sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Riscos de judicialização ignorante

Há um ativismo do Ministério Público, juntamente com o Judiciário, necessário mas sob grave riscos de distorção, por ignorância dos seus representantes sobre a vida fora do campo jurídico. Agravado pela disseminação acrítica da mídia, que prefere o sensacionalismo do que o esclarecimento.
A decisão de um Juiz Federal do Espírito Santo determinando à SAMARCO que impeça a chegada da lama que vem correndo pelo Rio Doce ao mar, ameaçando a imposição de multas, caso isso não ocorra em 24 horas é inteiramente estapafúrdia. 

A água lamaçenta do Rio Doce vai chegar ao mar e não há Moises algum que consiga evitá-la. 


A lama dos rejeitos da mineração, por ser mais pesada, foi ficando depositada no leito do Rio Doce, assoreando-o.   Esse é o seu maior problema atual. Mas isso está escondido no fundo do rio, enquanto peixes mortos à superfície dão outra impressão.

Cotaina em dezembro de 2013
O problema maior será por volta de janeiro, quando usualmente chove muito no vale do Rio Doce. Esse transborda e vai inundar várzeas e cidades. 

Assoreado o rio, a extensão das inundações será maior. E a lama dos rejeitos que ficou depositada, vai ser de novo removida

Os rejeitos da mineração que estão chegando ao mar agora são relativamente poucos.   Vão chegar em quantidades maiores em janeiro. Ainda que mais diluídos pelas águas das chuvas. 
Governador Valadares em dezembro de 2013

E depois, o Rio Doce vai reviver.  Mas nunca mais será o mesmo. 

São realidades que precisam ser percebidas sem o emocionalismo que a tragédia causou. 

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