sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Vila Madalena

O ponto final do bonde Vila Madalena, ficava antes subida final da Fradique Coutinho. Quando lá chegava os bancos eram virados. O bonde aberto, andava pelos dois lados. 
A Vila Madalena fez parte da minha adolescência. Tinha primos que moravam pouco além do ponto final. Numa daquelas casas "germinadas". Para complementar a renda funcionavam como pensão abrigando jovens estudantes.
Não sei mais onde localizar. As casinhas lá foram substituidas por edifícios de apartamentos. Meus primos se mudaram e eu também. 
Voltei algumas vezes, mas não lembro porque. Mas uma delas sim, embora não lembre porque fui levar o carro para consertar na oficina do Genésio. Na Fidalga, quase na Aspicuelta. Gostei dos serviços e passei a usá-lo sempre que o carro aparesentava algum problema. Troquei de carros, mas não de oficina. Mas depois mudei e deixei de levar. Um dia soube que ele havia fechado a oficina. E que seu filho tinha aberto uma oficina especializada em escapamentos. Quando tive um problema de escapamento levei lá. O Robson, o filho, ampliou os negócios, passando a atender mecânica e voltei à família. Os carros da família vão todos lá. O local da antiga oficina do Genésio viou um bar, com o nome dele. Não é dele, mas o nome sim. Ele era uma figura lendária da Vila Madalena.  Por causa do bonde essa irmã ficou conhecida que a Beatriz e Ida só conhecidas mais recentemente, quando também viraram linha de ônibus. Fazem parte da lenda das Vilas.

A Vila mudou, os estudantes foram para lá, depois de despejados do CRUSP. Frquentando os poucos barzinhos foram gerando um mercado para novos bares, num processo de crescimento contínuo, atraindo os estudantes de outros bairros. Com a demanda foram abertos restaurantes, atraindo outros comensais, com mais recursos, moradores de todos os bairros e turistas. A Vila, com as suas apertadas virou um ponto turístico.

Manteve, no entanto, a convivência com os moradores, satisfeitos com a melhoria do bairro, a disponibilidade maior de serviços, mas também contrariados com a dificuldade de locomoção e barulho.

Durante a Copa, a Vila sofreu uma invasão. Os turistas estrangeiros descobriram um local para se divertir sem gastar muito. Se os estabelecimentos estavam cheios a alternativa era a rua, com muita cerveja. O problema era o despejo do excedente.

Junto com uma população disposta a se divertir, vieram os "descontrolados" que bebem além da conta e entre eles os vândalos. Não vão apenas para se divertir. Vão para beber e aprontar. Beber demais é apenas desculpa para explicar o vandalismo. 

Durante a Copa já havia ocorridos incidentes que obrigaram a presença da Prefeitura e da Policia Militar. Além dos vândalos, um dos principais conflitos eram com os "mijões".

Não obstante, a Prefeitura resolveu transformar a Vila num ponto de encontro da população durante o Carnaval. Promoveu a Vila. levou os blocos e atraiu mais gente, sem ter montado um esquema adequado para as multidões. O resultado foi uma sucessão de tumultos e vandalismo. E a invasão das casas para as "necessidades básicas".

Só depois do ocorrido  as autoridades tentaram ordenar e controlar. 

E gerou um conflito entre os moradores e os frequentadores dos bares e restaurantes. A Vila é muito pequena para abrigar os blocos.
O carnaval de rua está aumentando e deve ser promovido, mas organizado. A Vila deve ser um ponto, mas não o central. Depois dos problemas a Prefeitura descobriu que a melhor área é o Largo da Batata.

Robson é um dos lideres dos moradores em defesa da Vila. Pede o meio apoio e aqui o faço. 

Mas a situação é crítica e requer muita atenção, para evitar efeitos indesejados. O excesso de gente e a presença dos vândalos, irá afastar muitos frequentadores. Poderá se tornar um local maldito, proibido aos filhos pelos pais. A demanda poderá cair e muitos estabelecimentos poderão não aguentar. A concorrência entre eles se tornará acirrada. É preciso achar o ponto de equilibrio.

É preciso  eliminar os vândalos profissionais, porque os amadores que bebem demais são controláveis. Aqueles não: já vão com más intenções, mas logo passam a ser conhecidos. É preciso proibí-los de frequentar a Vila, como já ocorre com membros de torcidas organizadas. 

Medidas restritivas de caráter geral, em nome da igualdade, dos direitos humanos e da democracia, levará à decadência da Vila. Não é preciso criminalizar o vandalismo. Esse já é tipificado. É preciso que as leis sejam cumpridas.

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