quinta-feira, 9 de junho de 2016

Banalização e perda de importância social da engenharia brasileira

A engenharia brasileira é altamente competente do ponto de vista técnico. Mas inteiramente incompetente na sua comunicação com o público em geral, com a sociedade.


A engenharia brasileira já foi motivo de grande admiração por parte da sociedade. Esta chegou a colocar, ainda nos anos setenta, a atividade como uma das mais admiradas. Posteriormente perdeu prestígio e hoje é uma das atividades com elevada conotação negativa, fazendo companhia aos políticos.



Uma das razões dessa perda de importância foi a banalização da sua atividade que, de uma percepção de capacidade de solução e inovação, passou a ser vista como uma atividade que “qualquer um faz”.



Um exemplo dessa banalização é a ponte estaiada.  Uma inovação tecnológica, com impactos estéticos diferenciados, que viabiliza a colocação de pontes com grandes vãos de distância.  

Cada governante, seja estadual como municipal, quis ter a “sua ponte estaiada”, mesmo que não fosse necessária a tecnologia. Melhor, mas mais cara. Mas a difusão indiscriminada da solução levou à sua banalização ou trivialização. A autoridade queria deixar a sua marca e acabou gerando a impressão de que “todo mundo é capaz de fazer”. Com isso comoditizou a engenharia e, como tal, o projetista ou construtor poderia ser contratado pelo menor preço. A ponte estaiada virou um “genérico”.


O que se transmitiu ao público foi a percepção de poderia ser feita por qualquer um. Por diversos profissionais e não por poucos altamente especializados.
Se a escolha viesse a ocorrer com limitações de concorrentes era percebida como suspeita. O eventual chamamento apenas dos  especializados é entendida pelos órgãos de controle, com apoio da sociedade  como restrição à concorrência. Essa visão decorre do já referido acima processo de comoditização. Por sua vez consequência da banalização do uso da tecnologia.


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