Bolsonaro: um fenômeno fluiminense ...

A região metropolitana do Rio de Janeiro envolve uma grande conurbação, compreendendo diversos municipios em torno da capital: a cidade do Rio de Janeiro. 
A riqueza no Rio de Janeiro está concentrada em duas regiões: a Zona Sul - cuja grande marca é Copacabana - e que se estendeu para a Barra da Tijuca, indevidamente caracterizada como Zona Oeste. O centro e a faixa entre ela e a Zona Sul, ainda mantém resquícios de riqueza. O restante do território é um "mar de pobreza" com eventuais pontos de riqueza, em função de grandes investimentos industriais, de caráter estatal ou por serem hubs regionais de comércio. Mesma nas áreas da riqueza, existem guetos de pobreza, como as favelas da Rocinha, do Rio das Pedras (na Barra da Tijuca) e muitos outros.

Historicamente, o Estado - por várias razões - se omitiu na prestação dos serviços públicos nesses aglomerados. O provimento desses foi assumido pelas organizações comunitárias, criadas e mantidas pelo crime ou contravenção organizada. Inicialmente teriam sido os bicheiros, depois o tráfico de drogas e mais recentemente as milícias.

Os "aglomerados urbanos subnormais", como são caracterizadas as favelas e similares pelo IBGE, se tornaram feudos ou "impérios" sob comando de uma determinada facção, que a domina pela força e violência, mas que também provê as atividades públicas essenciais aos moradores. 

Os moradores são submetidos à ditadura da organização com domínio sob a comunidade. Os desobedientes podem ser sumariamente executados, o que caracteriza uma situação de violência explicita.

Periodicamente há tentativas de uma determinada facção tentar controlar uma comunidade já controlada por outra facção, abrindo uma guerra, entre elas, sempre com sucessivos tiroteios e vítimas, alcançando civis. A difusão pela mídia desses embates, amplia a sensação de violência.

Esses aglomerados servem também como base e refúgio de criminosos que atacam as pessoas em outras localidades, ampliando o ambiente de violência e de medo da sociedade, no conjunto.

É dentro desse ambiente ou dessa cultura que Jair Bolsonaro emerge e se destaca na defesa da possibilidade de cada qual poder se defender, mediante a aquisição e porte de arma própria. Contraria o politicamente correto e os riscos para o próprio portador de armas, como de terceiros com essa evolução armamentista. Contraria as posições dos pacifistas. 

Agrega à essa posição belicosa, a defesa de um Governo Militar, o que significa a defesa do golpe militar. Coerente com essa posição defende o Regime Militar que assumiu o Governo Nacional, em 1964 e permaneceu até 1985, mantendo o poder sob forte regime ditatorial. E defende muitos dos protagonistas, acusados como torturadores e anistiados, de forma geral.

É uma posição contestada pela maioria, mas vem conseguindo adeptos por todo o Brasil, ampliando o âmbito territorial do bolsonarismo.

Jair Bolsonaro também defendo posições conservadoras, posicionando-se contra o progressismo e o "politicamente correto", emergido com a revolução de 1968.

Essas posições lhe dão o apoio dos conservadores e da direita e a oposição dos modernizantes ou progressista e da esquerda.

O conservadorismo não é o seu elemento ideológico principal, tampouco o seu diferencial, pois muitos outros políticos - inclusive no Rio de Janeiro - o adotam. Os seus principais concorrentes nas eleições de 2014 eram conservadores, com grande ligação com os evangélicos: Clarissa Garotinho e Eduardo Cunha.

Jair Bolsonaro, no entanto, dentro da estratégia militar, elegeu os "politicamente corretos" como o seu inimigo maior, gerando com isso o "bolsonarismo". Por essa estratégia de confronto para a adesão popular, é caracterizada como "fascista". 

O fato real - envolvendo um grande risco para o regime democrático - é que o bolsonarismo já ultrapassou os limites do Rio de Janeiro e garante ao seu líder uma posição de destaque nas eleições de 2018.

(cont)



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