E o resto do mundo?

Começa a ficar mais claro que não há incertezas em relação às ações de Trump. Ele começou com as ações econômicas, como a retirada dos EUA do TPP, com um discurso que caracteriza o seu entendimento sobre a economia, que a maioria dos analistas ainda não percebeu. Ele não raciocina com a macroeconomia, tampouco com economias nacionais. O seu foco é uma microeconomia específica: a movimentação econômica e financeira das multinacionais norte-americanas.
O que ele quer é que essas empresas invistam mais dentro dos EUA e não fora do país.
Está conseguindo reverter algumas decisões. A dúvida é será um movimento sustentável ou não.
Mas neste ano de 2017 os EUA vão importar menos, com a redução de transferência dos produtos das multinacionais produzidos pelas suas subsidiárias fora dos EUA  e consumidas nesse país. Isso pode ser considerado como certo. 
Já o aumento das exportações das multinacionais de produtos fabricados nos EUA para as suas subsidiárias no exterior vai ser mais dificil. Os preços ficarão maiores e terão que ser compensados com tecnologia. Como a Apple irá concorrer com a Sansung, com IPhones montados dentro dos EUA, ainda que com a mesma Foxxcom?

Trump continuará pressionando as multinacionais norteamericanas para investirem mais nos EUA e retornarem mais capitais já investidos fora. Isso significará quer receber mais lucros e dividendos das subsidiárias no exterior e não fará reinvestimentos no mesmo nível ou até superior. Ele quer reduzir o tamanho dos ativos norte-americanos no exterior, repatriando-os, na suposição de que irá criar mais empregos para os norte-americanos.  Suposição que pode não se confirmar. Mas será um movimento efetivo em 2017, podendo alcançar 2018. A sustentação posterior vai depender dos resultados efetivos.

As principais quedas ocorrerão no NAFTA, na União Européia e na China, principais destinatários dos investimentos das multinacionais norte-americanas. Depois virão os países emergentes, sendo o Brasil, o maior deles.

Vários cenários podem ser desenhados a partir de um fluxo negativo dos capitais norte-americanos nos países  emergentes. Dois são os principais: o espaço deixado pelos capitais norte-americano será ocupado por outros, principalmente pela China. O segundo é que países com desequilíbrio no seu balanço de pagamentos corrente e dependentes do afluxo de capitais norte-americanos, entrem em colapso. Não sei - neste momento - quais seriam, mas o Brasil não seria um deles. 

(cont)



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