A economia sofre com a crise política?

- Economia? Que economia? 
Não, o mercado. 
-Qual mercado? O mercado central da Cantareira, em São Paulo,  continua cheio de gente. O de São Joaquim, na Bahia, sei não!
Não, o mercado financeiro? As bolsas, os juros, o dólar!
- Ah! Esse vai mal e vai piorar. É um mercado bipolar, que muda inteiramente de hora para outra. É extremamente ansioso e as pessoas envolvidas ficam rapidamente estressadas. 
- O que mesmo disse o tal do Benjamin? Sei não. Mas o que o tal mercado tenso quer saber é se Temer vai ficar ou vai cair?

Tanto faz, como fez. O problema é do Michel e de seus asseclas. Ele vai continuar "se safando" como conseguiu fazer nesses últimos 40 anos? Ou dessa vez vai cair?

Chegou onde queria chegar. Mas descuidou e escorregou. Topou pela frente uma dupla forte que sabe conspirar tanto quanto ele. O ambiente não está favorável a ele.

Tenta sobreviver na base do "ruim com ele, pior sem ele". O mais provável é "ruim com ele, pior com ele". Mas qualquer que seja a mudança, vai continuar ruim.

E a economia real? Vai sofrer com essa indefinição. Com essas incertezas? 

O agronegócio está mais preocupado com as variações do preço da soja em Chicago e do dólar.

Colheu uma supersafra de soja, que ainda está em grande parte estocada, esperando por melhores preços. 

O episódio Joesley para eles foi muito importante. O dólar subiu. Depois caiu, mas se estabilizou num patamar melhor. Dá para desovar o estoque sem perdas.

Esta semana a cotação internacional melhorou. Houve uma grande movimentação de vendas e embarque. 

Não está nas manchetes dos jornais, tampouco nos comentários da Globo News. Muito menos no Jornal Nacional. (se eu estiver enganado, me informem, porque não dá para acompanhar: é só crise política). 

Mas o agronegócio continua se movimentando e quem ficar esperando vai ficar "vendo navios". Sem carga. E pode perder dinheiro. Vai impactar o PIB do segundo trimestre, ora no seu último mês, mas ainda com indicadores favoráveis na economia real. 

Já os que vivem na economia financeira, vão continuar sofrendo. Procurando pelas notícias negativas. E os consultores econômicos também. Passaram a viver das previsões catastróficas e agora tentam sustentar a suas pos-verdades.

Infelizmente, para eles, até as vendas internas da indústria automobilística melhoraram. O que é uma boa notícia, mas pode ser também má. 

Isso porque depois de muito resistir a indústria automobilísitca - no Brasil - resolveu voltar-se para a exportação. Essa está promovendo a produção. Mês a mês a produção de veículos vem crescendo, por conta das exportações. Agora também com a melhoria do mercado interno. O risco é frear as exportações, por causa dessa melhoria. 

As multinacionais do setor não estão à espera da solução da crise política. Dizem e até praticam as estratégias de longo prazo. Para quem não está "amarrado" em Brasília e em 2017, não vai ficar esperando por 2018 ou 2019. 

A preocupação com as reformas é mais subjetiva do que objetiva. Se passar tudo bem. Se não passar inteiramente, poderá passar em 2019.

O risco a ser considerado é a pretensão das atuais autoridades econômicas em aumentar os impostos para cobrir os "supostos" déficits da Previdência. 

Os tais déficits, a curto prazo, vão ocorrer com a reforma ou sem a reforma. Os impactos reais só vão ocorrer na terceira década do século, isto é, nos anos 20.

E com Temer ou sem Temer. Com a continuidade ou não de Meirelles e sua equipe, a ameaça de aumento da carga tributária continuará.

A debilidade do atual Governo é apenas um acidente de percurso. 

A permanência de Temer só teria uma vantagem para a economia real. Como está em final de carreira política, poderia ser mais duro na contenção  das despesas correntes da União. O que significa conter os aumentos de gastos com o funcionalismo público. E não recorrer ao aumento de tributos.

Mas como para sobrevivência, precisa do apoio dos parlamentares que representam essas classes, poderá ceder.

O problema para a economia real não é a perda ou baixa confiança. A confiança que mais importa é dos consumidores. 

A grande ameça que continua existindo, com Temer ou sem temer, é que o Governo queira apelar para o aumento dos tributos para pagar o "rombo" da Previdência.




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