segunda-feira, 17 de abril de 2017

Importantes aspectos ainda submersos


A lista de Fachin só alcança 8% dos deputados federais. O que, em função dessa lista, 92% estariam "aptos" a retornar em 2019, sendo reeleitos em 2018.

A quase totalidade dos deputados não está explicitamente na lista, mas está envolvida indiretamente por conta da "compra de medidas provisórias pela Odebrecht". 

Na realidade não foi uma compra da Odebrecht, mas o financiamento ao Governo para a compra da aprovação das MPs.

Como avalia a coluna de Miriam Leitão, no sitio da Globo, mais que equívocos, as medidas estatizantes e nacionalistas dos governos petistas, foram "compradas", financiadas pela Odebrecht. 

Uma das principais razões porque a maioria dos deputados não aparece, responde pelo nome de Eduardo Cunha. Ele era o concentrador e redistribuidor. 

Da mesma forma, a maioria dos deputados eleitos em 2010 e 2014 teve a sua campanha irrigada pelo odebrechtduto, angariada pelos dirigentes partidários. 

Os 92% que ficaram fora aproveitarão para alardear que a lista do Fachin os liberou dos crimes de corrupção. Teriam tido um atestado de "honestidade". O mais conhecido deles é o notório deputado Paulo Maluf. Que já tem dito, reiteradamente, que é o político "mais honesto do Brasil". 
Não haverá renovação política enquanto essa outra faixa do "iceberg corrupção" não vier à tona. 

sábado, 15 de abril de 2017

Não quero carro, pai!

O mês de fevereiro era sempre esperado, com expectativa pelo setor automobilístico, em função de uma demanda sazonal: a compra de um carro para o filho ou filha que passou no vestibular e vai ingressar na faculdade. É também um momento de libertação do garoto ou garota. Não precisa mais ficar dependente do ônibus ou do metrô. Não precisa mais ser levado ou buscado na escola. 

Agora veio a decepção: "pai, não quero carro! ". Está com dinheiro? Então me financie uma viagem, com a turma.

A independência é buscada de outra forma: sair de casa para ir morar numa república, com os colegas. 

E o mercado automobilístico não se anima com a compra dos carros para os calouros. 

O transito poderá não sofrer grandes alterações, uma vez que o jovem irá dispensar o seu carro próprio, mas usará um aplicativo para usar o carro de terceiros. 

Já os estacionamentos terão uma queda de demanda por que os carros chamados pelos aplicativos não precisam usar vagas pagas. 

É uma nova realidade que requer a reavaliação dos modelos de negócios. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O conjuntural e o estrutural

A lista de Fachin terá efeitos conjunturais, mas poderá se esvair se não tiver forte influência sobre as eleições parlamentares de 2018.

A bomba Fachin é um míssil do tipo "tomahawk" dirigido para alcançar com precisão o seu alvo e se fragmentar com diversas balas, causando grande devastação no seu entorno próximo, mas sem grande expansão.

Caiu com precisão na Praça dos Três Poderes, quando o Chefe da Casa Civil estava reunido com outros sete ministros e as Presidências do Congresso reunidos como os líderes partidários. Esses foram as principais vítimas da bomba, saindo feridos, mas sem nenhuma baixa fatal.

Alguns não sobreviverão a 2018.  Ministros atingidos poderão voltar ao Congresso mas terão que enfrentar um interregno altamente perigoso.

Para se candidatar a um novo cargo legislativo terão que renunciar ao Ministério, perdendo o foro privilegiado. Poderão reconquistá-lo, se conseguirem ser eleitos ou reeleitos em 2018. Nesse intervalo estão sob a jurisdição da 1ª Instância. Isto é, Risco Moro.

Dois Senadores afastados estão na lista, mas com mandato até 2018. Terão que enfrentar o eleitorado em outubro de 2018, para poder voltar a ter foro privilegiado.

Novas bombas ainda irão cair sobre o Congresso. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sempre foi assim

A opinião publicada recebeu com perplexidade, indignação e revolta a divulgação pela televisão dos vídeos em que Marcelo Odebrecht conta, com a maior naturalidade, que o financiamento das campanhas eleitorais sempre foi com (ou pelo) Caixa Dois. Depoimentos de outros diretores do Grupo Odebrecht seguem o mesmo tom coloquial, sem emotividades, sem demonstração de arrependimento. São tratados como atos corriqueiros, usuais e normais. E eram. Apenas a sociedade, fora do círculo das relações promíscuas entre políticos e empreiteiros de obras públicas, não tinham conhecimento. Agora passaram a ter.

A lista de Fachin remonta a um passado mais remoto, alcançando José Sarney, o primeiro presidente com a redemocratização e ainda vivo. Não retrocede aos tempos da ditadura militar. Quando também havia.

Com todos os seus sucessores o processo (chame-se de modelo, esquema ou qualquer outra denominação) ocorreu, com maior ou menor conhecimento de cada Presidente. 

O PT assumiu o modelo como a principal sustentação do seu projeto nacional e de poder. 

Para implantar essa visão de um Brasil, socialmente mais justo, era preciso conquistar e manter o poder. Não por um mandato, mas por longo prazo. Pelo menos 20 anos, tempo inicialmente pretendido pelo PSDB. Ou seja, cinco mandatos sucessivos. 

Nesse prazo o PT pretendia mudar o país.

Ao perceber ou presumir que apenas o apelo social e ético não eram suficientes para a conquista do poder, incorporou o modelo dos seus adversários vitoriosos: irrigar as campanhas eleitorais com amplo uso do marketing político e muito dinheiro. Buscando-o da mesma forma que os outros: com os "empreiteiros".

E tornaram o modelo, o paradigma das relações contratuais entre o Governo, incluindo as estatais, e os construtores. 

Animado com o sucesso do modelo, através da conquista do poder com a eleição de Lula, em 2002, o partido buscou a sua ampliação para garantir uma base de sustentação no Congresso. 

O modelo quase naufragou com o "Mensalão", mas o PT e seus aliados conseguiram salvá-lo, apesar de algumas baixas importantes, nos seus quadros dirigentes. E com a colaboração daqueles, remontaram o modelo de forma mais ampla na Petrobras. Embora não tenha se limitado a ela.

Transformaram uma doença controlada numa epidemia, com ampla contaminação através dos vírus produzidos nos laboratórios das empreiteiras. 







quarta-feira, 12 de abril de 2017

A bomba estourou. E agora?

A bomba de Janot estourou antes da hora, agora como "Lista de Fachin" estragando a Páscoa de muitos políticos. Mas também gerando alívio temporário àqueles que não estão na lista. As maiores surpresas não estão na lista. Mas dos que ficaram fora da lista. Por que não entraram?

O Governo tem atualmente 28 Ministros de Estado. O Ministro Fachin pediu investigação sobre 8 e informações adicionais sobre mais 1. São 9 citados, o que pode ser um escândalo, ou, num fria análise numérica, apenas 32%, pouco menos de um terço.

Não pediram ou não foram atendidos pela Odebrecht. Uma parte dos Ministros é oriunda do baixo clero. Não tinham prestígio.

Outra situação é dos filhos ou parentes de políticos tradicionais e de prestígio para serem contemplados pela Odebrecht, como Sarney Filho, Leonardo Picciani e Fernando Coelho Filho. Os pedidos e atendimentos teriam sido feito pelos pais? 

A surpresa da lista de Facchin não é dos Ministros objeto de investigação, mas dos que não foram arrolados. Estarão livres definitivamente, ou apenas nesta fase? 

Numericamente a Câmara dos Deputados é a menos atingida. Dos 513 deputados, apenas 39 deputados serão objeto de investigação: 8% do total. Quantitativamente, 92% estão, por enquanto, fora das suspeitas e podem dar continuidade aos trabalhos legislativos, embora dentre os 8% estejam muitos dos líderes partidários.

Do lado oposto, numericamente o Senado é mais atingido com 24 Senadores objeto de investigação, aos quais se soma a Senadora Gleise Hoffmann, já reu em processo no STF. Os 25 suspeitos representam 27 % do total. Entre eles as principais lideranças, incluindo o atual Presidente do Senado. 


Embora o centro do Congresso tenha sido atingido pelos mísseis da dupla Janot/Facchin, os sobreviventes terão plenas condições de dar sequência aos trabalhos legislativos. Embora abalados emocionalmente. E perseguidos pela mídia.

No caso dos Governadores, as primeiras notícias não deram a amplitude da lista, ainda que também numericamente  minoritária. Foram arrolados 12 Governadores em exercicio, o que representa 44% dos 27. 

Outros 9, incluindo o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin teriam atuado diretamente com a Odebrecht. Por essa razão os seus processos foram encaminhados para o STJ  cuja velocidade poderá ser diferente do STF. A possibilidade deles serem denunciados mais rapidamente dos que os seus colegas no STF é alta. 

Embora tenham ainda a alternativa de recurso ao STF, no caso de condenação, o impacto político da denúncia pode ser avassaladora àqueles que pretendem ser candidatos à reeleição ou a cargos maiores. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Ilusões em relação à renovação da Câmara dos Deputados

Desenvolveu-se dentro da sociedade organizada uma forte ojeriza aos políticos, começando a surgir dentro dela movimentos para que os eleitores rejeitem a reeleição dos atuais parlamentares. 
Um dos mecanismos para tal é a avaliação da qualidade dos parlamentares atuais.



Parece objetivo e simples. Mas não é. 

São Paulo tem 70 deputados na Câmara dos Deputados. Uma pergunta inicial aos paulistas revoltados é quantos deputados ele conhece ou já ouvir falar, para poder avaliar se ele é bom ou não?

E do total dos 513 deputados federais quantos cada revoltado conhece? 


Cem mil paulistanos podem ir à Av Paulista pedir que não reelejam os atuais Congressistas, mas bastam 30 mil votos em Roraima, para chegar ao Congresso. 

Como evitar isso?  Os cem mil revoltados da Avenida Paulista, ou da rede social, precisam convencer outros cem mil eleitores de um dado candidato que aqueles consideram desmerecedores de reeleição. Que os revoltados não conhecem, mas esse candidato é conhecido e apoiado pelos seus eleitores.

Não é o povo brasileiro, como uma figura construida, para fins de análise, que elege o Congresso, mas cada eleitor com o seu voto. Por razões individuais. 



segunda-feira, 10 de abril de 2017

O "trumpismo" de Dória

João Dória Jr, o Prefeito de São Paulo, segue a estratégia que levou Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. 
Apresenta-se como um "outsider" da política tradicional, um empresário bem sucedido que se fez por conta própria, começando do zero. 

O importante é estar presente permanentemente na mídia, seja na tradicional, como nas novas formas, como as ferramentas da rede social: twitter, facebook, whats app, instagram e outras mais recentes. 


Com isso vai se tornando nacionalmente conhecido.  

E maquiavelicamente, já escolheu o seu inimigo preferencial: Lula. 

A sua estratégia tem um objetivo estrutural: ser reconhecido como um novo líder político nacional. Ser eleito Governador do Estado ou Presidente da República em 2018 são objetivos conjunturais. Poderá se manter como Prefeito de São Paulo, saindo no final de 2020, com alta aceitação e se posicionar para as eleições de 2022. 

Os objetivos conjunturais, como uma eleição em 2018 dependerão das circunstâncias. O importante é estar no "páreo". 

Seguirá com o seu estilo e estratégia de visibilidade permanente. O que, tem riscos, mas como Trump, acreditando que conseguirá sempre superar. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...