Como o México vai pagar o muro?

O sucesso de Trump decorre das suas lógicas simplistas, que povoam corações e mentes da maioria das pessoas, principalmente da opinião não publicada. O simplismo não decorre - necessariamente - da condição de renda e da educação formal. É mais movimentado pelo coração do que pela mente e aquele comandado pelo fígado.
Está havendo uma invasão de mexicanos pela fronteira? Então erga-se um muro ao longo de toda fronteira. A população aplaude. 
Alguns indagam. Quanto vai custar? Quem vai pagar? "Eu não".
A uma proposta simplista, uma sequencia simplista: o México vai pagar. Como? Pela taxação adicional de produtos importados do México. 
Além da dificuldade de imposição dessa taxação diferenciada de produtos de um só pais, sem a extensão a outros países, em função das regras internacionais de comércio, quem iria pagar essa sobretaxa não é o México, ou o produtor mexicano, mas o comprador norte-americano. Para estabelecer a diferenciação específica é preciso ter acordo. Esse acordo já existe - é o NAFTA - e o que Trump quer é denunciar e cancelar o acordo, eliminando a taxação menor. Mas o acordo prevê uma serie de outras condições que também seriam eliminadas. E como o acordo é multilateral teria que envolver também o Canadá.

Mas o populista faz um discurso simplista que é aceito pelo simplismo da opinião não publicada, enquanto a publicada se divide. E os especuladores se aproveitam levando a Bolsa de Nova York às alturas, o que afeta a opinião publicada.

Uma primeira consideração menos simplista já colocamos aqui. Não é o México que exporta, tampouco os EUA que importam, embora isso apareça nas estatísticas, gerando essa impressão.

A maior parte das importações é feita por multinacionais norte-americanas que compram os seus produtos das suas subsidiárias mexicanas. As multinacionais não importam ou exportam, mas simplesmente transferem. Se essa transferência tiver maiores obstáculos ou taxação, elas mudam os locais de transferência. 
Se a multinacional tiver dificuldades maiores nas suas transações entre os EUA e o México, irá mudar os locais, dentro do mesmo grupo. Por exemplo, a Ford poderá substituir produtos da sua subsidiária mexicana, por produtos fabricados dentro dos EUA, desde que mais baratos, ou importar da sua fábrica na Bahia, ou ainda de São Paulo ou Córdoba. Se ainda for movida pelo nacionalismo ou pela intimidação de Trump, a Nissan fará. Poderá importar da sua unidade em Porto Real, no Rio de Janeiro, e com um carro mais barato tomar mercado da Ford.
Os acionistas norte-americanos concordam com o "América First", mas desde que tenham ou mantenham os seus lucros. 

Uma eventual taxação adicional sobre produtos montados no Mexico, irá reduzir o movimento comercial e a eventual taxa não gerar os volumes esperados para pagar o muro. Nesse meio tempo, o México, com drástica redução das suas atividades produtivas e da sua receita cambial irá quebrar. Afetando o sistema financeiro norte-americano e mundial.

Se Trump fizer o muro e insistir nas soluções simplistas, o México vai pagar. Mas não financeiramente, mas com pobreza, violencia e vidas. E que um muro físico não vai impedir. 

O que leva a um cenário fantasmagorico. Imaginem o Estado Islamico, aproveitando o desespero de mexicanos, se estabelecendo em território próximo aos EUA.

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