A relevância eleitoral dos resultados da Copa

Muito se tem dito e analisado sobre os prováveis efeitos eleitorais do resultado da Copa do Mundo de Futebol. As tentativas de correlação nunca deram resultados consistentes. Sempre dependeram mais das circunstâncias do momento.
2018 tem circunstâncias bem diferentes das épocas da Copas anteriores.
O "povo" não está animado, como nos anos anteriores, com a Copa e com as possibilidade da seleção da CBF que representa o Brasil, de conquistar a taça. 
Há um grande pessimismo, que se manifesta ou não, encoberta pela indiferença. Poucos se animam a pintar as ruas, colocar as bandeiras e vestir a camiseta canarinha.
O povo está irritado, cansado e infeliz. E depois do 1 x 7  de 2014 não está nada animado com a legião estrangeira da seleção brasileira. Mas tem uma ponta de esperança com o único brasileiro local da seleção: o seu técnico Tite. 

A indiferença começará a refluir substituida por uma animação, se a seleção da CBF vencer - com categoria e com firmeza - os três jogos da fase classificatória e chegar às oitavas, como primeira do seu grupo. 
Inicialmente não haverá grande animação, mas o "povo" não deixará de assistir aos jogos pela televisão. Se vencer de golaeada, como fez a Rússia ontem, a animação será antecipada. 
Até porque o Brasil para com a decretação de feriado. 
Mais do que o futebol, o brasileiro gosta de "feriado". Principalmente quando dá margem a um feriadão.
Infelizmente, o jogo de estréia será num domingo. Vai se perder um feriado. O segundo jogo será sexta, dia 22. Já dá para emendar. Pouco vão se dispor a dar expediente na sexta à tarde. O terceiro jogo será em plena quarta feira à tarde. Muitas empresas só vão liberar após o expediente da manhã.
Se o Brasil passar para as oitavas, em primeiro lugar o que é provável, fará um jogo na "terrível segunda-feira". Emendando ao domingo. O jogo seguinte, seguindo uma eventual trajetória vitoriosa, será na sexta da mesma semana. A qual estará reduzida a três dias úteis: "bendita Copa". 
A animação terá crescido e a semi-final será na terça seguinte, 10 de julho. Caso vença, irá para a finalíssima no domingo, dia 15 de julho. A semana será de angústia e esperança. As bandeiras voltarão às ruas. Muita gente saindo com a camiseta canarinha. Alguns aproveitando com uma tabuleta "Fora Temer".
Até às 15 estará tudo resolvido. Mesmo se a decisão for para o penalties.
Se o Brasil não chegar até lá, a reação popular será de conformismo: estará dentro do esperado. Se chegar e perder, será de frustração. Uma esperança fugaz. 
Se a seleção da CBF ganhar ai será uma vitória do Brasil. O povo irá esquecer as suas mazelas, suas contrariedades e irritações com a "corja dos políticos", deixará de lado a tristeza e o mau humor.
Por quanto tempo?
Em menos de um mês o quadro de candidatos à Presidência deverá estar "quase definido". A principal indefinição será se a candidatura de Lula, registrada pelo PT, será mantida por liminares pela Justiça. 
O enredo até a 3/4 do filme já é conhecido e esperado. Será feito o registro, será impugnado e o TSE vai negar, com base na lei da ficha limpa. Lula irá recorrer e manter a candidatura mediante liminares.

Qual será a reação do povo brasileiro, em relação às eleições gerais de outubro de 2018? 
Desta vez, a conquista do "caneco" (apesar de não ter mais essa forma) irá interferir nos resultados. Se não conquistar, nada mudará: será uma continuidade do "mau humor" brasileiro. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mobilização nacional

A Copa do Mundo tem o dom de promover mobilização nacional. Não só no Brasil. Segundo a visão estratégica, a razão é simples. Cada seleçã...