O sentido real da globalização

As ameaças ou bravatas de Trump, que hoje inicia o seu governo, colocaram em evidencia o real sentido da globalização, que pode ser resumido na frase "vocês produzem barato, nós investimos e compramos de vocês". 
Realidade que muitos poucos entenderam, criando milhares de teorias, fugindo da questão principal.
A força das suas ameaças não está no confronto com os países produtores e exportadores para EUA, mas por estar destinadas às empresas norte-americanas que investem no exterior, produzem fora dos EUA, com trabalho mais barato, muitas vezes em condições similares à escravidão, e levam os produtos para serem vendidos nos EUA. 
A pressão ou ameaça de Trump é sobre essas empresas. Algumas vão ceder às pressões e vão investir mais nos EUA do que fora. Mas o primeiro grande problema para a empresa é o seu concorrente dentro do mercado norte-americano. A Ford queria investir no México para tornar o seu carro mais competitivo que o da GM ou da Toyota. Se esses continuarem montando os carros fora dos EUA e vendem mais barato que a Ford e ganham mercado, como fica ela? Pressionará e cobrará de Trump a elevação geral de tarifas? Se o fizer os carros ficarão mais caros. Os consumidores podem se retrair e o mercado todo entra em retração. O que fará Trump diante disso?
O problema não é globalização, tampouco os bairros ou cidades fantasmas, com fábricas desativadas e milhares de desempregados. O problema maior é manter o dinamismo do maior mercado de consumo do mundo, com controle da inflação. 
A China quer tomar esse lugar. 

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