Um país com Estado fraco (3)

A captura mais ampla do Estado foi das corporações dos servidores públicos que  - com base na obrigação e atribuição de exercício do serviço público - acumularam, ainda que legalmente, um conjunto de benefícios pessoais, que se caracterizam como privilégios, diante do resto da sociedade. Mas para eles são direitos próprios das suas atribuições.

Esse conjunto de benefícios ou privilégios consomem a maior parte dos recursos orçamentários públicos e são responsáveis pela sucessão de déficits públicos. O seu volume supera em muito o capturado pelos outros grupos. Supera, em muito, os prejuízos diretos com a corrupção. Mas são legais, porque sustentados por legislações, ainda que feitas em benefício próprio de quem legislou. Já a legitimidade e a ética são discutíveis.

E a corporação dos servidores públicos não devolve à sociedade, com a devida prestação dos serviços públicos, os recursos que apropriou na forma de remunerações acima do mercado, sem compromissos com o desempenho e um "penduricalho" de vantagens pessoais.

A corporação dos servidores públicos está concentrada em Brasília e muito próxima do poder. Com isso tem maiores condições de pressionar os legisladores a legislar a seu favor. Seja concedendo benefícios, como evitando a sua retirada.

A discussão sobre a reforma previdenciária trouxe à tona ou evidenciou as distorções. 

Falta coragem de estadistas para enfrentar a pressão e a reação das corporações dos servidores públicos que se desdobram em diversas categorias, mas todos com o mesmo objetivo principal: aumentar a sua remuneração.

Os governantes preferem manter os privilégios e propor que a sociedade os pague na forma de aumento dos tributos. 


(cont)

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