auferida e pela carestia.
Carestia é o preço das coisas que as pessoas compram no dia a dia, principalmente os alimentos.
O problema é que no período da pesquisa o custo da mistura subiu muito. Ficou muito caro.
A maioria dos economistas, grandes empresários e executivos não tem a menor noção do que…

Black friday x natal

O resultado do CAGED de novembro é auspicioso, porque tradicionalmente em novembro começa uma trajetória de queda no estoque de empregos formais, alcançando o auge negativo em dezembro, por um movimento simples: as empresas demitem, pela queda da demanda e só voltam a contratar no início do ano. Como a apuração é mensal, mesmo que haja maior contratação no comércio até a terceira semana, por conta das compras de Natal, assim que esse termina, há um grande volume de dispensas, refletindo-se no resultado negativo do mês. Há outros fatores, como a saída de imigrantes que voltam no período para o seu domicílio de origem. O setor agrícola está, na sua maior parte, na entressafra. O resultado de novembro foi puxado pelo comércio varejista, com a antecipação das compras de final de ano, aproveitando as promoções do “black Friday”. Como já comentamos aqui, há uma mudança no comportamento do consumidor popular, guardando o dinheiro para aproveitar os descontos nas compras à vista no black Friday…

A conquista do eleitorado

O eleitorado de um candidato político fica mais claro no final da campanha, em função das pequisas de intenções de voto, por segmentos, mas não explica como se formou essa base eleitoral.
Os resultados de 2018 são emblemáticos nesse sentido. A grande onda que trouxe ou promoveu a eleição de Jair Bolsonaro foi o antipetismo. Mas essa foi a última faixa, da propagação de uma onda cujo ponto inicial, teria sido identificado.
Essa teria sido a reação de um grupo remanescente do frotismo (do General Silvio Frota) com a criação da Comissão da Verdade. Essa foi vista pelo grupo como uma quebra do acordo da anista ampla e irrestrita. Em nome dos direitos humanos a esquerda buscou a criminalização dos torturadores do Regime Militar, simbolizada pelo Cel Ulstra. Ai se começou a organização para uma reconquista do poder. A primeira faixa adicional foi a dos descontentes com o uso dos direitos humanos para defender os bandidos e criminalizar os policiais. Como essa era baseada no politicamente corr…
A definição do Fundo Público Eleitoral para as eleições de 2020 em dois bilhões de reais, não elimina a influência do poder econômico, tampouco evita o Caixa Dois, ainda que os tornem mais restritos. Mas praticamente acaba com as caras produções para a propaganda na TV. João Dória foi eleito Prefeito de São Paulo, em 2016, com amplo uso de recursos pessoais, ajudando ainda vereadores para a formação de uma base aliada na Câmara Municipal. Alguns outros milionários foram eleitos com uso das respectivas fortunas. Buscarão a reeleição e novos se candidatarão a vereadores, como ensaio para a eleição para deputado federal, em 2022. Os grandes volumes de caixa dois usando intrincados esquemas bancários no país e no exterior tornaram-se inviáveis de serem escondidos. A tentativa de conter a atuação da UIF (Unidade de Inteligência Financeira, ex COAF) não prosperou. Mas a movimentação em dinheiro vivo, não contabilizado, vai continuar, principalmente no interior. Essa movimentação traz um risco…

Globalização das start-ups

O mundo está em rápida transformação. As tecnologias digitais surgiram há pouco tempo, mas já dominam a vida das pessoas em todo mundo. Quem e quantos ainda não tem um aparelho de telefone celular?
Os novos produtos não são naturais, mas criados por homens que se organizam em empresas, dominando o mercado mundial. São bens e serviços que se fundem. 
Como o Brasil se insere dentro desse contexto? Apenas como consumidor ou também como produtor? 
A dominância no trato dessa questão ocorre no contexto de demanda: como o Brasil e os brasileiros devem se comportar diante das rápidas inovações tecnológicas. Como absorver, cultural e economicamente, os avanços da inteligência artificial.
Não há discussão, por exemplo, sobre como o Brasil poderá ter empresas de software com presença significativa no mercado mundial?
As empresas nacionais de software vem sendo desenvolvidas, segundo três frentes:

voltadas para uso pessoal: consumo interno (b&c);voltadas para determinados setores específicos, tend…

Bolsonarismo, doutrina e prática

O bolsonarismo é um movimento popular que se propõe a um resgate da trajetória histórica do Brasil, segundo a visão deles, caminhando por um desvio que gerou a crise ética e econômica que o país ainda vive.
Esse desvio teria ocorrido em 1977, quando o então ditador, General Geisel decidiu acabar com o regime militar e entregar o poder aos civis. 
O General Sílvio Frota, contrário a isso, tentou liderar um golpe de Estado, assumindo a Presidência, mas foi derrotado e demitido. Segundo ele, o regime militar estava fraquejando e não estava completando a missão para o qual assumira o poder em 1964: exterminar por completo a ameaça comunista. Para ele, com a devolução do poder aos civis, os comunistas remanescentes voltariam e tomariam o poder, com más consequências para o país.
Derrotado, o "frotismo" se retraiu, mas não sumiu. O vírus ficou incubado, com uma única manifestação pública desprezada pela opinião publicada, até que em 2016, quase 40 anos depois, a fala do porta-voz do …

O apetite pelo conhecimento

Tão ou mais grave que a fome por comida, é a fome pelo conhecimento.
Quando atendido na terna infância, a pessoa não se sentirá saciada, buscando sempre mais conhecimento. A fome pelo conhecimento persistirá ao longo de toda a sua vida.
Ao contrário, se não for atendida, a pessoa se acostumará a viver sem a busca de conhecimento. 
Sem maior conhecimento terá sempre uma visão de mundo curta, com a sua percepção limitada ao que conhece presencialmente e informado por crenças transmitidas por terceiros e que absorve pessoalmente. 
A visão de mundo curta, por limitação de conhecimento é a principal causa do quadro político de temos.

Uma disputa midiática

Greta Thunberg é uma adolescente com excepcional senso de marketing. 
Ela entrou na pauta da mídia mundial, dominada por questões ambientais, com um ato de rebeldia pessoal que ganhou sucessivas adesões em muitos países desenvolvidos. 
Representa um público jovem, indignado com a omissão e leniência de governantes diante do que entende ser o mais grave problema presente e futuro da humanidade. 
Os governantes dos países desenvolvidos, assim como de emergentes que já superaram o estágio da fome das respectivas populações, estão sendo - de fato - lenientes com o problema climático. Uma parte por efetivamente não acreditar na ocorrência do problema, mesmo com a sucessão de demonstrações científicas. Acusam essas demonstrações de manipuladas. Outra por aceitar a ocorrência do problema, mas por não conseguir vencer os interesses econômicos dentro do respectivo país. Ai fazem discursos a favor, apoiam os acordos internacionais, mas pouco fazem de efetivo para reduzir o suposto aquecimento do c…

O balanço do ano

Para os políticos que querem ou precisam mostrar resultados, perante os seus eleitores, para a opinião publicada e à sociedade em geral, é importante apresentar os seus feitos do ano. Os momentos são fugazes, mas o que é relevante passa a ser registrado como um fato notório do ano, não importando o mês em que ocorreu. O pacote “anticrime” aprovado pelo Congresso, dependendo apenas da sanção do Presidente, será uma das grandes marcas de 2019: como um grande resultado do primeiro ano do mandato do Presidente Bolsonaro e também do Congresso, eleito em 2018.Ainda, uma grande vitória de Sérgio Moro, embora a sua proposta inicial tenha sido “desidratada”. No futuro essa desidratação será pouco lembrada. O que importará será a lei como sancionada e depois homologada, com a votação dos eventuais vetos do Presidente. Aprovado ainda em dezembro, Sérgio Moro, ganhará um ano de imagem positiva. Se passar para 2020, ainda que no começo do ano, terá que esperar um ano a mais. Com reflexo sobre a popul…

O terço de apoio de Bolsonaro

Jair Bolsonaro mantém o apoio firme de 30% do eleitorado, segundo pesquisa do Datafolha. Mantido esse patamar chegaria ao segundo turno em 2022 e, dependendo do concorrente, seria reeleito: a sua maior obsessão atual. Percebeu ou foi induzido a entender que um só mandato era insuficiente para mudar o Brasil, como prometeu. Para cumprir a missão divina que lhe foi atribuída precisa de um segundo mandato. Para isso precisa desconstruir todos os eventuais candidatos que emergem à sua frente, sejam de campos adversários, como do seu próprio campo. Dos 30% de apoio popular, a parte maior é sustentada por Sérgio Moro, com o seu implacável combate à criminalidade e uma parte menor decorrente da presença de Paulo Guedes. Esse não tem cacife eleitoral, mas assegura a Bolsonaro um apoio maciço dos empresários. Com a forte aceitação popular de Sérgio Moro e uma suposta candidatura dele à Presidência da República, em 2022, Bolsonaro tentou abafar o protagonismo do seu Ministro. Esse, fez circular n…

Ressureição

A convenção nacional do PSDB trouxe uma ressurreição. Não do partido que ainda não morreu, mas continua em estado vegetativo.
Quem estava ou parecia estar morto é o deputado federal Aécio Neves. Alguém sabia? 
Deixando de disputar a reeleição para o Senado Federal, em 2018, candidatando-se a deputado federal foi eleito engrossando a estatística da renovação. Em 2018, segundo os indicadores do DIAP, amplamente usado e tomado como demonstração de ampla renovação no Congresso Nacional Aécio Neves foi duplamente renovador.
Não sendo reeleito para o Senado, abriu um espaço para um novo. Eleito para a Câmara dos Deputados, sem ser uma reeleição direta, fez parte da estatística dos novos.
Eleito, sumiu das manchetes e mesmo do noticiário interno. Não está na Presidência ou relatoria de qualquer comissão ou projeto importante. Ficou escondido no meio do baixo clero, articulando a formação de uma bancada "sua". Com ela conseguiu eleger o líder da bancada para 2019 e quer repetir a dose. …

Tá caro, mas não dá pra deixar de consumir

Pior do que estar caro é não ter. 
Todos reclamam que a carne está cara, mas a churrascaria onde fui ontem à noite para mais um dos eventos de confraternização de final de ano estava cheia. E mesmo as pessoas de menor renda dizem que não dá para deixar de ter mistura. 
A principal diferença na reação popular é que desta vez, não atribuem culpa ao Governo. A culpa toda do aumento de preços da carne é da China.  Quando muito a reação é "esse Governo não faz nada!" Devia proibir ou taxar as exportações para a China. 
Não pode deixar os pecuaristas e frigoríficos preferirem vender para os chineses do que abastecer o seu povo: "Brasil, acima de tudo".
"Esse Bolsonaro se vendeu aos chineses e largou o seu padrinho Trump. Mudou de time e nós é que estamos pagando." (kkkkk). 
É para rir, para não ter que chorar.
Um pequeno aumento do preço da carne é devido ao pique das compras de carne pela China, a partir de outubro. O aumento adicional, decorre de uma reposição de preços contidos ao longo de três anos, por conta das guerras comerciais. Os EUA cortaram a importação de carne brasileira e ainda continuam com restrições. A União Européia e a China aproveitaram a carne para se proteger contra uma eventual invasão da carne brasileira. O terceiro salto que levou o preço da carne de primeira de origem argentina às alturas é pura especulação. São eles que estão difundindo o “fake news” de que o boicote não funciona e só vai prejudicar os açougues. Bobagem: os açougues de frente para a rua remanescentes que ainda existem nos bairros paulistanos já estão com movimento menor por conta dos preços mais altos. Podem boicotar as carnes nas churrascarias e restaurantes mais refinados que os açougues populares não fazem parte dessa cadeia de fornecimento. A vitimização do açougue em caso de uma necessária rea…

"A terra é plana"! Quem já viu pessoalmente a terra redonda?

O bolsonarismo é uma expressão específica da direita, baseada no apoio de pessoas com crenças míticas.
Aparentemente essa população seria da ordem de 30% do conjunto da população adulta. Eleitoralmente asseguraria a participação do candidato de sua preferência ou que a representa num segundo turno de eleições presidenciais. Dependendo do concorrente e da imagem que esse carrega, nos 70% não míticos, elegeria o seu Presidente. Foi o que teria ocorrido em 2018 e pode se repetir em 2022. Repetir-se-á, se a elite persistir em não reconhecer essa realidade e continuar considerando os bolsonaristas apenas  como idiotas, loucos ou “sem noção”. Absorver idéias simples é mais fácil do que as complexas. As teses da teoria da conspiração são mais facilmente aceitas do que as explicações científicas. A “terra é plana”. Entre os 7 bilhões de pessoas no mundo, poucas subiram ao espaço para ver a terra redonda. Aqui, entre os 230 milhões de brasileiros, apenas um subiu aos céus. Mas será que ele viu que…

Aos amigos tudo

"Aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei".
Esse lema  anti-republicano do patrimonialismo fez com que os parlamentares adotassem uma salvaguarda aprovando a impositividade do pagamento das suas emendas distributivas de verbas do orçamento, conhecidas simplesmente como "emendas parlamentares".
Em tese, terão que ser pagas até o final do ano, mas poderão ser inscritas em "restos a pagar". A pagar quando "Deus quiser" e mandar Bolsonaro pagar.
Bolsonaro tem privilegiado a liberação dos que tem votado a favor das propostas do Governo, embora nem sempre sejam do seu agrado pessoal. 
Como não tem no Congresso, "amigos" suficientes não conseguirá aprovar novas propostas, como verá seu vetos derrubados.
A emenda parlamentar é o principal alimento da maioria dos congressistas. Eles podem se tornar "amigos" do Presidente, para ter liberações mais rápidas, principalmente em 2020, diante das eleições municipais, mas podem também se rebel…

E a ressaca?

As venda do black friday superaram as expectativas dos comerciantes.
Só na última hora, através de entrevistas dos potenciais compradores ficou evidente uma mudança de comportamento dos brasileiros compradores de eletronico-domésticos e outros bens duráveis.
As invasões nas lojas para comprar à vista os produtos em promoção, mostrou que o consumidor brasileiro captou o espirito do black-friday, economizando o dinheiro para comprar no dia das promoções. Abandonou o tradicional "carnê das Casas Bahia", onde só interessava o valor do boleto.
O sucesso do black friday já acendeu a luz amarela dos comerciantes. E a ressaca? Qual vai ser o tamanho e por quanto tempo? Vão encomendar à indústria novos pedidos para repor os estoques? Ou vão deixar essa reposição para o segundo semestre de 2020, para o black friday em novembro desse próximo ano?
As previsões de curto prazo é que a venda dos bens duráveis vai cair substancialmente, ainda em 2019. As compras de Natal desses produtos foram a…

O candidato da esquerda

Com mais uma condenação em segunda instância do ex-Presidente Lula, ele fica mais distante da candidatura à Presidência da República, em 2022. Segue como "ficha suja". Tentará anular os processos para mudar o status de solto para livre. O que parece cada vez mais difícil.
Ele tentará "emplacar" o seu preferido Fernando Haddad, apesar de não ter densidade eleitoral, em todo o Brasil e estar "queimado" em São Paulo.
A esquerda, para ser competitivo em 2022 precisa sair da sombra de Lula e ter um novo candidato. Essa condição não é preenchida por Ciro Gomes, o mais evidente, mas um "velho candidato".
Dificilmente esse candidato sairá no sul-sudeste onde a esquerda foi fragorosamente derrota por Bolsonaro, e em função de Lula, não deu margem ao surgimento de novas lideranças, a menos do já citado Haddad, sem luz própria. É e continuará sendo o substituto de Lula.
O candidato terá que sair do Nordeste, onde a esquerda ainda mantém a predominância polític…

Fritura em fogo brando

A suspensão de Eduardo Bolsonaro e de outros deputados federais do PSL que pretendem migrar para o Aliança para o Brasil, o novo partido criado por Jair Bolsonaro, faz parte de uma fritura em fogo brando, posta em prática pelo Presidente do PSL e sua turma, para desgastar os bolsonaristas que querem sair do partido, pelo qual foram eleitos. Segundo a legislação partidária e eleitoral, confirmada pelo Judiciário, os mandatos dos eleitos pelo sistema proporcional são do partido e não do eleito. Portanto, se aquele se desfiliar do partido perde o mandato, sendo substituído por um suplente, a menos que tenha uma justa causa, arbitrada pela Justiça Eleitoral, a menos do caso de expulsão. Apenas duas situações são consideradas como justa causa: a) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; b) grave discriminação política pessoal. Além dessas duas situações que podem ocorrer a qualquer momento, o eleito pode mudar de partido, sem perda de mandato, na abertura da janela de …

Perda de mandato

Jair Bolsonaro criou um novo partido e quer levar para este cerca de metade dos deputados federais eleitos em 2018, pelo PSL, sem perda dos mandatos.

Os casos de perda de mandato de deputados federais quando de desfiliação partidária tem sido objeto de interpretações equivocadas, em função de mudanças regulatórias.
O princípio fundamental é que nas eleições proporcionais o mandato é do partido e não do eleito. 
A regra  básica decorrente é que perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito.
O marco legal dos partidos políticos foi estabelecido pela Lei nº 6.096 de 1995, sem regular a desfiliação partidária.
No vácuo legislativo o Tribunal Superior Eleitoral, estabeleceu pela Resolução 22.610 de 2007, os casos de justa causa:
I) incorporação ou fusão do partido;
II) criação de novo partido;
III) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
IV) grave discriminação pessoal.

A minireforma eleitoral (Lei nº 13.165 de…

O Brasil vai bem, mas...

Paulo Guedes tem ido aos EUA para tentar trazer investimentos para o Brasil, mas o que ele consegue, na prática, é afastar e repelir os investidores. Mostra a eles um Brasil inseguro e que se houver mobilização, como no Chile, a resposta será o restabelecimento da ditadura. Não foi o que ele disse, mas como ele foi entendido. Em política, como em economia, a versão inicial vale mais que os fatos, para a reação das pessoas. Diz ele que o aumento do dólar, a fuga de capitais nada tem a ver com a soltura de Lula, mas passa a impressão contrária. Paulo Guedes é um péssimo ator e o que ele diz fora do script econômico é interpretado com o sentido oposto. A macroeconomia brasileira vai bem nos seus principais sinais vitais, mas com dois sintomas associados preocupantes: uma hemorragia, ainda que controlada, com perda de capitais estrangeiros e causando uma febre, medida pela cotação do dólar. O problema maior está numa doença incubada, cuja manifestação pode eclodir por alguma incidente: a con…

Invasões rurais

Por pressão de alguns proprietários rurais, invadidos pelo MST e outros ditos movimentos sociais, Jair Bolsonaro quer colocar o Exército para retirar os invasores, após decisão judicial de reintegração de posse. Porque, segundo esse grupo de apoio de Bolsonaro, os Governos Estaduais são lenientes e não usam adequadamente as suas polícias para a desocupação das propriedades.
Os fatos são reais, mas não são apresentados dados para mostrar a extensão atual do problema.
Existem dois problemas correlatos que podem produzir danos colaterais.
O Exército pode intervir e ser bem sucedido na missão. Mas podem ocorrer situações de violência, com a reação e resistência dos invasores, gerando mortes. 
Ai não interessa o fato. O que prevalecerá será a versão transmitida e analisada pela mídia. Será contra a "truculência" dos militares, prejudicando a imagem perante a sociedade urbana.
Os bolsonaristas acham que GLO é solução para qualquer reação popular. Os comandos das Forças Armadas estarão …

Prenúncio de chilenização

O caminhão com a equipe campeã do Flamengo deu um drible nos fãs desviando-se à esquerda quando a sua direção era a direita onde estavam os ônibus do clube, esperando para a transferência dos jogadores sem a multidão dos seus torcedores. Alguns torcedores perceberam a manobra e tentaram chegar próximo aos jogadores, no que foram impedidos pelas barreiras físicas e de tropas da Polícia Militar. Ao tentarem rompê-las foram reprimidos por bombas de gás lacrimogênio. Alguns torcedores reagiam jogando sandálias e depois pedras, criando um tumulto durante quase uma hora. Não houve grande difusão da manifestação de violência, limitada a alguns revoltados quebrando e jogando tudo o que tinham pela frente contra os policiais. Foi uma ruptura de comportamento dentro uma grande festa, com uma multidão comemorando uma conquista e não uma mobilização de contestação. Mas a revolta de algumas dezenas, talvez de uma centena de pessoas revoltadas contra uma proibição de locomoção para chegar junto aos s…

Néo bolsonarismo

O bolsonarismo que emergiu como um tsunami em 2018, trazendo Jair Bolsonaro à Presidência da República está sendo parcialmente repaginado, na criação do seu partido: o Aliança para o Brasil, que já está sendo cunhado pela mídia como APB e não como ALIANÇA. Alguns lerão a sigla como "Acordão pró Bolsonaros".
A principal diferença está na perda de importância, quase sumiço do combate à corrupção.
Uma grande massa de eleitores que formou o conjunto de 57 milhões de votos para o Jair foi dos eleitores de menor renda, decepcionados com a "roubalheira" do PT. 
Bolsonaro se apresentou ao povo como um político que apesar de tradicional não havia se envolvido com a corrupção e prometeu acabar com ela. Mas não tem conseguido manter a imagem de "inteiramente limpo". 
Os "lava-jatistas" que tem saído às Avenidas, contra Ministros do STF e em defesa de Sérgio Moro, não tem mantido o apoio irrestrito a Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro não cabe no APB e isso tem um impa…

Brasil, na direção errada

O Brasil está na direção errada. Não adianta fazer reformas estruturais que a economia vai continuar “patinando”. Vai melhorar um pouco aqui, um pouco ali. A economia vai ganhar ou perder 0,1% a mais, continuando no “reme-reme”, sem sair do lugar. A economia dos ricos vai melhorar cada vez mais, mas o resto continuará piorando. A média vem e vai melhorar. Com desigualdade cada vez maior. Para que uma economia cresça com base no seu mercado interno, precisa ampliar sucessivamente o seu mercado de consumo, pela incorporação das camadas de menor renda. O Brasil, tentou esse modelo, mas de forma desastrada e recuou em vez de avançar. Agora quer crescer, só com os andares superiores. Quando o pessoal do térreo sai as ruas, quebrando tudo, acompanhado pelo pessoal do porão, como agora no Chile, a reação é de pura perplexidade. Para ter um crescimento sustentado o Brasil precisa mudar de direção, de rumo. Não é um rumo utópico, mostrado pelos avanços tecnológicos ou pelos novos profetas. É um r…