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Inversão de posições: a oposição a Dilma

Dilma venceu - legitimamente - as eleições de outubro de 2014, com o voto dos eleitores contrários às perspectivas de uma política econômica neoliberal, proposta pelo seu adversário derrotado nas urnas.

Com escolha de Joaquim Levy como o futuro Ministro da Fazenda, juntamente com Nelson Barbosa no Planejamento, e Trombini no Banco Central, a perspectiva é da adoção plena das medidas que supostamente, o candidato da oposição adotaria, se eleito.

Derrotado, o PSDB deveria manter-se na oposição, combatendo a política econômica da situação. Mas essa, ao adotar as propostas daquela, lhe tirou a argumentação. A oposição não pode atacar a política econômica que ela implantaria. Só lhe resta criticar, se caso, a eventual ineficiência da execução. Que, se vier a ocorrer, não seria por razões técnicas, pois a equipe é da melhor qualidade, com pequenas diferenças de posição.


Se Aécio Neves tivesse sido eleito, Armínio Fraga seria o Ministro da Fazenda, e Joaquim Levy o Secretário do Tesouro, exatamente com a função de por em uso a sua tesoura.

Dilma, no entanto, não se livrou de uma oposição. Essa é formada por segmentos do PT, grupos acadêmicos e, da classe média urbana, que votaram contra o "coxinha", o "filhinho de papai". 

Dilma não perdeu por conta dos eleitores do bolsa-família. Em São Paulo e, aparentemente, em outros grandes centros urbano, houve muito voto "enrustido". Gente que dizia votar em Aécio, mas votou em Dilma. Depois da vitória dessa, agora "saíram do armário" e estão cobrando dela coerência.


Os do "bolsa família" votaram a favor da manutenção dos programas sociais, que a campanha conduzida por João Santana, dizia que os adversários iriam acabar.

Os eleitores urbanos, melhor posicionados economicamente, votaram em Dilma, contra Aécio, Arminío Fraga et caterva, incluindo os "horríveis" banqueiros, que só sabem aumentar a taxa de juros, afogando a classe média em dívidas.

É essa classe média urbana, a principal base social da nova oposição, tendo com principal porta-vozes, Mino Carta e Luiz Gonzaga Belluzzo, através da Carta Capital. 

Para eles o "juízo final" não está na atuação do Juiz Federal Sérgio Moro, mas na escolha da trinca neoliberal para o comando da economia. Quem tiver dúvida, leia o editorial da Carta Capital, desta semana.

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