quarta-feira, 1 de maio de 2019

Cenáros Bolsonaro 2019

Bolsonaro termina o seu mandato? Como estará Jair Bolsonaro no final do ano?

Um primeiro cenário, "Bolsonaro, Presidente efetivo", na narrativa bolsonarista não há qualquer dúvida. Bolsonaro estará firme e forte na Presidência, no final do ano. 
O Governo teria começado titubeante, mas agora Jair Bolsonaro assumiu plenamente a Presidência, impõe a sua pauta e pensamento e o Governo segue agora disciplinadamente as diretrizes definidas pelo Presidente. 
Mantém o apoio popular, com viés de alta e a economia irá voltar a crescer com a reforma da previdência. 
O segundo cenário seria "Rainha da Inglaterra". A ala militar preocupada com a perda gradativa da popularidade e aprovação, resolve tutelar mais intensamente o Presidente, cerceando as suas manifestações intempestivas e exigindo que ele controle os filhos. A ala militar assume plenamente a coordenação das atividades governamentais, mitigando o caráter ideológico de muitas áreas. 
Jair Bolsonaro segue como presidente, mas tutelado, sem poder efetivo de governo.

O terceiro cenário se baseia na percepção pela ala militar de que Jair Bolsonaro é intutelável, incontrolável e indisciplinado, como sempre foi. Também não consegue controlar os filhos e os usa como seu porta-voz pessoal. 
Diante da piora na situação econômica, colocando em risco o sucesso do governo e aumentando a perspectiva de volta do PT,
nas próximas eleições, a ala militar pressiona para que ele renuncie: "pede para sair". Se resistir, deixará ao Congresso a função de retirá-lo, sem defendê-lo. Por similitude é o cenário "Jânio ou Dilma?"

sábado, 27 de abril de 2019

Cenário Rainha da Inglaterra

Com perdão de Elizabeth, a expressão é usada por uma autoridade que ganhou o poder, mas não governa.
A ala militar palaciana, cansada com a inapetência de Jair Bolsonaro em assumir efetivamente o Governo, só tomando decisões esporádicas e erradas e deixando os seus auxiliares "quebrarem a cabeça", resolve assumir plenamente o governo, mantendo o Presidente inteiramente tutelado, sem acesso ao twitter e com os filhos sob controle. Continua assinando os atos com um x marcado no local e não interfere nas articulações com o Congresso. 
Sem a sua interferência a Reforma da Previdência é aprovada, em condição mais próximas à proposta original, sem as concessões de Bolsonaro.
É um cenário desejado por muitos empresários, seria o melhor para a economia, mas inviável.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Cenário Bolsonaro, presidente

O cenário Bolsonaro presidente é percebido, nas apresentações que tenho feito, como mais do mesmo. 
Uma inflexão na conduta do Presidente, assumindo efetivamente o comando do Governo de forma segura e persistente, tem sido vista como impossível, dada a personalidade dele.
Inapetente para a função, como ele mesmo já declarou ("não nasci para ser Presidente") a tendência principal é a omissão. Ou fuga às decisões complexas. 

A sua intervenção como Presidente, continuará sendo intermitente, pontual e mais negativa do que positiva. Em função de pressão de grupo de apoiadores, usa mais o poder de veto, exigindo renovação de medidas adotadas pela máquina, do que orientá-la num determinado sentido. 
Ontem a ordem para retirar uma peça publicitária do Banco do Brasil e demitir o responsável é tipica dessa postura presidencial.
A consequência é a paralisia da Administração: os funcionários e chefias intermediarias ficam receosos de tomar qualquer decisão. 
Bolsonaro, quando resolve presidir, tende a repetir Dilma. 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Vencedores e vencidos, vencedores e vencedores

O Governo Bolsonaro tem uma visão beligerante da política, com uma visão de submissão dos perdedores ao vencedor, como vem fazendo na área ambiental.
Mas, em muitos casos, a disputa é entre grupos de vencedores, cada qual cobrando de Jair Bolsonaro as promessas de campanha assumidas com aqueles. Os evangélicos cobram a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, mas o também vitorioso agronegócio é contra. Os caminhoneiros cobram as medidas de apoio do Governo à categoria, mas o  também ganhador mercado é contra o congelamento dos preços dos combustíveis. 
A incapacidade de Jair Bolsonaro em resolver com a necessária agilidade as disputas, deixa o Brasil numa situação de incertezas.
O principal impasse está com o Congresso, onde a maioria também se considera - com razão - vencedora. 
Em muitos casos, o mesmo eleitor que votou em Bolsonaro para Presidente votou em um deputado é contra as propostas do Governo e ambos tem que prestar contas ao seu eleitor: o mesmo dos dois.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

História mal contada

Segundo a versão corrente, o Presidente Jair Bolsonaro ligou para o Presidente da Petrobras, mandando sustar o aumento do diesel pelo risco de uma nova greve de caminhoneiros. O fez, enquanto Paulo Gudes explicava aos americanos, nos EUA, o que pretende fazer.
Isso causou um abalo na confiança do mercado, anulando o esforço de Guedes em convencer os investidores externos a aplicar o dinheiro no Brasil.
Se fosse no Governo Dilma, a versão seria plausível. Num governo dominado pelos militares, com o pleno funcionamento do sistema presidencial de informações, não.
A ala militar sabia que a tentativa de nova greve, prevista para 30 de março tinha sido abortada, por falta de adesão. Se houvesse mesmo ameça, a ala militar sabia como contingenciar e evitá-la. Não houve nenhuma negociação prévia, com a alta administração do Governo.
Uma nova greve geral dos caminhoneiros, só ocorrerá se o Governo quiser. 
Ou se, o Presidente tiver um surto de lider sindical para exigir do Governo o atendimento das suas reivindicações. 
Quando deputado Jair Bolsonaro foi a favor da greve, contra o Governo Temer. Agora é contra que governo?

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A gestão do Estado Nacional, nos primeiros 100 dias do Governo Bolsoanro

Por uma distorção desenvolvida pela mídia, toda atenção é dada ao Poder Executivo, sem a devida consideração sobre os demais poderes.

Tanto o Governo, como o Congresso tem os seus titulares eleitos, na mesma época, com o mesmo período de  mandato (exceto os Senadores), dentro da mesma eleição, mas com regras distintas. Estas distinções levam à formação diferenciada das forças políticas.
Além do mais, nas circunstâncias atuais, os primeiros 100 dias do novo Governo, houve uma nítida distinção entre o exercício da Presidência e do Governo.
A Presidência cuidou de organizar e formar a equipe ministerial, delegou a essa as atribuições de exercer amplamente as atividades executivas, com poucas interferências, apenas pontuais, recolhendo-se aos seus "brinquedos" preferidos. Mas, em dois momentos, teve que trocar membros da sua equipe ministerial.
O Governo desenvolveu as suas atividades executivas, com os Ministérios agindo de forma independente, dentro dos recursos disponíveis, com alguns choques, porém poucos, entre as ações ministeriais. Cada um jogou individualmente, mas dentro de um mesmo conjunto.
No final do período, no centésimo primeiro dia, o Presidente assumiu - aparentemente - o Governo emitindo um conjunto de decretos e de projetos de lei para cumprimento de um programa de metas, estabelecidos, pelo Ministro Chefe da Casa Civil, em conjunto com parte dos Ministérios. 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O agoverno Bolsonaro

Ao  chegarmos aos quase 100 dias, a grande constatação é que estamos diante de um agoverno, ou um não governo. Não se trata de um desgoverno, que não sabe para onde vai, mas uma falta de governo. E o país, sem governo, segue a inércia. 
Na realidade, o que ainda acontece de ação governamental é a continuidade do Governo Temer, em que pese a merecida imagem negativa do ex-presidente. Temer foi mal, mas o seu governo nem tanto. Só não teve tempo para implantar uma série de medidas que agora foram efetivadas.
Um dos poucos pontos positivos dos 100 dias será a privatização ou  concessão dos aeroportos, de terminais portuários, dos dutos da Petrobras, da Ferrovia Norte-Sul, gerando um enorme caixa para o Tesouro Nacional. Nada disso começou com o Governo Bolsonaro, mas esse tem o mérito de dar continuidade e efetivar. Ao contrário e outras medidas, de menor importância, suspensas. 
O problema é que os projetos incluídos no "pipeline" estão praticamente esgotados. 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Partidos sem poder

A centralização de recursos nas mãos do Governo Federal, associada à maior facilidade na formação e manutenção de partidos politicos, promoveu a expansão do "despachantismo", isto é, a eleição de deputados federais como despachantes de interesses comunitários, somados aos despachantes de interesses corporativos.
O deputado despachante é, em geral, um populista com carreira anterior de atendimento direto às necessidades ou problemas da população. É popular, por ser conhecido e admirado na comunidade e populista por transformar a sua aceitação em alavanca para obter e ampliar os votos. 
O seu eleitorado é um ativo pessoal. Dessa forma ele não precisa do partido político, a menos para registro da sua candidatura. É o partido político que precisa dele e dos seus votos, para eleger a sua bancada, em função das regras eleitorais.
O deputado-despachante tem independência e se entrar em choque com a direção partidária, simplesmente, na primeira oportunidade ou janela, muda de partido. 
Nas eleições de 2018, sem o financiamento empresarial e com as campanhas financiadas, essencialmente pelos fundos públicos controlados pelas direções partidárias, a perspectiva era de uma maior dependência dos candidatos dos partidos. Mas muitos foram eleitos com pouco ou nenhum apoio financeiro do partido. Foram eleitos em função da sua popularidade nos seus redutos eleitorais. 
As direções partidárias não tem o controle sobre o voto dos despachantes filiados ao seu partido. Por isso não podem garantir ao governo o voto deles. A menos de contrapartidas a cada um deles. 
Por essa razão não assumem nenhum compromisso de fechar questão. Não mandam nos votos dos seus partidários. E se ameaçar de punir por infidelidade partidária eles mudam de partido. Simples assim

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Um velho político contra a velha política

Jair Bolsonaro fez toda vida política, dentro da "velha política", como despachante de interesses corporativos e comunitários. 
Percebendo o cansaço de grande parte da população com essa velha politica, amplamente contaminada pela corrupção, voltou-se contra ela, assumindo o papel de paladino da extinção desse velha política. Ele foi eleito com quase 58 milhões de votos dos desejosos ou esperançosos por uma nova política. Ele se assume como vencedor e pretende submeter os derrotados aos seus propósitos, em nome do Brasil e de Deus. Mas a velha política, no conjunto, teve tantos ou mais votos diretos que ele, e se considera tão vencedora quanto Bolsonaro. Não se aceita como perdedora, por que também ganharam.
Tem que prestar contas aos seus eleitores, tanto quanto Bolsonaro. Vão votar segundo o que os seus eleitores querem ou gostariam. Podem ser os mesmos, mas não necessariamente, que votaram em Bolsonaro. 
A estratégia de usar a pressão dos seus eleitores para pressionar os deputados pode ser um tiro no pé.

terça-feira, 26 de março de 2019

A "velha política" só existe porque o eleitor vota nela

Uma pesquisa que fizemos sobre os dados das votações locais, em 2014, de deputados federais, em diversos Estados, mostrou que grande parte deles (talvez a maioria) foi eleita como despachantes de interesses locais. 
Essa é a origem da "velha política" e estamos nos dedicando, esta semana, a colocar aqui maiores reflexões para discussão de como superá-la.
O foco principal terá que ser sempre a base, o eleitor: como conseguir que o eleitor não continue votando no deputado federal como despachante de interesses coletivos, mas restritos ao seu pequeno mundo. 
O Governo quer uma reforma da previdência. O eleitor quer o conserto da ponte para ele poder ir à cidade. Ou ter atendimento num posto de saúde. 
O deputado federal promete ajudar o eleitor a conseguir o que necessita e ganha o seu voto. 
É a "política como ela é" (parafraseando Nelson Rodrigues) e não como a gente gostaria que fosse. 
O resumo da pesquisa está publicada num livro "Até onde a vista alcança". Mas que não foi comercializada amplamente, para ser atualizada com os dados de 2018. 

segunda-feira, 25 de março de 2019

Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega

Jair Bolsonaro foi eleito nacionalmente pela predominância da nova política. Mas o Congresso, eleito estadualmente, continuou sendo eleito pela velha política. 
Para aprovar a Reforma de Previdência precisa negociar com os despachantes de interesses comunitários ou corporativos, que dominam o Congresso. 
Se continuar recusando essa negociação em nome da nova política, a Reforma da Previdência não é aprovada e perde popularidade junto ao mercado e parte da população. Fica enfraquecido e mais sujeito às pressões para sua saída.
Se aceitar negociar com os despachantes, ainda que através do próprio Congresso, mas dependente de decisões do Executivo, pode aprovar a Reforma da Previdência, mas seus eleitores e adeptos sentir-se-ão traidos, retirarão o apoio e Bolsonaro, igualmente, ficará enfraquecido.
A sua saída será pedir para sair. 

sábado, 23 de março de 2019

Cenários do embate "Lava Jato" x STF

Há um processo da radicalização entre forças em confronto, diante da opinião pública, cada qual buscando maior apoio para as suas posições e suas jogadas.
De um lado, claramente, está um grupo de jacobinos do Lava-Jato que busca o apoio popular para derrubar o time instalado no Supremo Tribunal Federal, para continuar a sua cruzada contra os políticos corruptos. 

A partir do embate aberto, agora em etapa de "mata-mata" podemos desenhar os seguintes cenários prospectivos em relação ao confronto jacobinos do lava-jato x ministros do STF.

  1. Os jacobinos vencem, com a não concessão do habeas corpus a Michel Temer, e passam a agir mais amplamente denunciando e prendendo políticos. 
  2. Os jacobinos perdem e se retraem. Não só suas decisões são revistas em instâncias superiores,  como são repreendidos. 
  3. Os jacobinos perdem na primeira prisão de Temer, mas persistem e conseguem prender Temer em um dos outros processos, em que está sendo investigado ou denunciado. Outros políticos são presos.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Um governo melhor que o Presidente

A pesquisa do IBOPE de opinião da população sobre o Governo, indica que a população tem uma visão do governo melhor do que do Presidente. O saldo da avaliação do Governo, apesar da queda a partir dos dados iniciais de janeiro, é positivo em 10 pontos, ao subtrair das opiniões ótimo e bom, as opiniões ruim/pessimo. 
Apesar da crítica de analistas e de líderes políticos que querem que Jair Bolsonaro assuma efetivamente o governo, a população - ainda majoritariamente - "aprova a maneira como o Presidente Jair Bolsonaro está governando o país". 51% aprovam e 38% desaprovam. O saldo é positivo em 13 pontos. Acima do índice de avaliação do Governo.
Considerando apenas os números, esses dizem que a população acha que Jair Bolsonaro está governando bem, mas as entregas efetivas do Governo estão abaixo do nível de governança.
O elemento crítico da avaliação de Jair Bolsonaro, no entanto, está no grau de confiança da população em relação a ele. 
A partir de 62% da população que confiava nele, em janeiro de 2019, muito acima dos que nele votaram, contra 30% que não confiavam, com um saldo positivo de 32 pontos, chega em março com 49% que confiam, portanto já minoria e 44% que não confiam, com um saldo positivo de apenas 5 pontos. Dada a tendência, a menos de uma grande virada, Jair Bolsonaro corre o risco de chegar aos 100 dias no cheque especial, com saldo negativo de confiança.
Com perda de confiança da população, o seu principal ativo político, corre o risco de não conseguir aprovar a Reforma da Previdência, mesmo desidratada. 

terça-feira, 19 de março de 2019

O novo papel dos militares

Em 1964 os militares deram um golpe de Estado para assumir o poder, permanecendo até 1985, sempre sob a presidência de um general e sob um regime autoritário que deixou marcas profundas. A principal é de um regime ditatorial, com supressão das liberdades individuais, com prisão, tortura e mortes do que consideravam inimigos do regime: militar no governo é associado à ditadura.
Segundo historiadores o golpe de 64 foi dado para interromper um processo de "esquerdização" do pais, iniciado por outro golpe militar: o de 1930. liderado pelo então tenente Getúlio Vargas. Com alternâncias, mas em 64, dominante com a presidência de João Goulart, afilhado político de Vargas.
O retorno dos militares ao Governo se dá agora em 2019, a partir da eleição democrática de um ex-capitão reformado há 30 anos, com características populistas que canalizou o descontentamento da população brasileira com os rumos da política brasileira e com os governos petistas.
Eleito, com um ideário de direita e intensa oposição verbal contra o PT, que tentava voltar ao poder, formou um gabinete predominantemente de generais reformados, ao qual se soma o Vice-Presidente, General Mourão, constituindo o que a mídia caracteriza como ala militar.
Na montagem ministerial, Bolsonaro delegou a dois superministros as áreas estratégicas do seu Governo: a economia e o combate ao crime, e reservou para si, o comando direto de 4 Ministérios, todos afinados com o seu ideário. Dois, mais ideológicos, sob comando do seu filho Eduardo, representando o suposto guru da família, Olavo de Carvalho, um terceiro associado aos evangélicos e o quarto, um "livre atirador". Todos com discursos anti políticas e concepções petistas. Os demais ficaram soltos ou sob o comando da ala militar.
Com a esquerda amplamente derrotada e sem rumo, o maior problema do Governo não está em "remover o entulho petista", mas em controlar os arroubos da ala direitista, que ocupa o Ministério da Educação e das Relações Exteriores. 
Este está sendo o principal papel da ala militar dentro do Governo Bolsonaro. É um papel de contenção das ações da direita radical dentro do Governo, sob inspiração de Olavo de Carvalho.
E um papel moderador, mas no sentido de moderar ações ou manifestações mais radicais. Com o que acaba por entrar no jogo.
O Vice-Presidente, General Mourão, por ter maior independência e uma personalidade mais aberta, falando o que pensa, acaba por ser o porta-voz informar da ala militar e o adversário explícito da direita radical.
Como estrategistas tem paciência para esperar que os Ministros oponentes de desgastem pelo seu próprio radicalismo e ai pressionar para a saída. 
O Ministro da Educação será a primeira vítima, mas Ernesto Araujo também esta na linha de tiro.

terça-feira, 12 de março de 2019

Componentes dos cenários: visão de mundo

Jair Bolsonaro irá governar segundo as suas convicções que decorrem da sua visão de mundo. Essa pode ser sintetizada nos seguintes elementos:

  1. uma percepção  (ou versão) de degradação moral, da sociedade brasileira, com as tentativas de destruição dos valores tradicionais da família brasileira, pelo "progressismo";
  2. a solução da criminalidade pelo armamento dos brasileiros, para se defender contra os criminosos;
  3. uma contraposição absoluta, contra a esquerda, considerada socialista ou comunista que querem (na visão dele) implantar uma ditadura comunista, como as de Cuba e Venezuela;
  4. o entendimento de que a esquerda, seguindo os ensinamentos de Gramsci, capturou as escolas nas áreas das ciências humanas, para a cooptação ideológica dos jovens;
  5. a sensação de perseguição pela mídia tradicional, percebida como inimiga que quer destruí-lo;
  6. um alinhamento pleno a Donald Trump, nas suas disputas contra a China, muçulmanos e países sob domínio comunista.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Componentes dos cenários: personalidade do governante

Grande parte da classe média, da chamada "sociedade organizada", cansada e indignada com as práticas e políticas petistas, uniu-se ao "grosso", na esperança de que ele derrotasse o lulo-petismo e, uma vez na presidência, se tornasse mais civilizado.
A primeira parte se concretizou e Jair Bolsonaro foi eleito presidente com grande apoio da sociedade organizada, que concentrou os votos nele, compensando e superando a predominância do voto popular no lulo-petismo, no Nordeste brasileiro. 
A segunda parte, não. Jair Bolsonaro, um lídimo representante da baixa classe média ascendente, segue como tal, andando de sandálias dentro do Palácio da Alvorada, sem tirá-lo, para eventuais audiências, soltando os seus palavrões e manifestando as suas indignações e contrariedades. Ele não dá "a mínima" para a tal "liturgia do cargo". Ele continua sendo o mesmo Jair, até porque acha (ou tem certeza) que é isso que o povo que o elegeu quer.
O problema é que tornado Presidente, ele é o alvo preferencial da mídia tradicional, que o acompanha, ininterruptamente e repercute seus pronunciamentos e ações.
Com a visibilidade as manifestações provocativas, com repercussões limitadas aos seus seguidores e detratores na rede social, passaram a ter repercussão  mais ampla, até em amplitude internacional.
Repercussão de uma sociedade organizada, escandalizada com a "grossura" do Jair.
Essa que foi uma qualidade para a sua eleição, é hoje vista como o seu maior defeito pessoal.

Para efeito dos cenários, duas perspectivas básicas devem ser consideradas: ele não vai mudar, até porque se mudar, vai deixar de ser autêntico, ser o "capitão" e perderá autoridade pessoal. 
A outra alternativa é que ele se enquadre, ou seja, enquadrado, podendo virar um fantoche.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Projeção dos cenários apos 2 meses

Com dois meses de governo, considerando as mudanças de circunstâncias e as ações governamentais podemos redesenhar para o restante do ano, os cenários básicos.
O cenário "lua de mel prolongada" sofreu um grande abalo, com a crise deflagrada por Carlos Bolsonaro, que resultou na demissão de Gustavo Bebianno, mas é restabelecido, com a decisão de Jair Bolsonaro em reiterar que quem manda é ele  e afastar os filhos das decisões governamentais. Os filhos atendem à determinação e se reduz a percepção popular da influência dos filhos.
Refeito da cirurgia, agravada pelas sequelas, do baque político gerado pelo seu filho Carlos, da contenção da ala militar em relação à sua posição belicista em relação à Venezuela de Maduro, Jair Bolsonaro assume efetivamente a presidência do país, explicitando comando sobre Ministros, até então com total liberdade de ação.
Assume o comando da defesa da Reforma da Previdência, mas a sua, não a de Paulo Guedes. Passa a ser o principal comunicador da reforma, seja através da rede social, como por manifestações públicas por todos os meios de comunicação tradicionais e eventos de grande público presencial. Volta aos palanques, dos quais se afastou por razões pessoais, mas nunca se retirou. 
Trazendo a discussão da reforma da previdência ao campo político, com negociações temáticas, minimiza o impacto das negociações por cargos e emendas com o baixo clero. 
A campanha pela aprovação da reforma volta a mobilizar parte significativa da população a seu favor, restabelecendo o clima de "lua de mel". A aprovação da reforma, prolonga o clima, no segundo semestre do ano.
Será favorecido por circunstâncias externas. Trump enfraquecido pelas pressões internas e o fracasso temporário das negociações com a Coréia do Norte, prolongará a trégua das disputas comerciais com a China, desobrigando o Brasil a assumir uma posição. 
Maduro, cada vez mais enfraquecido, apesar do apoio russo e chinês, dependerá das negociações diplomáticas, com amplo protagonismo do Brasil, para uma "retirada honrosa", evitando conflitos militares. 
Embora a Reforma da Previdência que venha a ser aprovada não seja a preferida do mercado, com muitas concessões em relação à proposta Guedes, os agentes econômicos ampliarão os investimentos, principalmente os de origem estrangeira, mais otimistas que os nacionais, em relação ao futuro do Brasil.
Para isso contribuirá o desenvolvimento da política econômica de abertura, principal propósito de Paulo Guedes. 
A dinâmica econômica melhorará, com resultados efetivos ainda restritos, mas gerando uma imagem mais positiva. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

Avaliação dos cenários, após dois meses

O segundo mês do Governo Bolsonaro foi marcado por diversos diversos eventos definidores das trajetórias futuras.
Os mais marcantes foram o que envolveram a interferência do filho Carlos Bolsonaro, nas decisões do  pais, com uma repercussão negativa, interna e externamente.
Uma mensagem de Carlos Bolsonaro chamando Gustavo Bebianno de mentiroso, desencadeou uma crise, com vários resultados relevantes:

  • a demissão de Bebianno, quebrando um importante elo do Palácio do Planalto com o Congresso;
  • a exteriorização de uma postura íntima belicosa de Jair Bolsonaro, com a grande mídia tradicional, caracterizando a Rede Globo, como inimiga;
  • a repercussão pública negativa, inclusive dos bolsonaristas, da percepção da interferência dos filhos;
  • o reforço da tutela do grupo militar instalado no Palácio do Planalto, sobre o comportamento do Presidente;
A crise quebrou o natural ambiente de "lua de mel" da população com o Presidente, com repercussão no seu poder de negociação com o Congresso. 
Depois de mais de 10 dias da crise gerada pela ação destemperada de Carlos Bolsonaro e avalizada pelo pai, Jair Bolsonaro promoveu uma reunião com jornalistas, para apagar dois dos incêndios e desmentir o terceiro:
  • declarou que nenhum filho manda no Governo e que estabelecerá "filtro" sobre as manifestações de Carlos;
  • reclamou do tratamento da imprensa, mas reconheceu como normal, amenizando o confronto;
  • afirmou que não existe mal estar com a ala militar.
Como a interferência dos filhos estava colocando em risco o crédito da população ao Governo, ações efetivas de controle sobre os filhos, restabeleceria a confiança e do próprio ambiente de lua de mel, dependendo de outras ações positivas. Como o encaminhamentos das propostas de Reforma da Previdência e do "pacote anti-crime" de Sérgio Moro.

A crise com Bebianno tem consequências mais amplas que a sua saída do Governo. Para superar o ambiente desfavorável, Bolsonaro teve que precipitar o encaminhamento da proposta de Paulo Guedes, sem uma negociação ampla, dentro do próprio Executivo e com as lideranças do Congresso. O resultado foi uma reação positiva, mas cheio de ressalvas por parte dos políticos.
Embora haja uma reação generalizada de que a proposta está repleta de um rebanho de bodes mal cheirosos, criou-se um ambiente de necessidade de muita negociação. Não apenas dos temas específicos, mas do tradicional "troca-troca". A reação política é de que sem essa negociação a Reforma da Previdência não será aprovada, nem mesmo na sua "espinha dorsal".
O mercado reagiu de forma mais pragmática, entendendo-se que a reforma não será a encaminhada, mas a resultante das negociações com e no Congresso. E essa será satisfatória, ainda que não alcance os inviáveis números estimados pela equipe econômica.
A população também, de forma majoritária, é favorável à reforma, mas espera pela que sairá do Congresso. 
Todo confronto será entre a equipe econômica e as corporações, com ampla representação dentro do Congresso, além das tentativas de extorsão. 
Tanto o mercado como a população, em geral, tendem a aceitar a Reforma, como for definida pelo Congresso, aceitando-a como a possível. A oposição política não terá capacidade de evitá-la, tampouco contestá-la. O que tentará, com sucessos pontuais, é o retardamento da tramitação. 
Mas uma reforma da previdência será aprovada.

A reação à interferência dos filhos, não alcançará apenas Carlos Bolsonaro, mas os dois outros. Flávio ficará menos protegido, ampliando a pressão para a sua submersão e até mesmo para a sua renúncia. 

Eduardo também ficará enfraquecido, sem condições de sustentar as posições a favor de Donald Trump, contra a Venezuela de Maduro, levando o Brasil a um envolvimento militar, contrário às suas tradições.

A ala militar do Governo já se manifestou expressamente contra qualquer envolvimento militar do Brasil, nas questões internas da Venezuela, focando nas pressões diplomáticas. É uma evidente inibição às visões dos Bolsonaros de eliminar, pela força, os regimes - suposta ou assumidamente - socialistas, na América Latina.

Dentro desse mesmo contexto, Jair Bolsonaro fez valer a sua autoridade presidencial, desautorizando e até repreendendo a ação do Ministro da Educação, indicado e protegido de Eduardo Bolsonaro. 
Ele, pela afinidade ideológica e pela condição de filho, assumiu um grande protagonismo na formação do Governo, capturando, com respaldo do pai, duas importantes áreas: o Itamaraty e a Educação. 
Ernesto Araujo já foi "controlado" pela área militar, na posição do Brasil na questão "Venezuela" e, aparentemente, no comando da política externa do Brasil. 
As ocorrências indicam que Jair Bolsonaro, com respaldo militar, está assumindo essas áreas, reduzindo o espaço de liberdade que os Ministros de Eduardo Bolsonaro estavam usufruindo. 


O resultado a curto prazo dessas áreas será o imobilismo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Afunilamento dos cenários Bolsoanaro

A mais nova crise política, iniciada por uma desavença entre o filho do Presidente, Carlos, e o Ministro Gustavo Bebianno, independentemente da repercussão popular, comprometeu o cenário "lua de mel prolongada". Na prática a lua de mel, nem chegou a começar. Era uma grande expectativa antes da posse. Os discursos da posse reforçaram a expectativa, mas os primeiro dias de governo, foram marcados por decepções (como o episódio de Davos), por ondas de violência no Ceará e por grandes tragédias, como a de Brumadinho.
A hospitalização de Jair Bolsonaro, para uma cirurgia programada, gerou um crise interna, promovida pelos filhos, que pressionaram para um retorno antecipado, contrariando ordens médicas, para minimizar o exercício da presidência pelo Vice, General Mourão.
A interferência dos filhos se agravou com o conflito entre o filho 02, Carlos, e o Ministro Bebianno, gerando uma crise política que está afetando as relação do Governo com o Congresso.
Uma aprovação fácil e de baixo custo da reforma previdenciária, assim como das medidas anticrime de Moro, baseada num forte e indiscutível apoio popular, pressionando o Congresso, ficou comprometida. 
O cenário tendencial que era de "lua de mel prolongada", passa a ser o de "lua de mel interrompida", com a retomada do amplo apoio popular, tem pouca probabilidade de ocorrência.
O cenário mais provável é da aprovação pelo Congresso da agenda governamental, mas não sem ampla e intensa negociação, com concessões políticas, nem sempre aceitas pela população.
Isto é, do cenário "relacionamento instável ou conturbado", mas beirando perigosamente o cenário frustração e desencanto.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Filhocracia x política

O "imbroglio" Bebianno tem uma saída política que, embora não consensual, resolve vários problemas: a retirada de Bebianno da Secretaria de Governo e assunção da Presidência do PSL, afastando Luciano Bivar.
Seria uma "saída honrosa" para Bebianno e uma solução para garantir a quase totalidade dos votos da bancada do PSL para a reforma da previdência, além de ampliar o tamanho da bancada, pela atração de outros parlamentares para o partido. É uma solução desejada por Paulo Guedes e Rodrigo Maia.
Seria uma solução apoiada, ainda que não explícita, pela área militar.
As dificuldades estariam no "sacrifício" de Luciano Bivar, o que não teria a mesma repercussão pública do sacrifício de Bebianno, na redução do poder de Onyx Lorenzoni e, principalmente, na redução da temperatura do sangue do clã Bolsonaro. A de Jair, apesar das suas resistências pessoais, será por pressão política e da ala militar. 
Ele não poderá continuar pretendendo governar, com permanente "sangue quente", o que é inviável em política. 
O problema maior estará no controle dos filhos, principalmente do "pit bull", o 02. 
Se Jair Bolsonaro continuar privilegiando a relação familiar às relações política, a lua de mel será abreviada e os riscos do cenário "frustração e desencanto" crescerão.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O que quer o clã Bolsonaro?

Jair Bolsonaro foi eleito como um mito. Ele mesmo alimentou o imaginário popular, favorecido por circunstâncias.  Como um vulto dá margem a diversas interpretações, com cada qual vendo uma parte e tentando decifrar ou definir o todo. O mito é resguardado pelo seu filho Carlos, o guardião. 
Todos os que buscam ingressar no círculo íntimo e tentam influenciar o Presidente são repelidos e instados a se afastarem. 
Com o sucessivo afastamento dos "velhos amigos" civis, com o monarca Bolsonaro, cercado pelos seus filhos, como evoluirá a gestão Bolsonaro? 
Tirando as áreas estratégicas assumidos pelos superministros plenipotenciários, as assumidas pelos militares, do ponto de vista administrativo, fica a cargo da governança do Presidente um remanescente de áreas, aparentemente soltas. Essas só ganham importância quando "sacudidas" por acidentes, como o caso da área ambiental. Fora disso, só "tocam a rotina", sem maiores repercussões gerais. 
Como caminhará o Governo, dentro dessas circunstancias e o que acontecerá com o Brasil nos próximos anos ? 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Aguardando os 90 dias

O Chefe da Casa Civil definiu um cronograma de programação de atividades do Governo, concedendo a cada um dos órgãos governamentais o prazo de 90 dias, a partir do inicio do governo, isto é, até 31 de março, a formulação e apresentação dos planos para os próximos 4 anos (2020-2023), prazo do próximo PPA - Plano Plurianual. Até lá a máquina administrativa só cuida da rotina, sem iniciar novos programas.
No setor da mobilidade urbana, a continuidade das atividades está no programa Avançar Cidades, um programa definido ainda no tempo do Ministério das Cidades, agora a cargo do Ministério de Desenvolvimento Regional e Urbano, que financia Prefeituras Municipais para programas de pavimentação, calçadas, sinalização, transporte coletivo e outros. A prioridade agora é o pedestre. Estacionamento não faz parte da agenda das políticas nacionais de mobilidade urbana. O que pode ser considerado como fato positivo, já que o livra de amarras ou regulações públicas nacionais.~
Não há, por enquanto, perspectivas de profundas mudanças, de rupturas (breakthroughs), destruições criativas e outras alterações profundas, com grandes mudanças de paradigmas. Significa que não há perspectiva de substanciais mudanças sobre as percepções governamentais sobre o papel dos estacionamentos na mobilidade urbana. Não são considerados como problema ou como solução. Apenas uma realidade.
A posição dos representantes dos Governos é que a sociedade, que as associações empresariais, ONGs e outra entidades privadas apresentem proposições radicais, mas viáveis. 
Os problemas da mobilidade urbana decorrem de decisões pessoais, sendo os mais relevantes as dos decisores de serviços de transporte coletivo e de localização das atividades geradoras de trabalho. Faltam ainda percepções mais objetivas das razões ou lógicas das decisões empresariais. Essas são consideradas segundo estereótipos que nem sempre correspondem à realidade.
Os indícios são de que no final dos 100 dias o Governo não terá muitos resultados efetivos a apresentar, mas pretende detalhar as suas promessas. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Os primeiros 40 dias

O primeiro mês do governo Bolsonaro, mostrou o Presidente mantendo o estilo de campanha, para manter o apoio popular. Seus discursos seguem populistas, repleto de promessas e frases de efeito. Até mesmo em Davos, na Suiça. 
De efetivo seis fatos marcaram a trajetória futura do Governo Bolsonaro: o cumprimento da promessa de não adotar o "troca-troca" na formação do Ministério, a demora do Ministro Moro em apoiar o enfrentamento do crime organizado no Ceará, o comprometimento de Bolsonaro em manter o Brasil, dentro do Acordo de Paris do Clima, a tragédia de Brumadinho, que reverteu a promessa de flexibilizar a fiscalização ambiental, o "caso Flávio Bolsonaro-Fabrício Queiroz" que mancha a imagem de político impoluto de Jair Bolsonaro e o retorno precipitado de retomada da Presidência, diante do aumento da sombra do Vice-Presidente, General Mourão.
Nos primeiros dias de fevereiro, a percepção da opinião pública foi de vitória do Governo nas eleições para a Presidência das Casas no Congresso, Sérgio Moro e Paulo Guedes vieram a público para apresentar as suas propostas. Por disciplina evitaram evidenciar, ainda no primeiro mês, de que o Governo anda, mesmo com a ausência factual do Presidente Bolsonaro, mas não puderam evitá-lo, com a reabertura do Congresso. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Trajetórias do primeiro mês

Bolsonaro vem cumprindo as suas promessas de campanha o que manteria o apoio popular. O mais importante e visível é não ter loteado o Ministério por acordos partidários. 
Tem havido negociações com lideranças partidárias em relação aos cargos de terceiro e quarto escalão, mas esses não são tão visíveis para a opinião publicada. 
Na redução da estrutura organizacional do Governo Federal embora menor que o prometido, a imagem popular é de que está fazendo o possível, no cumprimento das promessas. 
No campo regulatório as medidas são parcas, com o Congresso ainda em recesso.  A medida mais relevante, foi o decreto de flexibilização da posse de armas. Não satisfez a nenhuma das partes diretamente envolvidas, mas o primeiro passo da promessa foi cumprido.

O primeiro mês estaria inteiramente dentro do cenário "Lua de Mel prolongada", apesar de pequenas trapalhadas, não fosse o episódio Flávio Bolsonaro/ Fabrício Queiroz. Este empana o cenário e o leva à alternativa do cenário "relacionamento instável". 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Um crime misterioso

A ruptura da barragem de uma represa de rejeitos em Brumadinho é o crime mais monstruoso já praticado no país, mas cuja ocorrência e responsabilidades ainda precisam ser esclarecidas. O que está evidenciado são as trágicas consequências do crime. Que não é apenas de caráter ambiental. Mais de uma centena de vítimas humanas tragadas pela lama e pelos minérios, não é só uma questão ambiental.
A Vale não tem mais interesse em continuar com a mineração em Minas Gerais. A extração tem custo operacional elevado, agravadas pelos custos ambientais. Estava em processo de redução e desativação das suas minas na bacia do Paraupebas, que abrange uma área dentro do Município de Brumadinho.
Se ela não estava interessada, porque estava reativando as operações, com a obtenção acelerada do licenciamento ambiental?
A culpa é do Governo do Estado? É da sociedade mineira.
Essa quer que a Vale seja empregadora, mas não a quer como causadora de desastres. Para os trabalhadores vale a pena trabalhar para morrer por ela?
É possível compatibilizar os objetivos de emprego e impacto ambiental?

A origem do crime é outra: chama-se "falta de engenharia". 

(cont)


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A "prensa" em Bolsonaro em Davos

Os mega trilionários "conscientes" que se reunem, anualmente, em Davos, estão menos interessados nas reformas estruturais que o Brasil se disponha a fazer, para a melhoria do ambiente econômico, para investir, do que na melhoria do ambiente natural da terra.
O Brasil tem uma importância emblemática no mundo por deter a maior reserva florestal, assumido no imaginário mundial como o "pulmão do mundo".
Os investidores não querem ser responsabilizados por ajudar um Governo que não se disponha a preservar esse pulmão e contribuir para o colapso da terra.
Armaram um palco mundial, para saber de Bolsonaro se o Brasil iria se manter ou se retirar do Acordo de Paris. Pouco importava o mais que ele fosse dizer e, talvez, percebendo isso, pouco disse. 
Klaus Schwab logo fez a pergunta crucial e obteve a resposta que queria: o Brasil irá se manter no Acordo de Paris. Ainda que "por enquanto". 
Obtida a resposta favorável "em nada mais havendo, encerrou a sessão". 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O candidato Bolsonaro em Davos

Jair Bolsonaro foi a Davos para "dar uma de Jair Bolsonaro" e fez o que pretendeu fazer: um discurso de palanque de um candidato para a obtenção dos votos (oops) do dinheiro dos investidores internacionais.
Fez promessas básicas que os investidores queriam ouvir e assumiu um único compromisso relevante : o Brasil não deixará o Acordo de Paris sobre o Clima.
Não fez o que mídia brasileira queria que ele fizesse. 
Essa inflou o balão, desenvolveu toda uma expectativa, criando uma imagem de liderança mundial que não se coaduna com a personalidade, contando que ele se comportaria como sempre: um palanqueiro. E com isso noticiaria uma suposta decepção em Davos e difundiria para o público brasileiro uma contrariedade pela "perda de oportunidade histórica". 

sábado, 19 de janeiro de 2019

O Governo do Clã Bolsonaro

Na esteira dos desenhos dos cenários Bolsonaro temos nos dedicado a analisar o bloco do governo do clã Bolsonaro dominado pelos filhos do patriarca, com as implicações que podem trazer ao Governo e ao país em geral.
Um fato específico, no entanto, já está desgastando a imagem de  Jair Bolsonaro, enfraquecendo a sua única força real que o levou à Presidência da República: o apoio popular pela versão vendida de que ele era um político antigo, mas que nunca se envolveu com as "maracutaias" ou "mal feitos" tradicionais. 
Ele não teria se envolvido, mas seu primogênito sim. 
Manda a regra de honra dos clãs que o membro que cometer algum deslize deve assumir inteira responsabilidade, pedir desculpas publicamente e sair de cena. No Japão antigo cometia "harakiri".
A resistência de Flávio Bolsonaro em não reconhecer o erro só desgasta o Presidente.

Cenáros Bolsonaro 2019

Bolsonaro termina o seu mandato? Como estará Jair Bolsonaro no final do ano? Um primeiro cenário, " Bolsonaro, Presidente efetivo &...