Pular para o conteúdo principal

Mobilidade humana

A movimentação da pessoa é um dos principais elementos da sua qualidade de vida na cidade. A sociedade urbana deveria se organizar para propiciar a cada um dos seus membros a melhor condição de movimentação.  
Não é o que acontece na realidade, por conta das opções pessoais, que no conjunto geram os congestionamentos de veículos particulares nas vias públicas, a lotação ou superlotação dos veículos dos transportes coletivos e uma restrição generalizada à velocidade de circulação.

A mobilidade humana, diferentemente da mobilidade urbana, transfere o foco da visão às opções humanas, as decisões tomadas pelas pessoas e não sobre os meios de transporte. Embora ambas as visões busquem perceber, entender e propor soluções para melhorar a mobilidade urbana. As propostas dessa priorizam os investimentos e ações para a expansão e melhoria dos meios de transporte coletivo, dentro da suposição de que com a expansão da oferta e melhoria da qualidade as pessoas se transfeririam do automóvel para o metrô, ferrovia metroviária ou para o ônibus.

São suposições mais baseadas em desejos do que pela percepção mais profunda sobre o que leva as pessoas às opções que impactam a mobilidade urbana. São sonhos, utopias que se afastam da realidade, persistindo como objetos nunca alcançáveis. A nova fantasia é a ciclovia. Necessária, mas de efeitos marginais, a maioria negativos, em relação à mobilidade urbana.

O foco sobre essas opções humanas, o que corresponde aos comportamentos das pessoas mostra que elas se deslocam (ou se movimentam) para realizarem uma atividade urbana em local diferente de onde se encontram. O maior volume desses deslocamentos é entre a residência (ou moradia) ao local de trabalho. Em segundo lugar as viagens com destino ao local de educação. 

O foco nas opções das pessoas mostra, em primeiro lugar, que essas só raramente são unimodais, prevalecendo a multimodalidade. Mesmo quando elas utilizam o automóvel tem que se deslocar a pé até o local onde está o veículo e, no destino, também a pé, entre o local de estacionamento do veículo até o seu destino final, seja um escritório, uma escola, uma loja, uma fábrica, ou qualquer outro estabelecimento.

Cada vez mais, o deslocamento final é feito por um meio (ou modal, como gostam os transporteiros) não considerado ainda como tal, mas que tende a ser o principal modo do transporte coletivo, no futuro: o elevador.


O único caso de unimodalidade de deslocamento é a pé entre a origem e o destino. Essa condição decorre da proximidade entre os locais de origem e o destino. 

Anteriormente um grande volume de deslocamentos a pé, decorria de restrições financeiras, principalmente em decorrência da necessidade de utilização de diversos meios de transporte coletivo. A criação do bilhete único e outras modalidades de integração tarifária, hoje adotada pela maior parte das grandes cidades, essa restrição foi superada, sem um efeito significativo sobre os congestionamentos. O impacto maior foi de ordem econômica para as operadoras de serviços de transporte coletivo e no aumento de lotação dos veículos. O que é percebido como piora de qualidade pelas pessoas, sejam usuárias ou não. Deslocar-se a pé, no imaginário popular, está associada à pobreza: um grave preconceito.

Na perspectiva da mobilidade humana, a principal, a maior das prioridades não é o transporte coletivo, mas o deslocamento a pé.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…