A renovação política começa com a eleição (5)

As propostas para as campanhas são dominadas pela agenda para o mercado, ressaltando-se a prioridade para as reformas estruturais. Consideradas necessárias para que o setor produtivo volte a produzir e os investimentos externos fluam para o país. São ilusões, mas dominam o cenário político.

O eleitorado da sociedade quer saber sobre os impactos efetivos da politica ou medidas econômicas em relação aos seguintes aspectos principais:

  • geração de empregos e de trabalho;
  • preservação da renda real, dos que tem renda;
  • impactos sobre os preços no varejo, ou "carestia";
  • perspectivas de aposentadoria. 
Medidas sobre correções da renda e regras de aposentadoria são nacionais, exceto no  caso de funcionários públicos estaduais e municipais. Já as medidas em relação à geração de emprego e impactos sobre os preços podem envolver diferenças regionais.

Por exemplo, a redução da taxa de juros não tem impactos diretos sobre a geração de empregos. O candidato pode ser a favor da redução dos juros e de medidas para a contenção dos spreads bancários, mas "prometer" que isso vai gerar empregos é falso e "populista". 

Já políticas urbanas afetam a maior parte da população brasileira, hoje predominantemente urbana, mas ainda há grandes contingentes rurais e rururbano. As políticas genéricas, baseadas em modelos externos, além de ineficazes não tem capacidade de sensibilizar eleitoralmente nem mesmo a maioria dos eleitores urbanos.

O caso mais evidente foi a não reeleição de Fernando Haddad, um político relativamente novato e "outsider" quando eleito.  Implantou algumas modernidades na cidade, com a ideía de transformar São Paulo numa cidade do mesmo padrão de outras cidades mundiais. Não conseguiu o seu intento e não foi reeleito. Os eleitores não aprovaram a sua gestão modernizante. Ficaram como um dos legados, quilometros de faixas para bicicletas, ociosos. Por outro lado deu impulso ao uso de bicicletas que atualmente é muito mais intenso. Seria uma solução de longo prazo. Não reconhecido pelos eleitores. 

Fernando Haddad não foi eleito em função das suas propostas de modernização da cidade. As desenvolveu depois de eleito já como Prefeito. E não foi reeleito.

Estamos aqui trazendo questões para reflexão, a partir da opção de que o discurso de renovação deve partir dos problemas reais que afetam os eleitores nas suas diversas comunidades e nacionalizar as soluções abrangendo as especificidades que podrão sensibilizar cada eleitor comunitário.

Não podem ser tão genérico que não sensibilizem os eleitores, por não perceberem a importância para a vida deles, tampouco tão específico que não seja replicável e passível de ser regulado ou tratado nacionalmente. 

As reflexões devem ser desenvolvidas no sentido de fugir do foco do eleitorado do mercado, para se voltar para o eleitorado da sociedade. Considerando duas realidades distintas, mas que precisam ser tratadas de forma integrada: o meio urbano e o meio rural e ruralurbano. 





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