Pular para o conteúdo principal

Incompetência investigativa da CPI da Petrobras

A CPI da Petrobras consegui fazer com que dois dos principais envolvidos no Petrolão, já com delação premiada homologada, falassem. Na semana passada o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, e ontem o doleiro Alberto Yousseff.

Mas com os deputados interessados apenas em saber que políticos receberam do esquema, pouco indagaram dos depoentes informações sobre como foi montado e funcionava o esquema.

O que Yousseff não disse, é quem lhe dava as ordens ou com quem combinava a quem destinar o dinheiro que as empreiteiras eram obrigadas a contribuir. 

Pelas informações até agora externalizadas o esquema foi montado por José Janene, com a participação compulsória de todos os contratados pela Diretoria de Abastecimento. A taxa de 3% também foi determinada por ele, mas a distribuição, provavelmente combinada por os outros envolvidos: 1% para o partido, no caso o PP, 1% para a casa e para os operadores e 1% para o PT. Este último deveria ocorrer sob a forma de doação formal ao partido. Com foros de legalidade. Só num caso isolado teria havido uma entrega em espécie, à cunhada do tesoureiro do PT. Os demais eram feitos pelo caixa dois ou mediante lavagem de dinheiro promovido por Yousseff e seus companheiros doleiros.

Mas Janene morreu e alguém tomou o lugar dele. Com quem Janene combinou a montagem do esquema ele não vai poder contar. Só haverá suposições, domínio do fato, porque os seus interlocutores dificilmente irão confessar. 

Mas Youssef está vivo e pode contar quem o orientava e com quem combinava as operações. Diz ele que com Paulo Roberto Costa. Só os dois, sem a participação de políticos. O que não é provável. Quem era o mentor deles, depois do falecimento de Janene? Só os dirigentes do PP?

A CPI perdeu mais uma oportunidade de desvendar a montagem e o funcionamento do esquema, de forma a chegar aos efetivos chefes supremos. O acima é apenas uma suposição do PSDB.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…