Estratégia mal sucedida

Herman Benjamin preparou um minucioso relatório, bem calçado, aparentemente como objetivo de convencer os colegas, ou pelo menos não deixar brechas para ser contestado. 
Saiu muito bem preparado para o ataque, mas falhou na linha de defesa, deixando flancos abertos e o risco de levar uma "bola atrás da linha de defesa", com um adversário entrando rápido  para marcar o gol. Foi o que aconteceu.
No afã de usar o notório e sabido publicamente descuidou do processo judicial, por onde os adversário acabaram marcando mais gols. Pode ter o consolo de perder, com dignidade. E ser ovacionado pela platéia, formado preponderantemente pelos adeptos ou favoráveis à erradicação da corrupção.

Mas perdeu o jogo. Por falhas estratégicas. Talvez por perceber de antemão a inevitabilidade da sua derrota. Procurou então, jogar para a torcida e constranger os colegas perante uma platéia inteiramente a seu favor. Não teve êxito por ter deixado um flanco aberto. Os adversários não perderam a oportunidade. 

Para entender a filigrana desse "buraco" é que a petição inicial, promovida pelo PSDB, questionava o uso de doações legais da Odebrecht e empreiteiras. Ou seja caixa 1, mas com abuso de poder econômico.

Foi ai que Benjamin cometeu a falha, que resultou no gol de desempate. As investigações adicionais eram necessárias para comprovar como essas doações legais se constituíam em abuso de poder econômico. Estava na origem dos recursos. Superfaturamento em obras "arrumadas" pelo então Governo Dilma, continuando o que foi montado durante o Governo Lula. Com muita comprovações.

Mas ele preferiu um caminho supostamente mais aceito. O de buscar o Caixa 2 para comprovar a existência de corrupção. Deu margem aos adversários que estavam esperando uma brecha para chegar ao gol e acharam. Deixado por falha do relator. Por que ele preferiu montar o jogo para a platéia e não para o campo. 

Teve a grande oportunidade para um trabalho didático contra a corrupção. De como a propina foi lavada oficialmente pela transformação em doação oficial e foi aceita, ao longo de muito tempo, como normal e legal pela Justiça Eleitoral.

Talvez não quisesse reconhecer as falhas da própria Justiça Eleitoral e aceitá-la como co-réu do processo. 

Tratou dessa questão superficialmente. E acabou sendo facilmente derrotado, embora tivesse demonstrado grande esforço nos debates para não sucumbir. Foi um grande lutador, mas teve que ficar na defensiva. 

Lamentável, lamentável. 

Mas é preciso reconhecer que o lado dos corruptos tem sido mais competente. Vão sacrificar alguns para continuarem ilesos, submergir temporariamente e retornar mais à frente.

É fundamental reconhecer a realidade dos fatos e não ter visões emotivas que acabam sendo vencidas. Com perda de oportunidades históricas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem vai mandar no Estado Brasileiro?

Os favoráveis ao decreto que flexibilizou o porte e posse de armas, o defendem em função do seu conteúdo, prometido ao longo da campanha ...