As ilusões em torno da reativação da Fiol

O Governo da Bahia estaria tentando convencer o Governo Federal a acelerar a licitação da concessão da FIOL - Ferrovia Oeste Leste, fiando-se no interesse de um grupo chines que estaria estudando a sua viabilidade econômica. 
Se o estudo for sério vai dar inviável e nem mesmo os chineses vão participar da licitação.
A FIOL foi incluída nos planos logísticos, como uma ferrovia destinada a escoar minério de ferro do interior da Bahia por um terminal privativo, na altura de Ilheus. Complementarmente carregaria grãos e outros produtos do agronegócio, do extremo oeste baiano, pelo mesmo porto.
Lançada, como de costume como obra de redenção regional e geradora de milhares de emprego, se baseia numa miragem.  
O minério de ferro da Bamin é de teor inferior aos das minas da Vale, assim como de outras de Minas Gerais e irá requerer um custo ferroviário muito baixo, subsidiado pelo Governo. 
Um grupo do Cazaquistão, do tipo Eike Batista, aproveitando o boom das commodities montou um projeto mirabolante, para ser apoiado pelo Governo Baiano e vendido a investidores na Bolsa de Londres, mediante uma IPO. A queda das cotações internacionais, do minério de ferro, que caiu a menos da metade das elevadas cotações que davam sustentação ao projeto, quando iniciado. O grupo já desistiu do projeto, suspendendo os investimentos na mina e passando a focar um projeto na África. O seu interesse. no Brasil, é achar um comprador para a Bamin.

O novo grupo interessado terá que assumir todo conjunto, envolvendo a mina, a ferrovia e o terminal portuário. A Vale fez isso com o minério de Carajás, mas em outras circunstancias.  E tem um custo de mineração muito baixo, o que não será o caso da Bamin. Ela contava com um frete subsidiado da Fiol, com recursos governamentais.  O empreendedor terá que investir na ferrovia e praticar tarifas remuneradoras desse investimento, além dos custos operacionais. Não poderá contar com subsídios governamentais. E terá ainda que investir e operar o terminal portuário. 
Precisará de imensos volumes de carga, para justificar uma ferrovia no padrão 'heavy-haul', cujo valor de investimento 
é, pelo menos, 60% maior que o de uma ferrovia convencional. O custo operacional seria mais baixo, desde que operado a plena carga. 
A que nível as cotações internacionais do minério de ferro precisariam chegar para viabilizar economicamente o empreendimento, assumindo que o grupo chinês conseguiria colocar toda produção da sua mina na China?
As perspectivas da siderurgia mundial e do minério de ferro não são de ampliação, mas - ao contrário - são de retração. 
Do ponto de vista nacional não haveria interesse em desenvolver a exploração de novas minas de ferro investindo numa logística 'greenfield' para o escoamento e embarque do minério. Mesmo que realizado inteiramente com investimentos diretos estrangeiros e sem qualquer subsídio ou aporte governamental.
A ilusão que move o Governo Estadual é que todos os recursos para o investimento seriam estrangeiros, só acrescendo o patrimônio nacional e sem gerar qualquer endividamento nacional. E que o empreendimento geraria muitos empregos durante a construção, além de promover o desenvolvimento econômico e social nas regiões da mina, do porto e das estações intermediárias.
Na prática não é o que acontece. Depois de iniciado, o grupo empreendedor entra com um pedido no BNDES e no BNB, pedindo financiamentos, com apoio do Governo Estadual.
A construção da via permanente irá mobilizar um grande número de trabalhadores, mas os chineses vão pressionar para uma grande contratação de trabalhadores chineses, temporários, regidos pelas leis trabalhistas deles, com uma redução da absorção de trabalhadores nacionais. Os trilhos, os equipamento das vias e de sinalização, locomotivas e vagões serão todos de fornecimento chinês. 
As experiencias de outros projetos dessa natureza é que nas áreas de ponta da logística, a expansão da pobreza é maior do que da riqueza, com a formação de imensas favelas. E, por fim, uma ferrovia 'heavy-haul' não comporta grandes quantidades de paradas, sendo o ideal uma linha direta mina-porto, sem qualquer estação intermediária. 

O resultado pior é que pela verificação da inviabilidade econômica do empreendimento, depois de iniciado, esse seja simplesmente abandonado, deixando apenas rastros de devastação. 



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