segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sem mobilidade urbana

É geral a noção, nas grandes cidades e entre os especialistas e autoridades em transporte público que a solução para a mobilidade urbana é o metrô, ou outros sistemas de transporte coletivo de massa.

A imaginário popular é que só com transporte de massa de qualidade, os motoristas abandonarão o carro, o grande vilão do trânsito, e passarão a usar o transporte coletivo.

Se indagar a qualquer um que esteja preso num congestionamento em São Paulo qual é o motivo de sua situação, ele dirá, sem titubear: tem carro demais e não tem metrô. 

Então se cobra do Governo mais investimentos em metrô, monotrilho, trens metropolitanos e outros sistemas sobre trilhos. Cobra-se do Governo de São Paulo o tão pouco investimento nos últimos anos, que faz com que se tenha apenas  66  km de metrô, não se contando mais 260 km de linhas de trens da CPTM como sistema metroviário, com o fazem outras cidades brasileiras.

Durante o novo mandato do Governador Geraldo Alckmin e, provavelmente, dos seus sucessores, ao longo de muito anos é possível que não se possa fazer mais nenhum investimento adicional em sistema metroviário em São Paulo e no resto do Brasil.

Por uma razão simples: todos os grandes fornecedores de equipamentos e construção estão envolvidos nos esquemas de corrupção, seja no chamado "cartel do metrô" ou no "petrolão".

Seguindo os processos com algum rigor, todos eles serão considerados inidôneos e não poderão mais participar de qualquer licitação pública. Sem fornecedores tecnicamente confiáveis, não há como realizar obras complexas que precisam oferecer total segurança aos usuários. 

O chamado "cartel do metrô" ora investigado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público é internacional, é global. São, na maioria, grandes empresas multinacionais, que dominam a tecnologia e os fornecimentos de carros metroviários, com os devidos equipamentos, assim como todos os equipamentos elétricos e, agora eletrônicos, da superestrutura.

Não é o caso, como na parte da construção civil, dominada pelo cartel das empresas nacionais, trazer as empresas estrangeiras. Essas estão igualmente envolvidas em esquemas de corrupção, onde atuam e não fariam diferente no Brasil.

Todas as grandes mundiais estão dentro do cartel e indiciadas institucionalmente e criminalizadas pela mídia e pela opinião publicada. 

Qualquer nova licitação que venha a ser feita pela Cia do Metrô ou pela CPTM será vista como suspeita, com jornalistas leigos escarafunchando planilhas e levantando o que entendem com indícios de irregularidades. E sempre o encontrarão, porque é comum os erros em planilhas complexas. Haverá sempre um ou outro preço, supostamente superior ao do mercado ou das tabelas oficiais. Por conta de especificidades diferenciadas, verdadeiras ou não. Mas não importa: o jornalista fará escândalo em torno do item. 

E os procuradores do Ministério Público, igualmente leigos ou principiantes os incluirão nas denúncias. Quando o ambiente é de irregularidades generalizadas, tudo é suspeito.

Um cenário, o mais provável, é o do "acordão" ou pacto. Todos concordarão em firmar uma TACão, ou seja, um mega Termo de Ajuste de Conduta, prometendo "não fazer mais".

Cumprirão?

O outro cenário que é os jovens e radicais procuradores e juizes não confiem e não aceitem promover o acordo e levem a continuidade do processo a ferro e fogo. 

Não vão parar o país, mas vão continuar parando as cidades. Em nome, da imprescindível, moralidade.

Mas serão acusados de desmontar um cartel e formar outro, de pior qualidade.

A pergunta é sempre: há alguma alternativa intermediária?


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