terça-feira, 7 de junho de 2016

Exportar para empregar (6)

A indústria automobilística instalada no Brasil só aumentará substancialmente as suas exportações quando as direções das multinacionais decidirem transformar parte do seu parque industrial em plataforma de exportação. Voltar parte principal da sua produção para o mercado externo e não para o mercado nacional.

O comércio internacional do setor automobilístico é dominado pelas operações intra-empresa, ou seja, operações de troca entre empresas situadas em países diferentes, mas integrantes do mesmo grupo econômico.

Nas importações norte-americanas do setor, em 2007, 81% eram de transações intra-empresa.

A pergunta recorrente é "porque as direções das multinacionais não fazem isso"?

Supostamente porque, de um lado, elas ficaram decepcionadas e frustradas com um futuro promissor do mercado brasileiro que não ocorreu. Estão resistentes a investir mais no Brasil. De outro porque o Governo Brasileiro sempre foi contra a plataforma de exportação. Com apoio da sociedade.

Não é porque o carro aqui produzido e menos competitivo por razões nacionais. O carro brasileiro não é de menor qualidade porque o trabalhador brasileiro é menos preparado, ou porque há deficiências de infraestrutura. Mas é porque foi projetado para ser desse padrão pela empresa.

Em síntese, planejaram e implantaram um parque produtivo para o "carro brasileiro" e não para o "carro mundial".  Não foi uma decisão do Brasil, mas das multinacionais.

Precisam reverter essa decisão. O que já vem sendo feito em parte.


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