Michel Temer, ao contrário do que parece segue uma visão estratégica de Governo. Seus opositores não. Querem mudanças e resultados a curto prazo.
Temer percebe que só tem condições de se manter no Governo, com poderes, se a economia reanimar. A visão dele, acompanhada por poucos, é de que Dilma não estava conseguindo conter a trajetória descendente da economia, fundamento estrutural do afastamento dela. E que, se ele não conseguir reverter a tendência, também não conseguiria completar o mandato para o qual foi eleito como adjunto.
A visão não é original. Era a de Lula, para manter Dilma e o PT no poder. Ter Meirelles no comando da política econômica e Temer na articulação no Congresso. Mas Dilma não aceitou essa proposta e acabou sendo afastada.
Temer chamou Meirelles para a Fazenda e assumiu - ele mesmo - a articulação política, com auxílio dos seus contumazes asseclas (ops! auxiliares).
Meirelles e sua equipe preparam as propostas ortodoxas, Temer assume a negociação, promove os ajustes e as aprova no Congresso. Assim foi com a PEC do Teto, agora a Emenda Constitucional nº 95, e vai ser com a Reforma da Previdência e a Mini-reforma Trabalhista. E ainda poderá promover uma mini-reforma tributária.
Atende ao mercado e seus analistas, mas com ressalvas porque obtém as aprovações dentro da mais tradicional "velha política". Alguns são pragmáticos e "fecham os olhos" para os meios. Desde que consigam os resultados se dão por satisfeitos. Outros contestam os meios e até acham que a economia não vai reagir diante da manutenção da velha política e sua fragilidades: gerando sucessivas e fabricadas crises políticas pela mídia.
O fato real é que sem as práticas da "velha política" o Governo não conseguiria aprovar no Congresso as reformas, como demonstram os fracassos de Governos anteriores.
As reformas pretendidas são impopulares e jamais terão o apoio popular. Só de uma parte da elite, a minoria silenciosa.
O Governo que busca popularidade ou acredita que precisa do apoio popular para aprovar medidas no Legislativo não tem tido êxito.
O custo da viabilização de uma política econômica de revitalização da economia é o uso intenso da "velha política". Mesmo com essa não será fácil aprovar algumas medidas.
Feliz ou infelizmente os resultados econômicos tem ocorrido mais rapidamente do que o esperado. Os analistas esperavam a reanimação apenas no segundo semestre, mas já estaria ocorrendo no primeiro.
Usando um caso esportivo recente, com o clube São Paulo FC, agora sob comando de Rogério Ceni, que em jogos anteriores, começou perdendo e virou o jogo. No último jogo começou ganhando e com folga, mas ai vacilou e levou um empate.
A eventual euforia com os resultados poderá levar à reversão da nova trajetória e termos um novo "voo de galinha".
Outra questão crítica é o que vai acontecer com a "velha política", com a política do compadrio uma vez aprovadas, no Congresso, as duas reformas essenciais reivindicadas pelo mercado. Terá que ser mantido para conter eventuais ameaças de "impeachment" ou Temer desejará ampliar ou aprofundar as reformas?
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