sexta-feira, 27 de março de 2015

Um cenário pouco provável, mas não impossível

A perda de poder efetivo de Dilma, decorre tanto da perda de popularidade, como de erros estratégicos em relação à base aliada, fazendo com que o PMDB, principal partido aliado se virasse contra ela. Não para fazer oposição, mas para assumir o pode real, diante do enfraquecimento da Presidente.

O segundo decorre do primeiro. Caso ela mantivesse altos índices de popularidade, o PMDB não iria se rebelar, tampouco entrar numa disputa de poderes com ela e com o PT. Mesmo com todos os erros e incompetências.

A razão principal do enfraquecimento foi a necessidade de mudar os rumos da política econômica, adotando o tripé  macroeconômico, exigido pelo sistema financeiro, para manter os investimentos e financiamentos. 

Dada a desorganização das contas públicas em função do excesso de intervenção do Estado e elevados gastos com subsídios, explícitos ou não, para atender aos mais necessitados, era necessário cortar gastos, eliminar subsídios, eliminar distorções para gerar o superávit primário.

Esse já não ocorreu em 2014, mas a Presidente se livrou das penalidades da lei de responsabilidade fiscal, em função de manobras feitas no final do ano, com mudanças legislativas.

Diante do risco iminente de perder o grau de investimento, de tornar o país inadimplente, sem  novas fontes de financiamento e sem cumprir os pagamentos dos juros, "quebrando o país" o que sempre acusou o Governo FHC de fazê-lo, ficou sem alternativas. 

Mas ao  adotar o tripé macroeconômico, ela traiu as expectativas do seu eleitorado.

Por outro lado, os escândalos do "petrolão" irritaram os que não votaram nela  e a somatória desses fatores levou a um alto índice de rejeição a ela e ao seu governo.

A possibilidade dela virar o jogo está em cumprir as suas promessas de controlar a inflação e evitar o desemprego. 

Para controlar a inflação ela não pode mais adotar medidas artificiais, como o fez durante o seu primeiro mandato, como congelar os preços dos combustíveis, tentar uma redução das tarifas de energia, postergar o aumento das tarifas do transporte urbano e outras medidas de curta duração que acabam tendo que ser corrigidas.

Ao ter feito isso ao longo do seu primeiro mandato, agora no começo do seu mandato tem que fazer as correções. Ela recebeu uma herança maldita dela mesma. 

Como a inflação atual é corretiva, pode não perdurar, a menos de um processo sucessivo de contaminação ou retroalimentação. Para evitar isso o remédio adotado pela Presidente, orientada ou determinada à equipe econômica é o aumento de juros e a contenção da demanda interna. Significa promover uma recessão para evitar novos aumentos de preços. 

Para a maior parte da sociedade isso representa enfrentar um aumento de preços no seu consumo, sem possibilidade de elevar a sua renda na mesma proporção. Os pouco que ganham são os rentistas que conseguem aumentos reais para as suas aplicações.

Enquanto os preços continuarem subindo, os consumidores continuarão insatisfeitos, dentro dos quais alguns revoltados. desaprovando o Governo da Presidente Dilma. E os índices de desaprovação continuarão altos. 

Índices de inflação e taxas de crescimento do PIB são de entendimento de poucos. Para a maioria da população, incluindo os de classe média, o que importa é a carestia e o emprego. Supõe-se que para ter empregos é preciso que a economia cresça, ou seja, que o PIB cresça. Mas em 2014, com a economia estagnada o emprego cresceu, só arrefecendo no final do ano.

Dilma precisa que as medidas governamentais promovam a retomada do crescimento e com isso os empregos. A economia privada, por si só, mesmo recuperando a confiança, não consegue essa recuperação a curto prazo, dependendo de incentivos ou sinalizações governamentais.

O Governo tem dois caminhos viáveis para essa recuperação a curto prazo, mas o principal obstáculo é de caráter ideológico.

O primeiro é o das concessões de serviços públicos. Apesar da crise e do comprometimento das maiores construtoras na operação Lava-Jato, ainda há grupos nacionais capacitados e interessados. E ainda há interesse de grupos estrangeiros. Não será por falta de interessados que as novas licitações deixarão de ser bem sucedidas.

Os obstáculos estão no financiamento e nas tarifas.  Com a prioridade voltada para o consumidor, os modelos governamentais estão orientadas para a menor tarifa. E para alcançar tarifas menores, o Governo subsidiava a concessionaria através de financiamentos favorecidos através do BNDES.  Com os ajustes na economia, o Governo não pode mais assegurar o financiamento nas proporções anteriores, tampouco as taxas de juros subsidiados. Dessa forma terá que oferecer bases tarifárias que o mercado considere viáveis, após os descontos. 

Para viabilizar as novas concessões terá que aceitar tarifas mais elevadas, o que vai contra a sua ideologia. Mas poderá acabar aceitando porque os grupos contrários, principalmente abrigados dentro do PT, não tem grande força política, tampouco popular.

O segundo caminho é o de aumentar as exportações através das multinacionais, principalmente do setor automobilístico, cujos empregos são emblemáticos.

As exportações das multinacionais não são de caráter comercial, mas são transferências de uma subsidiária a outra. A principal reivindicação delas é o estabelecimento de acordos comerciais, com os paises desenvolvidos, principalmente a União Européia.

Por razões ideológicas Dilma resistiu, insistindo no Mercosul e, mais recentemente, nos BRICS. Para ampliar as exportações precisará estabelecer novos acordos. 

Para virar o jogo ela precisará mudar a forma de jogar e até mesmo mudar alguns jogadores. Nem tudo está perdido, mas se insistir teimosamente numa visão de mundo do mundo retrógrada, não conseguirá recuperar a economia a curto prazo. 

















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