O problema de moradia da miserabilidade no curto prazo (2)

Diante da realidade de um enorme "déficit habitacional" de natureza estatística, e um grande volume, igualmente numérico de imóveis vazios, muitos raciocinaram de forma simplista que era só ocupá-los para reduzir o déficit. Como diz a "sabedoria popular": para qualquer problema complexo existe uma solução simples. E errada.

Essa solução simples foi tolerada pelas administrações municipais, ampliada pela gestão petista que passou até mesmo incentivar, em alguns casos: a ocupação por invasão de prédios abandonados: casarões e edifícios verticais transformados em cortiços. 

A saida para a moradia dos baixa ou sem renda, ainda no século XX foram os cortiços, nos bairros centrais (então quase periféricos), como a Bela Vista, onde ainda remanescem alguns casos. Com a urbanização e modernização das cidades os cortiços foram sendo derrubados para dar lugar aos edifícios. E a população desalojada foi expulsa para as periferias mais distantes. 

Com a degradação urbana do centro, a partir dos anos 1950, pelas mudanças dos polos comerciais de maior renda, sucessivamente para a Avenida Paulista, depois Faria Lima e mais recentemente Vila Olimpia e região da Berrini, foi voltando o encortiçamento. Primeiramente nos casarões abandonados, dentro do centro expandido, sendo o mais visível o bairro dos Campos Eliseos, com parte tomada pela cracolândia. 

Sem seguir no esmiuçamento da questão, o fato real da cidade de São Paulo, é que com a conjugação de circunstâncias (crise econômica, desocupação, degradação do centro e outras) ampliou-se o "exército de miseráveis" no centro e a ampliação dos cortiços, com a sucessiva invasão dos prédios desocupados. 

Aos poderes públicos parece não interessa prevenir, mediante ação policial, a ocorrência das invasões. Reprimir com violência o "direito à moradia" assegurada constitucionalmente, tem impactos políticos altamente negativos.

Preferem partir do fato consumado, para esperar que a Justiça determine a reintegração de posse. O uso policial seria politica e socialmente mais justificável, porque necessário para cumprimento de ordem judicial. Mas sempre sob o risco de uso imoderado da força. 

O mais cômodo e politicamente menos desgastante é tolerar o processo. E o desalojamento de um edifício, tem em vista a invasão de outro, nas imediações. 

As autoridades públicas tem consciência dos riscos, diante da precariedade das instalações e das circunstâncias dos moradores. Uma briga de casal, um bujão de gás com vazamento já deu origem a diversos incêndios em favelas. Mas com menor repercussão na mídia que de um prédio de mais de 20 andares, um ícone da arquitetura e engenharia paulista. Era o primeiro prédio alto com estruturas metálicas modernas. 

Preferem "rezar" para que nada aconteça. E que a tragédia anunciada não se efetive. 

Dizer que o incêndio do Paes de Almeira era evitável, é um truismo, como outras que ainda vão ocorrer. 

(cont)

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