segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A ilusão das avenidas

A opinião publicada saiu às avenidas com a ideia de ser uma amostra significativa da opinião pública.
Essa pretensão é alimentada, sustentada, difundida e amplificada pela mídia, seja no noticiário, como pelos colunistas e editoriais dos jornais e revistas, integrantes, quase todos, de uma elite e da opinião publicada.
Assume e defende posições como se fosse a dona do Brasil. Apoia algumas pessoas e execram outros. E torcem para que todos os políticos sucumbam ao "tsunami Odebrecht".

A opinião publicada precisa "cair na real". Não pode ficar na ilusão de que é a opinião pública, embalada pela mídia. Não pode ficar na ilusão de que o Judiciário é a seu favor, com exceções. Os juízes também são parte da opinião publicada. Não representam a opinião pública. Quem a representa é o Congresso. De forma desproporcional, mas todos os parlamentares foram eleitos democraticamente. Cada um pelo "seu eleitorado". 


E, em outubro de   2018 esse "povo das avenidas" irá chorar as suas frustrações. Ou ficar com muita raiva, querendo quebrar tudo. Achando que o Brasil não tem jeito. Uma parte querendo chamar os militares para dar jeito nesse país sem jeito. 
O "povo das avenidas" não é povo: é uma elite regional. Não é o povo do Brasil real. Não é o "clamor das ruas". É o "clamor das avenidas". 


Enquanto a opinião publicada se achar ser a opinião pública, vai ficar iludida e vivenciará grandes frustrações a cada eleição. 

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