Um pibinho mais fraco do que esperava

O crescimento da economia no primeiro trimestre em relação ao anterior, quebrando um processo de redução sucessiva, ao longo de oito trimestres, foi menor do que poderia ser, apesar das estimativas pessimistas dos principais analistas.
O efeito da super-safra de grãos foi desprezada em função da baixa participação do setor agropecuário dentro do PIB. Esse setor cresceu 13,4 % em relação ao trimestre imediatamente anterior e  15,2% em relação ao trimestre do ano anterior. Juntamente com a extração mineral, graças à recuperação da produção de petróleo & gás, evitaram que o PIB voltasse a ficar negativo. 
Com as perdas das safras em 2016, a participação da agropecuária dentro do PIB que havia decrescido chegando a ter uma participação de 3,24% no último trimestre de 2016. A queda de participação da agropecuária nos 4ºs trimestres é usual, por não ter, nesses períodos, colheita significativa de safra. 
O crescimento do 1º trimestre de 2017 em relação ao anterior é, portanto, menos relevante que a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. O significativo é o crescimento de 15,2%, elevando a participação da agropecuária a perto de 6%.

As estimativas de participação do agronegócio são da ordem de 20%, envolvendo toda cadeia produtiva. Isso significa que cerca de 14% do PIB está incluída em outros setores, começando pela indústria. Por exemplo, a produção de açúcar e etanol já são produtos industriais, assim como o farelo e o óleo de soja. No setor primário estão apenas a cana de açúcar e o grão de soja. 

A indústria, como um todo apresentou variação positiva no trimestre, puxada pela indústria de utilidades públicas (energia e saneamento). Até mesmo a construção apresentou uma pequena variação positiva.
A principal variação negativa ficou por conta dos serviços, incluindo o comércio. O que é explicável pela continuidade de retração do consumo familiar. 

O dado relevante da retração dos serviços está na queda continuada do setor de intermediação financeira. Esse teve uma queda de 1,17% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, sendo a sétima consecutiva, e apresenta uma perda de 4,0% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Não obstante, mantém uma participação no PIB superior ao da agropecuária. No primeiro trimestre de 2017, a sua participação foi de 7,42% bem acima dos 5,82% da agropecuária. 

Não seria por outro motivo que os analistas que vivem diariamente com essa retração sejam mais pessimistas, desconfiando dos números da agropecuária. É o seu mundo que está em crise maior e vem puxando o PIB para baixo. 

Desde o 2º trimestre de 2016, quando Temer assumiu o Governo, trazendo consigo Meirelles e Ilan, a queda do setor de intermediação financeira que envolve bancos, corretoras e outros,vem caindo mais que o PIB. O setor teria razões para estar insatisfeito com Temer e a política monetária em seu governo. 

Em conta simples, os números dizem que a supersafra agrícola só não impactou mais positivamente a evolução do PIB, porque foi desgastada pela queda da atividade de intermediação financeira.  

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