domingo, 15 de março de 2015

Os ajustes em 2015

Os ajustes promovidos pelo Governo vão provocar um aumento de alguns preços essenciais: o da gasolina e o da energia eletrica. A conta da água também poderá subir. Os empréstimos também vão ficar um pouco mais caros.

Os impactos poderão ser amainados com a manutenção dos preços do diesel. Dependerá da Petrobras, mas sob orientação governamental. Os preços dos combustíveis no Brasil estão abaixo dos internacionais, com uma reversão de situação dos anos anteriores.

Durante o primeiro mandato de Dilma, o preço do petróleo subiu muito, aproximando-se o patamar de cem dólares. Para evitar os impactos inflacionários do aumento dos combustíveis, o Governo resolveu, através da Petrobras, subsidiar os preços, mantendo-os estáveis, acumulando prejuízos na empresa que tinha que importar os combustíveis mais caros para vendê-los mais baratos para o consumidor interno. E ainda zerou a CIDE - Contribuição sobre a Intervenção no Domínio Econômico - sobre combustíveis.

Isso causou distorções, incluindo a desestruturação do setor de etanol. 

Agora com a reversão do mercado internacional do petróleo, a Petrobras manteve os preços, procurando compensar as perdas anteriores. 

Poderá levar alguns anos, mas precisa aproveitar o momento. Historicamente os preços do petróleo vivem ciclos com forte influência do cartel e agravado pela especulação. Os árabes querem tirar do mercado alguns concorrentes e assim que consolidarem o novo quadro voltarão a promover o aumento dos preços. A Petrobras tem que aproveitar esse período de baixa e se preparar para o novo período de alta. Nesse ela deverá estar com uma capacidade de produção mais elevada, para ganhar com os preços maiores. Esse objetivo, no momento, está comprometido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.

De toda forma o primeiro semestre de 2015 será de ajuste, com inflação relativamente alta e estagnação econômica. 

Para os trabalhadores a tendência é de perda de substância nas suas remunerações, com reposição anual apenas da variação da inflação e perda de empregos. 

Com relação aos reajustes haverá sempre negociação, com mobilizações ou não, e resultados diferentes por setor. Os bancários poderão obter reajustes acima da inflação. Os industriários não.

Para as campanhas salariais as estratégias dos trabalhadores podem ser as tradicionais. Para a manutenção dos empregos não. Não podem ficar na perspectiva de correlações macroeconométricas. 

Antes de tudo é preciso entender melhor o que está ocorrendo com o mercado de trabalho.

Em segundo lugar quais são as perspectivas das empresas para manter ou aumentar os seus níveis de produção e de emprego.

Essas perspectivas também não são gerais, mas são setoriais, ainda que possam ser agrupadas em algumas grandes categorias. Segundo os setores e o tamanho.

Esse é o trabalho prioritário. 

Mesmo no contexto de uma estagnação nacional, com previsão de crescimento do PIB em 2015 de menos de 0,5%, ficando pior do que 2014, alguns setores ainda terão crescimento superior. Entre essas algumas como geração de emprego correspondente e outras com baixo padrão de aumento dos postos de trabalho.

Os setores mais dinâmicos continuarão sendo os voltados para a exportação, principalmente as commodities, sejam as agrícolas, as florestais e as minerais, apesar dos preços baixos.

As perspectivas para 2015 seriam de um enfraquecimento generalizado, em função do crescimento menor da China, o principal demandante dos grãos e do  minério de ferro. Já o açucar e celulose dependem menos da China. Além do minério de ferro, a principal commodity mineral é o petróleo, com uma dinâmica própria. 





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