sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem está mentindo?

Pedro Barusco se associou com Renato Duque para operar um milionário esquema de captação de recursos em contratos da Petrobras firmados e gerenciados pela Diretoria que comandavam, com uma distribuição de atribuições: Duque administratava a escolha do contratado, assim como os valores dos contratos e Barusco operava o recebimento das comissões combinadas por Duque, com as empresas.

Flagrado pela Operação Lava-Jato por operações de lavagem de dinheiro com o doleiro Alberto Yousseff, não titubeou em aceitar a delação premiada e a devolver a totalidade dos recursos que lhe coube no esquema.

Segundo depôs em novembro de 2014 contou como era feita a distribuição da propina: a maior, em torno de 60% para Vaccari Neto, uma parte para ele, outra que ele repassava para o Diretor Renato Duque. Quando havia um operador como Alberto Youssef este participava da distribuição.

Esses eram os fatos objetivos, por ele relatados, complementados por informações específicas de aberturas de contas no exterior, uso de intermediarios, inclusive desvios de recursos.


Segundo as declarações do delator a parte destinada a Vaccari Neto ou "Mochi" era para o Partido dos Trabalhadores. Porém o declarante não participou diretamente de nenhuma operação de entrega dos recursos a Vaccari, seja em dinheiro vivo para ser levado na mochila que deu origem à sigla ou em alguma conta bancária no exterior, como ele.

Portanto, as indicações de Barusco são na base do "saber que" ou "ouvir dizer", e não de "acertei como ele (em tal e qual lugar, dia e hora)" ou "entreguei a ele".

Em função disso, Vaccari desmente e explica que fez acordos, sim, mas para que as empresas contratadas fizessem doações legais a favor do PT.

Porém Barusco dá o nome das pessoas que teriam intermediadas as operações, recolhendo das empresas e promovendo a transferência para Vaccari.

Os esquemas de blindagem funcionaram para proteger as operações e as documentações de Renato Duque e João Vaccari Neto. Renato Duque foi o único dos presos na operação Lava-Jato que foi beneficiado por um habeas corpus. Vaccari nem foi preso, tampouco objeto de busca e apreensões. Mas havia um ponto fraco e esse acabará sendo o "calcanhar de Aquiles" do "esquemão".

E, com isso, por enquanto não existem provas provadas. Apenas  delações e suposições. Vaccari não vai confessar, tampouco delatar. Mas os depoimentos dos supostos operadores nominados por Barusco poderá levar à identificação das contas, operadas ou indicadas por Vaccari: "siga o dinheiro".

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