Demanda 4.0

Em evento ontem promovido pelo SINDRATAR e bem organizado pela minha querida amiga Viviane Nunes, sobre a 4ª Revolução Industrial, caminhando para a Sociedade 5.0, tomei conhecimento dessa última, que já estaria formulada pelos japoneses.
A qual me responde uma grande dúvida: qual é ou será a Demanda 4.0?
Todas as análises sobre a sucessão das chamadas "revoluções industriais" focam o lado da produção. 
Teriam sido mudanças ou transformações no modo de produção para os mesmo consumos?
Mas quando o homem conseguiu produzir o aço, o foi apenas como substituição do ferro fundido? Ou conseguiu dar à humanidade novos produtos que mudaram substancialmente o seu modo de vida. Se alguém não consegue conceber viver hoje sem um simples fogão de cozinha, a revolução inicial teria sido apenas a substituição do fogão à lenha construído com barro refratário, retirado diretamente da natureza? Ou foi uma profunda alteração na forma de viver das pessoas? 
Alguns caracterizam a segunda ou a terceira revolução, pela introdução por Henry Ford da linha de montagem ou de produção. Ford implantou na sua fábrica os conceitos de Adam Smith.
Foi só para produzir, com menor custo, o seu tradicional T29, que podia ser de qualquer cor, desde que fosse preto?
Ou foi a popularização do automóvel que mudou a forma de viver da maior parte da humanidade? Não há urbanização, sem o automóvel. 
Do ponto de vista da produção a atual revolução industrial pode ser marcada pela introdução da tecnologia digital na produção.  Mas, do ponto de vista da demanda, do consumo, dos novos produtos que mudaram a vida das pessoas, o mais importante é o celular. Embora não seja o primeiro dos produtos inovadores, com tecnologia digital, colocado à disposição das pessoas, foi a difusão do celular, com os seus aplicativos que está transformando o modo de se comunicar e viver da humanidade. 

O que a 4ª Revolução Industrial irá gerar de mudança significativa na vida das pessoas? Será o robô? O que a Internet das Coisas irá afetar o modo de viver? Ou será o barateamento de coisas que hoje já existem, mas são pouco acessíveis à maioria das pessoas, em função do seu custo?

Através do barateamento das coisas, a humanidade poderá resolver alguns dos seus mais graves problemas. Poderá a humanidade erradicar a pobreza, não só porque os pobres terão mais renda, mas porque a sua parca renda terá maior poder de compra? A revolução 4.0 irá baratear o preço dos alimentos?

A humanidade poderá resolver o problema do déficit habitacional porque a construção de uma casa ficará tão mais barata que qualquer um poderá tê-la? Essa será a função da internet das coisas. Ou só servirá para melhorar a vida dos ricos, deixando os pobres nas mesmas precárias situações?

E o problema do saneamento básico? A solução estará em despejar bilhões de dinheiro que não estariam disponíveis, para ampliar o atendimento de coleta e tratamento de esgotos? Ou teria que ser resolvido pelas novas tecnologias, pelas inovações?

Com todas as inovações aqui continuamos reclamando da educação.  Por que o avanço tecnológico não ajudou as pessoas ficarem mais educadas? Por que, com todas as ferramentas digitais ainda temos milhões de analfabetos funcionais? Mas cabe uma pergunta adicional? Esses analfabetos funcionais são também analfabetos digitais?
Conheço jovens que mal sabem escrever e fazer contas elementares. Mas são craques em joguinhos eletrônicos. 

A proposta japonesa para a sociedade 5.0 traz algumas dicas, em função do envelhecimento da população. A questão levantada não é apenas a inversão da pirâmide etária ou a previdência social. Mas também, o que esses "velhos" ou "jovens idosos ou idosos jovens" irão fazer com o seu tempo, já que não tem que ou não precisam utilizá-lo para trabalhar?

Ou seja, um dos maiores problemas futuro da humanidade é adequar a forma de viver com o chamado tempo ocioso? E como a tecnologia, as inovações ajudarão a ajustar a vida dessas pessoas? Para que eles não pensem em abreviar uma vida fisicamente possível, mas monótona, repetitiva, sem desafios e com poucas alegrias.

O que será dos avós se os netinhos preferirem conviver com os robôs?

É dentro desse quadro de demanda 4.0 ou do consumidor 4.0 que a indústria de ar condicionado - que promoveu o encontro - terá que desenhar o seu futuro.

Não será apenas pelas inovações na produção, mas o foco deverá ser o ambiente e o seu cliente final. O que afinal ele quer?

O principal objetivo deverá ser o de proporcionar e manter um ambiente agradável às pessoas. 

Isso envolve, por exemplo, a internet das coisas, mas no caso entre o homem e a máquina. Não seria o homem pela sua inteligência, mas por um elemento mais primário. O seu calor pessoal.

Num ambiente climatizado, a presença apenas de uma pessoa pode não gerar alteração do ambiente, mas se várias pessoas ingressarem concomitantemente a máquina deverá ser ajustada. Isso poderá ser feito manualmente, automaticamente programado ou por ajuste simbiótico. 

Atender às demandas futuras, algumas delas ainda nem percebidas, deverá ser o foco das inovações.

O avanço da 4ª Revolução Industrial não irá ocorrer sem uma Demanda 4.0.





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