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O eleitor evangélico

A bancada evangélica no Congresso Nacional é baseada nos eleitores evangélicos que destinam o seu voto para candidatos evangélicos: predominante ou exclusivamente. Por outro lado, os eleitores não evangélicos dificilmente votam num candidato que se apresenta ou é percebido como evangélico. 
A comunidade evangélica seria fechada na sua representação política, embora bastante aberta para receber novos fiéis. 
A base para a incorporação do fiel é o acolhimento na igreja. 
Diversamente da igreja católica na qual o templo é principal local do rito religioso e só, complementarmente, o local de acolhimento, a igreja evangélica faz do seu tempo um local de atividades  medicinais, sociais, culturais, recreativas, esportivas e de outros entretenimentos, para acolher os fiéis. O templo evangélico é, principalmente, um centro comunitário. onde o culto é um dos elementos essenciais, mas não o único.
As igrejas evangélicas instituiram o acolhimento 24 horas. com os templos abertos para atender às pessoas com problemas, oferecendo a elas uma ajuda assistencial, associada à palavra de Deus. 
Aquelas pessoas que conseguem mudar de vida, graças ao acolhimento, passam a pagar o pedágio a Deus, através da igreja, na forma de dízimo. 
Além disso passam a receber doações de pessoas que querem apoiar a ação social e de evangelização. 
O acolhimento ampla e a participação implícita de Deus nas mudanças da sua vida, são a base da conquista do coração e mente do fiel.

Todo esse processo não tem conotação política ainda que incorpore algumas questões ideológicas, mas sem correlações obrigatórias. O evangélico não é necessariamente de direita ou esquerda.

A atenção aos pobres e mais necessitados, aproxima os evangélicos da esquerda, disputando espaços com essa. Nas periferias pobres das grandes cidades, as igrejas evangélicas ocuparam o espaço que foi deixado pela esquerda. 
Por outro lado, a esquerda incorporou na sua ideologia, o ideário progressista,  dentro da visão de que os valores culturais tradicionais são desenvolvidas pelas classes de maior renda, para subjugar os mais pobres. Defende a ruptura desses valores, baseada - principalmente - nos comportamentos da classe média. Os quais não são incorporados pelas classes de menor renda, sob os auspícios da igreja evangélica. 
A preservação dos valores da famíla, das diferenças entre sexos, das práticas sexuais e outros valores tradicionais defendidas pelos evangélicos, faz a esquerda caracterizar a igreja evangélica e seus fieis como de direita. 
Do ponto de vista eleitoral envolve uma disputa pelo voto dos fiéis. O que se tem constatado é o ganho das igrejas evangélica sobre a esquerda, o que explicaria porque o PT e outros partidos de esquerda tem perdido votos nas periferias pobres das grandes cidades. Explicaria, por exemplo, porque João Dória derrotou Fernando Haddad, em 2016, com o apoio dos evangélicos.
Uma elucidativa entrevista do ativista dos movimentos sociais de esquerda, Guilherme Boulos à jornalista Andréa Dip e incorporada no livro "Em nome de quem?" indica que mesmo militantes do movimento social, movidos pelos ideais anti-capitalistas, mantém o seu relacionamento com a igreja evangélica. 

A questão, sobre a qual vamos nos ater, na sequência é se a partir do acolhimento e do culto, o fiél é subjugado politicamente, seguindo cegamente as orientações do seu pastor se mantém ou desenvolve idéias próprias, votando com independência pessoal.

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