sábado, 31 de maio de 2014

O legado da pré-Copa

A Copa no Brasil se desdobra em 3 Copas conjugadas, porém com responsabilidades distintas.

A pré-Copa ou a Copa do Governo Brasileiro, que para a mídia já se encerrou no domingo passado, dia 25 de maio de 2014; a Copa da FIFA, que agora emergiu ao assumir os estádios, os seus entornos e os Centros de Treinamento, gerando um território próprio, assemelhado às embaixadas que são áreas estrangeiras enclavados dentro do território brasileiro; e a Copa da Seleção, de inteira responsabilidade da CBF, com a equipe de futebol comandada por Felipão.

A FIFA teve que assumir os estádios "no estado", ou seja, como estavam, semi-prontos, e tem que cuidar da sua complementação, com seus recursos para deixá-los inteiramente prontos. Não para abrigar os jogos, os jogadores e o público geral. Mas para receber os seus convidados, os chefes de Estado dos países participantes do torneio, os convidados dos seus patrocinadores, enfim o que ela, a FIFA, caracteriza como VVIPs ("very very important persons").
Ao contrário do que sempre afirmou terá que desembolsar recursos seus, para tentar, depois da realização do evento, receber dos proprietários dos estádios ou das autoridades estaduais ou municipais. Em São Paulo terá que completar e pagar as estruturas complementares, incluindo a conclusão das arquibancadas temporárias. Corre o risco de não poder contar com uma parte dessas, por questões de segurança.

A Copa do Brasil, do Governo Brasileiro ou a Pré-Copa acabou tendo um baixo índice de efetivação. Muito em função do oportunismo dos Governos em colocar na Matriz de Responsabilidade - na realidade o rol dos investimentos - obras que não tem nenhuma relação direta com a Copa. São obras "oportunistas" que "pegaram carona" na Copa para antecipar a sua execução, tendo em vista os financiamentos - com condições favorecidas - ofertadas pelo Governo Federal. São necessárias, mas não para a Copa.

O Governo Federal aceitou a até promoveu essa "carona" dentro do conceito de legado, principalmente em relação às obras de mobilidade urbana. A ideia adotada foi que essas obras atendessem às necessidades da população das cidades sede e não apenas dos demandantes dos jogos da Copa, sejam de moradores das cidades-sede, como turistas nacionais e internacionais. 

Na realidade a Copa serviu de pretexto para contratar com maior rapidez as obras. Para as que estavam mais atrasadas criou-se um sistema excepcional - o RDC.  A contratação pode ter sido mais rápida. A execução não. 

Dai o conjunto de obras inacabadas, mais atrapalhando os espectadores dos jogos do que ajudando. Estão sendo "envelopados" para reduzir o impacto visual de obras em andamento.

Embora se pretendesse e se defendesse que essas obras seriam o legado positivo da Copa, o que efetivamente será para a população local, a médio prazo, o legado de curto prazo é desastroso. 

Gerou imagem de gastos excessivos, incompetência e de corrupção. A conta da organização da Copa foi onerada por verbas que não tem relação direta com ela, os valores previstos inicialmente se multiplicaram, o valor das obras deixaram a forte suspeita de superfaturamento e roubalheira. E as obras não ficaram prontas, antes da Copa.

O objetivo de mostrar a capacidade do país em organizar grandes eventos internacionais foi "para a cucuia". 

Adicionar legenda
Gerou uma animosidade interna contra a Copa, com sucessivas manifestações populares, afugentou turistas, causou prejuizos aos patrocinadores e ao comércio em geral.


Só restou o Felipão e a sua troupe, para salvar a imagem do país.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Inflação, carestia e perda de poder aquisitivo

Inflação é um termo técnico inventado pelos economistas significando um acréscimo agregado dos preços em toda a economia. Para a sua mensuração foram criados diversos índices, alguns oficiais e outros calculados por instituições privadas.
Para os consumidores e trabalhadores, no entanto, isso só tem significado pelo impacto na sua vida cotidiana. Para o consumidor o que existe é carestia, ou seja, uma elevação nos preços do que compra rotineiramente. Tem um elemento real que é o seu gasto com as suas compras e um elemento subjetivo que é a importância relativa que ele dá aos seus diversos itens de compra. 

Para os trabalhadores a inflação se manifesta como perda do poder aquisitivo, que é a contrapartida da carestia e que na sua perspectiva precisa ser reposto, Os movimentos grevistas tem como fundamento a reposição do poder aquisitivo e ainda incorporar ganhos reais.

Há aqui também um elemento subjetivo. Com a estabilização da moeda e baixos índices de inflação, os trabalhadores se acostumaram a reivindicar e conseguir ganhos reais. Querem manter essa condição, que eleva os índices de reajuste para além de dois dígitos, ou seja, acima de 10%. Os patrões não querem dar reajustes nesse nível e leva às greves. 

As greves passaram a ter um fermento que são os dissidentes.

Os patrões, as autoridade e mesmo alguns sindicatos ainda não entenderam o que está ocorrendo.

É preciso considerar a teoria da conspiração para entender o que está ocorrendo.




quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Copa da Vergonha

O Brasil já está vivendo a "Copa da Vergonha", demonstrando ao mundo a sua incompetência na preparação das condições de suporte para receber grandes eventos internacionais, apesar dos bilionários gastos.

A Copa será realizada com grande sucesso, como um grande evento esportivo e o "maior espetáculo do mundo", mas isso não irá encobrir as mazelas da sua preparação, assim como a ocorrência de problemas fora dos estadios.

A "Copa das Copas" será o evento esportivo organizado e realizado pela FIFA. A Copa de responsabilidade do Brasil será a "Copa da Vergonha". 

A confusão entre as três dimensões da Copa, cometida desde o início faz com que persista um ambiente desfavorável à Copa, apesar da FIFA já ter assumido os estádios e a seleção brasileira de futebol estar dominando o noticiário sobre o grande evento.

Por que o Brasil não conseguiu fazer a sua lição de casa?

Em primeiro lugar por ter se proposto a fazer mais do que o necessário, seja nos estádios, como nas obras de mobilidade urbana, aeroportos e até portos.

Isso decorreu, como já comentamos, por oportunismo dos governos em usar o pretexto da Copa para implantar ou tentar implantar obras não essenciais para a realização do evento ou para os torcedores que pretendem assistir presencialmente aos jogos.

No caso dos estádios não eram necessários 12, mas apenas 8. Ademais muitos dos projetos apresentados inicialmente, conforme a foto acima, foram substituídos.

Como a Copa foi usada como pretexto e por ser um evento inadiável, as obras foram contratadas sem projeto ou com projetos incompletos e por mecanismos excepcionais. 

Ganhou-se no tempo de contratação, mas comprometeu a sua execução, seja porque não tinham os devidos licenciamentos, como por enfrentar "imprevistos" que não ocorreriam se os projetos fossem elaborados devidamente, com prazos, qualidade e custos adequados.

Começam-se as obras sem as devidas condições e quando os problemas concretos ocorrem culpa-se a burocracia por exigir as condições regulamentares para os licenciamentos ambientais e outros, ou a falta de projetos. Na realidade projetos incompletos ou mal feitos por terem sido contratados com baixos preços e pouco tempo para sua elaboração. Mas, principalmente, por não contemplar todos os itens que deveriam ser considerados, entre esses as interferências, ou sejam as redes subterrâneas dos diversos serviços públicos, como as variações geológicas no trajeto de uma via urbana.

Tempo para elaboração de projetos completos e execução das obras contando com os eventuais imprevistos houve. Porém dentro da cultura do "jeitinho" atrasara-se o início dos processos de contratação para as "corridinhas" com intenções, nem sempre explicitadas.

A outra razão para a "Copa da Vergonha" foi a expectativa de que as obras contariam com recursos privados. Não ocorreu segundo o esperado. Mas isso comentaremos em outro momento.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

A derrota do Brasil no primeiro tempo

A Copa do Mundo da FIFA, no Brasil compreende três dimensões básicas:

  1. a organização da competição esportiva e sua realização, atribuição específica da FIFA;
  2. a preparação da infraestrutura para receber a competição, uma responsabilidade do país hospedeiro, mediante os seus governos, nos três niveis federativos;
  3. a preparação e a participação do time de futebol, que representará o Brasil na competição, responsabilidade específica da CBF.
Quando a competição é realizada fora do Brasil, o país só tem que preocupar com a terceira dimensão. Só precisa acompanhar a sua organização para saber quando e onde irá jogar, responsabilidade essa da sua entidade gestora do futebol brasileiro, a CBF. O Governo não tem qualquer participação a menos também de torcer e de apoiar na solução da qualquer obstáculo anormal com os membros da seleção brasileira.

Sendo a Copa no Brasil o Governo tem responsabilidade específica com a preparação da infraestrutura.

Até a apresentação dos jogadores e início dos treinamentos, prevalece, na mídia, a preparação, dentro que podemos chamar de período pré-Copa. Ou ou Primeiro Tempo, usando o jargão futebolístico.

Esse período terminou domingo, dia 25 de maio. Primeiramente os estádios, assim como os centros de treinamento forma entregues à FIFA, que passou a ser responsável pela sua administração, inclusive completando, com seus recursos, o que recebeu incompleto. As obrigações do Governo com as obras dos estádio cessaram, não obstante ainda estarem sujeitos a ressarcimentos à FIFA.

Com a apresentação dos jogadores para iniciarem os treinamentos toda a atenção da mídia é com a seleção de futebol, não mais com a preparação da infraestrutura para a Copa, agora relegada a um interesse secundário. 

Terminou o primeiro tempo, com um placar altamente desfavorável ao Brasil. Seria algo como um 0 x 4.

Só resta esperar que na Copa em si e  em campo a seleção do Brasil, embora uma seleção européia, empolgue a população e venha a se sagrar campeã do mundo.

O brasileiro não fica só na esperança. Sofre, torce, mobiliza-se e deixa as mazelas para segundo plano. 

Para a maioria, agora é que começa o jogo. Vão torcer pelas vitórias da nossa seleção. Vão entoar no hino nacional em uníssono, com os jogadores. Mas vão vaiar a Presidente se ela comparecer ao estádio. 



terça-feira, 27 de maio de 2014

Quando e por que a sociedade se voltou contra a Copa

A sociedade brasileira ficou feliz e até eufórica com a escolha do Brasil como sede da Copa 2014, no final de 2007.

Em junho de 2013 explodiu uma reação popular levando milhares às ruas contra a Copa. Embora o estopim das manifestações tenha sido o aumento das tarifas do transporte coletivo o que ganhou proeminência e permaneceu como foco das manifestações subsequentes foi a Copa do Mundo.

O que levou o país do futebol a se virar contra a Copa? Ainda que os protestos não sejam contra a Copa, em si, mas aos gastos do país com a sua preparação, foi gerado um ambiente desfavorável à Copa.

No "país do futebol" a sociedade virou-se contra a competição máxima desse esporte.

Já nos referimos à sensação da sociedade sentir-se traída, acreditando nas fantasias criadas por Lula e perceber, ao longo do processo e do tempo, uma realidade inversa da prometida.

A Copa vai ser um sucesso, por conta da organização da FIFA, altamente profissional. A sua realização vai mobilizar grande parte da população brasileira, como da mundial, para acompanhar a disputa pelo trofeu. Apenas uns poucos irão às ruas ainda para protestar e alguns irão com o objetivo de criar tumultos para chamar atenção da mídia internacional.

O Brasil, com a sua seleção européia, tem possibilidade de alcançar o título, disputando com outras seleções européias, entre elas a Argentina: tão européia quanto o Brasil.

Considerando o cenário mais otimista que é seria a conquista do título pela seleção do Brasil, qual será o comportamento da sociedade brasileira no pós Copa?

Com a vitória essa sociedade levará mais em conta os aspectos positivos do que negativos, achará que valeu a pena e que Lula fez bem em trazer a Copa ao Brasil?

A resposta poderá estar nas urnas nas eleições de outubro. A Copa não influiria negativamente na disputa presidencial. Mas teria um efeito deletério aos Governadores que não conseguiram completar a tempo as obras de infraestrutura necessárias.

Passadas as eleições, pode-se supor que a organização da Copa será esquecida, a menos de alguma grande gafe da FIFA, o que é pouco provável.

Os atrasos nas obras terão repercussão regional ou local, perdendo a importância nacional. 

O que ficará na lembrança da sociedade brasileira será o resultado do Brasil em campo: restrita ao noticiário esportivo. O futebol retomará o seu papel usual dentro da cultura brasileira, mas com a formação de mais oponentes ativos.


Não caberão mais os protestos contra a Copa ou aos seus gastos, porém os anteriores deixarão um legado: a reivindicação pelo "padrão FIFA". 

No fundo, o que irá se reivindicar será um gasto público maior com saúde, com educação, com transporte coletivo e outros serviços públicos, para alcançar melhor qualidade. 

Se a FIFA exigiu e os Governos correram atrás para atendê-la, agora será o povo que irá às ruas para que seja atendido: será o "padrão Povo".

A população se mobilizará e irá às ruas para pedir o novo padrão para saúde, educação e outros?

Como reagirão as autoridades diante dessa nova realidade que começou no pré-Copa mas deverá se consolidar nos pós-Copa? 

Estaremos diante de uma nova sociedade? Uma sociedade não conformada com o que está ocorrendo? Uma sociedade não conformista?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O maior espetáculo da terra

Daqui a duas semanas começa da Copa do Mundo da FIFA, isto é, a Copa do Mundo de Futebol, o "maior espetáculo da terra". Serão 64 shows, alguns realmente espetaculares e  bons outros nem tanto, em 12 cidades brasileiras, mostrando os melhores e muitos dos mais caros esportistas mundiais.

Para vê-los presencialmente, em campo, é preciso desembolsar muito dinheiro, sendo um privilégio de elite. O futebol espetáculo, para ser visto ao vivo é só para os ricos. Os pobres não tem condições de acompanhar, a menos quando recebem migalhas, para completar a lotação do estádio local dos jogos, com baixa demanda.

Os "pobres mortais" acompanharão os jogos pela televisão, mesmo estando nas cidades-sede dos jogos equiparando-se aos bilhões que acompanharão, em todo o mundo, os jogos pela "telinha" (atualmente não mais tão telinha).

Mas os contribuintes moradores das cidades-sede, assim como todos os demais brasileiros darão seu quinhão, mesmo que não saibam, para preparar a infraestrutura necessária aos espetáculos,

Para trazêr os astros do futebol  ao Brasil, a FIFA que organiza o torneio esportivo, reembolsará aos clubes os seus salários e deverá pagar-lhes o direito de imagem. 

Essas deverão ser um dos principais itens de despesa da FIFA com a organização do evento. Essa é sua responsabilidade principal: rechear os espetáculos com os melhores craques do mundo.

Para trazer o espetáculo ao Brasil a FIFA fez inúmeras exigências de preparação da infraestrutura, com gastos muito superiores ao da organização do evento esportivo. Só para a construção ou reforma dos estádios, para receber os grandiosos shows, o Brasil gastará cerca de 8 bilhões de reais, a quase totalidade com recursos públicos, ainda que presumivelmente uma parte seja reembolsada pelas pessoas privadas, através de ingressos e publicidade. Os gastos da FIFA com a organização do torneio não deverá ultrapassar a metade desse valor. Em contrapartida lucrará o dobro dos seus gastos. Poucos negócios no mundo dão um retorno econômico tão grande como esse. 

A Copa do Mundo envolve essas duas dimensões básicas e o Governo Brasileiro fez confusão entre essas, desde o início, o que resultou numa sucessão de equívocos e uma preparação inadequada da sua parte.

Desde 2007 mostramos aqui, devidamente registrada, essas duas dimensões e a responsabilidade do Brasil em preparar a infraestrutura e não o evento esportivo. Esse é de inteiro encargo do setor privado, através da associação dos clubes de futebol, numa hierarquia, com as federações regionais e a Confederação Nacional, chegando à federação internacional.

O Governo Brasileiro, inicialmente assumiu a gestão do processo, diretamente pela Presidência da República, para garantir a sua realização no Brasil, assumindo todos os leoninos compromissos exigidos pela FIFA.

Na ocasião a própria sociedade brasileira concordava, ainda que sem a exata noção dos compromissos, de que para trazer esse magnífico espetáculo, para o país do futebol, valia tudo.

Embalado na sua popularidade e nas promessas de um Brasil melhor e mais moderno, Lula promoveu um clima de euforia popular que encobria a irresponsável aceitação de encargos que a sociedade brasileira, posteriormente, ao perceber foi às ruas protestar.

Depois de conseguir a indicação, o Governo brasileiro foi dormir e ao acordar atribuiu a coordenação das suas ações, ao Ministério e ao Ministro errado. 
O papel do Estado Brasileiro não era e não é com a organização do evento esportivo. Isso é, sempre foi, de total responsabilidade da FIFA, com o seu braço local - a CBF e o Comitê Organizador Local, e que não queria qualquer ingerência externa. O Governo Brasileiro conseguiu que a FIFA aceitasse a realização da Copa em 12 cidades e não apenas em 8. Isso porque a FIFA já contando com eventuais problemas ou atrasos requereu a preparação de 10 cidades e 10 estádios, no padrão FIFA. 

Diz a FIFA agora que Lula queria a realização da Copa nas 17 cidades candidatas a sede, para levar o espetáculo para todo o Brasil. Aceitou 2 a mais e recusou 5 a mais o que teria gerado gastos adicionais de mais muitos bilhões, só com novos estádios.

Ao entregar a coordenação das ações brasileiras para a Copa ao Ministério dos Esportes, dentro da equivocada percepção de que se tratava de um evento esportivo  a ser organizado pelo país deu início a uma sucessão de erros, que resultaram nos confrontos com a FIFA e a má preparação da infraestrutura necessária para receber os espetáculos.

O Ministro dos Esportes, indicado como o responsável pelo gerenciamento das ações brasileiras, preocupou-se mais em interferir na organização do evento esportivo, sem ter poderes e responsabilidades para tal.  Além do questionamento sobre a conveniência dessa ação não cuidou de coordenar as ações de infraestrutura, até porque não tinha - também - nenhum poder sobre as principais entidades governamentais responsáveis. 

No caso, o Itamaraty para as negociações com a FIFA, em relação às suas absurdas exigências; os Ministérios econômicos, gestores dos fundos governamentais utilizados para financiar os investimentos, tanto nos estádios como na infraestrutura urbana; o Ministério das Cidades, ao qual coube a homologação dos investimentos em mobilidade urbana propostos pelos governos estaduais e municipais; a Ministério da Defesa, ao qual ainda estava alocada a gestão dos aeroportos, posteriormente transferida pela uma Secretaria Especial da Aviação Civil; a Secretaria Especial dos Portos, responsável pela aprovação dos investimentos em terminais marítimos de passageiros; o Ministério dos Transportes, responsável pela infraestrutura rodoviária e pela regulação dos serviços de transporte interestadual; o Ministério da Justiça, responsável pelas ações de segurança pública; o Ministério das Telecomunicações, responsável pela infraestrutura de comunicações e acessibilidade das televisões e do público ao sistema mundial de comunicações; o Ministério de Minas e Energia para a garantia do suprimento de energia durante a Copa, o Ministério do Turismo para gerenciar as ações de marketing para aproveitar a grande oportunidade da visibilidade do Brasil no mundo e ainda articular a expansão da rede hoteleira e outras unidades governamentais.

Ao entregar o gerenciamento geral a um Ministro sem poderes e, ademais a um  Ministro pouco competente, nas questões de gerenciamento, o resultado não poderia ser diferente do que hoje vemos 
Com o agravante de tentar cuidar do que não lhe cabia e não cuidar do que lhe cabia.

Quando Dilma, que deveria ter assumida aquela coordenação, como chefe da Casa Civil, dadas as ações interministeriais e federativas, já presidente, percebeu a falta de gerenciamento e os atrasos, assumiu pessoalmente a coordenação, mas já era tarde. As coisas já estavam em andamento e mal, com atrasos e "estouros" de verbas. 

O que deveria ter sido planejado por ela, como a "mãe do PAC", criando mais um rebento, como lhe foi proposto - o PAC da Copa - ficou relegado a um Ministério menor.

Para não reconhecer os erros, manteve formalmente a coordenação com o novo Ministro dos Esportes, que continuou sem poderes, mas com o papel de se explicar ou se desculpar perante a FIFA, a mídia e ao público em geral, apresentando-se sempre confiante e otimista. Como se isso fosse suficiente para que as obras caminhassem e os obstáculos fossem superados. E ainda inventou ou consagrou a grande desculpa de que os investimentos não eram para a Copa, mas sim um legado para a sociedade, aproveitando a oportunidade da realização da Copa. Se não ficassem prontos, não tem maior importância. A sociedade irá se beneficiar dos investimentos, mesmo que só terminem depois da Copa. 

A FIFA fará a sua parte organizando os espetáculos. Gastará algum dinheiro e ganhará como nunca. Para ela será a "Copa das Copas". 

A Presidente quer se apropriar dessa condição, dizendo que o Brasil irá organizar a melhor Copa de todos os tempos, mantendo o equívoco.

Quem organiza a Copa é a FIFA, não Brasil. O papel do país é preparar a infraestrutura para que a bilionária entidade internacional organize o evento no pais hospedeiro. Nesse campo será a Copa da Vergonha.

E depois da sua realização só deixará o legado de dívidas do país com a sua preparação e a insatisfação do povo. Mesmo que a sua seleção levante o troféu, como campeã, no Maracanã, em 13 de julho.

domingo, 25 de maio de 2014

Vai ter segundo turno?

A enquete eleitoral feita pelo IBOPE, logo após o programa de TV do PT, mostra uma repercussão favorável de parte do eleitorado à estratégia do "medo" adotada pelo PT. 
Dilma não só parou de perder, como acrescentou 3 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

Alcançando 40% do total de votos, venceria ainda no primeiro turno. Se viesse a ocorrer um segundo turno, ainda seria reeleita com 42% da totalidade dos votos, mas acima de 50% dos votos válidos.

É um bom resultado, porém não o suficiente para tranquilizá-la. Por vários motivos:

  1. O ganho dela é pela migração de votos brancos ou nulos, ou seja dos votos inválidos;
  2. Os votos válidos no conjunto cresceram mais pelos ganhos dos seus principais adversários, que agregaram, na soma dos dois, mais 11 pontos, O nanicos perderam 1 ponto. Com esse crescimento dos votos válidos, Dilma passou de 58,7% dos votos válidos em abril para 52,6%, uma queda de 6,1%;
  3. Mantendo os seus 40 pontos, se o crescimento dos votos válidos for até 4 pontos, ela venceria no primeiro turno;
  4. Acima de 4 pontos nos votos válidos já haveria segundo turno;
  5. No segundo turno ela ainda mantém uma vantagem folgada, porém o volume de votos inválidos ainda é alta (33 pontos na disputa com Aécio e 37 pontos na disputa com Campos). A redução de parte desses votos a favor do adeversário, para chegar ao patamar médio de 20% das últimas eleições, ela perderia. 
  6. Campos tem um potencial de crescimento maior do que Aécio, porém ainda está longe de chegar ao segundo turno.
O ganho com a estratégia do medo dos "fantasmas do passado" tem efeitos positivos e negativos. O positivo é que surtiu efeito num segmento da população, cujo volume real é desconhecido, dadas as manipulações estatísticas para demonstrar um volume seguramente superior ao da realidade. Por outro lado essa questão é menos estatística do que cultural, ou seja, da percepção das pessoas sobre a melhoria e dos riscos de perda dessa melhoria. Ou seja, surtir efeito, mas em que proporções do eleitorado, cada um avalia em função do seu interesse.

O ponto negativo é que em função do sucesso da estratégia, ainda que parcial, Dilma insista no tema, correndo o risco de que se mostre qu o retrocesso não é futuro. Não ocorreria a partir de 2015, mas já está ocorrendo e o principal fantasma não é ilusório, mas real: chama-se carestia.

Por outro lado, as imagens que a sua campanha mostrou, como sendo do passado ainda são realidades atuais. 

Para esses que não foram aquinhoados pelos benefícios, mas esperam conseguí-los qual é a visão deles de quem melhor pode realizar as suas esperanças?

A probabilidade maior, mais uma vez, é que a esperança vença o medo. Os esperançosos são em maior número do que os receosos. 

Dilma, com a campanha do medo pode assegurar os votos dos receosos, mas corre o risco de perder os esperançosos.

Para esses a sua mensagem será "quem já fez, fará muito mais" A oposição retrucará com "quem não conseguiu fazer, depois de 12 anos, não vai conseguir fazer, com mais 4 anos". A "esperança foi atropelada pela corrupção e pela incompetência". 

Se a oposição cair na "armadilha" petista e focar a disputa dos votos dos receosos, perderá as eleições. O foco principal deve continuar sendo os esperançosos. Entre esses os receosos que não querem apenas preservar o pouco que ganharam: querem mais.

sábado, 24 de maio de 2014

"Nóis vai" invadir o Itaquerão!!!

O único movimento social capaz de levar milhares de pessoas às ruas para reivindicar e aproveitar para protestar contra a Copa, ou aos seus gastos, é o movimento dos sem teto. Por que os seus adeptos tem uma situação concreta a resolver, e são milhares em diversos acampamentos na cidade de São Paulo.
Eles não são sem teto, mas com teto expulsos dos seus. Em decorrência dos aumentos dos alugueis promovidos pela valorização imobiliária. Particularmente em Itaquera nas proximidades do Itaquerão, onde os proprietários de imóveis aproveitando a euforia da Copa e as supostas perspectivas de uma elevada demanda imobiliária, subiram absurdamente os valores dos aluguéis.

É fácil e simples para as lideranças arregimentar e mobilizar os seus adeptos para irem às ruas. Não dependem da internet ou outros meios formais de convocação. É feito boca a boca dentro de um acampamento e pelo telefone celular para os demais. Quando o local de concentração e da passeata é longe do acampamento, usam o transporte coletivo. Não dependem de ônibus fretados, com os movimentos sindicais.

Saem com os próprios moradores e contam com a adesão dos simpatizantes, como ocorreu na passeata de quinta-feira última, dia 22 quando cerca de 20 mil pessoas marcharam pelas vias da região "nobre" da cidade.


Empolgado com o relativo sucesso da última passeata e dos apoios dos grupos anti-Copa, o líder mais conhecido do MTST ameaçou repetir as manifestações ao longo do mês de junho, já com a Copa em andamento. E teria mesmo ameaçado impedir o jogo de abertura, atacando o Itaquerão.

O primeiro é possível, embora seja difícil repetir a adesão da última quinta feira. Podem ser esperados pelo menos uma passeata por semana, nas regiões próximas aos seus acampamentos.

Já o segundo é uma bravata irresponsável. Não tem nenhuma condição de sucesso. Mas poderá causar alguma perturbação da ordem para comprometer a imagem do Brasil, perante o mundo.

Em primeiro lugar, o MTST só poderá contar com os seus próprios adeptos, pois os simpatizantes não estarão nas ruas. O dia de abertura da Copa  será feriado, já decretado oficialmente.

Além das lojas e escritórios fechados a maioria das pessoas ficará em casa para acompanhar o jogo pela televisão.

Por questão de segurança, a FIFA obriga a estabelecer uma zona de exclusão, onde só poderão entrar as pessoas com ingressos e a pé (como quer Lula). São quase 2 quilômetros de distância da arena. Os manifestantes não conseguirão furar a barreira, fortemente policiada, com apoio de retaguarda das forças armadas. 

E terão ainda que confrontar com as torcidas organizadas do Corinthians que irão aos locais para a defesa do seu patrimônio, a tão sonhada casa própria corintiana. 

A estratégia poderá ser a de provocar o confronto com a torcida corintiana para criar tumultos que impeçam a chegada dos torcedores. 

Com maior força numérica a segurança irá esperar o início do tumulto para agir com rigor. Em pouco tempo os manifestantes estarão presos e sem a perspectiva de soltura imediata porque o Judiciário também estará de folga e assistindo o jogo. Só serão soltos no dia seguinte, sem o direito de acompanhar o jogo pela televisão. Quantos vão aderir?

Poderão tentar uma ação de surpresa, na madrugada. Podem até despistar a polícia, mas não há a mínima possibilidade de qualquer movimentação popular que seja feita na Zona Leste sem que a torcida organizada fique sabendo imediatamente e vá proteger o seu patrimônio. 

O risco não é a invasão do Itaquerão, mas uma briga de paus, pedras, socos e pontapés entre grupos adversários. 

Não vão impedir a Copa. Nem vão conseguir ser atendidos nas suas reivindicações. Só vão macular um pouco mais a imagem externa do Brasil.

O objetivo real seria ameaçar as autoridades com  a cobertura da mídia internacional, presente para a abertura, "on line" dos tumultos. 
  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

As incógnitas das manifestações de rua

Vai ter Copa? Vai.
Vão ocorrer manifestações de rua? Vão.
Vão parar a Copa? Não.
Vão perturbar a cidade de São Paulo? Vão.

A FIFA já é "dona" das "arenas multiuso" construídas ou reformadas para a Copa. Ela procura fazer os testes para que tudo dê certo, dentro dos estádios e no seu entorno imediato. Ela assume também o controle absoluto desse entorno, na chamada Zona de Exclusão, num período antes, durante e após os jogos. Na prática, o Brasil abdicou da sua soberania por um tempo em região específica, criando um Regime de Exceção. Como se a arena fosse o polo de uma guerra. Quem são os inimigos?

Essa exceção, ainda que explicável por razões de segurança, transparece diante da sociedade como um regime excepcional de proteção aos interesses econômicos dos seus patrocinadores o que significa, em última instância, a proteção aos bilionários lucros daquela entidade internacional, "dona" do futebol mundial. Um dos melhores negócios do mundo.


Esse é um dos motivos da insatisfação, da inconformidade a até mesmo da indignação que leva as pessoas às ruas para protestar contra a Copa da FIFA.

Não é suficiente para levar muita gente para as ruas porém muitos aderem aos movimentos bem sucedidos promovidos por grupos que tem motivações mais concretas e específicas.

As últimas manifestações em São Paulo são também testes que permitem entender melhor o que está ocorrendo e o que pode ocorrer daqui até a Copa e durante a Copa.

Em São Paulo, o grupo mais ativo é do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Apesar da denominação, uma grande parte, talvez a quase totalidade, não são trabalhadores formais, mas desempregados, beneficiários dos programas sociais e com teto. São "com teto" mas sob risco de perdê-lo em função do aumento dos aluguéis provocados pela valorização imobiliária. Para eles "especulação imobiliária", com grande aceitação social dessa figura.

Entendem-se com o direito natural de ter um teto próprio, com o apoio da esquerda e dos governos petistas, mas não querem aguardar um atendimento formal e legal. Invadem imóveis prontos ou terrenos desocupados e reivindicam a legalização da posse.

Os governos petistas querem atendê-los, mas tem dificuldades de ordem orçamentária, econômica e institucional.

Não querem esperar e, em função do apoio no discurso das autoridades petistas, inclusive da Presidente que os recebe diretamente, mesmo atropelando a sua agenda, e da mídia que encontrou uma "pauta que vende" multiplicam as suas ações para permanecer no foco da mídia.

Ademais estão em ação preventiva para obter o apoio da sociedade contra a tentativa de reintegração de posse de terreno invadido em Itaquera.

Farão sucessivas ações de mobilização dos seus participantes, com uma área delimitada de movimentação, em função das suas restrições econômicas.

O MTST, diversamente de sindicatos, facções criminosas,sem terra e outros grupos ou entidades, não conta com muitos recursos financeiros para organizar e promover as manifestações. Os seus integrantes tem que chegar aos locais e depois retornar aos seus acampamentos a pé ou de transporte coletivo. Não tem recursos para fretar ônibus, fornecer lanches, contratar carro de som, etc. Precisam de doações e outros apoios materiais.

A passeata de ontem do MTST tem algumas das suas características básicas, mas agregando outras aprendidas com outros movimentos. 

A mobilização teve o apoio da convocação pela rede social. Foi marcada no final da tarde, para chamar os seus participantes e ir agregando os simpatizantes. O seu horário tradicional que é o começo da manhã não atrai simpatizantes ou até os opõe, porque nesse horário eles estão com pressa para ir ao trabalho.

O local de reunião seguiu a mesma lógica: é próximo a uma estação metroviária ou ferroviária. 

O local de dispersão é também próximo a uma estação. Foi seguindo a linha da CPTM. 

Farão novas manifestações antes da Copa e também durante, mas não nos dias de jogo. Poderão até tentar, mas terão pouco público. Os simpatizantes estarão em casa para acompanhar o jogo pela televisão e não na rua.


A maior parte dos simpatizantes é do grupo do Jaque.
Já que ele está na rua, engrossa a passeata, porque é também um inconformado com os gastos com a Copa.

Mas o simpatizante não entra se tiver a presença dos black blocs. A presença dos mascarados é sinal de confusão e sua adesão não chega ao ponto de assumir riscos de ser agredido, levar uma bala perdida ou ser detido.


A manifestação de ontem confirmou que os black blocs afastam os simpatizantes. Sem eles os volumes de manifestantes serão maiores. 

O teste de ontem permite tirar algumas conclusões e fazer prognósticos.


  1. Os Governos petistas (Federal e Municipal) querem atender o MTST com moradia para os seus integrantes, mas não tem como, a curto prazo;
  2. diante do não atendimento - e não lhes interessa as razões ou explicações - continuarão saindo às ruas, sucessivamente;
  3. as suas manifestações serão limitadas territorialmente, concentrando-se em áreas periféricas, chegando excepcionalmente em regiões mais centrais;
  4. não conseguirão chegar muito próximos ao Itaquerão, em função da proteção da arena pelas torcidas organizadas do Corinthians eles não querem o confronto físico;
  5. nas manifestações em áreas centrais terão uma adesão crescente dos simpatizantes, se não houver a participação dos black blocs;
  6. a presença dos black blocs afastará os simpatizantes;
  7. não haverá manifestação com adesão significativa de participantes nos dias de jogos em São Paulo;
  8. as manifestações continuarão após a Copa, mas restrito aos integrantes do MTST e cada vez mais esporádicas;
  9. mas no pós Copa há a questão crítica da reintegração de posse do terreno invadido em Itaquera; 
  10. a pressão toda será pela desapropriação da área pela Prefeitura e permissão, na revisão do Plano Diretor para a sua ocupação por moradias populares (ZEIS).

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Tentando explicar ou confundir mais

Há um novo processo de confronto social que a sociedade vê, é prejudicada, mas não consegue entender. A dificuldade é ampliada pelas autoridades que se recusam a mostrar para a população o que realmente está por trás de todo esse processo.

O novo processo sindical emergiu na greve dos garis, no Rio de Janeiro, quando o sindicato dos trabalhadores da categoria fez um acordo, mas os dissidentes promoveram uma greve que causou grandes transtornos. É um processo que afeta os serviços públicos.

A greve dos dissidentes tem um fundamento que é a conquista ou reconquista do poder no sindicato, por meio da próxima eleição, ou mesmo de "golpe" para destituir a direção atual.

Estrategicamente o objetivo é mostrar para a base que a direção atual é "pelega" se "acerta" com os patrões em vez de defender os legítimos interesses da classe. Fazem uma greve, não reconhecida oficialmente, e acabam conseguindo resultados melhores para os trabalhadores do que os obtidos pelo sindicato.

Ao fazerem a greve não comandada pelo sindicato fogem de eventuais determinações judiciais para manter um mínimo de serviços, sob pena de pesadas multas. Como essas multas são aplicadas ao sindicato, a dissidência busca provocar o enfraquecimento financeiro da gestão atual.

A direção sindical logo anuncia que a greve não é promovida pelo sindicato para fugir das multas.

O direito de greve é reconhecido, porém com algumas regras. As greves dos dissidentes não segue essas regras, sendo pois atos ilegais e em alguns casos criminosos.

Porém as autoridades tem evitado interferir nesses atos ilegais tratando-os como manifestações legítimas e legais. 

Acresce o fato de que as dissidências são, em geral, ligadas à CUT em oposição à direção eleita, que busca a desfiliação da CUT, como no caso atual dos motoristas e cobradores.

Cabe ao Governo Estadual, que controla as polícias civil e militar, reprimir os atos ilegais, mas este procura se livrar da responsabilidade jogando-a à Prefeitura Municipal. Espera quer ela peça e nesse jogo de empurra, por divergências políticas, os manifestantes "fazem a festa".

Este é apenas o primeiro dos impasses que permite que um grupo, ainda que minoritário consiga "parar a cidade".

Por trás dos dissidentes está o apoio do PCC que usa o terror para forçar a adesão dos demais motoristas e cobradores. Os piquetes foram substituidos por bandos de motoqueiros ameaçadores, seja de incendiar os ônibus ou de violência física contra os motoristas e seu familiares.

Ademais alguns motoristas e cobradores tem a esperança de conseguir uma van para trabalhar supostamente com mais independência e ganhos.E o mercado das vans é dominada pelo PCC.

A Polícia Militar paulista desenvolveu estratégias a ações para enfrentar os blackblocs mas ainda não aprendeu a enfrentar as facções criminosas que atuam nas manifestações populares e aos movimentos paredistas as dissidências sindicais.

A sua principal tática é fachar o trânsito das vias arteriais, com a colocação de ônibus em posição transversal, para bloquear a via  e "sumir com a chave".

A retirada requer o uso de guinchos, chaveiros e soldados ou mesmo oficiais aptos a manobrar os ônibus, retirando-os do local colocado como obstáculo.

Essa deveria ser a ação emergencial.

Com relação aos trabalhadores cabe uma distinção entre os que estão exercendo o legítimo direito de greve e os que estão agindo ilegalmente com perturbação da ordem. Esses podem ser detidos e caso flagrados em atos de destruição do patrimônio, presos.

A leniência das autoridades pelo despreparo em separar atos legais dos ilegais permite que pequenos grupos "parem a cidade".

Essas são as situações conhecidas e até agora identificadas. Já o papel das empresas ainda está no campo das suposições.

O que querem e qual a estratégia das empresas?

Presumivelmente querem o aumento das tarifas. O congelamento tem imposto uma perda de receitas, não suficientemente coberta pelos subsídios. Ademais os valores dos subsídios são inteiramente contabilizados, ou da receita direta cobrada dos passageiros, nem tanto.

Como a população tem ido às ruas contra o aumento das passagens o setor coloca-a diante de um dilema não explícito, porém concreto: ter o serviço ainda que com uma tarifa mais elevada ou ficar com uma tarifa baixa ou até gratuita (como querem os defensores do passe livre) mas sem os serviços?

A paralização dos motoristas é uma pressão para demonstrar a necessidade de ter uma tarifa adequada para manter os serviços. 

E usa-se o medo para disfarçar um "lock-out" que é proibido legalmente. 

Embora meras presunções os indícios são de que são elementos que estão debaixo do que é visível.


Estouro antecipado das "bombas" da Copa

Uma das principais bombas já conhecidas, mas com estouro previsto para só após a realização da Copa, já foi detonada pela Polícia Federal, contrariando os interesses do Governo Federal.
Arena Pantanal - obras

Há uma desconfiança generalizada da população, o que alimenta os seus protestos de rua, que as obras para a Copa foram superfaturadas e deu margem à corrupção e utilização dos recursos não contabilizados para financiar campanhas eleitorais e para enriquecimento ilícito de autoridades. Porém as apurações e eventuais prisões são eram esperadas para depois da Copa.

Em mais uma ação midiática, prendeu o Governador do Mato Grosso, por um crime menor (porte de arma sem registro), aliado do Senador Blairo Maggi, importante membro da base aliada de Dilma.
Obra do VLT Cuiabá

O alvo principal era o  ex-secretário da Fazenda da Copa e também chefe da Casa Civil, Eder de Moraes que conduziu as principais contratações do Estado para a Copa: a Arena Pantanal e o VLT de Cuiabá.

As autoridades estaduais mato-grossenses atuaram com total desenvoltura, superando as denúncias regionais e contando com a impunidade, em função dos apoios políticos.

No caso o eixo de transportes, não contentes com os investimentos no BRT que haviam sido aprovados na Matriz de Responsabilidades, agiram no sentido da sua substituição pelo VLT, muito mais caro e desnecessário para a demandas previstas. Com a conivência política do Governo Federal, atropelando os pareceres técnicos contrários.

Parafraseando um dito popular "se a Copa é no Brasil, tudo é permitido", fizeram licitações, com cartas marcadas e contratos superfaturados. Contando com a impunidade.

As prisões efetuadas pela Polícia Federal coloca em xeque as obras para a Copa, principalmente aquelas que tiveram grande aumento em relação às previsões iniciais.

A Copa está sendo a perda de uma grande oportunidade do Brasil em recuperar a sua imagem de falta de planejamento e de avanço ético. Ao contrário só está reforçando a sua imagem negativa. 


terça-feira, 20 de maio de 2014

Legado da Copa - o futebol brasileiro

Só uma pequena parte do futebol brasileiro é conhecida pela opinião publicada, porque tem ampla e permanente cobertura pela mídia: o futebol da elite que envolve cerca de 100 clubes profissionais que disputam as série A a D do Campeonato Brasileiro e os Campeonatos Estaduais e Regionais. Os que estão na série A e B tem cobertura nacional. Os demais apenas uma cobertura estadual, com raras aparições nacionais.

Todo o restante só é conhecido pelos praticantes, seus dirigentes e poucas testemunhas. São os adeptos e os torcedores que só aumentam quando enfrentam concorrentes tradicionais.

Clubes de cidades que tem dois times tende a ter mais torcedores do que daqueles com um único time importante.

Enquanto o time é amador, com os jogadores praticando o esporte por diversão e os custos são relativamente baixos e a sustentação econômica provém dos próprios jogadores ou de algum pequeno patrocinador.

Quando o time se torna profissional é preciso pagar os jogadores, os custos aumentam e é preciso buscar fontes de renda para a sua sustentação. Alguns conseguem o apoio de empresários, torcedores do time e com expectativa de levá-lo a disputas maiores e ingressar na elite do futebol brasileiro.

A sustentação econômica mais permanente fica na dependência das verbas de marketing de patrocinadores interessados em difundir a sua marca.

O valor da marca depende do público presente aos estádios e à cobertura televisiva. Ingressar na elite significa não só um prestígio futebolístico, como a melhoria da renda. Além da visibilidade, as emissoras de televisão pagam o direito de imagem. 

A renda da venda de ingressos só passa a ser significativa quando o clube chega ao topo da elite, ou seja, participa da série A do Brasileirão. Eventualmente pode ter renda significativa quando joga com um dos clubes considerados grandes e com grande torcida e prestígio que está na série B. Em 2013 foi o Palmeiras e em 2014 o Vasco da Gama.

Uma fonte importante de renda mas de ingresso aleatório é a receita da transferência de bons jogadores, seja diretamente como pelos direitos de formação, quando ele começou no clube e já está em clubes mais afamados e com mais recursos.

O principal problema dos clubes menores é a sazonalidade. Eles precisam disputar o campeonato estadual que é o caminho para ascender à série D do Brasileirão e a partir dai galgar sucessivas posições para poder chegar a série A. Depois é preciso se sustentar dentro dela. Muitos conseguiram subir, mas não sustentaram na série principal por muito tempo.

Depois de realizado o estadual, não estando nas competições do Brasileirão, não tem jogos oficiais. Muitos são obrigados a desmanchar o time, hibernar até começar a nova temporada. Os jogadores ficam sem jogos e sem salários, precisando buscar outras fontes de renda. O charme dos jogadores milionário é para poucos. 

A realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil poderá mudar esse quadro?

É o que defendem alguns grupos, como Bom Senso FC, vários cronistas esportivos e parece ser uma preocupação da Presidente da República que os tem chamado para buscar um caminho.

Uma primeira questão é a manutenção das atividades dos clubes fora da elite durante todo o ano, exceto o período obrigatório de férias.

Que campeonatos ou disputas inventar para manter o nível de atividades? A CBF inventou a Copa do Brasil, que ajuda mas não resolve.

Que outras disputas podem ser inventadas?








segunda-feira, 19 de maio de 2014

A nova classe média está com medo?

A campanha do PT, focou uma mensagem direta a um público específico que muito incomodou a opinião publicada.
O foco foi a dita "nova classe média" uma enorme população que melhorou de condições econômicas e teria tido uma ascensão social e que estaria preocupada em voltar à condição de pobreza da qual teriam saido, ao longo dos 12 anos dos Governos petistas.

O fato é real, ainda que com muitas controvérsias sobre o volume total, a sua caracterização e os promotores dessa sua ascensão.

Os tucanos reivindicam para si a origem do processo, mediante a estabilização da moeda, com o plano real. 

Os petistas creditam toda a melhoria aos seus programas sociais, principalmente o mais simbólico: o bolsa família.

O bolsa família, efetivamente, tirou milhões de brasileiros da miséria e os elevou a condições de pobres. O pequeno valor unitário da bolsa não permite que os seus beneficiários ascendam a camadas superiores, até porque eles não podem ter outra fonte de renda. Muitos preferem ficar na pobreza, com uma renda mínima assegurada do que se aventurar em ganhar mais, porém com riscos de instabilidade.

A LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) com origem na Constituição de 88, assegura a pensionistas desamparados (suposta ou verdadeiramente) um valor equivalente a um salário-mínimo o que os incluiria dentro da nova classe média não fosse a efetiva divisão dessa renda com os familiares que, acumulam com o bolsa-família. 

O volume total de recursos distribuidos pela LOAS supera o do bolsa família, tendo um impacto sócio-econômico maior.

Nenhum dos dois é origem primária da ascensão da pobreza para a classe média baixa, porém o o volume de recursos irrigados na economia da pobreza gera oportunidade para prestadores de serviços, comerciantes e até mesmo industriais para atender à demanda dos beneficiários dos programas sociais.

São esses agentes econômicos que se apropriam de parte da renda gasta pelos beneficiários dos recursos transferidos para a pobreza que formam a nova classe média.

O pobre continua pobre, mas  pobreza é cada vez mais rica e para suprí-la a oferta - seja de grande porte, como de pequeno porte - se organiza e cresce economicamente.

Essa ascensão de pequenos prestadores de serviços, a partir da melhoria de renda na sua própria comunidade lhe permite investir para atender a outros mercados. Um caso típico é dos prestadores de serviços de manutenção domiciliar (encanador/ bombeiro, eletricista, jardineiro, serralheiro e outros) que podem comprar o seu carrinho semi-usado e se deslocar para atender a casas em outros bairros.

O crescimento do consumo dos pobres beneficiados pelos programas sociais, assim como da nova classe média que se apropria de uma parte da renda, gera oportunidades para outras empresas que aumentam o seu quadro de pessoal, para atender a essa demanda adicional.

A demanda dos pobre não muda muito de configuração, com os mesmos mantendo os seus hábitos de compra, assim como as modalidades. O crédito é na base da compra fiada, registrada nas cadernetas e os débito quitados quando recebem o benefício.

Já os que ascenderam ao patamar imediatamente superior, ingressam no mercado de crédito, mediante os carnês, nas grandes lojas. 

A maioria não tem noção (nem querem saber) quanto de juros estão pagando. A lógica é o valor específico da prestação mensal. Quanto eu posso pagar por mês. 

A noção de aumento dos preços está nas compras do dia a dia, principalmente de alimentos.

Os que melhoram um pouco mais, seja mediante um emprego fixo ou uma renda mensal estável, ingressam no mercado dos cartões de crédito e nos cheques especiais. 

Enquanto o carnê dá uma sensação de controle, pois o comprador sabe o quanto tem que pagar por mês, o cartão de crédito e o cheque especial geram uma falsa sensação de disponibilidade. Quando vem a contra, percebem que ultrapassaram a sua condição de liquidação dos compromissos. A fase de ingresso caracteriza uma bolha que estoura quando começam a chegar as faturas e não há mais possibilidade de renovar os créditos.

Esse processo de irrigação de recursos na pobreza, promovida pelos governos petistas (ainda que não tenham sido os criadores dos principais mecanismos, o que é irrelevante, do ponto de vista econômico) promoveu e sustentou um crescimento econômico, mas se esgotou.

Não agora, mas já à alguma tempo, mas a percepção real é mais presente. 

O risco do retrocesso não está no futuro. Não está na eventual vitória da oposição, mas já está ocorrendo. 

Mas, provavelmente, os novos integrantes da classe média estão se sustentando, com vários expedientes, com a cabeça fora da água, mas pedido e rezando para não fazerem marola.

Dai a mensagem do programa do PT que cala fundo no "imaginário popular": os fantasmas do retrocesso já estão ai e só Dilma terá condição de afastá-los.

A classe média tradicional e a elite que forma as ditas classes
B e A não são capazes de se colocar na pele da classe C e avaliar os reais medos.


A oposição vem reagindo de forma errada, por conta dessa incompreensão.

Os fantasma não são futuros. São presentes. O retrocesso não irá ocorrer. Já está ocorrendo. O medo não é em relação ao futuro, mas ao presente. 

E de quem é a culpa?

E o que as oposições propõe para repelir esses fantasmas?

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de ...