Brasil: uma categoria estatística

A consolidação estatística dos múltiplos dados da realidade, como a da apuração do Produto Interno Bruto (PIB), dá margem a simplificações e análises equivocadas sobre o que acontece realmente na economia brasileira.
Mesmo sendo imperfeito o PIB é principal e melhor (até porque o único) indicador global, mas não pode ser analisado apenas pelos números globais, devendo considerar as eventuais diferenças setoriais.
Rigorosa e tecnicamente a economia brasileira esteve em rencessão a partir do primeiro trimestre de 2015. Não só o índice global apresentou decréscimos sucessivos, como todos os setores integrantes tiveram decréscimos, com alguns espasmos positivos, como a indústria no segundo trimestre de 2016. O comércio manteve uma trajetória decrescente continua nesse período e ainda ficou negativo no primeiro trimestre de 2017. Sem dúvida o comércio brasileiro está em recessão. Mercê do enfraquecimento do consumo das famílias.
A agropecuária teve altos e baixos. Em oito trimestres teve quatro positivos e quatro negativos. Na variação acumulada foi positiva em 2015, fechando com uma variação de 3,61% e negativa ao longo de todo o período. Apresentou uma variação negativa acumulada de -6,57%. Recuperou-se no primeiro trimestre de 2017 com uma variação positiva de 13,45% sobre o trimestre anterior, 15,20% sobre o mesmo trimestre do ano anterior e alcançou, no acumulado de 4 trimestre, resultado positivo de 0,32 %. Saiu de uma recessão para uma retomada do crescimento que deverá seguir pelos dois trimestres seguintes em função da super-safra. Deverá fechar o ano com uma variação positiva superior a dois dígitos. E seu crescimento deverá sustentar, pelo menos a estabilidade da variação do PIB. Senão impulsionar o crescimento. O agronegócio, considerando toda a cadeia produtiva deverá promover a retomada do crescimento, contribuindo para o crescimento industrial, graças à agroindústria e o próprio comércio, pela irrigação de renda para as compras familiares. E ainda deverá ajudar a retomada da taxa de investimentos. Com maior ou menor velocidade em função das ações governamentais para os investimentos em infraestrutura.

O setor que continua em recessão, é o de intermediação financeira. Acompanha a indústria numa sequência negativa desde o 3º trimestre de 2014, acumulando resultados negativos de -0,83% em 2015 e -2,76% em 2016. E já aumentou a evolução negativa no primeiro trimestre de 2017, para -3,44%.

Desconsiderando o setor, que não é propriamente produtivo, sendo um setor de intermediação, a economia brasileira não só saiu da recessão, como já superou o estágio da estagnação ou estabilidade para a alcançar o de crescimento.

O que está freando um crescimento mais forte é o setor financeiro. O que pode ser interpretado como ruim, porque está afetando os resultados globais do PIB. Mas também pode ser interpretado como bom, uma vez que não estaria onerando os setores de produção material com os custos financeiros. 

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