domingo, 21 de dezembro de 2014

Mobilidade humana

A movimentação da pessoa é um dos principais elementos da sua qualidade de vida na cidade. A sociedade urbana deveria se organizar para propiciar a cada um dos seus membros a melhor condição de movimentação.  
Não é o que acontece na realidade, por conta das opções pessoais, que no conjunto geram os congestionamentos de veículos particulares nas vias públicas, a lotação ou superlotação dos veículos dos transportes coletivos e uma restrição generalizada à velocidade de circulação.

A mobilidade humana, diferentemente da mobilidade urbana, transfere o foco da visão às opções humanas, as decisões tomadas pelas pessoas e não sobre os meios de transporte. Embora ambas as visões busquem perceber, entender e propor soluções para melhorar a mobilidade urbana. As propostas dessa priorizam os investimentos e ações para a expansão e melhoria dos meios de transporte coletivo, dentro da suposição de que com a expansão da oferta e melhoria da qualidade as pessoas se transfeririam do automóvel para o metrô, ferrovia metroviária ou para o ônibus.

São suposições mais baseadas em desejos do que pela percepção mais profunda sobre o que leva as pessoas às opções que impactam a mobilidade urbana. São sonhos, utopias que se afastam da realidade, persistindo como objetos nunca alcançáveis. A nova fantasia é a ciclovia. Necessária, mas de efeitos marginais, a maioria negativos, em relação à mobilidade urbana.

O foco sobre essas opções humanas, o que corresponde aos comportamentos das pessoas mostra que elas se deslocam (ou se movimentam) para realizarem uma atividade urbana em local diferente de onde se encontram. O maior volume desses deslocamentos é entre a residência (ou moradia) ao local de trabalho. Em segundo lugar as viagens com destino ao local de educação. 

O foco nas opções das pessoas mostra, em primeiro lugar, que essas só raramente são unimodais, prevalecendo a multimodalidade. Mesmo quando elas utilizam o automóvel tem que se deslocar a pé até o local onde está o veículo e, no destino, também a pé, entre o local de estacionamento do veículo até o seu destino final, seja um escritório, uma escola, uma loja, uma fábrica, ou qualquer outro estabelecimento.

Cada vez mais, o deslocamento final é feito por um meio (ou modal, como gostam os transporteiros) não considerado ainda como tal, mas que tende a ser o principal modo do transporte coletivo, no futuro: o elevador.


O único caso de unimodalidade de deslocamento é a pé entre a origem e o destino. Essa condição decorre da proximidade entre os locais de origem e o destino. 

Anteriormente um grande volume de deslocamentos a pé, decorria de restrições financeiras, principalmente em decorrência da necessidade de utilização de diversos meios de transporte coletivo. A criação do bilhete único e outras modalidades de integração tarifária, hoje adotada pela maior parte das grandes cidades, essa restrição foi superada, sem um efeito significativo sobre os congestionamentos. O impacto maior foi de ordem econômica para as operadoras de serviços de transporte coletivo e no aumento de lotação dos veículos. O que é percebido como piora de qualidade pelas pessoas, sejam usuárias ou não. Deslocar-se a pé, no imaginário popular, está associada à pobreza: um grave preconceito.

Na perspectiva da mobilidade humana, a principal, a maior das prioridades não é o transporte coletivo, mas o deslocamento a pé.


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