A crise do mercado de luxo

O comércio em geral vem apresentando melhoras. Os índices globais do comércio varejista indicam melhora. O dinheiro da safra agrícola recorde está começando a chegar ao comércio urbano. Em São Paulo, o comércio de rua estava cheio. Em contrapartida, os shoppings de luxo, vazios.
O comércio de luxo ainda está em crise, com perspectivas de piora. Os (as) lojistas estão pessimistas e preocupadas.
E tem razão.
O comércio de luxo tem sido movimentado e dinamizado por dois fatores, ora em decadência.
O primeiro é a corrupção. Grande parte dos valores da corrupção, quando dirigida a benefícios pessoais, é gasta no comércio de luxo. Ou era.
A Operação Lava Jato e ramificações vem cortando o fluxo dos recursos da corrupção. Os da Odebrecht eram mais antigos e foram mais para as campanhas do que para os ganhos pessoais. Embora também houvesse.
Já os da JBS eram mais disseminados, destinados a benefícios pessoais e foram mantidos até o começo do ano. Só parou agora, depois da delação premiada de Joesley Batista. Já teria diminuido, mas agora praticamente estancou. O fluxo de caixa foi interrompido e esse dinheiro não chega mais às lojas de luxo no Brasil. É possível que ainda haja remanescentes de gastos no exterior. Mas não mais no Brasil, em particular em São Paulo.
O segundo fator é que a maioria dos ricos que gastam, eles próprios ou seus familiares, no mercado de luxo, são rentistas, que usam o rendimento das suas aplicações.
Esse rendimento caiu muito, com a redução da taxa de juros. Os mais ativos podem continuar ganhando, com especulações em bolsa, ou com dólar. Mas uma grande parte prefere a comodidade de deixar nas mãos de gestores de fortunas ou na aplicação de títulos do Tesouro Nacional.
Com a diminuição das taxas básicas, a SELIC, o rendimento desses títulos vem caindo. A renda disponível para gastos, vem caindo, com perspectivas de continuar caindo. 
Para eles e para o mercado de luxo, as notícias de que o Banco Central vai continuar reduzindo as taxas, até mantendo corte de 1% a cada sessão, são péssimas. 
Eles acham que a economia vai mal, e ainda não vai se recuperar. Dizem "a boca pequena" que é por conta da crise política, da falta de confiança, mas reflete - na realidade - a sua crise pessoal. Estão ganhando menos. E isso na visão do rentista significa perda. E gasta menos.

O mercado brasileiro de luxo vai ter que se reinventar, depois da Lava-Jato e de Ilan Goldfajn. 

"Que saudades da inflação e dos juros altos".

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