segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os dois governos Temer

São dois governos bem diferentes, com composição e qualificações distintas:

  • de uma parte Temer montou uma equipe técnica e altamente competente para a condução da política monetária, financeira e fiscal, a fim de "arrumar a casa" que está com um "rombo" incalculável;
  • de outro montou uma equipe política, que não está interessada na arrumação, mas é essencial para aprovar as medidas para tal.
A equipe da "arrumação" será comandada por Henrique Meirelles e seu "dream team" (na visão do mercado financeiro) com apoio de José Serra, na política de comércio exterior e dois notáveis no BNDES e na Petrobras. Só falta um na Eletrobras.

Temer percebeu o fracasso da tentativa de Dilma com Joaquim Levy. Este além de não ter autonomia, enfrentava o "fogo amigo", e não tinha apoio no Congresso. Com Dilma confrontando com Eduardo Cunha.

É ingenuidade achar que os congressistas (incluindo os senadores) vão votar pelo Brasil e aceitar as proposta de cortes para os ajustes fiscais a reforma da previdência e outras medidas. Muitas das quais contrariam os seus interesses eleitorais. 

O  que prevalecerá, como não citará o latinista Temer, mas o praticará é o "do ut des", na versão fisiológica: é dando que se recebe. Dará cargos e benesses para ter a aprovação do pacote Meirelles. Amplamente e minuciosamente negociado.

Pode-se lamentar ter que aceitar essa situação, mas é a realidade. E o pragmatismo requer.

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